quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

TOP 10 DO BLOG RESENHA DE FILMES

O fim do ano está chegando e começam a pintar indicados a prêmios e lista de melhores filmes do ano. Algumas listas são de 50 filmes, outras de 20 e teve lista até dos 12 melhores filmes de 2009. Eu optei por manter o tradicional TOP 10 e listar os filmes que mais me chamaram atenção do ano de 2009. Os que tiveram resenha escrita e foram lançados nesse ano. Infelizmente filmes como Preciosa e Amor sem escalas que tiveram muitas críticas positivas pelo mundo ainda não chegaram as nossas salas de cinema. Ficam pra lista do ano que vem, quem sabe? Ao invés de fazer uma lista em ordem de preferência, preferi apenas colocar em ordem de postagem, da mais recente para a mais antiga. Clicando no nome do filme ou em sua foto, você poderá ler a resenha complata. Espero que aprecie.


O filme de Cameron é o que mais vale a pena ser visto nos cinemas. Não somente nesse ano mas em muitos outros anos. O filme é um espetáculo visual alucinante com visual fantástico que está revolucionando os filmes em 3D, que é como deve ser visto. Não à toa, o filme é o primeiro no Brasil a ser exibido em 3D legendado (num ótimo trabalho por sinal). Imperdível.


O cinema japonês está sempre presente em festivais por conta de seus ótimos filmes. Esse ano, dois em especial chamaram bastante atenção. Além desse teve também o ótimo Kabei Nossa mãe. Esse porém merece maior destaque por romper com as normas da narrativa cinematográfica clássica de forma excepcional.

Esse foi o filme mais desprezado que já vi pelas distribuidoras brasileiras. Elas ficam tão preocupadas em lançar um monte de blockbusters que não merecem nenhum valor e deixaram para trás essa obra prima da mesma diretora de Caçadores de emoção para sair diretamente em DVD. O tempo mostrou como estavam errados. O filme ganhou vários prêmios de críticos, está indicado ao Globo de Ouro e provavelmente também será indicado ao Oscar (alguns já cogitam que a diretora pode ser a primeira mulher a ganhar um Oscar de direção). O sucesso é tanto, que mesmo já tendo sido lançado em DVD eles querem agora lançar nos cinemas em fevereiro.

Esse foi quase tão desprezado pelas distribuidoras. No Rio de Janeiro foi lançado na sala de apenas dois cinemas. Pelo menos chegou aos cinemas em sua forma original legendado, com vozes originais de George Clooney e Meryl Streep e é, na minha humilde opinião, o melhor desenho animado do ano. Talvez muitos não concordem por não ter uma história tão singela como o filme da Pixar, mas ganha em inteligência e acidez.

Esse foi uma das surpresas do ano. O filme do mesmo diretor de Superbad conta uma história menos engraçada porém muito mais singela. Filme mostra que coisas boas podem surgir mesmo se sua vida for virada do avesso. Além disso, Kristen Stewart deixa a besteira de Crepúsculo de lado para mostrar que é uma boa atriz. Outro que foi direto para vídeo também.

Esse é daqueles filmes que você lê sobre e acha que vai ser mais um filme de amor. No final você sai totalmente surpreendido da sala. Não apenas pelo conteúdo da história que foge do tradicional como também pela habilidade com que ela é contada.

Distrito 9 usa a forma de falso documentário para mostrar a história de alienígenas que vem até a Terra porém são impedidos pelos humanos de voltar para casa. Com isso, são obrigados a viver em uma espécie de gueto alienígena que pode muito lembrar o Apartheid. Só essa trama genial já vale a pedida.

A Pixar continua seu império de desenhos animados digitais. Dessa vez, a história é de um velho que quando é obrigado a ir para um asilo, amarra muitos balões em sua casa e sai voando com ela para viver sua última aventura.

Ignore o nome ridículo que resolveram colocar aqui no Brasil. Apesar disso, The Hangover (no original) é o filme mais engraçado do ano. Do início ao fim são situações de fazer rolar de rir e sair com a barriga doendo do esforço. Podem falar que é politicamente incorreto, mas todas as melhores comédias são.

Com muita habilidade, o diretor e roteirista (também responsável pelas séries Lost e Fringe, e o terceiro filme da franquia Missão impossível) reformula a antiga série para a nova era. De quebra, coloca uma história com lapsos temporais que podem render muitos capítulos inéditos a franquia.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

5 MAIORES DECEPÇÕES DE 2009

Muitos filmes prometiam ser a sensação de 2009. Alguns até tinham boas intenções, mas como se sabe, o caminho para o inferno é pavimentado delas. Resolvi listar os 5 blockbusters que prometeram fazer bonito e derraparam feio. Clicando nos filmes você pode ler as resenhas completas.


Decepção total. Depois de Batman, Wolverine é o meu herói de quadrinhos preferidos. Dono de várias histórias ótimas. Pro cinema resolveram contar uma história ridícula que faz o personagem ser dono de uma das piores adaptações da história do cinema. Além disso, o filme se preocupa mais em mostrar outros personagens que podem virar futuras franquias. Quem achava que a Fox tinha aprendido depois da besteira que fez com o terceiro filme dos X-Men se enganou feio. Pelo menos eu me enganei.


Esse filme entra na lista pelo desperdício de material. É fato que um roteiro ruim só gera um filme ruim. Já um bom roteiro pode gerar um filme bom ou ruim. Ele entra no último caso. Não que o roteiro seja uma obra-prima, mas tem a melhor virada de história dos últimos anos. Claro que nas mãos pesadíssimas de um diretor incompetente o filme se transforma num fiasco e quando a tal virada chega você só torce para o filme acabar logo.


Michael Bay é a prova viva que nunca se pode dizer que uma pessoa está no fundo do poço. Sempre que ele parece ter lançado seu pior filme, ele mostra que sempre se pode ir mais fundo ainda. A sequência do filme é tão ridícula que quase faz o primeiro filme ser bom. Nem mesmo os efeitos especiais são bem aproveitados transformando o filme numa confusão de metal que você nem ao menos sabe quem está batendo e quem está apanhando. E ele ainda pretende aterrorizar a todos com um terceiro filme.

Muito se falou da paixão que o diretor McG (dos também horrorosos As Panteras e Somos Marshal) pelo projeto. Isso é a maior prova que só paixão não basta. No caso de McG faltou talento. O Terceiro filme, que já não contava com James Cameron, não chegava aos pés de seus anteriores mas era pelo menos "assistível". Já esse faz a gente se lembrar do anterior como os "bons e velhos tempos".

