quarta-feira, 31 de agosto de 2011

AMOR E OUTRAS DROGAS – LOVE AND OTHER DRUGS


NOTA: 6.
- Ás vezes, as coisas que queremos não acontecem e o que menos esperamos acontece. Você conhece milhares de pessoas e nenhuma realmente toca você. Então você conhece uma pessoa e sua vida muda pra sempre.

Edward Zwick (Um ato de liberdade, O último samurai) não é conhecido por dirigir comédias românticas, e assistindo a esse filme é fácil de descobrir porquê. Talvez querendo revolucionar o gênero, ele faz um filme que não é nem engraçado ou mesmo romântico. Ou pode ser que o diretor não tenha a intenção de fazer um filme que não seja deprimente.
Outro detalhe interessante é o fato do filme se passar em 1998. Será que o diretor queria uma época "mais inocente", quando as pessoas (nos EUA) não ficavam tão preocupadas com guerras ou ameaças de terrorismo? A resposta é não. O filme se passa nessa época, por causa de um "fato histórico": o começo da comercialização do viagra.
É nessa época que acompanhamos Jamie Randall (Jake Gyllenhaal), um homem muito carismático e inteligente que usa todas as suas habilidades para vender qualquer coisa enquanto dorme com qualquer mulher que apareça no seu campo de visão. Ele não sabe bem o que quer da vida, não é por acaso que começa o filme vendendo eletrônicos antes de passar pros produtos farmacêuticos.
Como vendedor de produtos farmacêuticos, ele rapidamente descobre que para conseguir chegar a Chicago (onde os maiores se encontram), ele deve entre outras coisa flertar com as recepcionistas de médicos (quem sabe dormir com elas) e agradar os próprios de alguma forma. Não é um trabalho fácil, mas alguém tem que fazê-lo.
O principal médico que ele deve agradar, é Dr. Knight (Hank Azaria), e é através dele que conhece Maggie Murdock (Anne Hathaway), uma mulher que aos 26 anos já tem que tomar diversos remédios por sofrer de Parkinson, o que é extremamente raro em alguém tão novo. Depois de um desentendimento inicial, os dois começam uma relação baseada somente em sexo. Ela porque não quer que sua doença seja um fardo para alguém, e ele porque é um imbecil mulherengo.
O problema é que o filme não decide que caminho tomar. A doença de Maggie é contada com seriedade e abre espaço para discussões interessantes. Mas nada disso combina com a constante interferência do irmão Jamie, um retardado social que deveria ser o personagem cômico do filme. Pena que não consegue.
Hathaway dá uma doçura, apesar de todo a ignorância que destila, à sua personagem. E quando é preciso, ela nos emociona. Realmente está muito bem em seu papel. Gyllenhaal também está ótimo em seu papel, são não consigo acreditar plenamente que ele é capaz de ter a mulher que quiser (ao contrário de Ryan Gosling em Amor a toda prova).
Zwick é um diretor competente, mas parece ter se esforçado bastante em um roteiro que infelizmente não funciona. Os personagens principais tem pesos diferentes. Sabemos tudo que é preciso sobre o personagem dele e nada sobre o dela, que parece ser o oposto dele apenas para servir o filme. Apesar de errar no roteiro, pelo menos devemos dar crédito a direção, que junto com as atuações salva o filme do fracasso. Pena que fica no quase.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A HORA DO ESPANTO – FRIGHT NIGHT


NOTA: 8.
- Percebe quanto problema você me causou, Charley? Me espionando. Contando a polícia sobre mim. Você merece morrer, mas eu vou te dar uma coisa que eu não tenho: uma escolha. Me esqueça, Charley, e eu vou esquecer de você.

Assistindo a este filme novamente, eu percebi porque foi refilmado (a nova versão com Collin Farrel já foi lançada nos EUA). Ele era atual na época de seu lançamento e hoje continua, de certa forma. Tem um personagem que é um ator (chamado de Peter Vincent, uma homenagem a Peter Cushing e Vincent Price)  famoso por suas atuações em filmes de vampiros que diz que os jovens não querem mais saber dos filmes que ele fazia, que preferem ver lunáticos matando pessoas. Na época era uma alusão aos filmes de Sexta-feira 13, hoje acredito que a maior concorrência é em relação a vampiros que se recusam a chupar sangue. Não digo que o filme precise de uma refilmagem, apenas que entendo (que fique claro).
Para chamar de novo a atenção para os vampiros naquele ano, o diretor e roteirista Tom Holland contou a história de Charley Brewster, um adolescente fã dos filmes de vampiro que acredita que um acabou de se mudar para casa ao lado da sua. E não é nem que o garoto seja brilhante, é que o vampiro é tão descuidado (provavelmente protegido pelo fato de ninguém mais acreditar em vampiros) que exibe suas vítimas com a janela bem aberta enquanto seu ajudante se livra dos corpos em enormes sacos plásticos. 
A princípio, Brewster recorre a um policial dizendo ser seu vizinho o responsável por mortes que tem ocorrido na vizinhança, mas os dois novos moradores tem explicações plausíveis para tudo, até mesmo para terem um caixão dentro de casa. Se a polícia não o ajuda, ele resolve que a única ajuda que pode conseguir é do ator Peter Vincent que mata os vampiros no programa que Brewster assiste todas as noites.
Vincent tem um jeito muito parecido da forma como se apresenta no programa. Como se fosse ele próprio um personagem de filme de terror B, dizendo coisas como "Onde se encontra o esconderijo dessa criatura da noite". Mas seu personagem é vital para o segundo ato do filme, ato no qual o filme passa de uma sátira aos filmes de vampiro para se tornar ele próprio um exemplar do gênero. Sendo o vampiro perseguido por um adolescente e um homem que sabe tudo sobre vampiros por ter trabalhado em muitos filmes do gênero.
O filme tem uma certa dificuldade para conciliar os tons diferentes entre os atos, o que prejudica um pouco o resultado. Também parece que a meia hora final do filme é apenas uma exibição de efeitos especiais, que incluem maquiagem e transformações que deveriam ser coisas bem avançadas na época. Para os que acreditam que os filmes de terror estão ligados a efeitos toscos, então esse filme melhorou com o passar do tempo.
Ainda hoje, o filme tem um visual interessante e com muito mais personalidade que a maior parte dos filmes de terror que você encontra para assistir. E tem personagens muito interessantes também, como o próprio vampiro que não é de todo ruim, mas claro que o destaque vai para Roddy McDowall como o "caçador de vampiros". Não é o melhor exemplar do gênero, mas diverte bastante.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

HITCHCOCK TRUFFAUT 17: OS 39 DEGRAUS - THE 39 STEPS (1935)

Para ler o que já saiu de Hitchcock Truffaut, clique aqui.


NOTA: 9.
- Eu sei o que se sentir sozinho e sem ajuda de ninguém e ainda ter o mundo inteiro contra mim. São coisas que nenhum homem ou mulher deveria sentir.

Hitchcock começa a colocar em prática o que ele declarou anteriormente: pega um livro e o usa apenas como base para construir seu filme. Tanto é, que diversas cenas do filme não estão presentes no livro, como quando o herói vai parar em uma fazenda (onde ele confessa ter retirado a ideia de um conto), ou mesmo o personagem de Mr. Memory, um homem que responde qualquer pergunta sobre qualquer assunto que lhe for enderereçada.
É numa das apresentações de Memory que conhecemos o personagem principal, Hannay (Robert Donat). Ele é um canadense que está passando um tempo em Londres. Há uma confusão na platéia e tiros são disparados. Todos correm para fora e Hannay cruza com uma misteriosa mulher que lhe pede abrigo. No apartamento dele, ela lhe explica que é uma espiã e que está sendo seguido por outros espiões (dos tais "39 degraus). Ele não lhe dá muita atenção até que ela aparece na sua cama com uma faca enfiada nas costas.
Confuso, ele somente sabe duas coisas que ela lhe disse: uma é que sua vida agora está em perigo e outra é que ele deve ir para Escócia para tentar descobrir o que está acontecendo. Em seu caminho ele é perseguido tanto pela polícia, que acredita ser ele o assassino da mulher, quanto é caçado pelos espiões que acham que ele sabe demais. Um homem comum posto em uma situação terrível (tema comum nos filmes do diretor) que consegue escapar por muito pouco dos perigos.
O filme já apresenta um salto à frente em relação ao trabalho anterior de Hitchcock, que era O homem que sabia demais. Aqui, o filme é mais coeso e os atores parecem entender melhor o que ele espera do filme. Donat no papel principal, funciona tanto nas cenas de perseguição como nas de comédia, e seu par, Madeleine Carrol é doce o suficiente para nos importarmos com ela. Além das cenas muito melhor acabadas e emocionantes.
Truffaut destaca que é a partir desse filme, que o diretor começa a "maltratar" (usando a expressão que ele usa) os roteiros de seus filme. O que ele quer dizer na verdade, é do costume do diretor de não se preocupar com a verossimilhança em detrimento da emoção. Não importa como as coisas acontecem ou porque certas pessoas estão ali, o que interessa é que aquelas pessoas estejam lá e que as coisas aconteçam para que a história tenha não somente emoção, mas um ritmo indispensável para os filmes.
Mais interessante é quando eles conversam sobre críticos (o próprio Truffaut começou como um). Ele traça uma idéia interessante: quando o diretor se sente perseguido pelos críticos, ele se refugia na bilheteria. Mas ele diz que um diretor que faz filmes apenas pela bilheteria, deixa-se arrastar pela rotina. O que é muito ruim. Me fez lembrar de Michael Bay no lançamento de seu último filme. Ele declarou que os críticos são uns chatos. Que ironia, não. Para terminar, as palavras do próprio diretor:
"Nunca filmo uma fatia de vida porque isso as pessoas podem muito bem encontrar em casa ou na rua, ou até defronte da porta do cinema. Não precisam pagar para ver uma fatia de vida. Por outro lado, também afasto os produtos de pura fantasia, pois é importante que o público possa se reconhecer nos personagens. ... O drama é uma vida cujos momentos maçantes foram eliminados."

