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terça-feira, 1 de novembro de 2011

PAUL


NOTA: 6.
- Você é um alienígena.
- Para você, sim.

Este é um daqueles filmes que parece ter tudo para você gostar dele, mas de alguma forma ele começa perder seu rumo. O que o impede de se tornar um filme muito bom. Não sei dizer exatamente o que acabou  dando errado, mas com o passar do tempo o filme vai perdendo suas graças aos poucos para se tornar mais um filme burocrático de comédia.
A premissa é bem interessante. Dois nerds ingleses, Graeme e Clive (Simon Pegg e Nick Frost, a dupla de Chumbo grosso), vão aos EUA para visitar a Comic-con (o maior evento nerd do país) onde tiram fotos com personalidades famosas do mundo geek e conversam com seus autores favoritos. Na saída da feira, decidem alugar um trailer para passear pelo país visitando lugares como a área 51 entre outras coisas. Numa dessas visitas, eles acabam cruzando com um alienígena chamado Paul (Seth Rogen).
O início do filme é com certeza a melhor parte. As cenas dos dois andando na feira são inestimáveis junto com o início da odisseia. As cenas são essenciais para estabelecer como ambos são doces e sensíveis. Tanto, que chegam a ser confundidos como um casal homossexual. Até a chegada de Paul que não consegue dirigir um carro. Se eu fosse um ET e tivesse que encontrar alguém para me ajudar, acho que esses dois seriam a dupla ideal para poderem ajudar uma pessoa em apuros. Mesmo que não seja uma pessoa.
Na jornada, eles ainda encontram Ruth (Kristen Wiig, de Missão madrinha de casamento), uma mulher que cresceu com fortes preceitos religiosos e usa uma camisa de Jesus atirando em Darwin (enquanto embaixo aparece a frase "evolucione isso"). A existência de Paul vai contra tudo que ela acredita. Se ele existe, ela pode até mesmo xingar sem ficar esperando que sua alma vá para o inferno. Se é que o tal inferno realmente existe.
Como se espera de um filme que começa numa comic-con, o filme é uma ode ao mundo nerd de filmes e seriados. Alguns sutis e outros explícitos. Uma música de Star Wars tocada ao fundo ao entrarem num bar ao passo que em outra cena vemos Paul inspirando Spielberg em um filme.
O que realmente incomoda é um alienígena que, tirando a aparência física, é Seth Rogen. Não apenas na voz, mas na maneira de falar e até mesmo no conteúdo de seus diálogos. Isso torna Paul um ser pouco interessante. Ele não é um alien de verdade. Ele é praticamente todo humano. A graça de um filme com um alien, é a imprevisibilidade que eles podem ter. Paul não tem nada de imprevisível, ele é tão comum como qualquer humano. O filme tem suas graças, mas poderia ter ido mais longe.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

SUPERBAD - É HOJE


NOTA: 10.
- Sabe quando a garota acorda no dia seguinte e diz: "Ah. Eu estava tão bêbada na noite passada. Eu não devia ter dormido com aquele cara." Nós podemos ser esse erro.

Alguns filmes conseguem ser atemporais. Há um tom nostálgico nessa produção que vai desde o figurino até mesmo pela forma que a história é contada. Eles podem dizer algumas gírias atuais e até mesmo se comunicarem pelo celular e internet, mas a história que eles tomam parte pode ser contada agora, no passado ou até mesmo no futuro.
A história foi escrita por Seth Rogen e Evan Goldberg, que nomearam os personagens principais com seus próprios nomes. Talvez a história seja autobiográfica. Ela parece ser, mas pode ser baseada na história de muitos adolescentes.
Seth (Jonah Hill) e Evan (Michael Cera) são amigos desde os 8 anos de idade e fazem tudo juntos. São inseparáveis por mais 3 semanas, já que os dois não vão mais frequentar a mesma faculdade. Mas antes de se separarem, eles querem experiência sexual para não chegarem "crus" nas universitárias, mas são tão impopulares que sequer são convidados para as festas. Eles ainda tem um parceiro, Foggel (Christopher Mintz-Plasse), que é tão impopular que até mesmo eles o consideram impopular.
Então o universo converge para eles: Foggel compra uma identidade falsa que o permite comprar bebidas, ao mesmo tempo Seth e Evan são convidados para uma festa por meninas que parecem se interessar por eles. Então o plano é simples: eles devem comprar bebidas para a festa e dormir com as respectivas meninas.
Os problemas começam quando eles prestam atenção na identidade de Foggel. Além de colocar que tem 25 anos, o documento tem apenas um nome: McLovin (o ator até hoje é conhecido pela alcunha, quem sabe no futuro ele não escreve um livro "Eu não sou McLovin"). O resto do filme se passa com as aventuras dos três para conseguir bebidas e ainda as desventuras de dois policiais (Seth Rogen e Bill Hader, no que eu espero não ser autobiográfico).
Eles não querem encontrar o grande amor da vida deles, eles querem apenas experimentar uma aventura antes de irem para a faculdade. Provavelmente a única aventura de suas vidas até o momento.
O filme pode ter um certo exagero de palavrões, mas em nenhum momento é porque tenta ser apelativo. Acho que é apenas uma questão de manter o ritmo do filme. Superbad faz reviver a agonia de ser adolescente, sem precisar ser bobo para isso. É um filme com coração. Com alma. E quando se propõe a ser engraçado, é engraçado. Mas sempre com profundidade. Maturidade. Nada de fofocas aqui, é um filme de adolescentes que qualquer um pode assistir. E gostar.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