Sabe-se lá porque Ron Howard aceita fazer filmes como esse. Claramente ele faz muito mais bonito em projetos como Frost / Nixon. Aqui, ele só prova que fazer um filme melhor que O código Da Vinci não significa absolutamente nada. Só que os livros de Dan Brown são pessimamente escritos e que essa história que seus livros são cinematográficos é uma balela.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

AVATAR


NOTA: 10.
"Está tudo ao contrário agora. Como se lá fora fosse o mundo real e aqui fosse um sonho." Jake Sully

Deixe eu tentar colocar de uma forma que não vá gerar dúvidas: Avatar não é o melhor filme já feito, mas com certeza é o espetáculo visual mais impressionante já criado na história do cinema. Tudo no filme, visualmente falando, faz com que o espectador fique impressionado e babando. Avatar não é um filme a ser visto, é uma experiência a ser vivenciada por qualquer pessoa que tenha alguma afinidade por cinema. E que essa experiência seja feita em 3D.
Isso poucas vezes aconteceu na história do cinema. Não é sempre que um filme pioneiro consegue esse efeito. James Cameron não é o primeiro a utilizar as tecnologias usadas no filme, mas com certeza é o que as usou com mais propriedade de forma a se tornar um divisor de águas.
Exemplificando: Griffith não foi o primeiro a realizar um longa metragem, mas foi seu O nascimento de uma nação que lhe deu o título de "pai do cinema". O cantor de jazz não foi o pioneiro no uso do som, mas foi o que mostrou a todos como o som poderia ser utilizado de maneira plena. Orson Welles com seu Cidadão Kane mostrou os caminhos que todos os filmes modernos seguem hoje. Star Wars deu início a era dos blockbusters e dos efeitos especiais.
Talvez um dia alguém vá dizer que foi Cameron que lançou o primeiro filme em 3D. Com certeza todos sabemos que isso não é verdade, mas com certeza é o primeiro filme que REALMENTE valha a pena ser visto nessa tecnologia. Lembro de ter comentado no final de Up como os filmes 3D não tinham nada demais. Eram filmes que simplesmente tinham alguns detalhes que pulava da tela. Não aqui. Se trata de um filme que foi planejado para ser visto com os óculos tridimensionais. Muitos podem me chamar de herege por comparar Cameron a Orson Welles, mas assim como o segundo revolucionou o cinema com uma nova profundidade de campo (uma maneira de o filme não aparecer tão "achatado", compondo cenários e pessoas para dar uma nova dimensão na tela), o primeiro não fica atrás e reinventa essa profundidade.
A história é um clichê bem amarrado. Eu nada tenho contra clichês, nem acho que deveriam incomodar muita gente. Afinal, tem um motivo para terem sido transformados em clichês: eles funcionam.
Jake Sully (Sam Worthington) é um fuzileiro que por conta de um acidente está preso a uma cadeira de rodas. Uma nova chance aparece para ele depois da morte de seu irmão gêmeo. Como os avatares, seres embrionários com DNA misturado de humanos e alienígenas, são ligados ao DNA dos cientistas, Jake é o único capaz de se ligar ao do seu irmão. É assim que ele vai parar em Pandora, lugar inóspito e que, segundo o Cel. Quaritch (Stephen Lang), faz com que tenha vontade de ir para o inferno tirar férias.
O interesse dos humanos nesse planeta é uma pedra vendida a preços altíssimos na Terra. Em sua primeira saída, Jake se perde e é salva por Neytiri (Zoe Saldana), com quem aprende os costumes do povo e se torna um deles. Povo que dorme em cima da maior fonte das pedras pretendidas pelos humanos. Jake então deve se decidir se deve ficar ao lado de seu povo de nascença ou do povo que o acolheu.
Para criar os Na'vi, Cameron foi além da tecnologia usada em O senhor dos anéis: o motion capture (captura de movimento), que deu vida ao Gollum e a desenhos como A Lenda de Beowulf e Os Fantasmas de Scrooge. Além do movimento, uma câmera foi posta na cara dos atores para melhor captar a expressão deles. O novo processo foi chamado de performance capture (captura de perfomance). O processo realmente faz a diferença e você realmente sente a atuação dos atores. O resultado é nada menos que perfeito.
O diretor disse que os efeitos iam revolucionar o cinema. Muitos duvidaram dele achando que seu ego estava inflado demais desde Titanic. Eu nunca duvidei que ele pudesse revolucionar (novamente) o cinema. Sempre me lembro dos efeitos que O segredo do abismo e O exterminador do futuro 2 tiveram em mim quando os assisti no cinema. Em especial o segundo, que acredito paracer mais com este. Com certeza ainda verei o filme novamente no cinema. Só fiquei com uma dúvida: James Cameron recuperou seu posto de "rei do mundo" ou agora ele está ampliando seus domínios e será proclamado "imperador do universo"? De qualquer forma, é bom saber que ainda existem pessoas que podem gastar centenas de dólares e ainda fazer um filme.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

ADORAÇÃO


NOTA: 8.
"Seu tio é um homem raivoso. Algumas pessoas o acham estúpido mas não é verdade. Quando alguém carrega esse tipo de raiva o tempo todo, pode parecer estúpido. Esse é o lance da raiva. Ela suga muita inteligência." Morris

A princípio este filme parecer confuso, mas acredito que se o espectador prestar bastante atenção o achará muito mais envolvente que confuso. Apesar de algumas voltas que a história dá. E que fique claro que as voltas também apenas deixam o filme cada vez mais interessante. A cada volta um novo aspecto da história é mostrado para gente. E a cada novo aspecto apresentado, somos levados a uma direção diferente da anterior. Para que eu fique menos confuso, melhor falar logo do filme.
Simon é um garoto no colégio lendo uma redação para seus colegas de classe. Ele lê em primeira pessoa. A redação é sobre seus pais. Aparentemente, sua mãe foi presa no aeroporto porque carregava uma bomba que deveria explodir dentro do avião matando 400 pessoas. A bomba teria sido colocada na bolsa dela pelo pai dele, sem que ela desconfiasse de coisa alguma.
Seguido a isso, aparecem cenas que mostram sua professora de francês lendo uma reportagem sobre esse incidente que Simon descreve sobre seus pais e seu avô chamando seu pai de assassino. Mas nem tudo que parece é. E o que realmente aconteceu, terá que ser descoberto pelo espectador. Bem próximo ao fim do filme. Afinal, por que a professora resolveu ler sobre incidente em específico para a turma? Por que incentivar tanto o garoto a prosseguir com a história? E se a história for realmente real, o que leva Simon a torná-la pública logo agora? Contar que seu pai tentou matar a mãe grávida dele mesmo?
A cada novo descobrimento sobre a história, vamos acompanhando o filme de uma forma diferente. Não apenas porque a história está indo para um novo rumo, mas também porque o ponto de vista da história mudou. Assim um fato que antes parece uma barbaridade impensável pode logo em seguida se transformar em um objeto de reflexão. Dessa forma, pensamos sob diferente pontos de vista de uma mesma história. Como a princípio olhamos um personagem com ternura para depois descobrirmos que é um canalha. Primeira vez que me recordo de ter sentido essa sensação.
Atom Egoya (diretor) parece fazer um exercício de cinema. O filme é muito menos sobre personagem. É muito mais sobre um tema. É um tema complexo que aprisiona os personagens. Como uma teia de aranha que nenhum deles consegue fugir. O que se torna engraçado se pensarmos que essa ausência de um personagem central forte por um tema torna todos os personagens tão mais interessantes.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A PRINCESA E O SAPO



NOTA: 8.
"Desejar para uma estrela é apenas 50%. Os outros 50% são de muito trabalho para conseguir o que se deseja." James

