segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

FOGO CONTRA FOGO


NOTA: 9.
- Eu nem sei mais o que estou fazendo. Todo o tempo que temos é uma sorte. Quer partir? Pode partir à vontade. Por conta própria. Ou por conta própria decida me acompanhar. E tudo o que eu sei é que não me importa ir para qualquer lugar sem você.

Lá pela metade do filme, temos Robert De Niro e Al Pacino se encarando em um restaurante. Somente os dois na mesa. Olhos nos olhos. Eles já tinham dividido a tela antes em O poderoso chefão parte II, mas nunca apareceram em uma mesma cena. Pacino estava no presente e De Niro no passado. Agora aqui estão os dois frente a frente pela primeira (e por enquanto a única que vale a pena) vez no cinema. Dividindo a cena.
De Niro interpreta Neil McCauley, um ladrão profissional e dos bons. Ele já foi preso uma vez e não pretende ir para a cadeia novamente. Pacino faz o policial Vincent  Hanna, um policial tão obcecado com seu trabalho que já arruinou 2 casamentos e está na fase final do seu terceiro. Seus casamentos duram tanto quanto a paciência de suas esposas em ficarem em segundo plano.
Hanna vira para McCauley e diz: "Não sei fazer nada além disso.", ao que ele responde: "Eu também não.". Esses homens são os melhores em sua áreas. São os contrapontos que precisam existir para o outro ter o motivo da sua própria existência. Eles precisam um do outro e não vão sobreviver um ao outro. Pelo menos um deles.
Um grande acerto do diretor Michael Mann é dar ao filme uma dimensão muito maior que seus personagens principais. Não lembro de ter visto em outro filme, uma atenção tão grande dada às mulheres dos bandidos ou dos policiais. A mulher de Hanna é um poço de amargura. Ela não quer se separar, ela quer machucar o policial. A mulher do associado de McCauley, Chris (Val Kilmer), é interpretada por Ashley Judd. Ela não parece ter problema com o fato de o marido ser um assaltante, o que realmente a incomoda é que ele perca o dinheiro deles com jogo. Se ela largá-lo, será por causa do vício, não da profissão.
McCauley acaba se apaixonando ao ver o que os outros tem e ele não. Ele infringe sua regra de não se apegar a nada que não possa largar em menos de 30 segundos. Essa é a regra que o tem mantido fora da cadeia. Em seu apartamento não há nada. Ele sequer mobiliou o lugar. Na cozinha, a única coisa na bancada é uma cafeteira. Não há nada lá que indique que justifique um segundo pensamento. E ele não pode largar Eady em menos de 30 segundos. Ou pode?
O que faz a diferença no filme é o roteiro e a direção de Mann. Este não é apenas um filme de ação, e cada diálogo há mais profundidade que o gênero exige. É a atenção de Mann aos detalhes que faz a diferença.
Mas não se engane. Este filme é sobre De Niro e Pacino. E quando eles estiverem frente a frente de novo ao final do filme, você vai ter certeza disso. O que importa é o encontro dos dois. Todo o resto é resto. E nada é mais justificável que esse encontro.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

MACHETE


NOTA: 3.
- Machete improvisa.

Os filmes de ação nunca primaram muito pelo talento de seus protagonistas. O sucesso do governador do futuro e de Sly são os maiores exemplos disso. Por isso não chega a ser uma grande surpresa ver Danny Trejo, aos 66 anos de idade, chegar a esse posto. Principalmente se levarmos em conta que se trata de filme tosqueira de Robert Rodriguez.
Alguns defensores do cineasta podem até mesmo reclamar do uso da palavra tosqueira associado ao seu nome, mas a sua filmografia é incontestável. Machete é apenas uma última afirmação junto com Planeta terror de exacerbar sua veia tosca.
Machete (Trejo) é um Federale mexicano que tenta prender um perigoso bandido chamado Torrez  (Steven Seagal) que tem toda a polícia mexicana e um senador (Robert De Niro) na sua folha de pagamento. Ele é deixado quase morto e abandona a polícia, fazendo bicos na fronteira dos EUA junto com tantos outros Mexicanos.
Até que um empresário, Booth (Jeff Fahey), o contrata para matar o senador. Acontece que tudo se trata de uma armação para elevar a popularidade do senador, e Machete acaba baleado e tentando descobrir a trama toda por trás disso. Isso com a ajuda de uma policial da imigração, Sartana (Jessica Alba) e uma mulher chamada Luz (Michelle Rodriguez, que não tem parentesco com o diretor) que ajuda os imigrantes.
Tentando fazer o filme ficar mais interessante, ele põe em xeque toda a questão da imigração ilegal e uma rede de ajuda aos imigrantes com um nome muito original: "A Rede". E por falar em original, a líder desse movimento é conhecida She, e pelo jeito que as pessoas pronunciam no filme é uma homenagem (ruim) á Che Guevara. Tudo recheado de muitas (e muitas) mortes, decapitações e multilações e daí por diante.
Se você se pergunta porque Trejo demorou tanto para se tornar protagonista, a resposta é rapidamente obtida. A falta de talento e de carisma chegam a assustar. Quando ele abre a boca a situação só piora. Ele parece uma versão mexicana ruim do Hulk, que balbucia palavras monossilábicas tentando formar frases como "Machete don't text" e Machete improvise". Um dos piores heróis que já vi no cinema.
E nem é a pior coisa do filme. Steven Seagal é ruim como protagonista de seus filmes, mas como vilão a coisa chega ao limite máximo da canastrice. Sua cena final é algo tão ruim que merece um prêmio. O único papel acertado é de Lindsay Lohan num papel quase auto biográfico. Ela faz a filha de Booth, uma adolescente mimada, rica, viciada que apenas se preocupa com ela.
Agora há os que dizem que o importante é ação, certo? Então isso não falta aqui. O filme é um festival de sangue que rapidamente fica cansativo. Já se perguntou por que no desenho dos Simpsons, a série que eles assistem de gato e rato dura apenas 30 segundos? Porque o excesso torna tudo muito cansativo de assistir.
E o problema não é só esse. As cenas de ação são das piores da carreira de Rodriguez. Elas são mal filmadas, sem dinamismo e sem imaginação. Na verdade, a palavra chave do filme é sem imaginação. Tão absurdo, que ele chega a praticamente copiar uma cena de A balada do pistoleiro
A história não ajuda o filme. Rodriguez mostra porque nunca foi um cineasta de primeiro escalão. Ele mal consegue amarrar uma história de forma satisfatória. Em uma parte, para poder seguir adiante com a trama, descobrimos que o irmão de Machete é um padre que filma as confissões que Booth faz em sua igreja. Triste.
 O final só complementa os problemas do filme. Tudo termina numa batalha confusa e pouco emocionante entre americanos, mexicanos, enfermeiras safadas e uma freira. Fica uma mistura estranha de comédia pastelão e filme de ação. E se espera que as mulheres gostosas façam o filme valer a pena, também vai se arrepender. As cenas com elas são tão mal filmadas quanto as de ação, e ao invés de sensuais ficam toscas.
O único alívio do filme é a interpretação de De Niro, que está impagável e faz milagres com a falta de um roteiro decente. 
Pra quem gosta de muito sangue e tosqueira é um prato cheio. Quem quiser qualquer coisa além disso vai se decepcionar.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

MINORITY REPORT


NOTA: 10.
-Sinto muito, John, mas você vai ter que correr de novo.

Este filme é uma bela surpresa. Pense bem, o diretor mais rentável de todos os tempos se juntando com um dos maiores, e também um dos mais rentáveis, astros da atualidade. O que se esperar? Um filme que procure apenas uma diversão rápida e rasteira, não? Bem, felizmente não é isso que fizeram os dois quem são, e eles continuam escolhendo muito bem seus projetos.
Cruise interpreta John Anderton, chefe de uma divisão da polícia conhecida como Pre-Crime, que prende criminosos antes que eles cometam os crimes. Como eles podem ser condenados de algo que não fizeram? O sistema se baseia nas previsões de três cognitivos cujos nomes são baseados em escritores policiais: Dashiell (Hammet), Arthur (Conan Doyle) e Agatha (Christie). Eles captam as intenções dos futuros criminosos e enviam as informações para que Anderton possa evitar o crime. Em seis anos, não houve um único assassinato. O sistema é perfeito. Ou assim eles dizem.
O problema começa com a chegada de Danny Witwer (Colin Farrell), que procura falhas nesse sistema. "Se há uma falha, é humana", ele diz. Ninguém vê os cognitivos como humanos. Na melhor das hipóteses, eles seriam como o mais perto de Deuses, chegando a serem reverenciados. Aliado a isso, Anderton recebe um chamado de um crime, que ele mesmo deve cometer, contra alguém que não conhece. Enquanto filmes fazem com que o culpado procure a inocência por um crime já ocorrido, aqui Anderton deve tentar se inocentar de um crime que ele deve supostamente ainda cometer. Como se faz isso?
Muitos filmes se baseiam em efeitos especiais para ter uma história de um filme. O resultado nem sempre é animador. Spielberg faz o contrário, o que interessa aqui é a história. Claro que ele usa efeitos especiais de última geração, que impressionam mesmo com os avanços que vieram depois. Mas ainda assim, nenhum efeito especial se sobrepõe à história em momento algum. Tudo é para ajudar a contar a história. Alguns se baseiam na ação, outros nos efeitos, Spielberg se baseia na história. Por isso se destaca de todo o resto. Por isso é maravilhoso na maioria das vezes.
É o diretor mais famoso em sua melhor forma aliado a um astro que melhora cada vez mais com o passar do tempo. No mínimo merece uma olhada.

