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terça-feira, 16 de agosto de 2011

ALÉM DA VIDA - HEREAFTER


NOTA: 8.
- Uma vida que se trata apenas sobre morte, não é realmente vida.

O diretor Clint Eastwood envelhece mas em nenhum momento mostra sinais de que está pensando em parar (ou mesmo reduzir) seus trabalhos. A maior prova é que mesmo fazendo um filme que parece simples, ele o começa com um tsunami, e mesmo que termine com um beijo a cena inicial mostra a vitalidade de suas realizações. Outra mostra é na escolha do tema, que o diretor até o momento não havia feito: a questão da vida após a morte.
E morte não é um assunto estranho a ele. Seja na época em que era "apenas" (sem desmerecer seu trabalho) ator nos filmes de faroeste de Sergio Leone ou mesmo quando sentou na cadeira de diretor onde o tema também sempre esteve muito presente em suas obras. Talvez por isso agora a inclinação de procurar o que vem além.
Para isso, ele nos mostra três núcleos diferentes em países distintos. Nos EUA, George Lonegan (Matt Damon) é um homem que consegue "falar" com as almas dos mortos. Para ele é uma maldição mas as pessoas insistem que ele o faça. Ele já ganhou muito dinheiro com isso mas agora se contenta com seu salário de operário e tentar levar uma vida normal.
Em Londres, o jovem menino Marcus sente falta de seu irmão gêmeo que foi subitamente tirado de seu lado e deseja saber se seu irmão irmão pode lhe dizer o que fazer, como sempre fez quando estava vivo. Em Paris, Marie Lelay é ressuscitada depois de morrer afogada vítima do citado catástrofe. Obviamente, os três personagens vão se encontrar ao final do filme, ainda que de maneira pouco convincente e suas vidas vão se ligar.
O importante, porém, é observar a cuidadosa preparação até o encontro. Cada personagem é esmiuçado para sabermos suas motivações e objetivos. Lonegan evita tocar nas pessoas para não "acessar" informações indesejáveis. Ele conhece uma mulher e sabe deve manter seu segredo, porque tudo pode mudar quando ela souber a verdade. Marie se afasta de seu trabalho da televisão para começar a escrever um livro sobre política, mas rapidamente descobre que deve escrever sobre sua experiência de quase morte. Parece que somente enfrentando a morte, os personagens poderão seguir com suas vidas. E justamente os vemos seguir todas as suas trajetórias sem pressa alguma. Quando o momento chega, os conhecemos bem o suficiente para nos importarmos com a sequência.
A grande vantagem de ter Eastwood no comando desse filme, é a certeza que o filme não se tornará planfetário ou melodramático. O diretor e seus atores mantém um nível agradável sem cair no choro ou pieguice. Não se trata de acreditar ou não, mas de assistir um filme inteligente sobre o que acontece depois que nos formos. Tanto é que não há provas reais desses contatos. Em determinado momento, fica difícil saber se o personagem de Damon realmente está se comunicando com alguém ou apenas querendo agradar a pessoa. Para mim, a questão é que não importa se é real ou não. Interessa que é um bom filme.

terça-feira, 19 de julho de 2011

VAMOS NESSA - GO


NOTA: 8.
- Eu não sabia que tínhamos virado grandes amigos. Porque se tivéssemos, você saberia que eu não faço favores nem pros meus melhores amigos. 