domingo, 28 de agosto de 2011

AMOR A TODA PROVA - CRAZY, STUPID, LOVE


NOTA: 8.
- Eu vou te ajudar a encontrar sua masculinidade. Tem alguma ideia de onde você pode ter perdido?

O que tem de interessante nesse filme, é que se trata de uma comédia romântica (ainda que não exagere nas piadas) bem inteligente com personagens que tem uma característica cada vez mais rara em filmes: são pessoas de "coração bom", como se costuma dizer. Dirigido por Glenn Ficarra e John Requa, a mesma dupla que dirigiu Jim Carrey em O golpista do ano, o filme é uma boa surpresa com um elenco de primeiríssima linha, que dão um apelo especial pelo filme.
Em especial Steve Carrel, que parece crescer mais nas telas de cinema a cada filme que realiza. Aqui ele é Cal, chefe de uma família aparentemente feliz. No restaurante, vemos diferentes pés debaixo de diferentes mesas. Todos os homens estão usando sapatos, até chegarmos nos pés dele com tênis. Sem modo de vestir também não é muito diferente, ele é claramente um relaxado. Quando ele diz pra sua mulher o que quer comer, ela diz que quer divórcio. Assim começa o filme.
Ele acaba indo para um bar afogar suas mágoas onde encontra o mulherengo Jacob (Ryan Gosling, que continua a surpreender pela versatilidade e talento), que fica com pena e resolve ajudar Cal a reencontrar sua masculinidade, seja lá onde ela a tenha perdido. Ele parece ser o homem certo para o trabalho, já que a cada noite ele sai com uma mulher diferente de sua escolha. Sua única rejeição acontece pelas mãos de Hannah (Emma Stone), o que não dura muito tempo.
Enquanto Cal tenta dar um novo rumo a sua vida, com novas roupas, sapatos e corte de cabelo, sua esposa Emily (Julianne Moore) continua se encontrando com colega de trabalho (Kevin Bacon) por quem parece estar trocando Cal. Ao mesmo tempo, seu filho se encontra cada vez mais apaixonado pela babá mais velha e que está obviamente apaixonada por Cal, que finalmente aprende a se dar bem em bares conseguindo sair com mulheres como Marisa Tomei (hilária).
Como se pode perceber, o filme tem um fluxo que vai seguindo e renovando o filme a cada momento. São diversos personagens e todos com uma função. Todos dando continuidade ao filme. As duas gerações, Cal e Jacob, porém, começam a trocar de papel. Cal consegue ir pro bar e sair com diversas mulheres, enquanto Jacob começa a ficar cada vez mais, e exclusivamente, próximo de Hannah. Ainda mais, ele faz o que parece não ser capaz: se apaixonar de verdade.
Se trata de um filme que prioriza seus personagens para contar uma história. Mesmo o personagem de Bacon, um aparente destruidor de lares, não é desprezível. Todos tem seus problemas e desejos. Estraga apenas saber que de alguma forma todos (e todos mesmo) os personagens vão se encontrar no final para o grande fechamento do filme. Apesar de seguir essa fórmula certinha, ainda assim é um filme que me agradou bastante. Seja pelos personagens ou pelos caminhos que eles seguem.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM – RISE OF THE PLANET OF THE APES


NOTA: 7,5.
- Tire suas patas fedorentas de cima de mim, seu maldito macaco sujo!

A famosa frase acima, umas das mais famosas do cinema, está de volta, mas dessa vez os papéis estão invertidos. Parece que o filme está muito mais para uma refilmagem distorcida do filme original do que umas das (já muitas) continuações que ele sofreu. Se não é melhor, pelo menos supera as continuações.
Um dos motivos pelos quais o filme funciona bem é o que o diferencia dos demais: ele não se passa no futuro, em outro planeta ou outra realidade, mas bem aqui no nosso mundo. Acompanhamos o médico Will Rodman (James Franco) que está desenvolvendo uma possível cura pro Alzheimer. O teste que funciona é num macaco chamado de Bright Eyes (mesmo nome que a macaca Zira chama o personagem de Charlton Heston). É o filhote dela, Caesar (Andy Serkis, o melhor ator do mundo dos CGI), que vai morar com ele e fica mais inteligente que muitas crianças.
Depois que um dos animais realiza um ataque contra os humanos, todo o experimento é fechado para evitar novos incidentes, ainda que nós vamos descobrir o porquê do ataque e saber que eles poderiam relevar em prol de um bem maior que é a cura da doença. De qualquer forma, Rodman se sente confiante o suficiente para testar a droga em seu pai doente. Tudo vai bem até que Caesar deve ser mandado para um lugar especializado onde sofre muitos destratos, especialmente Dodge Landon (Tom Felton, o Draco Malfoy novamente como vilão). Aí começa o fim da humanidade e a primazia dos macacos tal qual conhecemos no original de 1968.
O elenco é apenas correto, sem exceção. Franco até consegue manter uma boa performance na primeira metade do filme, mas depois se iguala na média do resto, incluindo John Lithgow como o pai e Brian Cox como o responsável pelos macacos. Perdida mesmo está Freida Pinto como uma veterinária que não parece ter nenhuma função no filme além de ser o interesse romântico de Franco. O grande destaque dessa vez vai para Andy serkis. Um macaco nunca pareceu tão impressionante, cheio de detalhes e expressividade. Além de ser um avanço na tecnologia, é essencial para o filme.
O filme termina com uma interessante batalha que é muito mais interessante do que achei que realmente seria, ainda que a inteligência não treinada para o tipo de situação que Caesar apresenta seja um pouco exagerada demais para o meu gosto.
De resto, é o filme que esperava que fosse ser. Nem melhor nem pior. Deixa de fora qualquer questão sobre a ética do médico entre outros assuntos que poderiam ser muito interessantes. Há uma cena que mostra astronautas chegando em Marte, o que acredito ser a missão de Heston. O fato serve para aproximar esse filme e o primeiro, mas considerando onde ele termina, ainda há um longo espaço até chegar onde o original começa. O problema é que dá a impressão de precisar de algo mais para terminar, como se fosse apenas parte de algo maior.
Cumpre a sua função que é o entretenimento pelo tempo em que assiste, mas duvido que alguém vá  lembrar dele muito tempo depois.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

QUESTÃO DE HONRA - A FEW GOOD MEN


NOTA: 7,5. 
- Você quer respostas?
- Eu quero a verdade.
- Você não aguenta a verdade.