OBS: A história se baseia num conto curto de Philip K. Dick, o mesmo que escreveu um conto que deu origem a Blade Runner. Não li nenhum dos dois contos, mas o futuro aqui é bem mais animador que no caçador de andróides.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

MOULIN ROUGE


NOTA: 10.
- A melhor coisa que você pode aprender é como amar e ser amado de volta.

Em 2002, o Oscar privilegiou o extremamente formulaico Uma mente brilhante, mas havia dois filmes que chamaram muito mais atenção. Tivemos o primeiro filme da trilogia de O senhor dos anéis e este Moulin Rouge. Dois filmes que hoje ainda valem a pena serem visto enquanto o grande vencedor da noite parece cada vez menos interessante.
Baz Luhrmann, que tem um histórico em óperas, criou uma overdose visual maravilhosa de assistir. Graças ao seu passado, ele foi capaz de contar uma história que é uma mistura de óperas inesquecíveis como La traviata entre outras.
E a história é sobre Satine (Nicole Kidman), uma linda cortesã do Moulin Rouge que se apaixona por um pobre escritor, Christian (Ewan McGregor), que há pouco tempo entrou para a companhia de Toulouse-Lautrec.
Desde o início fica claro que o futuro de Satine é trágico. Sua primeira cena é logo entrecortada com uma outra de seu final nada animador. Satine está morrendo de tuberculose, típica doença dos boêmios românticos. Já Christian é uma encarnação de Orfeu. Ele vai para Paris para trabalhar como escritor a contragosto de seu pai. Ele entra pra companhia porque o argentino narcoléptico cai pelo teto de seu apartamento. Mas logo Toulouse percebe que é um boêmio como ele, capaz de transmitir os princípios de "beleza, verdade e amor", que ele tanto acredita.
O problema é que Zidler, o dono do Moulin Rouge, fez um acordo com o Duque para transformar o estabelecimento em um teatro. Ele promete Satine para ele, mas ela acaba confundindo o Duque com Christian e os dois se apaixonam. Então, a peça escrita é sobre o triângulo amoroso que se formou sem o conhecimento do Duque.
O fato do Duque não ter não ter nome me lembra muito filmes antigos da época muda, com vilões parecidos com ele. Até mesmo D. W. Griffith em O quarto selado, que conta a história do Rei. Ou até mesmo um OS Saltinbancos trapalhões, onde eles trabalhavam para o Barão.
O estilo de direção de Baz Luhrmann é extremamente exagerado, o que prejudicou um pouco trabalhos anteriores como Romeu + Julieta, mas aqui ele finalmente encontra uma história que encaixa perfeitamente no seu estilo. Não sou fã de filmes com muitos cortes, mas aqui o exagero só melhora tudo. Em parte, se encaixa tão bem porque o filme é um gigantesco videoclipe. Ótimos números musicais com muita música pop meticulosamente escolhida. Na verdade, não há do que não gostar no filme.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

LARANJA MECÂNICA


NOTA: 5.
- Chega de falar. Ações mais falam mais alto. 

Acredito que muitos vão querer me crucificar, mas não acredito que Laranja mecânica seja uma obra genial. Na verdade, Kubrick tem alguns bons filmes e algumas obras realmente geniais, mas esse não é um dos seus melhores trabalhos. Especialmente, acredito que muito se falou desse filme por ser o que ele filmou logo após ao realmente genial 2001. Acabaram enaltecendo esse filme como se fosse outra obra de arte. E em nenhum momento eu senti isso.
Um dos principais motivos é por glorificar a violência. Muitos vão dizer que a intenção dele é justamente o oposto a isso, mas se isso realmente for verdade, se a intenção era realmente criticar a violência, eu sinto que ele falhou nesse sentido.
Para começar temos um dos personagens principais mais asquerosos da história do cinema: Alex (Malcolm McDowell). Ele é sádico, espancador, estuprador e ladrão, líder de uma gangue que compartilha dos mesmos prazeres que ele. Como torcer por ele?
E o problema não é apenas o fato dele ser tudo isso, o problema é que não sabemos nada sobre ele além disso. Fora o fato que ele gosta de escutar Beethoven, e vai saber porquê ele gosta, não sabemos qualquer outra coisa sobre esse indivíduo.
Também não há qualquer desculpa para ele ser como é. Pode-se especular que a sociedade o deixou assim, que ele foi vítima de abusos ou qualquer outro motivo. Nada disso aparece no filme. Não há qualquer motivo para ele ser assim. Ele simplesmente é e pronto. Que eu deva aceitar isso num vilão de um filme, eu tento entender. Aceitar isso no protagonista, que ainda por cima é filmado como se fosse a única pessoa normal dessa sociedade deturpada de Kubrick, é uma coisa totalmente diferente.
A própria sociedade deixa de ser interessante rapidamente. É uma mistura de pop-art com figuras abstratas que parece ser o pior lugar do mundo para se viver no cinema. Tudo decadente e frio e feio. A única pessoa que me pareceu realmente interessante é o mendigo que diz que prefere morrer a morar naquele lugar horroroso. Essa parece ser a única pessoa sã em todo o filme.
Alex não é punido por seus atos. Não da forma como ele prejudicou as pessoas. Não há senso de ordem e justiça nesse futuro. Não há retaliação para os atos desse psicopata que termina o filme como herói (como ele pode ser um herói?). Ele aprendeu alguma coisa? Não acredito. Quando deve responder ao teste, suas respostas correspondem ao mesmo sádico que era no início do filme. Ele não mudou. Devo eu aceitar que ele é o melhor que posso ver num filme?
Os fãs que me desculpem (eu próprio sou um grande fã de alguns obras), mas não há o que celebrar em um filme como esse. Uma pena. Felizmente ele tem outros filmes que merecem ficar para sempre na história do cinema.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

GÊNIO INDOMÁVEL


NOTA: 8,5.
- Você não deve a si mesmo, deve a mim. Não me leve a mal. Você é meu melhor amigo, mas se em 20 anos você ainda estiver morando aqui, indo pra minha casa assistir jogos e ainda trabalhando em construções, eu te mato. Não é uma ameaça, é um fato. Você está sentado em um bilhete de loteria, premiado, só não tem coragem de retirar o prêmio.

Sabe quando você assiste um filme com Matt Damon ou Ben Affleck e aparece que eles ganharam Oscar. Bem, Damon até foi indicado pelo seu papel neste filme, mas a verdade é que nenhum dos dois ganhou o prêmio por atuação. O Oscar que eles tem é pelo roteiro que escreveram a quatro mãos deste. Quem saiu com a premiação por sua atuação foi Robin Williams, que entregou um de seus melhores trabalhos e quando quer faz papéis memoráveis.
Interessante é que um dos melhores papéis do filme cabe a Stellan Skarsgard como professor Lambeau. Um dos menos badalados. Ele é um dos maiores nomes da matemática, estudou a vida inteira e ganhou prêmios por seu trabalho. Tudo isso pra descobrir que um faxineiro que não tem metade da sua escolaridade consegue resolver problemas que ele nunca irá conseguir. E com a maior facilidade. Mais doloroso ainda deve ser ver alguém com essa capacidade jogar tudo fora.
Para desafiar seus alunos, ele lança um problema num quadro, um problema que ele mesmo demorou dois meses para resolver. Na manhã seguinte, o problema está resolvido no quadro. Como nenhum dos alunos diz quem resolveu o problema, ele lança um segundo ainda mais complicado como forma de retaliação. Um que  ele mesmo levou mais de um ano para resolver. No dia seguinte pega Will resolvendo o problema no quadro.
Automaticamente fica claro que Will é um gênio da matemática, e Lambeau consegue livrá-lo da prisão de agressão a um policial em troca de resolver problemas juntos e análise uma vez por semana. Depois de passar por vários profissionais, Lambeau convence seu antigo colega de quarto da faculdade, Sean (Robin Williams), a orientar o garoto. O próprio Sean parece ser um talento que acabou arruinando a própria vida depois da morte da esposa.
O fato de Will ser um gênio não o torna muito diferente das outras pessoas. Ele tem amigos como Chuckie (Ben Affleck), Morgan (Casey Affleck) e Billy (Cole Hauser), e uma namorada, Skylar (Minnie Driver). Todos eles estão dispostos a ajudar Will. Todos sabem que ele tem talento e que somente precisa de coragem para vencer na vida.
A única coisa que o impede de ser tudo que ele pode ser, é ele mesmo. Violência doméstica e abandono o fizeram criar uma proteção contra todas as pessoas. Chuckie percebe isso, Skyler também. E essa se torna a maior questão a ser confrontada durante as sessões de terapia com Sean. Intelectualmente, este é o único que o desafia.
O filme tem a estrutura previsível. Sabemos o que vai acontecer, mas isso não importa muito. O que interessa são os indivíduos e como eles se relacionam. Tudo feito com grande sutileza. Há uma cena que Skylar diz para Chuckie que quer conhecer os irmãos de Will. Chuckie sabe que Will não tem irmãos. Percebemos que ele reage mas nada diz. Talvez por isso, ele se permita ser tão franco com Will. Alguém naquela relação tem que ser sincero.
Um belo filme com uma direção inspirada. Quando Gus Van Sant (o diretor) erra, erra feio, mas quando acerta o trabalho é ótimo. A dimensão que ele dá para os diálogos fazem o filme funcionar perfeitamente. A cena de discussão entre Will e Skylar não poderia funcionar melhor. É a valorização do texto. E este é um belo roteiro. Por isso seus atores foram para o estrelato depois disso. Com méritos.