Impossível não comparar este filme com Pulp fiction de Tarantino. O filme conta em três partes com personagens diferentes que em algum momento podem se encontrar, começa e termina no mesmo lugar e flerta com violência e drogas. O engraçado é que mesmo parecendo um derivado, o filme começa a mostrar uma personalidade própria, parte por causa do roteiro que mais acerta do que erra e outra parte por causa do diretor Doug Liman (Sr. e Sra. Smith, A identidade Bourne).
A diferença está nos personagens. Ou melhor ainda, na idade dos personagens. Se no filme de QT acompanhávamos adultos, aqui vemos a adolescência americana e principalmente as consequências de seus atos quase sempre estúpidos, ainda que nenhum dos personagens sejam burros. Quando a personagem pergunta algo simples como "Papel ou plástico?", percebemos a insatisfação de estar naquele lugar. Eles parecem ser melhores do que aquilo, mas ainda assim se encontram "presos" àquele lugar.
A história começa com quatro amigos que trabalham em um mercado. Ronna (Sarah Polley) está precisando de dinheiro para não ser despejada em pleno natal, quando Simon (Desmond Askew) pede que ela cubra seu turno para ele poder ir em uma despedida de solteiro em Las Vegas. Durante o turno, dois atores da TV perguntam por Simon de quem compram drogas para poderem fazer uma compra. Para acabar com seus problemas financeiros, ela resolve fazer ela mesmo a venda comprando do mesmo traficante, Todd Gaines (Timothy Olyphant).
Essa é a história "principal", ou pelo menos a que achei a melhor desenvolvida no filme. As duas outras partes parecem terem sido feitas mais para preencher o tempo do filme. Não que não tenham uma certa graça, mas não tem o mesmo timing. Então acompanhamos Simon e seus amigos em uma despedida de solteiro que acaba em uma perseguição e depois como a dupla de atores veio a se juntar à história deles. E para finalizar, eventualmente todas as histórias se juntam ao final do filme.
Apesar disso o filme funciona muito bem. Especialmente pelas atuações do filme, todas condizentes com o material. Até mesmo Katie Holmes com os mesmo trejeitos de sempre não consegue estragar o resultado. E no meio desses jovens atores, se destaca William Fitchner como um policial muito esquisito que está sempre aberto a novas experiências. Se a terceira parte do filme, a mais fraca, não se torna cansativa ou chata, é por causa da sua presença.
O mais importante é que o filme consegue se divertir em qualquer situação. Seja com um gato que se comunica por telepatia ou mesmo uma Macarena em um lugar no mínimo inusitado. Cortes rápidos e muito humor inusitado, fazem deste filme o que Pulp fiction poderia ter sido se fosse feito para adolescentes (o que por sorte, não foi).

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

JERRY MAGUIRE


NOTA: 9,5.
- Eu não vou deixar você se livrar de mim. Que tal? Eu te amo. Você me completa.
- Cale a boca. Você me ganhou no "alô.

Este é mais um dos filmes que conseguem o que poucos filme conseguem: a capacidade de ter pelo menos uma cena conhecida por todo mundo, mesmo pelos que nunca assistiram ao filme. Não é por acaso que a frase descrita em cima consta como uma das melhores frases do cinema de todos os tempos. A ponto de ser repetida e parodiada no cinema e na TV.
Eu devo confessar que hoje em dia eu tenho uma certa implicância com Renée Zellweger. Geralmente seus personagens mais recentes são um tanto quanto irritantes para mim. Sempre tão cheios de si. Mas teve uma época em que ela não passava nada disso. Ela passava inseguranças e era amável como poucas poderiam ser. E Jerry Maguire depende disso. Há pelo menos duas cenas que comprovam isso: 1) quando ela larga seu emprego para seguir aquele homem que admira, e 2) quando ela diz para sua irmã que o ama. E aí, a platéia já está fisgada.
Esse homem que ela segue é o personagem título do filme. Jerry, brilhantemente interpretado por Tom Cruise, trabalha como agente de esportes em uma grande companhia. Um dia ele acorda com uma crise de consciência: "Eu odeio meu papel no mundo", ele diz. Ele tem tantos clientes que não consegue se importar com nenhum deles. O que o faz escrever umas definições de metas sobre seu trabalho. Apesar de inspirador, ele acaba sendo demitido.
O saldo não é animador, de dezenas de clientes, Jerry fica reduzido a apenas um: Rod Tidwell (Cuba Gooding Jr.), um jogador encrenqueiro que ainda por cima é considerado muito baixo para jogar futebol americano. Além disso, ele tem um verdadeiro caso de amor ao contrário das relações falidas de seu agente.
A relação de admiração de Dorothy por Jerry logo se transforma numa relação amorosa. Ela se apaixona por ele, e ele se apaixona pelo filho dela. Mas claramente a relação dos dois está fadada ao fracasso. Ele casa para que ela não tenha que se mudar com seu filho para longe dele. Ela mesmo, não é inteiramente inocente. Ela usa os medos dele para ficar cada vez mais próxima. Como ela mesmo diz para sua irmã: "Eu o amo pelo homem que ele quer ser. Pelo homem que ele quase é." Ela não o ama pelo homem que ele é, e enquanto ele não conseguir se transformar nesse homem, eles não podem dar certo.
O único problema do filme, seria um excesso de histórias secundárias que arrastam um pouco o ritmo do filme. Se ele focasse mais nos seus personagens mais importantes, seria perfeito. Mas ainda assim se vale de tantos momentos prazerosos de assistir, e ás vezes tão tenro, que acho difícil de encontrar alguém que não goste ou não vá gostar dele. E quem diria que Cruise, que interpretava tão mal em Top gun, iria se transformar em um intérprete tão competente no futuro?
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