O filme está em duas listas da AFI (American Film Institute): a última frase acima é declarada por Cel. Jessup (interpretado por Jack Nicholson) e foi eleita a #29 melhor da história do cinema; além disso, é considerado o quinto melhor filme de tribunal, atrás apenas de clássicos como Kramer vs Kramer e Doze homens e uma sentença. A verdade é que o filme não causou hoje uma boa impressão como achei que causaria. Ou mesmo do que me lembrava de como seria.
Um dos motivos foi o excesso de obviedade dado ao seu tratamento. Não é que não tenha uma ou outra surpresa, mas sim pelo fato de parecer repetir cenas para não deixar nenhuma dúvida para o espectador. Basicamente vemos a preparação da cena que vai acontecer, em seguida a cena acontece pra valer para então depois vermos os personagens explicando a cena que acabamos de ver. Parece um making of onde vemos o ensaio, a gravação e a edição. Ou talvez apenas subestime a inteligência de quem assiste.
Baseado em uma peça de sucesso da Broadway (que teve nomes como Tom Hulce e Stephen Lang em seu elenco), acompanhamos o advogado citado defendendo dois fuzileiros que guardam a fronteira de Cuba acusados da morte de um terceiro mais fraco. Ao que ele nos leva a crer, trata-se de um código vermelho, medida "disciplinatória" que usa castigos físicos. O caso seria resolvido por lá mesmo, mas Galloway (Demi Moore) quer defendê-los numa corte americana. Para evitar uma péssima publicidade, eles põem Kaffee que é famoso por fazer apenas acordos e não por pisar no tribunal.
É claro que o filme nos leva para julgamento. Tanto porque Galloway não deixar Kaffee levar seu trabalho preguiçosamente, ou porque os dois acusados são militares tão orgulhosos que preferem passar mais de uma década na cadeia do que sujar o nome do exército, tropa, Deus ou país. Nesta ordem. Ou ele entra na briga ou pede que outro advogado seja designado.
A maior vantagem do filme é provavelmente o elenco de primeiríssima linha. Cruise alternava blockbusters de sucesso, como Dias de trovão, com filmes mais sérios como Nascido em 4 de julho. Se ele ainda não era o ator experiente (e melhor) que vemos hoje, pelo menos se entrega muito bem e dá conta do recado. Ao seu lado estava uma Demi Moore em seu auge além dos sempre competentes Kevin Bacon e Kiefer Sutherland. Mesmo entre os "figurantes" temos Cuba Gooding e Noah Wyle. A cereja no topo fica por conta do sempre ótimo Jack Nicolson.
Só é uma pena ver um filme que podia ser ótimo acabar sendo apenas mediano. Quando chega a cena final onde Cruise vai pressionar Jessup na cena mais famosa, sabemos que estratégia ele vai usar e como vai usar. Infelizmente isso tira muito da força que o filme poderia ter. Melhoraria se fosse mais enxuto.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

GRANDES EXPECTATIVAS – GREAT EXPECTATIONS


NOTA: 8.
- Eu não vou contar a história do jeito que ela aconteceu. Eu vou contar do jeito que eu me lembro.

O (bom) diretor Alfonso Cuarón (Filhos da esperança) estava começando a aparecer em Hollywood quando resolveu atualizar a clássica história de Charles Dickens. A atualização acontece de forma tão radical, e corajosa, que o filme tinha tudo para não funcionar, mas funciona. Funciona principalmente porque se torna algo como uma "livre adaptação" do livro. A história vai ser contada como ele lembra, como diz. Seja do que lembra das suas memórias ou mesmo do livro.
Mesmo os personagens adotam diferentes nomes aqui, por isso Pip vira Finn (Ethan Hawke), um pobre garoto que cresce com duas mulheres que são um perigo para ele, principalmente considerando seu grau de ingenuidade. Uma é Dinsmoor (Anne Bancroft), que ficou louca depois que seu noivo a largou e só pensa em se vingar dos homens. De todos eles. Para isso, ela criou a sobrinha Estella (Gwyneth Paltrow), mas ainda que tenha sido avisado, ele não pode evitar de se apaixonar por ela.
Os dois não apenas são diferentes, mas também vem de mundos diferentes. Ela é a rica criada pela, digamos, excêntrica tia que lhe dá uma única, e estranha, missão de partir os corações dos homens. As duas moram numa mansão enorme, mas que está cada vez mais decadente. Finn é inocente demais para perceber como eles se opõe. Ele é pobre e criado pelo namorado da irmã depois que essa os abandona. Apesar de tudo isso, ele acha que pode "reescrever" sua história de forma que possa ficar com ela.
Ainda que Finn fique anos sem encontrar seu amor e deixe de lado seus interesses românticos, uma oportunidade surge para reavivar a chama. Um advogado aparece representando uma cliente que quer tornar seus sonhos em realidade: torná-lo um pintor famoso e expor suas obras em uma galeria em NY. Mesmo tendo parado de pintar, ele quer aproveitar a chance de se reinventar. De melhorar para ficar à altura dela, do seu grande amor. E eles voltam a se encontrar, mas desta vez ela está com outra "vítima".
Se imaginarmos que o filme funciona como dois blocos (um com Finn criança até sua separação de Estella com quem esteve quase toda sua vida, e outro com sua fase adulta tentando se mostrar digno de tê-la ao seu lado), o problema evidenciado é que a primeira parte é muito superior à segunda, ainda que seja bem mais curta. Falando de maneira mais simples, ele começa sendo um ótimo filme, mas termina "apenas" como um bom filme.
Apesar de não ser uma adaptação fiel à história do livro, ele surpreende por ser muito fiel à sua essência. A fotografia deixa o filme com um visual arrebatador. Apesar de ser uma história de fantasia, os personagens todos tem uma uma profundidade que dão uma nova dimensão ao filme. Mesmo Estella, a destruidora, mostra que tem muito mais do que ela deixa transparecer. Terminasse tão bem quanto começou, seria um filme excepcional.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

2019, O ANO DA EXTINÇÃO – DAYBREAKERS


NOTA: 7.
- Vamos deixar uma coisa bem clara. Foi oferecida aos humanos uma chance de assimilar, mas eles recusaram. Portanto, eles são considerados inimigos do estado e vão ser criados para fornecer sangue.

A vantagem de um tema tão forte quanto o vampirismo, é que pra cada filme que o usa como propaganda celibatária para adolescentes, aparece pelo menos um outro que mostra que vampiros podem funcionar para coisas mais interessantes. Neste caso, para mostrar um futuro onde os humanos são uma raça em extinção. Os pouco sobreviventes são caçados para poder servir de alimento em uma corporação, a maior, que trabalha com apenas um produto: sangue.
A empresa é dirigida por Bromley (Sam Neill), um empresário que está gastando fortunas em pesquisa para descobrir um substituto sintético para o sangue. Seu hematologista chefe é Edward (Ethan Hawke), um cientista que não queria ter se transformado e que luta para encontrar o tal substituto. Numa população onde quase todos se alimentam de sangue humano, claro que a falta deste é um problema seríssimo. É a falta de alimento de todo uma raça. Para Edward, o substituto é chance de acabar com a necessidade de caçar humanos.
Ao invés da cura, Edward encontra um grupo de humanos, cujo líder era um vampiro que num acidente foi "curado". Elvis (Willem Dafoe) faz um acordo com Edward para reproduzirem o processo e poderem curar outras pessoas. Ele aceita porque é a chance de deixar de ser vampiro e também porque sua ética vai contra a ideia de ficar mantendo humanos em coma para extrair o sangue deles.
O grande problema deles é que não estão renovando o estoque. Por mais cruel que seja, os humanos deveriam ser retratados como uma fonte renovável. Apesar de alguns vegetarianos desejarem que a população parasse de comer carne, não há notícias de que a população bovina está se esgotando. Ao invés disso, os humanos são caçados para morrer, e se não houver uma alternativa para se alimentarem, as duas raças entrarão em extinção. Talvez por isso em outros filmes os vampiros nunca causem uma epidemia em que eles se tornem uma maioria.
É claro que o cartaz acima é extremamente exagerado. Tanto Matrix quanto Extermínio são filmes superiores a esse. Mas ainda assim, este filme tem uma ideia interessante tratada com um visual bem caprichado. Todo o tom de cores refletem uma sociedade de pessoas pálidas e sem qualquer brilho. E voltada mais para o ritmo noturno da vida deles.
Pena, porém, que sofra do mesmo mal que vem assolando quase todos os filmes de Hollywood da atualidade. Apesar de ser tão intrigante em sua essência, o seu final tem que ser estragado por batalhas, tiroteios e um banho de sangue. São os personagens que conhecemos misturados a muitos outros (figurantes) com metralhadoras, de forma que possam agradar adolescentes que (imagino) querem ver os vampiros morrendo, especialmente com cabeças explodindo. Uma pena.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

HITCHCOCK TRUFFAUT 16: O HOMEM QUE SABIA DEMAIS - THE MAN WHO KNEW TOO MUCH (1934)

Para ler o que já saiu de Hitchcock Truffaut, clique aqui.




NOTA: 8.
- Diga a ela que eles podem estar partindo. Partindo para uma longa jornada. Como é que Shakespeare disse? "Da qual nenhum viajante jamais voltou". Grande poeta.