OBS: Chukie vai para uma entrevista se fazendo passar por Will. O nome da empresa é Holden & McNeil. Holden McNeil é o nome do personagem de Affleck em Procura-se Amy.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O ÚLTIMO DOS MOICANOS


NOTA: 7.
- O povo do meu pai diz que quando nasceu o sol e sua irmã lua, a mãe deles morreu. O sol deu à Terra sua forma, que foi o início de toda a vida. E ele retirou do seu peito as estrelas, e as estrelas iluminam a noite para lembrá-lo da alma dela. 

O diretor Michael Mann é ligado em detalhes. Roupas, armas e objetos de cenário foram construídos como se fazia na época em que o filme se passa. Não satisfeito, todo o elenco teve que passar por todo um curso de sobrevivência na selva, para dar mais autenticidade aos seus papéis.
Somado a isso, Daniel Day-Lewis é um ator conhecido pela imersão que faz para poder viver seus personagens. Segundo muitos dizem, ele vive aquele personagem. Acredito que muito do personagem de Robert Downey Jr. em Trovão tropical tenha sido inspirado nele. Inclusive quando ele diz: "só saio do personagem depois de gravar os comentários em DVD". Para este filme, parece que Day-Lewis viveu alguns meses na selva vivendo da caça e tudo, para poder dar vida à Hawkeye, um inglês adotado pelo último representante da tribo que dá nome ao filme.
Essa riqueza de detalhes dá uma autenticidade interessante ao filme e o torna muito interessante. Mas O último dos moicanos está longe de ser uma obra perfeita. O que dá uma impressão de muito esforço para pouco resultado.
Dois moicanos legítimos andam com Hawkeye, seu pai e irmão adotivos. Os últimos descendentes da tribo. Não saberia dizer se o resto da tribo eram fracos e eles sobreviveram porque eram os mais habilidosos ou se todos eram habilidosos. Acredito que a primeira opção se aproxime mais do real, porque se a tribo toda fosse tão boa quanto esses três, não estaria ameaçada de extinção.
De qualquer forma eles rastreiam uma outra tribo que ataca uma tropa inglesa. O ataque é um massacre, e eles apenas conseguem salvar duas mulheres, filhas de um general, e um oficial. Então resolvem escoltar os três até o forte onde o general está sitiado debaixo de um ataque.
O dilema de Hawkeye é se ele deve ajudar os ingleses na guerra contra a França, ajudar seus amigos que já estão lutando no forte a fugirem de lá para ajudarem nas suas casas que estão sob ataque e se foge dali ou fica perto da mulher por quem se apaixonou, Cora (Madeleine Stowe). O resto é previsível.
Previsível porque o filme toma um ritmo de matinê, filme de Sessão da Tarde, com repetidas cenas de batalhas (incluindo um Hawkeye executando um mesmo golpe pelo menos três vezes no filme). Além da paixão entre ele e Cora, os irmãos dos dois também se apaixonam. Como isso acontece não sei dizer, já que ele deve ter apenas umas três falas no filme e ela apenas fica se lamuriando. Nem sequer conversam em algum momento. Simplesmente há uma troca de olhares em uma cachoeira e pronto, Love is in the air.
Isso é apenas uma das coisas que fico sem entender no filme. Por que três homens, os últimos representantes de uma tribo, rastreiam para matar dezenas, se não uma centena, de homens de uma outra tribo? Por que arriscar escoltar esses ingleses sem a menor ligação com eles?
São questões que me fizeram perder o interesse pelo filme em determinado momento. A situação não piora por conta do elenco. Stowe está bem como poucas vezes esteve. E Day-Lewis, o mais improvável ator para fazer um filme de ação, está impecável.
Na época do seu lançamento, o diretor Michael Mann disse o quanto ficou insatisfeito com o lançamento. Seu corte tinha quase três horas de duração. Os produtores deixaram a versão de cinema com menos de duas horas. Infelizmente, os efeitos dos cortes são sentidos. A única coisa estranha, é que muitos anos depois ele teve a chance de lançar sua versão integral nos famosos Director's Cut de DVD, e sua versão é apenas alguns minutos mais longo do lançado no cinema. O resultado é ainda uma obra incompleta.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

DRÁCULA DE BRAM STOKER


NOTA: 9.
- Eu não sou um lunático. Sou um homem são lutando por sua alma.

Muitos filmes já foram feitos sobre o personagem, que hoje está em desgraça por causa da Saga Crepúsculo que ainda tem filmes chegando ao cinema. De muito tempo para cá, o personagem original, baseado no livro escrito por Bram Stoker, foi caindo cada vez mais em desuso.
Stoker baseou a história em um personagem real: Conde Vlad, também conhecido como empalador. Era um general do exército que empalava os seus inimigos em uma lança e os deixava escorregar lentamente de uma ponta à outra. Fato que aparece em uma cena maravilhosa logo nos primeiros momentos do filme. Quando também descobrimos que sua amada morreu e ele renuncia a igreja se transformando em um vampiro. Sua idéia é abraçar a imortalidade e esperar a reencarnação de sua amada.
Até que o momento chega, e a reencarnação é a noiva de Jonathan Hacker (Keanu Reeves), Mina (Wynona Ryder). Hacker é enviado para Transilvânia para cuidar da aquisição de algumas propriedades que Drácula (Gary Oldman) está fazendo em Londres. Hacker acaba prisioneiro enquanto Dracula vai tentar conquistar (ou reconquistar?) sua amada. Para se alimentar e permanecer jovem, ele ataca Lucy, a melhor amiga de Mina. O médico dela chama um professor Van Helsing (Anthony Hopkins) para ajudar no caso, formando um grupo disposto a perseguir e matar Dracula.
Coppola é um mestre na direção, mas não consegue acertar inteiramente a mão. Ele é capaz de construir cenas maravilhosas. E muitas cenas maravilhosas. Além disso, o filme se vale de trucagens de câmera ao invés de efeitos digitalizados. Cinema ao modo antigo no melhor estilo Coppola. O visual todo também é perfeito para o tipo de filme, mas ainda assim ele falha ao criar o filme definitivo sobre Drácula.
Isso porque ele está mais preocupado em criar um espetáculo visual do que contar uma história. Copolla se perde em inúmeros subplots e narrações totalmente desnecessárias para a história principal. O desenvolvimento perde a coerência e fica cada mais mais difícil de acompanhar o que está acontecendo. O que é o único, porém um grande, problema do filme.
Até porque o elenco está quase todo impecável. O único que destoa um pouquinho é Reeves, que não acompanha a veracidade e ferocidade  que Hopkins, Ryder e Oldman dão aos seus personagens. Mas nada que chegue a atrapalhar alguma coisa.
Tivesse trabalhado mais na história do filme, Coppola poderia ter levado mais um Oscar para casa. Acabou se perdendo cada vez mais depois desse filme.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

TRÊS HOMENS EM CONFLITO


NOTA: 100.
- Duzentos mil dólares é muito dinheiro. Vamos ter que fazer por merecer.

Na minha humilde opinião, esse se trata de um dos melhores faroestes de todos os tempos. E feito por ninguém menos que um gênio: Sergio Leone. O maior nome dos chamados "faroestes spaghetti". E esse é provavelmente o maior, e melhor, dos filmes spaghetti. Somente Leone competiria com ele mesmo lançando Era uma vez no oeste.
Antes de começar a falar do filme, é melhor avisar que este é a terceira parte de uma trilogia: A trilogia do homem sem nome. É chamada assim, porque o personagem principal interpretado por Clint Eastwood nunca se apresenta. No primeiro filme o chamam de Joe, no segundo Manco e aqui um personagem o chama de Blondie.
Talvez assim que deva ser um personagem de faroeste: um homem sem nome e sem passado. E digo isso, porque não precisa assistir os dois filmes anteriores para curtir esse. Ele fala pouco, mas sempre evoca autoridade. Não é o tipo de cara que você se meteria.
O filme foca em três personagens: Blondie é o bom, Olhos de Anjo (Lee Van Cleef) é o mau eTuco (Eli Wallach) é o feio (do nome original, The good, the bad and the ugly). A história dos três se junta porque  estão atrás de duzentos mil dólares em ouro, o que era muito dinheiro naquela época. Segundo uma conversão que li, esse dinheiro hoje seria equivalente a mais de 10 milhões. Por isso que eles fazem por merecer esse dinheiro.
Os dois filmes anteriores parecem apenas um rascunho do que Leone estava a ponto de nos presentear. Eram extremamente baratos, o que atrapalhava o resultado final. Aqui ele não tem essa limitação, o filme contava com um orçamento de 1.6 milhões de dólares. Considere ainda que todo o elenco era muito barato (na época, Eastwood ainda era ator de TV e visto como nada rentável - quem pagaria pra ver um ator que pode ver de graça na TV?), que podemos considerar que todo o dinheiro era usado para fazer o filme. Isso inclui a explosão real de uma ponte (que por um erro teve que ser reconstruída para explodirem de novo).
Leone usa um recurso muito interessante pouco usado em faroeste, especialmente os de Ford, os close-ups. As cenas fechadas limitam o espaço conhecido pelo espectador. O que não vemos, pode nos surpreender. Há uma cena, por exemplo, que Tuco e Blondie caminham em uma estrada e são surpreendidos por soldados que os capturam. Eles dão apenas dois passos e se encontram num acampamento gigantesco, com milhares de pessoas. Como eles não puderam ver aquilo? Pelo mesmo motivo que nós: não estava aparecendo no quadro. Simples assim. Outras cenas ilustram o mesmo conceito.
E tudo termina num "trielo" maravilhoso. O conceito por si só já é interessante. Três homens armados se distanciam. Quem atira em quem? Se um atirar um no outro, o terceiro escapa. E por aí vai com outras possibilidades. Para melhorar, Leone testa os limites da paciência da platéia. O tempo se estende a um ponto tal que parece que o tiroteio nunca vai acontecer realmente. E quando parece que vão atirar, ele alonga o tempo mais um pouco. É de roer as unhas.
Com certeza é uma obra prima maravilhosa.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