A Princesa e o Sapo é uma ótima animação que resolveram lançar na hora certa. Muitos podem estranhar a frase, já que estamos na era da animação digital que lança filmes de milhões de cores e principalmente: 3D. Esqueça os óculos e os efeitos digitais, o lance aqui é a boa e velha animação tradicional que transformou a Disney no que ela é hoje. Não se esqueçam que seu símbolo ainda é um castelo, não carros, monstros ou ratos. Para eles é uma volta às origens, para nós, os mais velhos um pouco que as crianças pelo menos, uma sessão nostálgica.
E o motivo da volta não poderia ser o mais acertado também: princesas. Claro. Bela se transformou numa princesa, assim como Cinderela, Branca e Jasmim. Aqui a princesa, que na verdade não é princesa, é Tiana, uma garçonete que trabalha o tempo todo para juntar dinheiro suficiente para abrir um restaurante, como seu pai queria. Por isso, quando o príncipe aparece e faz a proposta para que ela o beije para transformá-lo de volta em troca de dinheiro para ela alcançar seu objetivo ela, mesmo hesitante, o faz. A sua falta de realeza porém tem um efeito diferente, e ela mesma acaba sendo transformada em um anfíbio.
A situação aproxima os opostos. O príncipe é um fanfarrão que nunca trabalhou em sua vida e que está sem dinheiro já que seus pais lhe cortaram a mesada. Já Tiana é só trabalho sem nenhuma diversão. Tudo sublinhado pelas canções do sempre ótimo Randy Newman, que já trabalhou em mais de 80 filmes incluindo sucessos da Pixar como Toy Story e Monstrons S.A. E antes que alguém fale qualquer coisa, tem números musicais sim, como todos os filmes da produtora tinham. E são ótimos.
Não posso esquecer que o filme tem os primeiros personagens (principais) afros da história da Disney. Pelo menos não consigo me lembrar de nenhum outro filme estrelado por eles, se tiver algum por favor me corrijam. Vai ver esse o traço da modernidade num filme que transpira os "bons e velhos tempos" da casa do Mickey. Como disse antes, no meio de tantas animações digitais, é bom ter o "frescor" de uma animação como essa. E que ainda se preocupe em ter uma boa história com personagens interessantes. Uma lição para muitos que estão fazendo animação hoje em dia.
PS: A dupla de diretores, Ron Clements e John Musker, é a mesma de sucessos como Alladin, Hércules e A Pequena Sereia.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

DESEJO E PERIGO



NOTA: 8.
"Se trabalha para um traidor, deveria esperar que isso acontecesse com você." Kuang

O filme de Ang Lee é daqueles que exige um pouco de paciência num primeiro momento, mas depois de um tempo você percebe que sua paciência foi altamente recompensada. Além de ser cinematograficamente belo em todas as tomadas, ele entrega exatamente o que deveria entregar: é um filme que aborda o sexo, e Ang Lee entrega justamente isso com muita coragem, em cenas que beiram o erotismo e que lhe valeu uma classificação de 18 anos.
De certa forma, lembra o suspense alemão A Espiã, onde uma mulher usa o sexo para se aproximar de grandes líderes na Segunda Guerra Mundial. Aqui a época continua, mas ao invés de Alemanha o filme se passa na China. Um grupo de teatro decide de montar por conta própria uma resistência contra a ocupação japonesa. Pra isso eles infiltram Wang na casa de Sr. Yee, um colaborador japonês. Mas eles são amadores, apesar de seu plano quase funcionar, a guerra estraga tudo.
Anos depois, ela encontra a resistência novamente. Dessa vez a oficial e altamente organizada. Disposta a tentar novamente seu plano contra Yee, ela se junta a eles se tornando sua amante, até que surja a possibilidade de eles conseguirem se aproximar o suficiente para conseguirem matá-lo. Porém, até que Wang consiga que Yee se abra o suficiente para se expor, ela ficará a mercê dele.
Yee não tem interesse em “fazer amor” com ela. Ele a subjuga de forma violenta. As cenas beiram o sado masoquismo, sem chegar ao explícito propriamente dito, claro. Na primeira vez, ele chega a atar as mãos dela com um cinto e em momento nenhum a deixa olhar para ele. Nas outras cenas, ele mostra que não precisa aparecer torturando alguém para se mostrar assustador. Ela sabe o quão perigoso ele é. Depois de um tempo, a relação vai avançando para além do sexo. De ambas as partes.
Filme após filme Lee vai mostrando que é um dos maiores diretores do mundo na atualidade. A única semelhança entre esse filme e seus anteriores, é o conflito interno que seus personagens têm. De resto, ele se mostra mais maduro do que em filmes como Brokeback Montain.

sábado, 12 de dezembro de 2009

SONATA DE TÓQUIO


NOTA: 9.
"A empresa está se reestruturando. Você precisa me dizer qual pode ser seu papel dentro da nova empresa ou teremos que deixar você ir." Chefe de Ryuhei

O novo filme do diretor Kyioshi Kurosawa, que não tem parantesco com Akira Kurosawa, é mais uma pérola do cinema japonês. É uma pérola pois mostra uma família que vai aos poucos se desfazendo pela falta de diálogo entre eles mesmos. A vida cotidiana japonesa é desnudada sob as lentes do cineasta que vai inserindo delicadamente, sem se apressar, fatos que vão aos poucos nos aproximando dessa família que não consegue chegar a um acordo comum.
Ryuhei trabalha em uma grande empresa. Com a reestruturação para os novo tempos de crise, ele perde seu emprego. Mesmo desempregado, ele continua saindo de casa todos os dias de terno e gravata sem contar nada para a família. Talvez por vegonha ou talvez por achar que rapidamente irá se empregar. Tanto que chega a recusar alguns trabalhos que ele considera abaixo de seu nível.
Sua esposa, Megumi, cuida da casa e dos filhos. Sua vida basicamente se consiste em limpar e arrumar a casa todos os dias e fazer a comida para todo mundo. Seu filho mais velho parece não saber o que quer fazer da vida e ganha uns trocados fazendo bicos pelas ruas, até que decide se alistar no exército americano para conseguir a cidadania de lá, coisa que não é aprovada pelo pai. Já seu filho mais novo quer aprender a tocar piano, coisa que seu pai também lhe nega e ele acaba tendo aulas escondido do resto da família.
Isto é tudo que vou dizer da história do filme. Falar mais pode estragar a surpresa do filme. Vamos apenas dizer que os eventos que se formam estão longe de serem parecidos com qualquer coisa que esteja acostumado a ver. Apesar do drama da história, o filme tem sua parte cômica assim como uma dose de bizarrice.
Para quem conhece a estrutura de uma sonata, sabe que se trata de uma obra de três movimentos. Isso pode levar a confundir o espectador que espera ver o tradicional esquema de contar a história, onde há o início, o meio com uma crise para levar ao fechamento da história. Não há crise na relação dessa família. Não além da contada aqui. Como podem ao menos brigar entre si se nem ao menos eles se conhecem? Pelo contrário, aqui só somos lembrados que uma rotina quando quebrada não volta facilmente ao normal.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

GUERRA AO TERROR


NOTA: 10.
"A guerra é uma droga"