Hitchcock dá créditos ao seu produtor Michael Balcon, que trabalhou neste filme apesar de seu nome não aparecer nos créditos. Ele dá os méritos primeiro por o ter lançado como diretor, e neste momento por dar um segundo início à sua carreira depois dos últimos fracassos. O filme foi o mair sucesso comercial do diretor enquanto esteve filmando na Inglaterra e fez também grande sucesso nos EUA, o que não era muito comum na época. 
Ao contrário da versão americana lançada anos depois, e filmada também pelo próprio diretor, o início deste filme se passa na Suiça. Um casal e sua filha estão passeando por lá quando um misterioso tiro mata um amigo deles. Antes de falecer, ele confidencia um papel que tem segredos sobre um atentado contra uma pessoa importante. Para evitar que o casal diga qualquer coisa à polícia, espiões sequestram a filha deles em troca do silêncio. O que dura até que eles tentem por conta própria encontrar a menina.
O final do filme é um cerco da polícia aos terroristas. O incidente é uma reprodução de um caso que ficou conhecido como "O cerco de Sydney street", fato que ocorreu quando Churchill ainda era chefe da polícia. A cena trouxe problemas com a censura, que considerava o caso o mais vergonhoso da história da polícia londrina, por apresentar oficiais chegando armados no local (eles não andam armados). Depois de um longo impasse, ele resolveu o problema mostrando um veículo chegando com as armas.
A melhor cena do filme com certeza é a do atentado antes do cerco. Para disfarçar o barulho do tiro, o atirador deve atirar no exato momento em que a orquestra toca címbalos para disfarçar o som. A cena segura o suspense até a sua conclusão. Com certeza, a que melhor representa o que o diretor viria a se tornar. Só ele mesmo viria a se superar na refilmagem. Como disse na entrevista: "Digamos que a primeira versão foi feita por um amador de talento, ao passo que a segunda foi feita por um profissional." E a cantata composta por Arthur Benjamin é tão boa, que Bernard Herrmann se recusou a gravar uma nova versão.
O mais interessante da entrevista é quando o diretor declara que para criar o suspense é preciso esclarecer todos os elementos para a platéia. No caso, no remake que fez, ele detalhou muito mais o que eram címbalos, chamando assim a platéia a ter maior participação dos eventos. Ou como Truffaut chama, é precisa ser um "simplificador". Só uma mostra que ele iria apenas melhorar.
Tem tudo que o diretor tinha de bom, apenas em um estado mais bruto. Sendo lapidado filme a filme. Como ele mesmo disse, "o talento estava lá". O começo do domínio dos cortes para manter a tensão e o suspense. Para melhorar, o primeiro filme em inglês do extraordinário Peter Lorre. Só é uma pena que o resto do elenco não consiga o acompanhar. Mas apesar de tudo, um bom filme do diretor.

sábado, 20 de agosto de 2011

PROFESSORA SEM CLASSE – BAD TEACHER


NOTA: 7.
- As coisas vão mudar por aqui. Alguém tem algum problema com isso?

A primeira coisa que me veio à cabeça ao assistir a este filme, foi Escola de rock, história sobre um péssimo professor que usa as crianças da sua sala para ganhar um concurso de música. No final ele acaba gostando das crianças e tenta se tornar uma pessoa melhor. Não espere isso da personagem de Cameron Diaz, se ela vai começar a ensinar é porque tem alguma coisa pra ela própria ganhar com isso, porque em geral ela é má só porque pode ser. No máximo, podemos dizer que ela ficou menos má. E olhe lá.
Liz Halsey (Diaz) aparece no último dia de aula se despedindo de seus colegas. À primeira vista, ela parece uma doce professora, uma imagem que vai ser quase instantaneamente desfeita. Ela está saindo porque arrumou um marido rico que não ama mas de quem consegue arrancar muito dinheiro. O problema é que ele descobre e termina tudo com ela, que se vê obrigada a voltar a lecionar (uma profissão que ela não parece ter capacidade ou vontade de exercer).
Suas técnicas de ensino se resumem a ficar passando filmes em sala de aula enquanto dorme ou até mesmo ficar usando drogas escondidas na sua gaveta com fundo falso. Apesar disso, a verdade é que sua personagem não é a pior coisa do mundo. Fica no meio do caminho entre o muito detestável que se torna interessante e a pessoa boazinha que conquista. Mas o filme insere uma personagem que é vital e acaba se tornando a vilã do filme. Ao contrário de Halsey, Amy é a professora que faz tudo certinho e parece realmente se importar com seus alunos, mas ela é tão certinha que fica irritante. Nesse caso, a pior é melhor.
Elas começam a disputar. Seja pelo prêmio que é dado para a professora que tiver as melhores notas em uma prova aplicada em todas as escolas do país, que dá um bônus em dinheiro. Ou seja também pela atenção do novo professor interpretado por Justin Timberlake, um tipo tão ou mais irritante que Amy. A diferença é que Amy realmente se parece com ele, já Halsey sabe que ele é rico. Tanto que fica preterindo um professor de ginástico muito mais parecido com ela mas que não tem dinheiro.
Cameron Diaz é dotada de grande talento para comédias, por isso parece estranho que ela tenha tantos filmes bem sem graças. Mas parece aqui que ela consegue finalmente um papel que arranque risadas das plateias.Talvez parte da "culpa" possa cair em cima do resto do elenco, que não só sabem dar espaço pra Diaz brilhar como complementam muito bem as cenas. Em especial Lucy Punch como a maníaca Amy e Phyllis Smith como a amiga atrapalhada.
Pena que o roteiro conte com uns buracos enormes na história e deixa muitas coisas que acontecem sem qualquer tipo de explicação, mas pelo menos isso deixa o filme bem enxuto a ponto de não perder a graça, então não chega a ser de todo mal. Assim como é uma pena que apesar de não ter uma "redenção" da personagem não se consiga evitar o forçado (e anticlimático) final feliz. Ainda assim tem os méritos de fazer rir na maior parte do tempo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

LANTERNA VERDE - GREEN LANTERN


NOTA: 5.
- No dia mais claro, na noite mais densa, nenhum mal escapará da minha presença, quem venera o mal há de penar, quando a força do lanterna verde enfrentar.

Mesmo que o mundo dos cinemas estivesse relegado aos filmes de super-heróis, este não seria um bom exemplar de diversão. Ao contrário de quando fez o reboot da série 007 com Cassino Royale, o diretor Martin Campbell falha ao criar uma nova e interessante franquia e cai no velho erro de privilegiar cenas de ação e efeitos especiais em detrimento de uma boa história. Nestes tempos em que a Marvel segue com sua sequência de bons filmes, a DC decepciona ao tentar expandir seu universo para além de Batman.
Logo no início, somos informados que há bilhões de anos uma antiga raça alienígenas criou uma patrulha intergalática para manter a paz no universo, e o separou em "distritos" vigiados por 3600 lanternas. Uma força maligna chamada Parallax, um dos antigos líderes que ficou vaidoso e acabou se transformando num monstro que se alimenta de medo, mata o lanterna que protege nosso setor e o anel escolhe como substituto Hal Jordan (Ryan Reynolds), um irresponsável piloto de caças. Hal descobre que o anel pode fazer tudo que sua mente imaginar, desde que sua mente consiga superar o medo que sente. Logo o medo, que o faz abandonar tudo que ele realiza em sua vida. 
Que quase todas as origens de histórias em quadrinhos é ingênua, é notório. Principalmente se considerarmos a época em que esses heróis foram inventados. Mas a vantagem das novas adaptações pros cinemas, é que eles podiam ser reinventados de forma mais plausíveis. Aqui, esse conceito inexiste e o resultado parece mirar na platéia de 12 anos ou menos. Apenas uma sucessão de efeitos especiais multicoloridos e nem sempre interessantes.
O problema é que nada no filme parece real. Seja as muitas viagens espaciais, seja o perigo que o herói ou a Terra correm ou qualquer outra coisa. Tudo parece muito falso, tornando difícil de nos importar com qualquer coisa. Até mesmo com a destruição da Terra.
Como destaque positivo do filme, fica a atuação de Peter Sarsgaard como Hector Hammond. Ignorando o nome ridículo, ele é o personagem mais interessante do filme. Ele é um cientista com um certo ar superior que é chamado para investigar o cadáver do alienígena encontrado, mas para seu azar acaba sendo infectado por alguma substância provinda de Parallax e acaba se transformando num monstro cabeçudo e estranho. Mesmo assim rouba todas as cenas, pena que para se opor a ele não existe ninguém interessante no resto do filme.
Talvez os fãs vão gostar dessa adaptação. Talvez encontrem algumas referências além das que encontrei que os façam delirar. E visualmente, o filme não é realmente ruim. Ele tem um certo charme, pena que hoje não é mais suficiente. O filme precisava melhorar nas suas cenas de ação e principalmente no desenvolvimento da sua história e personagens. Por incrível que pareça, a melhor cena do filme é uma batalha aérea de caças que nada tem a ver com a história principal. Muito pouco.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O EXORCISTA - THE EXORCIST


NOTA: 9.
- Me mostre uma sósia de Regan, mesma voz, tudo. Eu vou saber que não é ela. E eu estou dizendo que aquela lá não é ela. Agora eu quero que você diga que sabe que não há nada errado com ela a não ser sua mente. Me diga de fato que um exorcismo não fará bem a ela.