UM PARTO DE VIAGEM


NOTA: 8.
- Olha só. Tenho cobertura do seguro. (depois de jogar o carro de um viaduto)

O diretor Todd Philips está se tornando um dos maiores nomes da comédia da atualidade. Não por acaso, fez pelo segundo ano seguido a comédia que mais me fez rir no ano todo. Ano passado o fez com Se beber não case e agora com este filme. E planeja mais ainda, pro ano que vem já está agendado o lançamento de Se beber não case 2 (se é que vão manter esse nome em português, já que segundo informações não haverá casamento algum).
As tramas de seus filmes são simples em sua forma. Antes, era um grupo de amigos tentando encontrar o noivo desaparecido em Las Vegas. Aqui, são dois homens que, por uma série de acontecimentos, tem que viajar juntos de carro de Atlanta para Los Angeles.
Os dois são bem diferentes. Peter (Downey) é um arquiteto certinho e organizado que está voltando para Los Angeles depois de uma viagem de negócios. Ele está ansioso porque sua mulher está perto de dar a  uma menina. Ethan Tremblay (Galifianakis) é um ator relaxado, maconheiro que consegue fazer os dois serem expulsos do avião por usar as palavras "bomba" e "terroristas" insistentemente. Como a carteira de Peter ficou dentro do avião, ele é obrigado a viajar junto com Tremblay de carro.
A viagem conta com algumas paradas inesperadas. Eles param para tentar receber dinheiro numa agência, na casa de um amigo de Peter que os ajuda a continuar a viagem e até mesmo para comprar maconha (Tremblay afirma o filme inteiro que sofre de glaucoma). O papel da traficante fica por conta de Juliette Lewis, fazendo uma segunda participação pequena nos filmes de Philips. A primeira foi a esposa infiel de Luke Wilson em Dias incríveis. Todas essas paradas geram situações de fazer rolar de rir.
E realmente o filme tem ótimas cenas hilárias, mas peca pelos personagens de pouca empatia. Peter é um estourado que explode e fala as maiores grosserias por muito pouco. Chega até a cuspir na cara de um cachorro. Tremblay não melhora muito, ele não tem sequer qualquer capacidade aparente para viver em sociedade. Muito menos para passar uma viagem com um descontrolado. Não dá sequer pra descobrir porque Peter volta para buscar Tremblay depois de abandoná-lo senão porque o filme ainda não tinha acabado.
Por isso que apesar de ter feito rir bastante, não alcançou seu sucesso anterior. Na verdade, poucos filmes conseguirão ser tão engraçados quanto Se beber não case. Chego até a duvidar que a continuação conseguirá esse feito. Mas ainda assim pode gerar boas risadas, e em uma quantidade que nenhum outro filme tinha conseguido até então esse ano. Como a função é fazer rir, a missão foi bem sucedida.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

ENTREVISTA COM O VAMPIRO


NOTA: 9.
- Seu sangue amaldiçoou minhas veias mais doce que a própria vida. Foi então que as palavras de Lestat fizeram sentido para mim. Eu só conhecia a paz quando matava. 

Antes de vampiros virarem material de bobagens como Crepúsculo e Os diários do vampiro, eles eram usados como personagens de terror. Anne Rice, escreveu uma série de livros e escreveu o roteiro adaptando um deles para o cinema. O resultado se encontra aqui, em mais um belo filme de Neil Jordan (não creditado como roterista).
Acompanhamos Louis (Brad Pitt) contando sua longa vida de vampriro para um repórter (Christian Slater). Não toda sua vida, mas a partir do momento em que foi transformado. Começa em 1700, logo após a morte de sua mulher e filha (no livro ele nunca teve uma esposa). Louis se encontra em tamanho desespero que faz qualquer besteira que possa o levar à morte. Ao invés disso, ele encontra o vampiro Lestat (Tom Cruise).
Lestat lhe faz uma proposta simples: ou Louis aceita se transformar em um vampiro e lhe fazer companhia ou Lestat dará a morte que ele tanto deseja. Claro que Louis se transforma em um vampiro e os dois ficam passeando (e se alimentando) pelas principais cidades da época.
Há uma coisa aqui que o diferencia dos demais filmes. Não há uma "glamourização" no fato de ser vampiro. O personagem Louis é melancólico. Ele sempre se arrepende de ter se transformado no que se transformou. Duas pessoas no filme vão lhe pedir para virarem vampiros, e ele não tem a menor intenção de transformar nenhuma delas.
Ao mesmo tempo, o filme desmistifica muito coisa sobre os vampiros. Os vampiros aqui não morrem com estacas no coração, não temem símbolos religiosos ou coisa do gênero. Fica um ar de realidade no ar. Algo do tipo: "como seria se um vampiro realmente existisse". O que o torna muito interessante.
O filme não se aproxima muito do terror também. Cada mordida é feita com finesse. Há uma sedução no ar, mesmo quando Lestat vai morder Louis, há uma sedução. Não acho que chegue a ser homossexual, na verdade os vampiros não parecem ter apenas uma preferência sexual. Eles não estão apenas dizimando gado, eles estão realizando uma caça. Talvez o mais divertido seja a caça.
Inclusive, por isso acontece a parte mais assustadora do filme: eles transformam uma criança de 12 anos em uma vampira. Ela tem um rosto angelical e uma veia assassina que se transformam numa mistura impressionante. Vale ressaltar que ela não é uma má pessoa, ela na maioria das vezes sequer tem noção do que faz a princípio. É apenas uma criança que mata, e com passar dos anos sua aparência não muda. Nem nunca mudará.
Tom Cruise foi criticado pela sua escolha, mas está ótimo no papel. Há algo em sua maquiagem que tira a aura de astro misturado com uma atuação contida. O melhor do filme, sem dúvida.
A única coisa que me incomoda é que pouca coisa acontece no filme. É como uma vida normal de uma pessoa, só que bem mais longa. Sinto falta de alguma grande ação que levasse para o final, ao invés de ficar quase que numa enrolação. Não queria esperar tanto assim para o final do filme. Afinal,, não sou imortal como eles.

OBS: O papel do repórter deveria ser interpretado por River Phoenix (irmão de Joaquin Phoenix), mas ele morreu de overdose antes do início das filmagens. Por isso o filme é dedicado a ele.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

MATRIX


NOTA: 9.
- Eu sei porque você está aqui, Neo. Eu sei o que tem feito. Você está procurando por ele. Eu sei porque eu estava procurando pela mesma coisa. E quando o encontrei ele disse que eu não estava procurando por ele, estava procurando por uma resposta. É a questão que nos motiva, Neo. É a questão que te trouxe aqui. Você sabe a pergunta, Neo, assim como eu sabia.
- O que é Matrix?

Em 1999, chegaram aos cinemas dois filmes que prometiam revolucionar o cinema: George Lucas iniciava uma nova trilogia da franquia de maior sucesso da história com Guerra nas estrelas - A ameaça fantasma. Já cultuada por milhões de fãs espalhados pelo mundo, o restart da franquia deixou muita gente decepcionada. Correndo por fora veio também esta fábula de ficção científica, que viria a se transformar numa trilogia e arrebatou muitos fãs também. No quesito de revolucionar o cinema, porém, os dois falharam, mas Matrix pelo menos chegou um pouco mais perto.
Keanu Reeves interpreta um personagem duplo, de dia é um programador conhecido como Thomas Anderson, e de noite é um hacker conhecido apenas por Neo. Neo é convencido por uma mulher, Trinity, (Carrie-Anne Moss) a se aventurar em descobrir o que é a Matrix do título. É assim que ele chega ao enigmático líder dos homens de couro conhecido como Morpheus (Laurence Fishburne).
E é assim que ele descobre a verdade. Uma verdade tão grande que mesmo quem nunca assistiu o filme conhece: o mundo em que vivemos não é real, é uma realidade virtual criada para não percebermos que somos escravos de máquinas que nos usam como fonte de energia. Morpheus acredita que existem pessoas com poder de controlar os elementos da Matrix, e que Neo é um deles. O escolhido.
A trama montada pelos irmãos Wachowski (na época do filme, Andy e Larry, que agora atende por Lana) é muito intrigante e segura a platéia. E não segura apenas pela trama, mas também pelo visual do filme que é arrebatador. Figurinos e fotografia estão ótimos. Aliado a isso estão cenas de ação espetaculares e lutas que desafiam a gravidade. Efeitos especiais revolucionários totalmente integrados ao filme (não se esqueçam que os efeitos bullet time foram um dos mais copiados do cinema). Tudo muito divertido, mas poderia ter ido além. Acabou ficando no meio do caminho.
O único problema, é que depois de tudo isso, eles apelam para fórmula. Os bandidos atiram nos mocinhos e erram. Os mocinhos conseguem escapar. Aí entra uma luta onde o bandido bate no mocinho até quase matá-lo. Então o mocinho descobre uma força interior que o permite derrotar o bandido. Tudo isso já tinha sido feito, todos já viram. Só não perdem muitos pontos, porque dificilmente foi visto com cenas tão brilhantes como estas.
No final fica parecendo uma espécie de video game muito bem feito. Tem até mesmo os vilões da fase: os agentes (o principal interpretado por Hugo Weaving). Eles são uma espécie de Irmãos cara de pau que servem para matar os mocinhos.
Podia ter revolucionado, mas não conseguiu por esse pequeno detalhe. Tivessem dado uma conclusão espetacular ao filme, sem ser apenas um tiroteio muito bem coreografado, o filme seria perfeito. Se tivesse ao menos um detalhe mais intrigante para segurar melhor a platéia depois do tiroteio, seria quase perfeito. Mas ao invés disso, deixaram o final em aberto para concluir ao final da trilogia. O resultado são dois filmes ruins que não acompanham satisfatoriamente este aqui e que fecham de maneira fraca uma trilogia que poderia ter sido muito mais. Dos três, só fico com esse.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