Mais uma vez eu não consigo entender a mente das distribuidoras. Num ano fraco de filmes de ação, com raras exceções como Star Trek, ter um filme como esse nas mãos é como ter um coringa na manga. Então ao invés de usar o coringa nos cinemas, eles jogam diretamente para as prateleiras de DVD. Acontece que esse é provavelmente o melhor filme de ação que assisti nesse ano, e talvez o melhor filme lançado sobre a guerra do Iraque.
Talvez qualifica-lo como filme de ação apenas seja errado da minha parte. Não há grandes batalhas pelo deserto ou algo do gênero. O herói do filme, William James (Jeremy Renner), é o chefe do esquadrão anti-bombas. Ele estaria mais para um cirurgião que executa seu trabalho com cuidado e precisão do que os médicos que ficam na correria do plantão médico, mas isso não quer dizer que não haja tensão. Há uma bomba para ele desarmar e que pode explodir a qualquer minuto, a tensão fica sempre em se ele conseguirá desarmá-la ou se explodirá a qualquer momento. E os primeiros cinco minutos do filme servem justamente para mostrar que ambas possibilidades podem acontecer. Fácil assim.
A frase citada do filme não pertence a nenhum personagem. É a frase que abre o filme. Pelo menos para James é assim. Ele precisa daquela adrenalina correndo pelo seu sangue. Ao contrário de muita gente, ele quer estar ali. Ele gosta do seu trabalho e parece gostar de estar em guerra. Ao seu lado está Sanborn (Antonhy Mackie), um habilidoso soldado que tem problemas em trabalhar com James. Sanborn é muito certinho para o estilo dos dois combinar. Não é a adrenalina que o move. Para ele aquilo é apenas um trabalho, e ele sabe o quanto arriscado esse trabalho é.
O filme é dirigido por Kathryn Bigelow. Para quem não reconhece o nome, deve lembrar ao menos de seu Caçadores de Emoção, com Keanu Reeves e Patrick Swayze. Ótimo filme que jogou Reeves para o primeiro time de Hollywood e o qualificou a fazer Drácula de Bram Stocker (de Copolla) alguns anos mais tarde. Os filmes de Bigelow tem uma característica que os torna muito interessantes: ela se preocupa primeiro com o personagem, depois com a ação. Então quando a ação acontece, você realmente se importa com o que pode acontecer com o personagem. Nós sabemos que James pode morrer a qualquer momento e por isso o filme fica tão tenso. Por isso é tão interessante.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

ANJOS E DEMÔNIOS



NOTA: 4.
"A religião é imperfeita porque os homens são imperfeitos." Cardeal Strauss

Os fãs de Dan Brown (autor do livro) podem me odiar, mas seus livros não são bons. Não vou chegar a dizer que são ruins, mas daí dizer que ele é um ótimo escritor é outra história. Ele simplesmente pega uma história pra lá fraca e acrescenta teorias mirabolantes. No livro ainda dá pra disfarçar um pouco, já que as pessoas podem acabar se entretendo mais com as teorias do que com a própria história. No cinema a coisa piora e a história fraca acaba rendendo um filme fraco. Não importando se nomes como Ron Howard e Tom Hanks estejam envolvidos ou não na produção do filme.
Aqui a teoria é sobre os Illuminatti, grupo que foi perseguido pela igreja lá pelo século XVI e resolve se vingar agora. Esse grupo era formado por cientistas, matemáticos e astrônomos, incluindo Galileu. A vingança consiste em sequestrar os quatro preferati, os próximos candidatos a papa, matá-los publicamente em lugares que só podem ser encontrados pelo professor Langdon (Hanks), em pistas que não fazem sentido que resultam numa corrida frenética contra o tempo, já que à meia-noite uma energia de anti-matéria explodirá todo o Vaticano. Porque eles simplesmente não explodiram logo o Vaticano e porque dar tantas chances de Langdon os encontrar eu não sei, e isso não é a única coisa que não faz sentido.
Ele é ajudado pelo Carmelengo interpretado por Ewan McGregor, que tem todas as funções do papa até que o novo papa seja eleito. Além disso, ele está sempre acompanhado da cientista criadora da anti-matéria. Basicamente a função dela é dizer que a anti-matéria pode explodir o Vaticano e trazer o diário de seu pai que pode revelar quem é o responsável pelo sumiço da tal energia, mas mesmo assim ela segue Langdon em sua busca só pra ele ter com quem conversar durante uma morte e outra.
Grande parte do marketing do filme era pra dizer que esse filme é melhor que o antecessor. Ao meu ver, pegar um resfriado é melhor que pegar uma pneumonia, e ainda assim me manter saudável a ter qualquer uma das duas doenças. É assim que me senti quanto ao filme. E não consigo entender porque Howard e Hanks estão nesse filme. Eles precisam tanto do dinheiro assim? Pelo sucesso comercial de ambos eu apostaria todas as minhas fichas que não. E como não tem um único motivo no ponto de vista artístico, essa uma questão que provavelmente filme nenhum vai esclarecer.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

ATIVIDADE PARANORMAL



NOTA: 9.
"Basicamente podem ser duas coisas: pode ser um fantasma ou pode ser um demônio." Micah

Este filme levanta uma questão muito interessante e não é sobre nada da história. A verdadeira questão é: com tantas megaproduções de terror, filmes de grande orçamento, como é um filme feito com uma única câmera digital consegue ser o melhor filme de terror do ano? Com o custo de apenas U$ 15.000 (quinze mil dólares)?
A idéia é bem simples: Micah compra uma câmera para filmar o que acontece com ele e com a namorada enquanto os dois estão dormindo. Acontece que Katie desde pequena sente presenças estranhas que a persegue não interessa onde ela esteja morando. Decidido a ajudar, ele filma e vê as cenas no dia seguinte para saber o que fazer a acabar com isso.
O filme começa quando ele compra a câmera e todas as cenas são filmadas através dela e dela apenas. Os mais atentos notarão que certas cenas não podem ser filmadas por ele mesmo, mas o filme faz parecer que sim e o grande público não notará a diferença entre as cenas. Apenas uma ajuda para contar a história.
O filme todo é tratado como se fosse real. Não há sequer créditos. Finais ou iniciais. No início uma nota agradecendo as famílias dos protagonistas e uma cartela no final dizendo o que aconteceu depois do final do filme. Apenas como se estivéssemos vendo as cenas brutas da vida do casal, sem cenários elaborados, roteiro ou mesmo direção.
Ela só quer que se livrar do que quer que seja aquilo. Micah parece mais obcecado por fazer o filme. Como todo homem fica quando consegue algum novo brinquedo. Numa parte ela pergunta: "Você voltou pra pegar a câmera?" quando ele aparece para ajudá-la depois de um grito. Ele não leva a sério o medo dela. E muito menos a entidade que um perito afirma não ser um fantasma, mas um demônio.
E com isso o filme assusta. De verdade. Não há atuação para a câmera, não há jogos de câmera nem nenhum truque. Por isso tudo parece real e dá medo. Eu nunca num cinema tinha sentido a platéia reagir tanto a um filme de terror. Atrás de mim, uma mulher se levantou para ir embora antes do filme acabar. Na verdade, ficou esperando o namorado para ir com ela, mas já que ele não se manifestou ela foi sozinha. Já vi gente deixando a sala por achar o filme ruim, nunca por medo.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O FANTÁSTICO SR. RAPOSO


NOTA: 10.
"Tudo sobre isso é loucura. Especialmente ele. Mas isso não o faz nem um pouco menos fantástico. " Sra. Raposo