Há os que o considerem um clássico ou os que não considerem, depende de cada um. O fato é que a história da menina possuída por um demônio e que precisa ser exorcizada envelheceu muito pouco de 1973 para cá. Continua sendo um filme de terror enervante (de roer as unhas mesmo) e também um dos maiores exemplares do gênero. Não é à toa que foi indicado a diversos prêmios da academia (primeiro filme de terror a ser indicado para a categoria principal).
Existe alguma coisa de errado com a menina Regan (Linda Blair, que ficou sempre marcada por este papel). Ou há um problema realmente grave com a cabeça da pobre garota, ou um demônio está realmente habitando seu corpo. Devido os tratamentos e exames que realiza, não sei dizer ao certo qual é a pior alternativa para ela. Mas mais importante, é que não importa o que realmente seja, mas que seja lá o que for aquilo, deve deixar de atormentá-la.
Se a função do cinema é fazer a platéia vivenciar experiências pelas quais nunca passaríamos, pelo menos não em situações normais, este filme excede qualquer expectativa e ainda o deixa imbatível em relação a todos os genéricos que tenham "exorcistas" no nome. Medo, esperança, horror, alívio, passamos por todo um carrossel de emoções durante a exibição, que esqueço de pensar um determinadas lógicas naturais e apenas vou sendo levado pelas experiências.
A história é bem conhecida entre os que viram o filme ou não, e foi adaptada do livro para as telas pelo próprio autor, William Peter Blatty (que levou um oscar). Diz-se que todos os detalhes, especialmente em relação aos ritos, são acurados, mas mesmo que não fossem, não fariam grande diferença pois me fisgou de qualquer maneira. Me interessa mais o padre com crise de fé que deve expulsar o diabo dela do que como ele vai fazer isso. Ele mesmo é relutante como a maior parte da platéia, o que ajuda a aumentar a experiência.
Talvez se tivesse optado por mostrar espíritos voando pelo quarto ou coisa do gênero, o filme poderia estar hoje ultrapassado. Felizmente, poucas vezes antes os efeitos especiais foram usados com tanta sobriedade quanto aqui. O quarto parece frio porque está realmente frio. A cama não dá impressão de mexer, ela realmente sai do lugar. Vemos o que realmente acontece, o que somente aumenta o efeito do filme. Se tudo que vemos é real, então talvez o que aconteça também seja. Nada de efeitos ou emoções baratas aqui.
Para completar, o elenco do filme é afiadíssimo. Blair faz a garota tão demoníaca que haviam os que dissessem que ela estava realmente possuída. Ellen Burstyn como a mãe atormentada pelo estado da filha está ótima. Jason Miller como o padre em crise está ótimo, complementado por Max von Sydow (estranhamente o único não indicado) como o padre veterano. 
É tudo isso que transforma o filme em uma experiência. E uma grande experiência.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

ALÉM DA VIDA - HEREAFTER


NOTA: 8.
- Uma vida que se trata apenas sobre morte, não é realmente vida.

O diretor Clint Eastwood envelhece mas em nenhum momento mostra sinais de que está pensando em parar (ou mesmo reduzir) seus trabalhos. A maior prova é que mesmo fazendo um filme que parece simples, ele o começa com um tsunami, e mesmo que termine com um beijo a cena inicial mostra a vitalidade de suas realizações. Outra mostra é na escolha do tema, que o diretor até o momento não havia feito: a questão da vida após a morte.
E morte não é um assunto estranho a ele. Seja na época em que era "apenas" (sem desmerecer seu trabalho) ator nos filmes de faroeste de Sergio Leone ou mesmo quando sentou na cadeira de diretor onde o tema também sempre esteve muito presente em suas obras. Talvez por isso agora a inclinação de procurar o que vem além.
Para isso, ele nos mostra três núcleos diferentes em países distintos. Nos EUA, George Lonegan (Matt Damon) é um homem que consegue "falar" com as almas dos mortos. Para ele é uma maldição mas as pessoas insistem que ele o faça. Ele já ganhou muito dinheiro com isso mas agora se contenta com seu salário de operário e tentar levar uma vida normal.
Em Londres, o jovem menino Marcus sente falta de seu irmão gêmeo que foi subitamente tirado de seu lado e deseja saber se seu irmão irmão pode lhe dizer o que fazer, como sempre fez quando estava vivo. Em Paris, Marie Lelay é ressuscitada depois de morrer afogada vítima do citado catástrofe. Obviamente, os três personagens vão se encontrar ao final do filme, ainda que de maneira pouco convincente e suas vidas vão se ligar.
O importante, porém, é observar a cuidadosa preparação até o encontro. Cada personagem é esmiuçado para sabermos suas motivações e objetivos. Lonegan evita tocar nas pessoas para não "acessar" informações indesejáveis. Ele conhece uma mulher e sabe deve manter seu segredo, porque tudo pode mudar quando ela souber a verdade. Marie se afasta de seu trabalho da televisão para começar a escrever um livro sobre política, mas rapidamente descobre que deve escrever sobre sua experiência de quase morte. Parece que somente enfrentando a morte, os personagens poderão seguir com suas vidas. E justamente os vemos seguir todas as suas trajetórias sem pressa alguma. Quando o momento chega, os conhecemos bem o suficiente para nos importarmos com a sequência.
A grande vantagem de ter Eastwood no comando desse filme, é a certeza que o filme não se tornará planfetário ou melodramático. O diretor e seus atores mantém um nível agradável sem cair no choro ou pieguice. Não se trata de acreditar ou não, mas de assistir um filme inteligente sobre o que acontece depois que nos formos. Tanto é que não há provas reais desses contatos. Em determinado momento, fica difícil saber se o personagem de Damon realmente está se comunicando com alguém ou apenas querendo agradar a pessoa. Para mim, a questão é que não importa se é real ou não. Interessa que é um bom filme.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

HITCHCOCK TRUFFAUT 15: VALSAS DE VIENA - WALTZES FROM VIENNA (1933)

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NOTA: 4.
- Por que diz isso? Eu desisti de todos os meus sonhos por você.

Neste ponto, Hitchcock diz ter alcançado um ponto delicado da sua carreira, ainda que só tenha percebido isso anos mais tarde. Nessa época, ele tinha uma péssima reputação e estava em baixa, mas estava convencido que era um diretor de cinema e abstraía o que as outras pessoas pensavam sobre ele. E o que algumas pessoas pensavam é que sua carreira já estava acabando. Como prova, seus dois filmes anteriores tinham sido grandes fracassos.
O filme conta como Johan Strauss Jr. compôs sua mais célebre música. É uma besteira sobre como seu pai não reconhece seu talento e ele acaba se tornando um padeiro ao lado de sua esposa. Para a sorte dele, uma condessa se esforça para que ele tente seu sucesso musical.
O maior problema são personagens pouco interessantes. Strauss não sabe o que fazer (para não dizer que ele é um banana), seu pai é um resmungão e a mulher extremamente insegura e irritante. Com personagens assim, realmente não há muito do que se esperar do filme.
Como o próprio diretor declara: "Era um musical sem música, muito barato. Não tinha nada a ver com meu trabalho habitual."
O diretor reconhece que não dava a devida atenção que os filmes requeriam. Ele diz que fazer um filme é como construir uma casa, o diretor deve antes de tudo lhe dar uma base, que é a concepção do filme. Não se trata da história, é uma etapa anterior. Se a concepção for boa, algo de bom pode sair dali. É a questão de se sentir confortável com o projeto. Por isso que no filme seguinte, ele se certificaria de que estava confortável o suficiente para dirigir. 
Ao contrário do que as pessoas pensavam, que sua carreira já era, seu declínio aos 30 anos era apenas aparente. Ele termina de filmar esse filme, que considera muito ruim, faz um exame de consciência sério e parte para filmar seu próximo projeto, que seria um novo sucesso. Seu maior sucesso em todo o tempo que esteve filmando na Inglaterra, a primeira versão de O homem que sabia demais.

domingo, 14 de agosto de 2011

SUPER 8


NOTA: 9.
- Se vocês falarem alguma coisa sobre isso, você e seus pais vão morrer.