CORAÇÃO VALENTE


NOTA: 10.
- Lutem, e pode ser que morram. Corram, e vocês vão viver. Pelo menos por um tempo. E morrendo em suas camas, daqui há muitos anos, vocês vão querer trocar todos esses dias que tiveram por uma chance, só uma chance, de voltar aqui e dizer aos seus inimigos que eles podem tirar nossas vidas, mas não podem tirar nossa liberdade.

Há uma coisa muito interessante neste filme. Logo no início, é dito que algumas pessoas podem dizer que o que está para ser contado é mentira e que a história é escrita pelo lado vencedor. É assim que Mel Gibson (que também dirige) cria o clima do seu filme. Um filme que não conta a história de um homem, mas sim como ele se tornou um mito. Quer as coisas tenham acontecido assim ou não.
O filme conta a história do herói escocês William Wallace, que ficou conhecido como Braveheart, apelido que dá o nome original do filme. Segundo um antigo poema, ele unificou todos os clãs da Escócia numa campanha contra a Inglaterra vencendo inúmeras batalhas antes de ser traído, capturado, torturado e morto. Isso tudo por volta da década de 1300.
O filme vai além do que se sabe na realidade e extrapola todo uma parte da vida dele não conhecida. Depois da morte de seus pais, ele vai ser educado pelo seu tio Argyle (Brian Cox). Retornando muitos anos depois, ele pretende apenas cultivar a terra e criar uma família. O plano parece ir bem até um inglês matar sua esposa para forçá-lo e se expor. Aí começa a sua campanha contra o rei conhecido como Longshanks (Edward I). Wallace era um excelente estrategista militar, e talvez se não tivesse sido traído, poderia ter sido bem sucedido em sua campanha. Mas não dependia apenas de sucesso nas batalhas, dependia também de sucesso político. Essa foi sua desgraça.
E o filme está recheado de batalhas, que é o que a platéia mais irá se lembrar. E apesar de ser marinheiro de primeira viagem em cenas como essa, Gibson faz um excelente trabalho. As batalhas tem muitos e muitos homens a pé ou em cima de cavalos, e ainda assim fluem de forma quase brilhante ao invés de sair um amontoado confuso de pessoas.
E não é só nas batalhas que Gibson se sai bem, o filme como um todo se sai muito melhor do que se podia esperar. Isso porque como disse, é um filme que não conta a história, mas mitos. Ele cria um mundo ficcional baseado na realidade que se torna extremamente divertido de se assistir. Tanto que as "licenças poéticas" que ele toma passem tranquilamente, assim como as licenças históricas. Para se ter uma idéia, não há um fato histórico que indique que Edward II era homossexual, e ele somente se casou com Princesa Isabelle depois das mortes de Wallace e de seu pai, mas o mito aqui funciona melhor que a realidade.
Uma pena que depois desse filme, Gibson nunca mais tenha feito algo que chegue perto da qualidade desse trabalho. O resto da sua biografia como diretor é curta e somente com filmes sem muita expressão, que provavelmente fizeram mais barulho do que mereciam pelo seu nome do que pela qualidade de seu trabalho. Antes havia dirigido O homem sem face, depois deste foram apenas o espetáculo sádico de A paixão de Cristo e o também ultraviolento Apocalypto. Mas pelo menos aqui, ele se destaca.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A ÚLTIMA SESSÃO DE CINEMA


NOTA: 10.
- Se ela estivesse aqui eu provavelmente ficaria maluco agora como era naquela época. Isso não é ridículo? Não, não é. Porque ficar maluco por uma mulher como aquela é a coisa certa a se fazer. Ficar velho e decrépito é que é ridículo.

Este filme foi feito mais ou menos na mesma época que Uma rajada de balas. Como havia dito então, a história sobre Bonnie e Clyde redefiniu o cinema na época. Levou o cinema em direção ao cinema moderno de hoje. Esse filme se aproveita disso, fazendo um cinema moderno que ao mesmo tempo flerta com o antigo cinema dos anos 1950.
Acompanhamos a história de dois jovens, Sonny (Timothy Bottoms) e Duane (um Jeff Bridges com apenas 22 anos) que moram em uma pequena cidade. E pequena mesmo, daquelas que somente tem um restaurante, um salão de bilhar e um cinema. Ou seja, uma cidade onde não há nada para se fazer. Sequer tem um time de futebol decente para quem torcer.
Os dois se apaixonam pela mesma menina, Jacy (Cybill Shepherd, debutando nos cinemas), a única menina bonita da cidade. Mas é Duane que acaba com ela, e Sony acaba com uma menina tão irritante e pouco interessante que acaba a trocando pela mulher do treinador do time do colégio. Não há sequer a aparição de qualquer novo rosto que possa servir de interesse para Sonny, ele está perdido no meio daquele nada, e numa relação com alguém muito mais velha que ele.
Já Jacy não é nenhuma flor que se cheire. Ela é de uma das poucas famílias ricas da cidade, cresceu em uma bolha como uma garota mimada e calculista. Até a perda da sua virgindade é de acordo com os seus interesses. No caso, o interesse era pra ter relações com outro rapaz.
Se a vida amorosa dos rapazes não vai bem, não se pode dizer que eles tem um grande exemplo familiar também. Principalmente, eles não tem a menor criação por uma figura paterna. O que se passa mais perto de pai para os dois é Sam The lion, que por acaso também é dono do salão de bilhar, do restaurante e do cinema.
O mais interessante é a ambientação do filme. O lugar, a decoração de cada lugar, cada casa e até mesmo as roupas que as pessoas usam, tudo remete imediatamente aos anos 1950. Mais impressionante ainda é que o filme foi rodado como se fosse um filme feito nos anos 1950, mesmo sendo um filme de 1971. Da mesma forma que se fazia na época, até mesmo com seu preto e branco tradicional (segundo dizem, um conselho de Orson Welles, amigo do diretor).
Mais ainda, o filme evoca uma nostalgia dos anos 1950 mesmo para os que não viveram naquela época. Um ótimo trabalho do diretor Peter Bogdanovich, que faria poucos filmes depois desse. Menos ainda de filmes que sequer valham a pena serem vistos, mas pelo menos aqui ele acertou a mão entregou um ótimo filme para ser visto em qualquer época.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

BARRADOS NO SHOPPING


NOTA: 3.
- Você vai ME escutar? Alguma coisa que EU disse? Será que não ficou claro durante a nossa amizade que eu não sei NADA?

Em 1994 Kevin Smith surgiu para o mundo graças ao seu (ótimo)  O balconista. Filme independente que fez um certo barulho no seu lançamento e que chegou como um furacão no Festival de Sundance e posteriormente em Cannes.
Diz-se que, na época, ele teria dito que não queria ser um cineasta independente, que preferia ser o tipo de cineasta que os grandes estúdios queriam que ele fosse desde que recebesse por isso. Talvez alguns pensassem que era brincadeira, mas aqui ele mostra que não era. O filme tem um orçamento cem vezes maior que o seu antecessor e é proporcionalmente pior em qualidade.
Acompanhamos um dia na vida de dois amigos: T.S. (Jeremy London) e Brodie (Jason Lee), que acabaram de ser chutados por suas respectivas namoradas.
T.S. é indiretamente responsável pela morte de uma mulher que ia participar de um Reality Show produzido pelo pai da sua namorada, que não gosta dele. Isso porque ele apenas disse que a TV engordava 5 Kg e ela se esforçou tanto para perder peso que teve uma embolia. Já Brodie é somente um inútil mais interessado em video game que em sua namorada.
Para afogar as máguas, eles resolvem passar um dia inteiro no shopping, que coincidentemente é o mesmo frequentado por suas namoradas e onde o sogro de T.S. vai filmar seu show. Então basicamente eles querem voltar para suas namoradas e arruinar o show.
O filme é um banho de água fria para qualquer um que tenha gostado do trabalho anterior de Smith. Ele parece realmente vendido em uma trama que não há um décimo da originalidade que mostrou anteriormente. Na verdade, parece uma versão piorada apenas, realizando o mesmo conceito.
O problema é que, pra começar a história é a mesma. Adolescentes que passam um dia juntos. Antes era uma loja de conveniência e agora se encontram em um shopping. A diferença é que em O balconista não havia um plot específico. Era apenas um dia na vida dos dois. Aqui temos um plot e ele realmente não funciona.
O fraco elenco não ajuda a melhorar a situação, mas também é difícil separar até onde a culpa é do elenco ou do filme. Digo isso porque até mesmo Ben Afleck está pior que o normal aqui.
Um dos maiores fracassos da carreira de Smith que hoje em dia se arrasta apenas. O único filme em que conseguiu repetir o sucesso de seu filme de estréia viria depois desse: Procura-se Amy. Seu último filme foi o tenebroso Tiras em apuros. Uma pena, conseiderando um começo de carreira tão promissor.