FÉRIAS FRUSTRADAS DE VERÃO


NOTA: 9.
"Qual o motivo de se importar em ser um artista ou escritor? Herman Melville escreveu Moby Dick e estava tão esquecido e pobre quando morreu que em seu obituário o chamaram de Henry. Eles vão acabar esquecendo nossos nomes de qualquer jeito." Joel

Não sei o que mais me impressionou nesse filme. Se é a capacidade do diretor Greg Motolla (do também ótimo Superbad) de contar uma história juvenil sem apelar para escatologia ou subestimar a inteligência do seu público. Se é a capacidade de contar esse tipo de história com ainda mais sensibilidade que em seu filme anterior. Se é Kristen Stewart mostrando que é uma boa atriz e que é mal aproveitada pelos filmes da Saga Crepúsculo. Ou pior ainda, porque um filme tão bom foi tão ignorado pela distribuidora aqui no Brasil.
O ano é 1987. James (Jesse Eisenberg) é um rapaz que está se formando no colégio e se preparando para ir para a faculdade. Seu planejamento é de viajar para a Europa com um amigo e na volta ir morar em NY. Seu pai, porém, perdeu o emprego e todo seu planejamento vai por água abaixo. Ele terá que trabalhar durante o verão e juntar dinheiro para poder ir para NY até conseguir um emprego por lá. Sem nenhuma experiência de trabalho, a única oportunidade que consegue é num parque que funciona apenas aos verões chamado Adventureland (que dá o nome original do filme).
É uma porcaria de trabalho. Para começar, tudo no parque parece de segunda mão. Os brinquedos estão em estado no mínimo duvidoso de conservação e todos os prêmios são uma porcaria também, com exceção do grande Panda de pelúcia, mas para levar o panda, o cliente tem que passar pelas trapaças do parque, como chapéu colado ou uma argola que não entra na garrafa. Então a maior desafio de James é manter o público interessado pelas porcarias do parque mesmo que nunca consigam ganhar um Panda. "Ninguém ganha um panda. Se alguém ganhar um panda no seu turno, não precisa nem aparecer no dia seguinte." lhe diz o dono do parque.
Apesar de todo os funcionários homens do parque terem grande desejo por Lisa P., é Em (Stewart) que desperta o interesse do herói. Ela parece mais madura que o resto das pessoas do parque, e juntos os dois conseguem ter os mais variados diálogos sobre diversos assuntos, coisa que não acontece com o resto. Nenhum dos dois é muito bonito, mas de certa forma eles formam um casal interessante e melhor ainda, ela também vai estudar em NY. Não precisa ser apenas um romance de verão, fato que parece interessar mais a ele que a ela.
Motolla também escreveu o roteiro do filme, talvez por isso tenha focado mais na beleza da história que na parte cômica. Superbad com certeza é muito mais engraçado que esse filme e até tem sua dose de sensibilidade, mas é aqui que o diretor mostra que pode entregar um belo filme sem apelações. O fato de passá-lo nos anos 80, dá uma dose de nostalgia que me agradou bastante, e permitiu que ele usasse uma interessante trilha musical.
Adventureland. Ano: 2009. Duração: 107 minutos. Com: Kristen Stewart, Jesse Eisenberg, Bill Hader e Ryan Reynolds. Direção e roteiro: Greg Motolla; Música: Yo La Tengo; Fotografia: Terry Stacey; Edição: Anne McCabe.
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