Tive uma sensação estranha no cinema, e não era só pelo fato de estar assistindo um filme cujo nome é inspirado num tipo de filmagem obsoleta em uma moderníssima sala IMAX com qualidade de som e imagem acima da média. Foi uma sensação de familiaridade com o material, em especial de Steven Spielberg (que não por acaso é produtor deste filme). Claro que muitos vão citar Os Goonies, também produzido por ele, e Contatos imediatos de terceiro grau, mas para mim não resta dúvida que a principal influência foi E. T., o extraterrestre, e as notas finais da trilha deste filme, claramente inspirada na trilha do pequeno alienígena, só confirma tudo.
O principal que o diretor J. J. Abrahams (Star Trek) faz, é muito mais do que passar o filme nos anos 1970, é passar o estilo do filme como se ele tivesse sido realmente feito naquela época. Não é apenas adotar uma estética em relação à fotografia, é nos fazer lembrar uma época em que os chamados blockbusters não eram sinônimos de filmes com efeitos especiais usados com futilidade, roteiros sem história ou personagens interessantes e que não quisessem apenas se transformar em uma franquia. Lembra dos "bons e velhos tempos"? Abrahams lembra e faz uma ode à ele.
Saem os adolescente estúpidos que populam em número cada vez maior as películas e voltam as corajosas e espertas crianças que tentam resolver seus problemas sem a ajuda dos adultos, ainda que não saibam exatamente como fazer isso. Joe Lamb (Joel Courtney) e seus amigos estão fazendo um filme filmando em câmeras super 8. Num dia das filmagens, Joe vê uma caminhonete entrar nos trilhos e rumar em direção ao trem, o que causa um terrível acidente (maravilhosamente filmado). Após o acidente, estranhos eventos começam a acontecer na cidade, e cabe ao pequeno grupo descobrir o que é.
Geralmente nesses filmes, os adultos parecem ser mais distantes do que o normal. Acontecem todo o tipo de confusões com as crianças que eles parecem não tomar conhecimento até que seja tarde demais. Ainda assim eles tem importante papel no filme, seja na parte militar escondendo alguma coisa ou seja com o pai de Joe, um policial, tentando descobrir os acontecimentos anormais de sua cidade. Eles são os obstáculos que as crianças devem superar. Não direi mais nada sobre a história, já que a maior diversão está em descobrir os acontecimentos e as surpresas que ele guarda para nós.
Não é um filme tão bom quanto E. T., e não sei se tem as qualidades para virar um clássico como o outro se tornou. Ao contrário do curta apresentado dentro do filme, o filme é certinho demais e não deixa espaço para  improvisações. Fora isso, só é uma pena que o desfecho do filme não seja tão emocionante quanto todo resto do seu desenvolvimento. Não é perfeito mas é o melhor filme de férias deste ano (e de muitos outros anos) até agora, muito melhor que os filmes da Marvel (Thor e Capitão América) entre outros, e duvido que será superado esse ano. A dupla sabe que não importa que os efeitos especiais sejam os mais impressionantes, o filme não funcionará se não nos importarmos com os personagens. E nós nos importamos com eles, e muito. Por isso é tão acompanhá-los.

sábado, 13 de agosto de 2011

HITCHCOCK TRUFFAUT 14: O MISTÉRIO DO NÚMERO 17 - NUMBER 17 (1932)

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NOTA: 5,5.
- Igual acontece nos filmes, não?
- Até demais para o meu gosto.

Este é mais um filme que o diretor gostaria de não ter feito. A British International Pictures comprou os direitos do livro de J. Jefferson Ferjeon e pediu que Hitchcock filmasse. Como Truffaut ressalta, se trata de um filme bem divertido, mas que tem uma história muito confusa. Embora ainda fosse produzir um filme pela British, este foi a última vez que dirigiu por ela. É também o último filme que o diretor tomou crédito de co-roteirista, apesar de ter sempre influenciado os roteiros de seus filmes.
Com pouco mais de uma hora de projeção (não chega nem a uma hora e dez), o diretor faz uma espécie de paródia aos filmes de suspense que se passa numa estranha casa cujo número dá o título do filme. Na história, um vagabundo e um policial entram na casa onde encontram um cadáver. Pouco depois, muitas outras pessoas começam a entrar na casa e vamos descobrir que algumas delas são parte de uma gangue que ficaram de se reunir lá para pegarem um colar que roubaram.
O filme é desnecessariamente confuso, e as informações que ele deixa de lado não servem para deixar qualquer suspense na história, apenas para piorar o entendimento da história. Em nenhum momento, sabemos sobre o tal colar que todos estão atrás ou até mesmo como ou porquê a tal casa foi escolhida como ponto de encontro. Parece claramente mais um caso de um filme que não alcançou qualquer interesse do diretor. Talvez ele já estivesse a ponto de sair da BIP, mas ele mesmo não esclarece praticamente nada sobre este filme durante a entrevista.
A segunda parte do filme, porém, apresenta uma boa melhora. É quando eles saem da casa e os bandidos fogem num misterioso trem (também não consegui entender a função do trem na história). O policial pega um ônibus e parte em perseguição ao trem. A cena é filmada usando maquetes e os efeitos especiais da época não eram tão convincentes para disfarçar o fato, mas ainda assim é interessante como o diretor consegue deixar a cena emocionante. Esse e alguns outros lampejos de brilhantismo mostram que o diretor ia amadurecendo a excelência que viria alcançar.
Fora a história confusa, há uma busca irritante de fazer o filme parecer engraçado. O alívio cômico deveria vir do personagem do vagabundo, que não é nem um pouco engraçado. As cenas em que ele fica com o revólver beiram o patético e não arrancam uma risada sequer. A única parte que realmente me fez rir, veio de uma cena que, imagino, não tivesse a intenção. Há uma briga pra ver com quem fica a arma e ela dispara, a única coisa que salva a vida da mulher é uma mão que pega a bala (!!!). Detalhe é que depois todos usam suas mãos como se nada tivesse acontecido.
O filme é tão pouco interessante no geral, que o diretor conta apenas uma história sobre como não conseguiu fazer uma cena usando gatos. Não fosse um filme de Hitchcock, já teria sido esquecido pelo tempo. Estivesse vivo hoje, o diretor estaria completando 112 anos hoje.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O CÉU DE SUELY


NOTA: 7.
- Quer comprar uma rifa?
- Qual o prêmio?
- Uma noite no paraíso.

Karim Aïnouz apareceu nos cinemas com Madame Satã, ótimo filme sobre a controversa figura cujo apelido dá nome ao título. Comparado ao seu filme anterior, este é um retrocesso na carreira do diretor. Isso pelo fato de ser muito menos interessante. Ainda que Hermila Guedes construa um personagem por quem possamos torcer, não chega perto do personagem criado por Lázaro Ramos.
Todos os atores interpretam personagens que tem seus próprios nomes. Hermila é uma mulher que está indo de São Paulo para o nordeste com o filho pequeno para ir morar na casa de sua avó e a tia, que é gay. Ela se vira na cidade trabalhando com o que pode enquanto espera pela chegada do pai da criança. Mas ele nunca chega e ela então percebe que está por conta própria. Ela sonha com uma vida melhor, como todos sonham, só não sabe como fazer com que seu sonho se realize.
Uma das formas de conseguir dinheiro, é vender rifas. Como ela começa vendendo uma garrafa de whisky, mas é muito pouco pro seu novo plano de comprar uma passagem para ir para Porto Alegre, onde vai tentar melhorar de vida. Para isso, ela resolve rifar "uma noite no paraíso", que significa que o felizardo terá uma noite com ela para fazer o que quiser. Como é a mulher mais cobiçada da cidade, ela não tem dificuldades de vendar a rifa. Assim como a notícia se espalha rapidamente, chegando até a avó, e todos começam a criticá-la e se virar contra ela.
Hermila dá à sua personagem características que não parecem vir do roteiro. Ela consegue variar pelos estados da personagem sem dificuldades, seja da tristeza de perceber que seu namorado não chegará à alegria de um barato gerado por ficar cheirando acetona. Ela também faz um tipo bem esperto, diferente da maioria das pessoas da cidade, o que dá um gostinho de acompanhar a sua saga.
Onde o filme falha, é em dar reais motivações para que a personagem queira sair da cidade e se rifar. Ela tem apoio da vó e da tia, consegue arranjar um namorado interpretado por João Miguel que parece ser louco por ela. As pessoas na rua a ajudam espontaneamente e até tomam conta do seu filho. Da onde sai essa necessidade de largar tudo, o filme não diz, apenas insinua. O que é muito pouco para comprarmos a ideia de que ela ela deve fazer aquilo. Principalmente porque ela veio de uma grande cidade, o que fará que ela tenha melhor sorte em outra?
O problema também, é que uma vez que ela resolve criar a rifa, fica claro e evidente o caminho que o filme vai tomar. Uma outra coisa que me incomodou, são versões brasileiras de músicas internacionais que ficaram pioradas no filme. Sem ritmo ou grande conteúdo, se sobressai mesmo apenas os talentos de Hermila e em menor escala de João. Mas pelo talento, os dois, assim como Karim, merecem um filme melhor.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

OS FILHOS DE KATIE ELDER - THE SONS OF KATIE ELDER


NOTA: 8.
- Eu quero ir com você. Podemos ser famosos como os irmãos Dalton.
- Eles são famosos, mas estão mortos.