O que posso dizer é que, no mínimo, o filme merece ser chamado "fantástico" assim como tem o adjetivo no nome. A Pixar que me perdoe, mas Up, para mim, acaba de perder o posto de melhor animação do ano. Não é da animação em si que comparo, já que são totalmente díspares. Ao invés da animação digital como no filme da Pixar, aqui temos a mais antiga das animações: Stop Motion (pra quem não sabe, como foi feito o primeiro King Kong e base dos efeitos visuais por muitos anos). Comparo o jeito que a história foi contada.
Para quem conhece o diretor do filme, Wes Anderson (Os Excêntricos Tenebaums, A Vida Aquática de Steve Zissou e Viagem à Darjeeling), sabe que o diretor tem um estilo único de contar as histórias. Mesmo com temáticas nem um pouco semelhante, seus filmes são facilmente reconhecidos, seja pela cor predominante que usa nos filmes ou mesmo sua maneira de filmar. Agora mudando de filmes convencionais para animações, seus estilo continua o mesmo. O que traz um novo (e para mim maravilhoso) conceito para as animações.
O Sr. Raposo é um ladrão de galinhas. Literalmente. Até que sua esposa, a Sra. Raposo, fica grávida e lhe pede que mude sua profissão para uma menos perigosa. Muitos anos depois, vemos que ele escreve uma coluna no jornal e com o filho já crescido. Ele está com sete anos, e como seu pai morreu com sete anos e meio, ele decide se mudar porque não quer morrer em uma toca, mudança que coincide com a chegada de seu sobrinho (que é tudo que uma raposa deve ser, pelo visto) que passará um tempo com eles.
O problema é que eles se mudam para perto de três propriedades, de três empresários cruéis, e ele não resiste de aplicar um "último golpe". O que ele não imagina é que os três empresários se juntariam para conseguir pegar a raposa que está lhes causando prejuízos, fato que coloca em perigo não só sua família como todos os outros animais da comunidade.
Confesso que gostei de não terem optado por fazer uma animação digital. Por mais que filmes como Monstros S.A. ou A Era do Gelo tenham conseguido resultados surpreendentes com a textura do pêlo de seus animais, nenhum consegue o resultado que Anderson consegue aqui. Fica realmente impressionante. Especialmente quando combinados com as vozes de George Clooney e Meryl Streep, o que faz os personagens crescerem em carisma e profundidade.
Geralmente é comum dizer de filmes que agradam tanto a crianças quanto adultos, não acredito que nenhum outro tenha conseguido um resultado tão bom quanto o Sr. Raposo, aqui. A adaptação de Anderson do livro de Dahl (o autor de A Fantástica Fábrica de Chocolate) rende uma história boa para as crianças, especialmente na parte da família e comunidade, mas que talvez deixa algumas dúvidas. Claro que não é nada que vá estragar a diversão de assistir ao desenho, e nada que não se possa explicar para elas depois. Fora o paralelo entre os animais e os humanos. O Sr. Raposo não consegue se livrar do problema de querer ser mais esperto que os outros. Morando no Brasil, quem pode falar que não viu isso em algum lugar?
A única bola fora é da distribuidora aqui no Brasil. Está certo que o filme não é dos mais esperados do ano, mas exibí-lo no Rio de Janeiro em apenas dois cinemas é dose de leão. E sem trocadilhos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O EXTERMINADOR DO FUTURO: A SALVAÇÃO


NOTA: 2.
"Eu sabia. Sabia que estava chegando, mas este não é o futuro que minha mãe me alertou. E nesse futuro eu não sei se a gente pode vencer essa guerra. Eu sou John Connor. Se você está ouvindo isso, você é a resistência." John Connor

A frase resume um pouco o novo filme da franquia. Franquia que deveria ter parado no segundo filme como acredito que James Cameron (criador, roteirista e diretor dos dois primeiros filmes) queria. Afinal, no segundo filme, ele fechou a história. Sarah Connor e seu filho destruíram tudo que podia levar ao surgimento da skynet e evitaram o "dia do julgamento". A rebelião das máquinas nunca aconteceria e John poderia viver uma vida normal sem o fardo de saber que seria a última esperança de humanidade.
Então veio o terceiro filme da franquia sob a direção de Jonathan Mostow. Apesar do fechamento da história, os produtores arrumaram um jeito de fazer mais um filme da série, ainda que totalmente desnecessário a produção pelo menos contava com Schwarzenegger (Linda Hamilton, sabiamente, pulou fora). E nesse filme o dia do julgamento aconteceu. Então o passo natural para acabar de renovar a franquia (ou simplesmente acabar com ela), era trabalhar o filme numa espécie de realidade alternativa. Por isso Connor diz que esse não era o futuro que ele esperava.
Basicamente a história se trata de um assassino condenado a morte (Sam Worthington) que assina um contrato doando seu corpo para a skynet. Muitos anos depois, ele acorda com o mundo já depois do dia do julgamento, onde conhece Kyle Reese (o pai de John Connor, que foi enviado no primeiro filme para salvar Sarah Connor) ainda adolescente. Eles tentam encontrar Connor, são capturados e tentam escapar. Normalmente eu diria que se tratava de uma história para um curta, mas eles conseguiram transformar num longa.
Isso porque a história não parece mais importar nos filmes atuais. Esse novo capítulo é um amontoado de cenas de ação sem propósito que se esticam para cobrir os 120 minutos que Hollywood tanto gosta. E aqui vale destacar que não se tratam de excelentes cenas de ação, são umas cenas meio preguiçosas que não justificam o inchado orçamento.
Se o filme não é uma bomba total, é graças ao talento de seus atores principais. Christian Bale faz o melhor John Connor da saga. Não é apenas um líder, é um homem que sabe que precisa da sua humanidade para vencer a guerra. E para a sorte dele, quando o roteiro parece que vai acabar com o filme de vez, ele encontra Worthington para segurar as pontas. Há até uma participação desnecessária de Schwarzenegger, ou pelo menos dele digitalmente, com o surgimento dos novos modelos exterminadores T-800 (justamente a série que ele "interpretava"). Claro que aparição é desnecessária demais, mas alguma mente deve ter achado que era uma forma de homenagem.
Se Jonathan Mostow já mostrava a importância de um bom diretor, o que dizer de McG? Só pra lembrar seu currículo: dois filmes horrorosos de As Panteras e depois o igualmente ruim e pelo menos fazendo menos barulho Somos Marshal. O que o qualificou para dirigir esse filme eu não sei. De verdade. Agora que ele acabou de afundar essa franquia, espero que estrague histórias menos inofensivas. Se o futuro da franquia se reduz a um filme que conta com 95% de cenas de ação, acredito que algo deva estar errado. Lembro de ter visto diversas entrevistas onde os atores diziam da paixão que McG demonstrava pelo filme. Isso só prova que apenas paixão não basta. É preciso um bom roteiro e um bom diretor.

Terminator Salvation. Ano: 2009. Duração: 115 minutos. Com: Christian Bale, Sam Worthington, Bryce Dallas Howard, Moon Bloodgood e Helena Bonhan Carter. Direção: McG; Roteiro: John D. Brancato e Michael Ferris; Música: Danny Elfman; Fotografia: Shane Hurlbut; edição: Conrad Buff.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

INIMIGOS PÚBLICOS





NOTA: 7.
- Eles não são durões o suficiente, espertos o suficiente ou rápidos o suficiente. Eu posso roubar qualquer banco que quiser a qualquer hora. Eles precisariam estar em todos os bancos, o tempo todo.