OBS: Para quem não sabe, Smith fez seis filmes com personagens interligados: O balconista, Barrados no shopping, Procura-se Amy, Dogma, O império do besteirol contra-ataca e O balconista 2. Os únicos personagens que aparecem em todos são interpretados pelo próprio diretor e Jason Mewes: Jay e Silent Bob. Atores se repetem mas nem sempre nos mesmos personagens. Já as referências de um filme aparecem em outros. No primeiro, dois amigos vão ao enterro de uma mulher que morreu na piscina. É a mesma menina que iria participar no reality show desse filme. Já Brodie comenta alguns casos de seu primo Walter, que são ligados a bizarrices sexuais. No primeiro, também se conta sobre um primo Walter que morreu tentando realizar sexo oral em si próprio. E por aí vai em outros desses filmes também.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

AS MELHORES COISAS DO MUNDO


NOTA: 8,5.
"Fui buscar meu sonho."

Muitos filmes sobre adolescentes já foram feitos, mas até agora, nenhum tinha retratado bem a adolescência da era da internet atual. Até agora. O mais perto que tínhamos disso feito com a mesma competência que vemos aqui foi Aos 13, mas de lá para cá já se foram sete anos, e nesses tempos a tecnologia não andou, pulou.
Digo isso por causa da facilidade que os jovens nesse filme tem que não se encontra em nenhum outro. Todos tem celulares, internet banda larga e blogs. Mesmo que sejam usados para os motivos que podemos considerar os mais ridículos possíveis.
A história se baseia numa série de livros escritos por Gilbert Dimenstein e Heloisa Prieto, que contam as aventuras de um adolescente de 15 anos chamado Mano (Francisco Miguez). Quem lembra dessa fase também lembra bem dos "enormes problemas" que se enfrenta quando se tem 15 anos. Perda da virgindade, reputação no colégio entre outras coisas. Assim como tudo é "hiperlativado" nessa época. Todos os pequenos problemas são os piores do mundo e tudo é quase como a morte.
E sempre mais preocupados com eles mesmos do que com qualquer outra pessoa que pode ter problemas reais e não simples crises adolescentes.
Apesar de tudo parecer meio fútil para as platéias mais adultas, todos agem como adolescentes reais, e não como costumam aparecer em filmes que são dirigidos por pessoas mais velhas. Os realizadores passaram um tempo com adolescentes dessa idéia com o intuito de refinar o roteiro. O trabalho ficou ótimo.
Tudo isso torna o filme um trabalho maravilhoso de Laís Bodanzky, que já havia o feito o também  ótimo Bicho de sete cabeças, com um Rodrigo Santoro antes de ficar internacional. Ela foge  do padrão dos grandes sucessos dos cinema brasileiro que só falam de violência excessiva, palavrões ou comédias rasgadas. Ela entrega filmes que podem ser apreciados por qualquer pessoa. E mesmo aqui, de qualquer idade.
Neste caso, é apreciar o retrato dessa nova geração de juventude que goza de uma espécie de liberdade que nenhuma outra teve antes. Todos eles tem computadores nos seus quartos, celulares que batem, recebem e enviam fotos e todas as suas opiniões estão disponíveis em blogs na internet. Não há privacidade para eles. Todo mundo sabe de todo mundo. Como se lida quando isso quando se está crescendo e não se tem certeza de nada?
Para mim, é o melhor filme sobre adolescência que se pode encontrar hoje em dia. E tenho orgulho de dizer que o melhor filme do assunto é brasileiro. Assim como também acho que o cinema brasileiro precisa de mais filmes como esse.

OBS: Antes que perguntem, Fiuk não é comentado porque não vale a pena. Simples assim.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO


NOTA: 8.
"Nós somos The Sex Bob-Omb e estamos aqui para ver Scott Pilgrim quebrar seus dentes. Um, dois, três, quatro." Kim Pine

O diretor Edgar Wright teve que fazer seu primeiro filme nos EUA para finalmente chegar aos cinemas do Brasil. Está certo que chega com um atraso de três meses, mas considerando que seus filmes anteriores (os ótimos Todo mundo quase morto e Chumbo grosso) só saíram no mercado de vídeo e TV, é um avanço para ele aqui. E olha que não é o seu melhor filme.
Scott Pilgrim é um nerd de 22 anos que toca em uma banda de rock no Canadá. Para esquecer sua antiga namorada que lhe partiu o coração, ele começa a sair com uma menina bem mais nova que ainda está no colégio chamada Knives Chau. Não se preocupem com a diferença de idade entre os dois, o namoro consiste em segurar as mãos e dançar juntos em um jogo. Ela sequer pode sair à noite.
Até que Scott encontra a garota dos seus sonhos. Literalmente. Ele realmente sonha com ela para depois a encontrar em carne e osso. Seu nome é Ramona Flowers e aparece durante o filme com cabelos pintados de rosa, verde e azul, lembrando um pouco a personagem de Kate Winslet em Brilho eterno de uma mente sem lembranças.
Ela é meio misteriosa, mas ainda assim eles começam a namorar. Só que para Scott namorar Ramona, ele deve derrotar uma liga do mau formada por sete ex-namorados em batalhas que desafiam a gravidade ou qualquer outro senso de lógica e que no final o perdedor se transforma em um monte de moedas. Como num jogo de videogame.
Videogame é apenas uma das referências pops do filme. Todo ele é feito para as platéias mais jovens. Cada personagem que aparece, tem seu perfil exibido na tela. Como se fossem as informações de Facebook ou Orkut. O que é bom de um lado pelo excesso de informações jogadas na tela e ruim por por ficar cansativo depois de um tempo.
E na verdade, ele fica cansativo. Cada cena é recheado de absurdos que no início são ótimos mas depois de um tempo parecem apenas se repetir. Acredito que isso não seja nada que vá atrapalhar as platéias mais novas, mas me incomodou um pouco. Assim como as "mortes" dos oponentes não são tão interessantes assim.
Wright constrói uma ode aos nerds, ou geeks como estão sendo popularmente chamado. E posso dizer popularmente mesmo. Eles estão na moda como a própria presença de Michael Cera no papel título indica isso, já que ele é um herói geek dos novos tempos. Assim como o sucesso da série The big bang theory reforça a tese que eles estão na moda.
Além disso, o filme também tem suas participações especiais para atrair platéias. Algumas são surpresas e não estão sequer nos créditos do filme. Outras como a de Chris Evans e Brandon Routh já podiam ser vistas em trailers e vídeos promocionais. Pessoalmente eu gostei de ver Kieran Culkin em um papel de destaque de novo, o que não via desde a A estranha família de Igby. Aqui ele faz o amigo gay que divide o quarto com Scott e rouba a cena toda vez que aperece. Uma bela surpresa para mim.
Voltando ao filme, a verdade é que a maioria dos homens tem problemas em saber sobre o passado de suas namoradas. Scott Pilgrim tem a infelicidade de descobrir sobre o de sua amada, mas sorte o suficiente para poder lutar ele. Ou eles, nesse caso. Derrotando-os, ele pode conseguir a paz para ter um futuro com ela. O que poderia vir com a ignorância, mas aí não teria graça.
Como disse antes, não é o melhor filme de Wright, mas ainda assim ele impressiona pela capacidade de fazer grandes homenagens a gêneros do cinema. Já havia feito duas homenagens a filmes de zumbis e filmes de ação, agora aos videogames. A surpresa é que ele acabou fazendo um dos melhores filmes sobre games de todos os tempos. Eu achei um pouco exagerado, mas como todo bom game, talvez ele tenha que ser exagerado.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

SONHOS DE AKIRA KUROSAWA


NOTA: 9.
"Algumas pessoas dizem que viver é duro, mas isso é só papo furado. É bom estar vivo, é excitante." Velho da aldeia