Este é o filme do retorno de John Wayne aos cinemas. O ator tinha parado por um curto período para se tratar de um câncer. Tanto que para mostrar para seus fãs que a doença não o tinha afetado fisicamente, ele fez questão de realizar todas as suas cenas sem o uso de dublês. Que bom para ele e para os espectadores que seu retorno é um faroeste que apesar de despretensioso, é muito divertido com boas cenas de ação sob o comando de Henry Hathaway, diretor de Bravura indômita.
John Wayne é John Elder, um dos quatro filhos de Katie Elder, que já no início do filme aparece apenas sendo enterrada. Na história dos faroestes, existiu uma famosa Kate Elder conhecida como "Big Nose" (Nariguda) que era a amante do famoso pistoleiro John "Doc" Hollyday, como pode ser visto em Tombstone ou Wyatt Earp. A Katie do filme, entretanto, em nada deveria lembrar a Kate real, já que todos no filme dizem apenas as melhores coisas sobre ela, como se fosse a melhor mulher que já conheceram.
O mesmo não se pode dizer de seus filhos. Todos na cidade tem apenas as piores coisas a dizer sobre os Elder, que são vistos quase como uma quadrilha. Em especial John, cujas histórias podem ser ouvidas "a cada 10 metros". E, por conta do falecimento da mãe, eles estão unidos novamente, mas não é nenhum golpe que eles estão planejando, eles querem é saber as causas da morte do pai e porque Katie perdeu as terras para um rico homem da cidade.
Logo de cara sabemos que há algo de errado com os Hastings. Talvez seja porque pai e filho são interpretados por atores tão bons como James Gregory e Dennis Hopper, respectivamente. Nós sabemos, o xerife e grande parte da cidade também sabe, com exceção de seu ajudante que é muito novo e pensa apenas em prender os Elder. Mas o melhor é que sabemos que podemos deixar tudo para John Wayne descobrir com ajuda de Dean Martin. Nossa diversão é apenas assistir.
Há algo de diferente em Wayne em relação aos seus outros personagens de faroeste anteriores a este. Uma diferença mais evidenciada em Bravura indômita. Não que Wayne fosse ruim antes, mas aqui ele mostra algumas nuances que não demonstrava antes. Mudança para melhor que acabou lhe rendendo o Oscar no filme citado. Quando um de seus irmãos morre, e o outro está gravemente ferido, ele fica ainda mais comprometido com a vingança. E nós mais entretidos.
Não é o melhor exemplo, mas para quem gosta do gênero pode ser uma excelente pedida. Boas cenas de ação, outras boas cenas cômicas (a discussão dos irmão sobre lápides é ótima) e um elenco de grandes estrelas. E o principal: Wayne, o maior pistoleiro que o oeste já viu.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

INCONTROLÁVEL - UNSTOPPABLE


NOTA: 6.
- Isso não é um treinamento. No treinamento você só é reprovado. Aqui você pode morrer.

Este filme é dirigido por Tony Scott, o irmão menos talentoso de Ridley Scott (Gladiador, Blade Runner). Esta é também a quinta vez que ele trabalha com Denzel Washington, o que inclui Maré vermelha, Chamas da vingança, Déjà vu, O sequestro do metrô 123 e este filme, então não deveria ser supresa vê-los trabalhando juntos. Ainda assim me surpreendo com a repetição dessa parceria, afinal Denzel é um dos melhores atores da atualidade, já Scott está longe de ser um dos melhores diretores ou mesmo de fazer os melhores filme. Bem longe disso.
Aqui ele interpreta um veterano operário de um empresa ferroviária, Frank, que vai trabalhar pela primeira vez com o novato Will (Chris Pine, o kirk do novo Star trek), que segundo disseram a ele só conseguiu o emprego por causa do seu sobrenome. Em outra parte, um funcionário bem estúpido perde o controle de um trem que não tem como ser parado, daí o nome original do filme. Depois de algumas tentativas frustradas de deter o trem, a maioria mais estúpida ainda (como a do homem descendo por um cabo de um helicóptero), Will e Frank decidem eles mesmos pararem o trem. Se me leva um parágrafo para descrever o filme, por que ele leva mais de uma hora para ser contado?
Claro que há alguns outros personagens que servem para ocupar espaço na tela e na projeção, como Connie (Rosario Dawson) que coordena os trens e seu chefe Galvin (Kevin Dunn), mas a verdade é que seus personagens não são tão essenciais assim e ocupam mais tempo do que deveriam. Mais estranho ainda é quando aparecem os familiares dos astros do filme: Frank tem duas filhas, que só servem para desligar o telefone na cara dele e aparecer torcendo na frente da TV para o pai não morrer no final; já Will tem um filho que não vê pois sua esposa tem uma ordem de restrição contra ele, e a tal esposa que aparece dormindo em mais da metade do filme e depois fica chorando torcendo para o marido não morrer. Não consigo sequer me lembrar da fala de qualquer uma delas ou mesmo os seus nomes, mas elas estão lá mesmo assim.
Se o filme não sai totalmente dos trilhos (não consegui evitar o trocadilho), é por conta das atuações da dupla protagonista, e somente da dupla. Como o diretor não dá muito espaço para construção de personagens, cabe aos dois criarem personagens que sejam convincentes, e eles realizam o trabalho muito bem. O problema é que como os conhecemos pouco, não nos importamos realmente com eles. Eles correm perigo sim, mas quer dizer que devo torcer por eles porque aparecem familiares "mudos"? Não funciona exatamente assim comigo.
A história do filme chega a ser interessante, mas Scott tem uma mão muito pesada para contá-la. Tudo é muito absurdo mostrado em cortes rápidos e uma câmera inquieta (demais) que fica fazendo panorâmicas aceleradas que fazem a imagem parecer uns borrões coloridos. Pelo menos é um filme melhor que o anterior do diretor, mas ainda assim outro que é rapidamente esquecível.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

MEU PRIMEIRO AMOR - MY GIRL


NOTA: 9.
- Pai, não quero te preocupar, mas meu seio esquerdo está crescendo significantemente mais rápido que o direito. Isso só pode significar uma coisa: câncer. Eu estou morrendo.
- Okay, querida, me passe a maionese.

Vejo poucos filmes de qualidade que retratam a infância. Por isso foi um prazer rever, depois de tantos anos, este filme. Ainda melhor relembrar que Macaulay Culkin podia fazer mais do que filmes bobos como Esqueceram de mim e outra besteiras do gênero. Quando fez este filme, já tinha trabalhado no já citado filme além de Quem vê cara não vê coração (com John Candy, de John Hughes) e outros filmes, além, de um clipe com Michael Jackson. Já era o menino queridinho dos filmes americanos. 
Ainda assim esse filme não é dele, é de Anna Chlumsky que interpreta Vada. Ela mora numa casa onde o pai (Dan Aykroyd) oferece serviços funerários. Sua mãe morreu dois dias depois do seu nascimento, então são apenas ele, ela e a avó que sofre de Alzheimer e fica reclusa em silêncio. Apesar de estar sempre cercada da morte, ela não está habituada a isso. Ela é apenas uma criança e o pai não lhe dá tanta atenção assim. Por isso, as maiores noções filosóficas sobre a vida, ela tira das conversas que tem com seu único amigo, Thomas J. (Culkin).
Não é de se admirar muito que ela seja hipocondríaca e vá ao médico por qualquer falta de ar que sinta, e que depois "descubra" que está morrendo de câncer de próstata. Ela poderia ter mais noção das coisas da vida, mas seu pai está mais preocupado com os mortos do que com ela. A situação só muda um pouco quando ele contrata uma maquiadora que gosta dela, mas que vira uma ameaça quando percebe que seu pai também começa a gostar dela.
Como toda criança, nada é simples para Vada. Apesar de estar sempre com seu melhor amigo, sua atração é pelo professor do colégio bem mais velho do que ela, tem certeza que tem uma doença que o médico não consegue encontrar nunca nas suas muitas visitas, e seu pai, que apesar de passar muito tempo com ela dificilmente responde o que ela está lhe perguntando, começa a dividir o tempo dela com a maquiadora Shelly (Jamie Lee Curtis).
Como qualquer pessoa em sua idade, ela vai aprender as coisas da vida. As "realidades" pelo qual todos nós passamos, mesmo que seu pai queira mantê-la afastada do sofrimento. Há uma coisa que ele não pode evitar, que é a vivência. Ele pode não explicar para ela, mas ela vai passar por todos esses momentos de uma forma ou de outra. Assim como uma tragédia acontece no filme e ela não sabe como agir. Ainda assim ela vai aprender como todos nós aprendemos.
O filme não ameniza a dor que a menina sente quando a tragédia acontece (que muitos devem saber qual é), e Chlumsky consegue demonstrar isso muito bem. Ela realmente foi uma escolha feliz para o filme. Assim como ele acerta a mostrar os adultos como pessoas normais. E com todos os personagens muito bem construídos. Apesar de ter algumas cenas obrigatórias, tem algumas surpresas, mas o principal é que se trata de um filme tocante. Muito bonito de ver ou rever.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

HITCHCOCK TRUFFAUT 13: RICH AND STRANGE (1932)

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NOTA: 6.
- Não quero tomar um remédio. Eu quero algumas das boas coisas da vida. Como dinheiro. Por que você deveria gastar menos com você do que algumas mulheres gastam com poodles? 