Imagino que uma pessoa que vá assistir a esse filme vá querer ter resposta para algumas perguntas sobre a vida de John Dillinger. Pelo menos eu gostaria de ter descoberto algumas coisas. Ele foi considerado o inimigo público número 1 dos EUA e um dos mais conhecidos ladrões de banco de todos os tempos. Apesar de tantos assaltos, era muito bem visto pela maior parte da população durante a época da grande depressão. Para muitos era conhecido por Robin Hood, tanto que esse status lhe permitia se esconder em qualquer lugar sem que fosse entregue por alguém. Como ele conseguiu esse fenômeno todo? Apesar de toda essa fama, fica claro que Dillinger não era um homem bonzinho. Então como? Se espera a resposta nesse filme ficará desapontado como eu fiquei.
Só o que sabemos com certeza é que ele gostava de roubar bancos. Não era apenas pelo dinheiro. Parece que ele gostava disso mais do que qualquer outra coisa. Até mesmo mais que mulheres. Há algo incerto sobre outros motivos. Parece que ele gostava de ir contra o "sistema". Não fica claro porquê e isso me faz pensar se essa revolta toda não era mera desculpa para praticar o ato que gostava tanto. Ele diz uma hora para um cliente do banco "Pode guardar seu dinheiro, só estamos aqui pelo dinheiro do banco.", como se o dinheiro do banco viesse de lugar algum. Talvez fosse um golpe publicitário para aumentar sua popularidade.
Ele não parece ser uma pessoa das mais sociáveis também. Apatenta ser um ótimo líder para o bando, nunca deixa um homem para trás e fica sempre triste pelas perdas, mas nunca muito amigável com alguém. Mesmo quando conhece uma mulher de quem gosta, ele não perde tempo. "Eu roubo bancos.", como se fosse uma frase comum para dizer para qualquer pessoa. No dia seguinte lhe compra um casaco de pele.
A verdade é que ele nunca se preocupou com seu futuro. Ele vivia o presente. Não tinha planejamento de parar de roubar para levar outro tipo de vida. Não tinha planos para fugir para outro país nem nada parecido. Nada que fizesse provar que poderia viver muito tempo. Em uma cena que não sei dizer se é real ou não, ele entra no escritório da polícia que era especializado em capturá-lo. Ele anda ao redor e ainda pergunta algo para o grupo que lá se encontrava. Ou ele não se preocupava com o futuro ou achava que jamais seria pego.
Com certeza um dos personagens mais interessantes que poderia haver. Uma pena que um personagem tão interessante não desperte emoção. O filme parece sempre algo meio afastado. Distante. Não uma conexão entre a platéia e Dillinger e com isso o filme perde a empatia. Mesmo com as ótimas atuações de Depp (que incrivelmente ficou parecido com Dillinger de verdade) e Bale (como Melvin Purvis, o agente destacado para capturá-lo) o filme deixa aquele gostinho de "é bom, mas de alguma forma não chegou lá".



segunda-feira, 30 de novembro de 2009

TÁ RINDO DO QUÊ?


NOTA: 6,5.
"Em breve George Simmons terá ido. E ele não vai sentir a menor falta de vocês. Sempre tivemos uma relação forçada. Vocês sempre quiseram muito de mim e eu estou irritado com vocês." George Simmons

Stand Up Comedy deve ser uma coisa muito difícil de fazer. A pessoa que está apresentando não conta de recurso nenhum. Não há cenários, sons ou mesmo outra pessoa para fazer par. O comediante só depende dele mesmo, e para fazer rir deve dominar o tema, timming e, principalmente, ter boas piadas. Já vi muitos números de muita gente famosa e poucos foram os que realmente me fizeram rir pra valer. Eddie Murphy foi o melhor que vi até então. Chris Rock sabe fazer rir como poucos atualmente. A maioria não faz rir e pode incluir Jim Carrey e muitos outros nesse meio.
Adam Sandler nunca me fez rir e não esperava que começasse agora só porque o título diz que ele é engraçado. Mas não esperava que ele me emocionasse. Já Seth Rogen sempre me fez rir e aqui me decepciona. Realmente comédia em pé é para poucos. O que sobra pelo menos, é uma atuação brilhante dos dois e em especial de Leslie Mann.
Simmons (Sandler) é um comediante que fez muito dinheiro fazendo filmes ridículos. A carreira dele lembra até um pouco a de Eddie Murphy, que ganha muito dinheiro com um filme pior que o outro. Numa ida ao médico, ele descobre que tem uma espécie de leucemia que não tem como ser tratada pelos métodos tradicionais. Ele sai do consultório sem esperança de um tratamento eficaz e pouco tempo de vida.
Disposto a voltar aos palcos ao invés dos filmes, ele conhece Ira (Rogen) e o contrata para escrever piadas para ele. Ira aceita de imediato, afinal sua vida é trabalhar num mercado e dormir no sofá de amigos, a grande questão é que ele não deve apenas escrever piadas, mas também trabalhar como secretário de Simmons. Os dois rodam cidades se apresentando, ao mesmo tempo Simmons tenta fazer as pazes com o passado. Claro que não será uma tarefa fácil, ele não tem amigos, abandonou a única mulher que amou e não tem sequer contato com seus familiares.
Ira e Simmons não podiam ser mais diferentes um do outro. Simmons teve uma vida desregrada e sem se importar com outras pessoas, Ira se importa com todos e não quer fazer parte dos erros que seu patrão pretende cometer.
O lance do filme, é que ele não é uma comédia. Isso que o salva. Apesar de ter várias apresentações de comédia, o filme é sobre Simmons (na que é provavelmente a melhor interpretação de Sandler). Apesar do tema, o filme segue lentamente e de forma bem delicada sobre a vida dele. Ele é rico, famoso e faz muita gente rir, mas ainda assim sua vida é triste. Eminem diz a Simmons que ele tem a chance de sair daquilo tudo. Daquela vida que não os permitem serem realmente felizes. De ter uma vida sem a perseguição dos fãs e tudo mais. E mesmo que depois ele ameace matar Ray Romano, há sabedoria em suas palavras. Pelo menos nessas circunstância ele conseguirá ser feliz?

Funny People. Ano: 2009. Duração: 146 minutos. Com: Adam Sandler, Leslie Mann, Seth Rogen, Eric Bana, Jonah Hill e Jason Schwartzman. Direção e roteiro: Judd Apatow; Música: Michael Andrews e Jason Schwartzman; Fotografia: Janusz Kaminski; Edição: Craig Alpert e Brent White.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

TRANSFORMERS: A VINGANÇA DOS DERROTADOS


NOTA: 1.
"Nós temos um monte de batalhas nos esperando." Major Lennox

Michael Bay, o diretor do filme, consegue se superar. A cada novo lançamento eu acho que é a pior coisa que se pode fazer, mas ele continua provando que estou errado. O primeiro filme já era um amontoado de cenas onde você não consegue saber o que está acontecendo costurado por um fiapo de história que não servia nem para um episódio de meia hora do desenho. Já esse segundo é uma dor de cabeça de duas horas e meia sem sentido e sem graça. De tão ruim, faz o primeiro parecer uma obra de arte.
Uma grande dificuldade que tive, foi encontrar uma frase que pudesse colocar no início da resenha, como já é de praxe. Não há um personagem, humano ou robô, que diga uma frase digna de nota. NADA. Não havia me deparado com nada parecido com isso antes. Em um determinado momento o personagem de John Turturro diz: "Oh, não. A máquina está escondida dentro da pirâmide. Se eles a ligarem vão destruir o sol. Não no meu turno.", e parte heroicamente para salvar nosso sol. Sabe-se lá porque eles queriam destruir o sol, mas fazer o quê?
Pior para os atores. Gosto de Turturro, mas nunca o vi num papel tão ruim. Ou pelo menos não consigo lembrar de nenhum que ao menos passe perto. Ele já fez alguns papéis com personagens estranhos, mas pelo menos tinha um roteiro para se apoiar. E ele já tem uma carreira estabelecida, o que me fez ter pena de Tyrese Gibson. Ele quase não abre a boca e quando abre fala coisas do tipo: "Nós derramos sangue, suor e metal precioso juntos." Triste.
Também não consigo entender o que os pais de Sam (LaBeouf) estão fazendo no filme. Eles vão para a faculdade levar o filho e a mãe dando uma volta no campus volta com um bolo de maconha. Mera desculpa para ela ficar chapada e render uma cena engraçada no filme, que nem chega a ser engraçada. Não imagino uma faculdade que isso aconteça com tanta facilidade, e mais ainda, que pais percebem isso e ainda deixam o filho lá para estudar (pagando U$ 40 mil por ano)?
Ao menos as cenas de ação deveriam ser boas, certo? Mas não são. Já não dá pra perceber muito bem os movimentos de um robô sozinho. Junte dois ou mais e vira uma confusão de metal para todo o lado. E ainda não consigo explicar porque máquinas tão avançadas que podem se transformar em praticamente qualquer coisa resolvem tudo com os punhos. Um soco é o melhor que eles conseguem imaginar?
Não é recomendado para ninguém. Na verdade, fiquei pensando em como poderiam usar o filme num episódio de House. Lembro que umas duas vezes ele tinha que provocar uma espécie de ataque epiléptico num paciente para provar sua teoria médica. Ele podia passar o filme para o paciente que teria rapidamente um ataque. E pra complicar, o paciente na verdade não seria epiléptico, provando que não sabiam a doença de verdade e que os filmes de Bay fazem mal ao cérebro de qualquer pessoa. Para não dizer que não há nada de bom no filme, há a Megan Fox, que mesmo sem saber atuar melhora qualquer cenário.