Muito antes de Nolan presentear a audiência com seu A origem, já tínhamos uma mostra de sonhos no cinema. Algumas pessoas se perguntam como funcionam as mentes de gênios, com o que eles sonham. No caso do diretor Akira Kurosawa a resposta é simples e se encontra nesse filme. Aqui, temos uma sequência de 8 sonhos que o mestre japonês teve em diferentes partes da sua vida e que levou às telas em 1991.
O resultado é uma série de imagens tão lindas que somente o cinema poderia conceber. E melhor ainda, que um cineasta do calibre de Kurosawa poderia realizar. Este é um filme que preza a imagem e não os diálogos. O que não é muito diferente de outros filmes do diretor, mas aqui a coisa toma um contorno especial por se tratar de contos que exploram mundos apocalípticos e lendas japonesas.
Depois dos créditos iniciais, uma cartela aparece na tela: "Uma vez eu tive um sonho...". Esse é provavelmente o diretor nos dizendo que estamos prestes a entrar num lugar onde ninguém mais esteve antes. Nos seus sonhos. Outras sete cartelas escritas "Outro sonho..." anunciam os episódios restantes.
Apesar de não aparecer na tela, cada sonho tem um título. Ele começa com um dos sonhos mais sublimes e com pouquíssimas falas. O único diálogo (estaria mais para monólogo) é de uma mãe aconselhando o filho a não sair de casa. Quando chove e faz sol ao mesmo tempo as raposas se casam e não gostam de serem vistas. O aviso só desperta a curiosidade do menino que observa uma linda cerimônia impecavelmente coreografada. Assim começa o filme com "Um raio de sol através da chuva" e já estamos arrebatados pelas imagens.
O conto seguinte não faz menos do que o primeiro. "O jardim das pessegueiras" mostra um menino que chega em uma plantação de pessegueiros, pessegueiros que seus pais cortaram. Lá ele se encontra com um grupo de "espíritos" que representam as pessegueiras cortadas, e de novo uma bela coreografia ainda mais intrincada toma conta da tela.
Os sonhos vão se seguindo, e percebemos a diferença entre eles. As diferenças correspondem a diferente fases da vida do cineasta. Diferença de tempo e percepção da vida.
Seguem outros sonhos como "A tempestade", que mostra uma entidade que tenta seduzir um homem para a morte;  "O túnel", onde um capitão se confronta com seu pelotão morto em combate; "Corvos",  onde um pintor se encontra com um Van Gogh interpretado por Martin Scorcese e passeia pelos quadros do pintor; "Monte Fuji em vermelho", mostra um grupo de pessoas fugindo de um vulcão em erupção e catástrofe nuclear ao mesmo tempo; "O demônio que chora", onde a radiação deixou as pessoas com chifres; e "O vilarejo dos moinhos", onde um homem chega ao vilarejo e descobre que todos lá vivem sem nenhuma das invenções de hoje, nem sequer eletricidade.
Isto é o que compõe esta obra do diretor. São sonhos que servem para exibir a exuberância dele. Cada sonho é um curta que impressiona pela beleza. Algumas vezes belo, outras contundente e sempre interessante. Um filme belíssimo de se ver, ainda que não seja a melhor obra do diretor. Memorável.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

SENTIMENTO DE CULPA


NOTA: 8.
"Minha mãe quer salvar o mundo. Uma vez, ela deixou um mendigo tomar banho no nosso apartamento." Abby

Nessa sexta-feira, estreiam alguns filmes badalados, como o segundo filme dirigido por Ben Afleck e a adaptação de uma história em quadrinhos por Luc Besson. Sem contar com a estréia de dois filmes brasileiros: A suprema felicidade e Federal. Chamando menos atenção da mídia, corre por fora este filme que pode ser menor em orçamento e publicidade, mas não em qualidade.
Um casal, Kate (Catherine Keener) e Alex (Oliver Platt) compraram um apartamento ao lado de uma idosa, Andra, esperando sua morte para que possam comprar o apartamento da senhora e dobrar o tamanho do seu próprio.
Já a velha passou dos 90 anos e é insuportável. Ela vê falhas e defeitos em tudo e em todos, sempre dizendo em voz alta as maiores barbaridades e agindo como se estivesse sussurrando um segredo no ouvido de alguém. Ele nem sai mais do apartamento por conta de problemas no joelho, pés e por aí vai. Qual a vantagem de chegar nessa idade dessa maneira?
Andra tem ajuda de duas netas, irmãs, bem diferentes uma da outra: Rebecca (Rebecca Hall) é simples e boazinha, já Mary (Amanda Peet) é egoísta e quase alcoólatra que não tem a menor paciência com a avó. Talvez Andra seja o espelho do futuro que a aguarda.
O casal vive de comprar móveis de familiares de pessoas que falidas por preços irrisórios e vender a preços absurdos em sua loja. Ela compra todos os móveis de um apartamento por 4 mil dólares para vender uma única mesa por 5 mil.
Kate, porém, não convive bem com isso. NY exige um pouco da alma das pessoas e ela não está preparada para isso. Lucrar em cima da dor das pessoas e esperar uma mulher morrer para aumentar o seu apartamento não são coisas muito agradáveis de se fazer, e ela vive com o sentimento de culpa que deu o nome do filme em português. Ela quer ajudar o mundo. Quer salvar ao invés de acabar com ele, mas ela não sabe como. Sua filha, Abby (Sarah Steele) não entende isso e fica indignada ao ver a mãe ajudar todos os mendigos por quem passam e não comprar uma calça jeans que ela quer. Talvez ela só queira limpar sua consciência.
Também doce é Rebecca, que é gentil com todos onde trabalha e com sua avó, que especialmente não parece merecer bondade nenhuma. Ela tem bastante paciência com pessoas idosas em geral, na verdade, e até mesmo com sua irmã, que pode ser bem cruel quando quer, mas ainda assim busca as coisas boas. E o amor. As duas não parecem pertencer aquele lugar.
Apesar da dureza da cidade, o filme foca nessas pessoas doces e como elas convivem com as outras pessoas que não são tão doces assim. Rebecca e Kate são cercadas de gente que não as compreendem. E olha que essas pessoas são seus próprios familiares. Ainda assim elas não são definidas pelas suas relações, e sim por si mesmas. O ambiente onde elas se encontram não as mudam. Não a sua essência. E o mundo seria melhor com mais pessoas como elas. Um belo esforço da diretora Nicole Holofcener.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

DUPLA IMPLACÁVEL


NOTA: 4.
"Não sou seu motorista, sou seu parceiro." James Reese

Se você gostou de Busca implacável e quer ver o filme de novo, pode assistir a esse Dupla implacável. Se assistiu e não tem a menor pretensão de assistir novamente, passe longe deste Dupla implacável, que tem até mesmo o nome quase igual. Assim como o desenrolar da história.
Sai Liam Neeson e entram John Travolta e Jonathan Rhys Meyers. Reese (Meyers) é uma espécie de agente duplo que trabalha para o embaixador americano na França ao mesmo tempo que trabalha para alguma agência secreta, seja lá qual agência for. Ele é um agente pé de chinelo que realiza trabalhos simples como trocar placas de um carro ou plantar uma escuta em um escritório. Até que é chamado para ser parceiro de Charlie Wax (Travolta).
Já Wax é um agente chamado para resolver grandes problemas. Porque alguém chama Wax para trabalhar é um grande mistério, já que tudo para ele se resolve atirando e explodindo coisas. Assim como é um mistério qual sua verdadeira missão, mas isso não faz grande diferença já que as únicas missões que importam é de Wax matando pessoas e as pessoas tentando matar Wax.
O diretor Pierre Morel, o mesmo do já citado Busca implacável, faz o mesmo trabalho que em seu filme anterior. Ele, que antes era diretor de fotografia, leva o filme em cima de uma premissa que beira a estupidez e resolve tudo da maneira mais fácil possível, torcendo para a platéia não pensar muito até a cena de ação seguinte. Não há surpresas no filme. Não há mistério. Ele explode um lugar que tem uma pista para outro lugar. Nesse lugar que ele vai explodir em seguida tem uma pista para outro lugar que também vai ser explodido e por aí vai. Tudo da maneira mais idiota possível. Não interessa história, interessa apenas tiros e explosões, que não são interessantes.
E todas as cenas de ação são entrecortadas com cenas ridículas que supostamente deveriam ser engraçadas. Pelo menos EU não acho engraçado ver Reese carregando um jarro com cocaína dentro para cima e para baixo, chegando a cheirá-la dentro da Torre Eiffel. Acho simplesmente ridículo.
Entra agora um detalhe curioso para quem quiser reparar em como os filmes de ação eram feitos antigamente e como são feitos hoje. Antes, e quando digo antes quero dizer desde antes da primeira versão de Robin Hood já feita, os atores treinavam o tipo de luta que iam realizar no filme para poderem fazer suas cenas de ação. O resultado valia a pena, já que víamos os astros realmente fazendo as cenas. Agora, repare que as cenas não são feitas por Travolta (nada contra ele, tanto que até já me declarei seu fã). Ou na cena vemos o rosto de Travolta ou vemos o corpo de alguém fazendo as cenas de ação. Nunca os dois ao mesmo tempo. 
O resultado é um filme de ação pobre, como a maioria que está saindo nesses últimos tempos. Por que fazer uma cena de ação bem feita se pode-se chegar na sala de edição e juntar um monte de movimentos desconexos e fazer um filme? Em Os mercenários as cenas de ação eram confusas mas pelo menos os atores estavam fazendo. Aqui são confusas e sem rosto algum. Outro filme de ação que não entrega o que deveria. Não indicaria nem para fãs do gênero.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

TORA! TORA! TORA!