Esse é um filme que agradou muito o diretor e que ele desejava que tivesse tido melhor sorte, tanto nas bilheterias quanto com os críticos. Alguns disseram que os personagens eram mal construídos ou que os atores não eram convincentes. Realmente os dois pontos podiam ser melhorados nessa produção, mas hoje também a história me parece pouco interessante para ser levada às telas de cinema. Especialmente, pode se tratar de um desperdício do talento do diretor.
Este filme tem a melhor abertura de um filme até então da carreira do diretor, onde trabalhadores são mostrados todos os trabalhadores de um escritório trabalhando de maneira metódica e como se tudo fosse padronizado. Movimentos iguais até na hora de sair para voltar pra casa abrindo os guarda-chuvas da mesma forma. Todos com exceção de Fred que não consegue abrir o seu e tem que voltar para casa se molhando inteiro.
Em casa, ele encontra sua esposa de anos onde vivem suas vidas medíocres, até que chega uma carta de um parente que não morreu mas que lhe deixou bastante dinheiro para curtirem uma viagem como se fossem ricos. Eles partem então para um cruzeiro onde ele acaba tendo um caso com uma falsa princesa que quer seu dinheiro e ela com o comandante do navio. Ao final das desventuras do casal, eles voltam para casa para viverem suas vidas da mesma forma que viviam antes.
Aqui, temos uma ponte entre os filmes falados e mudos do diretor. A sua câmera começa a ter uma maior mobilidade em relação aos filmes anteriores da era falada. Ao mesmo tempo, trabalha ainda com longas pausas em silêncio como nos mudos. Talvez o diretor quisesse fazer uma ode à antiga era, tanto que ele usa demasiadamente cartelas, mas a verdade é que o filme não é nem uma coisa nem outra. Uma mistura que não fica exatamente muito emocionante de assistir.
De bom, fica a impressão da formação que o diretor estava tomando. Há mais sinais do seu talento neste filme que em todos os seus filmes anteriores. Não é dos melhores, mas vale a pena uma espiada a título de curiosidade. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

QUERO MATAR MEU CHEFE - HORRIBLE BOSSES


NOTA: 8.
- Você não pode vencer uma maratona sem colocar bandaids nos mamilos.

Assim como a maior parte dos filmes de ação e afins, os filmes de comédia também procuram visar mais o público adolescente (maiores consumidores de ingressos). Então temos umas comédias mais politicamente corretas e linguajar moderado. Mas alguns poucos filmes por ano miram o público mais adulto e apostam no teor controverso de suas histórias. Daí é que acabam saindo as comédias mais engraçadas, como Se beber não case e este filme, por exemplo.
Observemos um detalhe interessante: o filme trata de quase todos os tipos de preconceito (contra gays, obesos, negros, indianos, etc), drogas, sexo, tem armas e um caso com urina, tudo com muita vulgaridade. O que eu acho mais interessante, é que nada disso torna o filme ruim. Pelo contrário, ao contrário das comédias lights, ele não tenta em momento algum ser terno ou emotivo. Não é hipócrita. E é por isso que na sua maior parte ele é um filme muito engraçado, a maior qualidade que um filme pode ter.
São três amigos: Nick (Jason Bateman), Kurt (Jason Sudeikis) e Dale (Charlie Day), que gostam de seus trabalhos mas odeiam seus chefes. Os chefes: Dave (Kevin Spacey) é um psicopata que faz Nick trabalhar mais que todos e vive o humilhando e o fazendo beber whisky às 8 da manhã; Bobby (Colin Farrel) é um viciado em cocaína que quer despedir os gordos da empresa porque o deixam triste e está sempre envolvido com prostitutas mesmo em seu escritório; e Julia (Jennifer Aniston) que é não somente uma dentista mas também uma predadora sexual que exige que Dale a possua no consultório. Como Kurt mesmo diz, o caso de Dale não parece tão ruim assim, mas todos tem um pequeno problema que os impedem de saírem de seus empregos. Eles estão presos com o psicopata, a maníaca e o idiota. É aí que um plano que apareceu como brincadeira começa a parecer a única saída: matar os chefes. Ou melhor ainda, como o consultor deles aconselha: eles devem matar os chefes uns dos outros para não parecerem suspeitos.
O que faz o filme funcionar melhor ainda é o elenco. Não apenas os amigos são ótimos como vítimas patéticas, com a ótima surpresa que é a presença de Charlie Day lembrando Zach Galifianakis em Se beber não case, mas também como eles são péssimos para matarem. Mas melhores ainda são os chefes. Eles são pessoas tão ruins, que de alguma forma pervertida não nos sentimos compelidos a sentir pena deles. São pessoas tão pervertidas que talvez o mundo realmente fique melhor sem eles. 
O filme tem uma história absurda e situações do mesmo calibre. Tentar fazer de outra maneira geraria um filme totalmente diferente, e provavelmente menos engraçado. É um mundo diferente do nosso onde qualquer ideia parece concebível, e que me dá um conforto de achar que nenhuma dessas pessoas possa realmente existir. Apesar da direção não fazer o filme fluir perfeitamente, o elenco parece capaz de fazer todo o trabalho sozinho. Pode não ser a melhor comédia do ano, mas com certeza pode divertir. E muito.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

BRAVURA INDÔMITA - TRUE GRIT


NOTA: 9,5.
- Você tem que pagar por tudo nesse mundo, de um jeito ou de outro. Não tem nada grátis a não ser a graça de  Deus.

Assim que Jeff Bridges surge como Rooster Cogburn nós vemos a diferença do seu personagem pelo interpretado por John Wayne na versão original. E não se trata apenas de usarem o tapa-olho em olhos diferentes (Wayne usava no esquerdo e Bridges usa no direito), trata-se de termos duas versões totalmente diferentes desse mesmo personagem. John Wayne era John Wayne como sempre foi. Bridges entrega uma versão totalmente diferente. Nem melhor, nem pior. Mas a caracterização de Bridges, que mais parece um mendigo, se aproxima mais do personagem. Pelo menos na minha humilde opinião.
Onde o filme ganha é com seus outros personagens, e em especial com Mattie Ross interpretada aqui por Hailee Steinfeld. Pra começar, ela realmente parece ter (e realmente tinha) 14 anos. Mas a melhoria vai além da aparência física. Steinfeld, ao contrário de Kim Darby, não tenta fazer a garota adorável. Ela sabe que seu personagem deve ser irritante, além de extremamente obstinada para levar seus negócios adiante. O engraçado é que mesmo ao lado de grandes nomes do cinema, é ela quem realmente se destaca no filme. Uma atuação que lhe valeu uma indicação (perdeu para Melissa Leo em O vencedor). Ninguém fica a mesma pessoa depois de encontrar com ela. Melhor ainda ficou La Boeuf que aqui é interpretado por Matt Damon. Agora sim o personagem realmente parece indispensável para a trama e as falas ganharam significado.
Os irmãos Ethan e Joel Coen se aventuram pela primeira vez no gênero do faroeste e levam sua habitual excelência na bagagem. Ainda que este seja um filme assinado por eles, não parece realmente um filme dos Coen (a não ser pela ótima qualidade). Falta algumas das características que compõem seus filmes, mas em compensação, continuam tendo o mesmo capricho nos diálogos e na escalação do seu elenco, como já foi dito. Para completar, a fotografia de Roger Deakins é a cereja do bolo na produção. Ele já tinha feito uma fotografia nesses moldes com os diretores em Onde os fracos não têm vez e outro faroeste de grande beleza: O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford. E no caso aqui, uma beleza que somente o faroeste é capaz de produzir.
E essas não são as únicas diferenças. A história sofre algumas alterações lá e cá, e no filme original o final é mais feliz para Mattie, diferente do que acontece no livro e aqui. Os Coens não são conhecidos por adocicar a vida de seus personagens e aqui nada muda. O tom está muito mais para o livro do que para o filme de 1969. Não é o trabalhos mais inspirado dos diretores, mas com certeza é um trabalho muito interessante. E quem sabe um trabalho que possa incentivar a produção de novos faroestes de igual calibre? A única pena é que justo os dois pareçam tão conformistas em sua primeira incursão neste gênero. Nada que atrapalhe o prazer de assistir (ou reassistir) esta bela história.
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