Transformers: Revenge Of The Fallen. Ano: 2009. Duração: 150 minutos. Com: Shia LaBeouf, Megan Fox, John Turturro e Tyrese Gibson. Direção: Michael Bay; Roteiro: Ehren Kruger, Roberto Orci e Alex Kurtzman; Música: Steve Jablonski; Fotografia: Ben Seresin; Edição: Roger Barton, Tom Muldoon, Joel Negron e paul Rubell.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

FÉRIAS FRUSTRADAS DE VERÃO


NOTA: 9.
"Qual o motivo de se importar em ser um artista ou escritor? Herman Melville escreveu Moby Dick e estava tão esquecido e pobre quando morreu que em seu obituário o chamaram de Henry. Eles vão acabar esquecendo nossos nomes de qualquer jeito." Joel

Não sei o que mais me impressionou nesse filme. Se é a capacidade do diretor Greg Motolla (do também ótimo Superbad) de contar uma história juvenil sem apelar para escatologia ou subestimar a inteligência do seu público. Se é a capacidade de contar esse tipo de história com ainda mais sensibilidade que em seu filme anterior. Se é Kristen Stewart mostrando que é uma boa atriz e que é mal aproveitada pelos filmes da Saga Crepúsculo. Ou pior ainda, porque um filme tão bom foi tão ignorado pela distribuidora aqui no Brasil.
O ano é 1987. James (Jesse Eisenberg) é um rapaz que está se formando no colégio e se preparando para ir para a faculdade. Seu planejamento é de viajar para a Europa com um amigo e na volta ir morar em NY. Seu pai, porém, perdeu o emprego e todo seu planejamento vai por água abaixo. Ele terá que trabalhar durante o verão e juntar dinheiro para poder ir para NY até conseguir um emprego por lá. Sem nenhuma experiência de trabalho, a única oportunidade que consegue é num parque que funciona apenas aos verões chamado Adventureland (que dá o nome original do filme).
É uma porcaria de trabalho. Para começar, tudo no parque parece de segunda mão. Os brinquedos estão em estado no mínimo duvidoso de conservação e todos os prêmios são uma porcaria também, com exceção do grande Panda de pelúcia, mas para levar o panda, o cliente tem que passar pelas trapaças do parque, como chapéu colado ou uma argola que não entra na garrafa. Então a maior desafio de James é manter o público interessado pelas porcarias do parque mesmo que nunca consigam ganhar um Panda. "Ninguém ganha um panda. Se alguém ganhar um panda no seu turno, não precisa nem aparecer no dia seguinte." lhe diz o dono do parque.
Apesar de todo os funcionários homens do parque terem grande desejo por Lisa P., é Em (Stewart) que desperta o interesse do herói. Ela parece mais madura que o resto das pessoas do parque, e juntos os dois conseguem ter os mais variados diálogos sobre diversos assuntos, coisa que não acontece com o resto. Nenhum dos dois é muito bonito, mas de certa forma eles formam um casal interessante e melhor ainda, ela também vai estudar em NY. Não precisa ser apenas um romance de verão, fato que parece interessar mais a ele que a ela.
Motolla também escreveu o roteiro do filme, talvez por isso tenha focado mais na beleza da história que na parte cômica. Superbad com certeza é muito mais engraçado que esse filme e até tem sua dose de sensibilidade, mas é aqui que o diretor mostra que pode entregar um belo filme sem apelações. O fato de passá-lo nos anos 80, dá uma dose de nostalgia que me agradou bastante, e permitiu que ele usasse uma interessante trilha musical.
Adventureland. Ano: 2009. Duração: 107 minutos. Com: Kristen Stewart, Jesse Eisenberg, Bill Hader e Ryan Reynolds. Direção e roteiro: Greg Motolla; Música: Yo La Tengo; Fotografia: Terry Stacey; Edição: Anne McCabe.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA: PRÍNCIPE CASPIAN


NOTA: 6.
"Tudo que você conhece está prestes a mudar." Dr. Cornelius

Grande parte do que li sobre esse filme era se ele era melhor ou pior que seu antecessor. É o tipo de discussão que costuma acontecer com continuações e alguns consideravam melhor e outros pior. Eu confesso que não pude compará-los muito bem por os achar completamente díspares. O primeiro filme primava muito pela magia e falhava muito nas cenas de ação, o segundo tem cenas de ação maiores e mais caprichadas mas falha na magia. O melhor depende se o espectador prefere ação ou magia.
Em relação ao primeiro filme, esse se passa centenas de anos depois em Nárnia e alguns anos no nosso mundo. Os Narnianos sobreviventes vivem escondidos depois de terem sido escorraçados pelos Telmarinos, que agora dominam o mundo. Se você não sabe a diferença entre um e outro não pergunte a mim, já que não é explicado no filme e tampouco li o livro para saber. Só posso dizer que visualmente os Telmarinos são parecidos com os humanos e os Narnianos são todo o resto.
Um Lorde, Miraz, cria um plano para assassinar o príncipe (o tal Caspian do título) e colocar seu herdeiro recém nascido no lugar. O príncipe consegue fugir e se refugia entre os Narnianos e convoca os reis da antiguidade (os irmãos Pavensie, que tem 1.300 anos de vida acumulada em seus corpos juvenis) para ajudá-lo a recuperar seu trono.
Tudo é maior nesse segundo capítulo, incluindo as batalhas e os efeitos especiais (apesar do leão Aslan continuar meio falso), mas as batalhas apesar de maiores são mais cansativas também. Os produtores devem ter ficados felizes com o envelhecimento dos atores, já que todos estão mais adoráveis. Fotogênicamente falando, já que nenhum deles é capaz de transmitir empatia para seus personagens.
A verdadeira falha do filme, reside na falta de magia, sem ela é difícil de acreditar que um dos melhores guerreiros é um camundongo e que um adolescente possa liderar um exército. Principalmente que os guerreiros o continuem seguindo mesmo depois de seus (inúmeros) erros. Para mim fica sempre a certeza do brilhantismo de O Senhor dos Anéis, que conseguia balancear todos os fatores da história, seja em efeitos especiais, drama, cenas de ação e todo o encanto que a história precisa. Uma pena que tudo que seja feito no mesmo gênero pareça uma obra mal acabada da adaptação da trilogia de Tolkien. Parabéns a Peter Jackson (idealizador da trilogia).