NOTA: 2.
"Você queria a confirmação do ataque? Olhe pela janela. Aí está sua confirmação." Tenente Kaminsky

Este filme, do ano de 1970, é o predecessor dos atuais blockbusters que inundam nossas salas de cinema.  Filmes que custam uma fortuna e mal conseguem nos entreter por umas poucas duas horas. Caberia a Spielberg e Lucas ensinar como se faz um blockbuster posteriormente na mesma década.
Assim como o também desastroso Pearl Harbor, de Michael Bay, acompanhamos o famoso ataque dos japoneses que levaram os americanos a entrarem na Segunda Guerra Mundial. E depois das quase duas horas e vinte de filme, temos certeza que esse ataque deve ser deixado em paz no cinema. Se o ataque é desastroso pelo jeito como se deu, os filmes são desastres cinematográficos.
Diz-se que a parte japonesa ia ser dirigida por Akira Kurosawa, que foi convencido ao saber que David Lean seria responsável pela parte americana. Acontece que Lean nunca esteve envolvido com a produção e quando Kurosawa soube que o diretor seria na verdade Richard Fleischer, tratou de se demitir do filme. Felizmente para ele, infelizmente para nós.
Não que a parte japonesa seja ruim. Na verdade, ter uma parte filmada por japoneses e outra por americanos é o que salva o filme do fracasso completo. As cenas nipônicas são muito melhores que o resto do filme. Temos uma certa tensão no ar e personagens que levam o filme adiante. 
Já a parte dirigida por Fleischer é tão desprovida de interesse que contrasta com o resto do filme. São dezenas de personagens secundários que não contam com um único personagem principal que possa levar a história adiante. De fato, nada leva a história adiante. Nem sequer nos importamos se alguém vai escapar vivo daquele ataque.
Isso deixa o filme sem emoção alguma. Sem qualquer surpresa. Se ainda tivesse algum personagem importante, poderíamos torcer para que ele escapasse do ataque, ou que pelo menos derrotasse muitos inimigos. Como já sabemos que o ataque vai acontecer, não há surpresa alguma.
Há uma surpresa que é relacionada com a produção do filme. É saber como esse filme custou U$ 25 milhões (uma fortuna na época) se praticamente todo ele se passa dentro de escritórios? Esse é um dos piores defeitos do filme. É um blockbuster sem ação alguma. Uma história enorme (na realidade, não no filme), um dos maiores ataques em solo americano e tudo que vemos são papéis indo de um lado para o outro.
Pior de tudo é que o filme é uma grande preparação para uma batalha. Duas horas de preparação para uma batalha que vai durar cerca de 15 minutos, e quando achamos que finalmente vamos ser agraciados com cenas de ação espetaculares ficamos muito decepcionados. As cenas não são nada impressionantes nem agora e duvido que tenham sido na época, já que o filme nem se pagou na bilheteria. Uma produção que já deveria estar esquecida. Principalmente num ano que outros dois bons filmes falavam de guerra: M*A*S*H*  e Patton.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

DIREITO DE AMAR


NOTA: 8,5.
"Pela primeira vez na minha vida eu não posso ver o futuro. Todo dia passa correndo, mas hoje eu decidi que o dia vai ser diferente." George

O filme conta o que pode ser o último dia na vida de George, no ano de 1962. Tinha tudo pra ser depressivo, como Sete vidas com Will Smith, mas não é. Isso porquê o último dia deste homem não é um dia choroso. É um dia comum com seus altos e baixos.
Colin Firth, mais conhecido por comédias românticas (Bridget Jones, Mamma Mia), interpreta George, um professor de uma universidade que é homossexual. Oito meses antes, seu amante morreu em um acidente de carro e a vida de George ficou vazia. Um luto interminável. As pessoas que convivem com ele sabem que algo está errado, mas ele se fecha e nada diz.
Isso porque os dias são construídos em cima de uma rotina: ele acorda e começa a se arrumar para ir pro trabalho, mas não tão simples assim. Cada passo de sua arrumação é um passo para se transformar no personagem que passará o dia interpretando. E o personagem que ele interpreta é ele mesmo. O George antes de seu amante ter falecido.
Sua única amiga é Charley (Julianne Moore, que ocupa uma décima parte do filme e quase metade do cartaz), uma divorciada que há muitos anos atrás teve um caso com George, antes dele perceber sua condição sexual. Ela é tão triste como ele e durante um jantar eles se dispõe a tentar alegrar um ao outro até que ela tenta o seduzir, mas ele não tem esse interesse. É muito triste que a amizade que essas duas pessoas tenham sejam apenas um ao outro.
Se sua vida pessoal não o anima muito, a profissional não é diferente. Há em suas aulas, apenas um aluno que mereça um pouco de atenção do professor, Kenny (um já crescido Nicholas Holt, que dividiu as telas com Hugh Grant em Um grande garoto). Nem mesmo em sua terra natal ele se encontra, já que é britânico.
Como disse, porém, é um dia com altos e baixos. A fotografia do filme é toda quase monocromática. Uma misturada meio azulada e acinzentada durante todo o filme, com exceção de alguns bons momentos do filme. Durante o filme, ele encontra algumas pessoas que o animam, e quando isso acontece as cores do filme mudam, ficam mais vivas e bonitas. Nós percebemos que houve a mudança de humor dele e quando o momento passa as cores perdem novamente seu tom. Um efeito muito bonito.
Firth interpreta o personagem com perfeição, o que lhe garantiu uma indicação ao Oscar desse ano. Infelizmente concorreu com Jeff Bridges em Coração Louco, que há muito tempo já deveria ter ganho uma estatueta e somente a conseguiu este ano. Mas ainda assim é uma performance memorável. George acorda triste e começa a tentar disfarçar sua tristeza. Ele só que passar pelo resto do dia. Apenas isso. E ele é a imagem disso.
O filme no original se chama "A single man", o que pode ter dois significados. No mais imediato, remete a ser um homem solteiro. Além disso, significa também que é um homem singular. Talvez por causa da sua opção sexual. Assim como este pode não ser um filme excepcional, mas é um filme singular que podia receber uma atenção mais das distribuidoras brasileiras.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

UMA NOITE FORA DE SÉRIE


NOTA: 7.
"Você pode, pelo amor de Deus, colocar uma porra de uma camisa?" Phil Foster

Para alguns, Tina Fey e Steve Carell podem não ser rostos muito conhecidos por aqui, mas eles são protagonistas de duas das melhores série de comédia americanas da atualidade. Fey criou e atua em 30 Rock, que também conta com Alec Baldwin em seu elenco e já conquistou alguns Globos de Ouro. Concorrendo com ela em outra série está Carell, que se destacou na versão americana da série The Office e também conquistou um Globo por sua atuação. E pela primeira vez eles atuam lado a lado em um longa metragem.
Eles interpretam os Foster, um casal com filhos pequenos e uma casa em Nova Jersey. Uma vida bem normal do subúrbio. Sua vida rotineira vai bem até que eles descobrem que um casal de amigos deles está se separando (um deles interpretado por um mal aproveitado Mark Ruffalo). Eles declaram que se tornaram os melhores colegas de quarto que já tiveram, apenas não são mais um casal apaixonado.
Dispostos a não deixar o mesmo acontecer com eles, eles partem para uma noite na cidade para jantar no mais badalado restaurante de NY. Eles querem reacender o romance que se perdeu com o passar dos anos. Como não fizeram reserva, eles só conseguem uma mesa se aproveitando da ausência do casal Triplehorn. Durante o jantar, dois homens os convidam a se retirar do restaurante, é quando eles descobrem que o casal Triplehorn são pessoas procuradas e que foram confundidos com eles.
Eles começam uma fuga desesperada pela cidade para escapar daquela situação e contam com uma ajuda de um agente de segurança interpretado por um hilário Mark Whalberg que nunca veste uma camisa por todo o filme, e uma policial que acredita que eles são boas pessoas com problemas.
O filme é engraçado, mas nem tanto assim. Na verdade ele só funciona por causa da dupla de atores, que pra começar, estão totalmente críveis em seus papéis. Os Foster são um casal em que podemos acreditar que realmente existam. Não são muito bonitos nem charmosos, são pessoas normais que se encontram em uma situação extraordinária. Nós queremos que eles se divirtam e torcemos por eles. E diferente da maioria dos filmes, não vão descobrir que tem talentos especiais que vão servir como uma luva em uma situação como essa. Nada disso. Eles terão que se virar como pessoas normais tentariam se virar.
E eles são muito engraçados mesmo. Grande parte dessa força cômica é porque eles não agem como se fossem comediantes. Eles dão veracidade as situações que passam. A graça do filme não vem porque eles tentam ser engraçados. O que é ótimo, porque senão o público não conseguiria se identificar com o filme o que poria tudo a perder.
O fato é que muita coisa podia por o filme a perder. Troque qualquer um dos dois e o filme não teria o mesmo efeito. Troque os dois por Hugh grant e Sarah Jessica Parker  e poderia ter uma bomba em potencial nas mãos, como já foi visto.
Uma pena que o filme não tira total proveito deles. Eles brilham, mas o filme não chega a decolar em momento algum. Shawn Levy não consegue fazer uma grande comédia, como não conseguiu fazer nenhumas das outras vezes que tentou (Uma noite no museu, 12 é demais). No final, fica a impressão que os seriados que eles protagonizam são melhores que esse filme.
Acabei de me perguntando porquê demoraram tanto para juntar esses dois se eles funcionam tão bem. E já que conseguiram juntar, por que não aproveitaram para fazer um filme melhor. Ficou um filme que faz rir mas que poderia ter ido mais longe, mas fica a dica pra boas risadas.
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