The Chronicles of Narnia: Prince Caspian. Ano: 2008. Duração: 150 minutos. Com: Ben Barnes, Georgie Henley, Skandar Keynes, William Moseley e Anna Popplewell. Direção: Adrew Adamson; Roteiro: Andrew Adamson, Christopher Markus e Stephen McFeely; Música: Harry Gregson-Williams; Fotografia: Karl Walter Lindenlaub; Edição: Josh Campbell e Sim Evan-Jones.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

UM HOMEM BOM


NOTA: 4.
"Eu nasci aqui. Sou tão alemão quanto você é. Eu lutei pela Alemanha na guerra. Não há nada que me prenda aqui?" Maurice

Não foi boa a estréia de Vicente Amorim (O Caminho das Nuvens) em um filme americano. E olha que tinha tudo pra dar certo. Uma história sobre o nazismo, uma dupla de atores de respeito (Viggo Mortensen e Jason Isaacs) e um texto baseado em uma peça de teatro de relativo sucesso, ainda que roteirizada pelo novato John Wrathal que só tem um outro roteiro em seu currículo.
Mas não decolou.
John Halder é um professor de literatura em uma universidade em 1933, época em que Hitler está chegando no poder. Seu melhor amigo é Maurice, um judeu que lutou ao lado dele pela Alemanha na guerra anterior. Ele é chamado para conversar sobre um romance que escreveu, livro que despertou a atenção do próprio Hitler. Acontece que Hitler gostou do trabalho de Halder e quer que este escreva para ele. A única mancha que acham no passado de Halder é sua relação com um Judeu e o fato de não estar afiliado ao partido nazista. Visto como uma forma de humildade, ele ganha o prestígio de trabalhar para o fürher e um título honorário na SS (espécie de guarda costas do partido nazista alemão).
Claro que com sua ascensão, ser ligado a um judeu é um perigo para Halder, que se vê aos poucos tendo que se afastar de seu amigo. Ele pergunta porque Maurice não sai do país se não há nada que o segure lá. "Eu nasci aqui." é a resposta que recebe. E quando Maurice percebe que realmente não há salvação, ele procura seu amigo para lhe ajudar. Para Halder, ajudá-lo é um perigo.
Viggo faz de seu personagem um homem meio ingênuo. Sua casa é uma bagunça, sua mulher uma relaxada, seus filhos super exigentes e ainda tem uma mãe com lapsos de memória. Apesar de ter um caso com outra mulher, com a qual acaba casando posteriormente, ele é uma boa pessoa. Ele realmente acha que nada de ruim pode acontecer com seu amigo. E quando se dá conta da realidade, pode ser tarde demais para ele conseguir sua redenção e tarde demais para a platéia se importar.
Se falta emoção para Halder em querer realmente ajudar seu amigo, falta emoção para todo o resto do filme, cujo cerne da história deveria ser esse. A apatia do personagem, apenas reflete a apatia que o filme tem. E falha ainda como relato histórico, a chamada Noite dos Cristais, que nunca vi retratada em um filme, pode facilmente passar despercebida para quem não conhece a história. Mesmo o assassinato de Von Rath (a desculpa que faltava para os alemães atacarem os judeus) não recebe a devida atenção.
Antes os nazistas eram maus e quase sempre só maus. Alguns filmes recentes mostram nazistas que eram bons (Operação Valquíria e O Leitor). Aqui, o nazista Halder não é nada, o que o faz não ser nem digno de nota. Uma pena.

Good. Ano: 2008. Duração: 96 minutos. Com: Viggo Moertensen, Jason Isaacs, Mark Strong e Jodie Whitaker. Direção: Vicente Amorim; Roteiro: John Wrathall; Música: Simon Lacey; Fotografia: Andrew Dunn; Edição: John Wilson.

CADILLAC RECORDS


NOTA: 7.
"Sr. Waters? Nós somos grandes fãs. Demos o nome da nossa banda por causa de uma de suas músicas. Rolling Stones." Keith Richards

Ao final do filme fiquei lembrando de uma das minhas músicas preferidas de Muddy Waters que infelizmente não está no filme: The Blues Had a Baby and They Named Rock and Roll (algo como O Blues Teve um Filho e Deram o Nome de Rock and Roll). E agora eu posso entender melhor a letra da música, porque aqui vi que o Rock deve tudo aos blues. E os dois devem tudo a Chess Records, que era situada em Chicago.
De certa forma, podemos dizer que os personagens principais são Leonard Chess (Adrien Brody) e Muddy Waters (Jeffrey Wright). O primeiro é um pé de chinelo que pretende subir na vida. Como não tem problema com a cor da pele das pessoas, ele monta um clube noturno no bairro negro, Illinois, onde um dia Muddy vai tocar. Impressionado com a música, ele resolve investir na carreira musical e torna Muddy seu primeiro contratado. Depois de um incêndio no mínimo suspeito em seu clube, ele pega o dinheiro do seguro e monta a Chess Records, a melhor gravadora do país. Uma aposta de Leonard que com contas atrasadas pode perder até mesmo a sua casa.
Não saberia dizer se Leonard tinha uma grande cabeça musical, mas com certeza tinha bom gosto para a música e um estilo agressivo para os negócios. Não acredito que cogitava perder a casa. Ele criava a demanda pelas músicas da gravadora dele e lucrava bastante dinheiro fornecendo os discos para suprir a demanda. Mesmo que esta fosse criada subornando djs de rádios. E quando o dinheiro começou a aparecer, Leonard dava pras suas principais estrelas um Cadillac novinho, por isso o nome do filme.
Muddy Waters não era a única estrela da gravadora. Para que entende de música, vários nomes vão pular na cabeça, como Little Walter, Howlin' Wolf, Chuck Berry, Etta Jones (ainda em atividade), Willie Dixon e até mesmo uns "magricelos ingleses" que deram o nome da banda em homenagem a uma das músicas de Muddy, Rolling Stones.
Esse excesso de personagens, na verdade, é uma coisa que não entendi do filme. Na verdade, a Chess Records foi fundada por dois irmãos. O diretor (e também roteirista) deixou de fora da história Phil Chess. Ao meu ver, a escolha seria para deixar o filme mais compacto e focar nos personagens mais importantes, mas ao invés disso ele se perde nas muitas histórias dos músicos que passam pela gravadora, perdendo o verdadeiro foco da história. Incluindo a personagem Etta (Beyoncé, ótima) e sua relação com Leonard, que nunca fica clara o suficiente. Principalmente se considerarmos que não é um filme de grande duração. Individualmente, a maioria dos personagens tem histórias que podem ser melhor contadas em filmes à parte. Mas se o filme não funciona totalmente como drama, compensa com sobras na parte musical. Um prato cheio para os amantes de música. E para os menos conhecedores uma verdadeira aula. De qualquer forma torna o filme uma boa pedida.

Cadillac Records. Ano: 2008. Duração: 109 minutos. Com: Adrien Brody, Jeffrey Wright, Beyoncé Knowles, Gabrielle Union, Cedric The Entertainer e Mos Def. Direção e roteiro: Darnell Martin; Música: Terence Blanchard; Fotografia: Anastas N. Michos; Edição: Peter C. Frank.
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