segunda-feira, 30 de novembro de 2009

TÁ RINDO DO QUÊ?


NOTA: 6,5.
"Em breve George Simmons terá ido. E ele não vai sentir a menor falta de vocês. Sempre tivemos uma relação forçada. Vocês sempre quiseram muito de mim e eu estou irritado com vocês." George Simmons

Stand Up Comedy deve ser uma coisa muito difícil de fazer. A pessoa que está apresentando não conta de recurso nenhum. Não há cenários, sons ou mesmo outra pessoa para fazer par. O comediante só depende dele mesmo, e para fazer rir deve dominar o tema, timming e, principalmente, ter boas piadas. Já vi muitos números de muita gente famosa e poucos foram os que realmente me fizeram rir pra valer. Eddie Murphy foi o melhor que vi até então. Chris Rock sabe fazer rir como poucos atualmente. A maioria não faz rir e pode incluir Jim Carrey e muitos outros nesse meio.
Adam Sandler nunca me fez rir e não esperava que começasse agora só porque o título diz que ele é engraçado. Mas não esperava que ele me emocionasse. Já Seth Rogen sempre me fez rir e aqui me decepciona. Realmente comédia em pé é para poucos. O que sobra pelo menos, é uma atuação brilhante dos dois e em especial de Leslie Mann.
Simmons (Sandler) é um comediante que fez muito dinheiro fazendo filmes ridículos. A carreira dele lembra até um pouco a de Eddie Murphy, que ganha muito dinheiro com um filme pior que o outro. Numa ida ao médico, ele descobre que tem uma espécie de leucemia que não tem como ser tratada pelos métodos tradicionais. Ele sai do consultório sem esperança de um tratamento eficaz e pouco tempo de vida.
Disposto a voltar aos palcos ao invés dos filmes, ele conhece Ira (Rogen) e o contrata para escrever piadas para ele. Ira aceita de imediato, afinal sua vida é trabalhar num mercado e dormir no sofá de amigos, a grande questão é que ele não deve apenas escrever piadas, mas também trabalhar como secretário de Simmons. Os dois rodam cidades se apresentando, ao mesmo tempo Simmons tenta fazer as pazes com o passado. Claro que não será uma tarefa fácil, ele não tem amigos, abandonou a única mulher que amou e não tem sequer contato com seus familiares.
Ira e Simmons não podiam ser mais diferentes um do outro. Simmons teve uma vida desregrada e sem se importar com outras pessoas, Ira se importa com todos e não quer fazer parte dos erros que seu patrão pretende cometer.
O lance do filme, é que ele não é uma comédia. Isso que o salva. Apesar de ter várias apresentações de comédia, o filme é sobre Simmons (na que é provavelmente a melhor interpretação de Sandler). Apesar do tema, o filme segue lentamente e de forma bem delicada sobre a vida dele. Ele é rico, famoso e faz muita gente rir, mas ainda assim sua vida é triste. Eminem diz a Simmons que ele tem a chance de sair daquilo tudo. Daquela vida que não os permitem serem realmente felizes. De ter uma vida sem a perseguição dos fãs e tudo mais. E mesmo que depois ele ameace matar Ray Romano, há sabedoria em suas palavras. Pelo menos nessas circunstância ele conseguirá ser feliz?

Funny People. Ano: 2009. Duração: 146 minutos. Com: Adam Sandler, Leslie Mann, Seth Rogen, Eric Bana, Jonah Hill e Jason Schwartzman. Direção e roteiro: Judd Apatow; Música: Michael Andrews e Jason Schwartzman; Fotografia: Janusz Kaminski; Edição: Craig Alpert e Brent White.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

TRANSFORMERS: A VINGANÇA DOS DERROTADOS


NOTA: 1.
"Nós temos um monte de batalhas nos esperando." Major Lennox

Michael Bay, o diretor do filme, consegue se superar. A cada novo lançamento eu acho que é a pior coisa que se pode fazer, mas ele continua provando que estou errado. O primeiro filme já era um amontoado de cenas onde você não consegue saber o que está acontecendo costurado por um fiapo de história que não servia nem para um episódio de meia hora do desenho. Já esse segundo é uma dor de cabeça de duas horas e meia sem sentido e sem graça. De tão ruim, faz o primeiro parecer uma obra de arte.
Uma grande dificuldade que tive, foi encontrar uma frase que pudesse colocar no início da resenha, como já é de praxe. Não há um personagem, humano ou robô, que diga uma frase digna de nota. NADA. Não havia me deparado com nada parecido com isso antes. Em um determinado momento o personagem de John Turturro diz: "Oh, não. A máquina está escondida dentro da pirâmide. Se eles a ligarem vão destruir o sol. Não no meu turno.", e parte heroicamente para salvar nosso sol. Sabe-se lá porque eles queriam destruir o sol, mas fazer o quê?
Pior para os atores. Gosto de Turturro, mas nunca o vi num papel tão ruim. Ou pelo menos não consigo lembrar de nenhum que ao menos passe perto. Ele já fez alguns papéis com personagens estranhos, mas pelo menos tinha um roteiro para se apoiar. E ele já tem uma carreira estabelecida, o que me fez ter pena de Tyrese Gibson. Ele quase não abre a boca e quando abre fala coisas do tipo: "Nós derramos sangue, suor e metal precioso juntos." Triste.
Também não consigo entender o que os pais de Sam (LaBeouf) estão fazendo no filme. Eles vão para a faculdade levar o filho e a mãe dando uma volta no campus volta com um bolo de maconha. Mera desculpa para ela ficar chapada e render uma cena engraçada no filme, que nem chega a ser engraçada. Não imagino uma faculdade que isso aconteça com tanta facilidade, e mais ainda, que pais percebem isso e ainda deixam o filho lá para estudar (pagando U$ 40 mil por ano)?
Ao menos as cenas de ação deveriam ser boas, certo? Mas não são. Já não dá pra perceber muito bem os movimentos de um robô sozinho. Junte dois ou mais e vira uma confusão de metal para todo o lado. E ainda não consigo explicar porque máquinas tão avançadas que podem se transformar em praticamente qualquer coisa resolvem tudo com os punhos. Um soco é o melhor que eles conseguem imaginar?
Não é recomendado para ninguém. Na verdade, fiquei pensando em como poderiam usar o filme num episódio de House. Lembro que umas duas vezes ele tinha que provocar uma espécie de ataque epiléptico num paciente para provar sua teoria médica. Ele podia passar o filme para o paciente que teria rapidamente um ataque. E pra complicar, o paciente na verdade não seria epiléptico, provando que não sabiam a doença de verdade e que os filmes de Bay fazem mal ao cérebro de qualquer pessoa. Para não dizer que não há nada de bom no filme, há a Megan Fox, que mesmo sem saber atuar melhora qualquer cenário.

Transformers: Revenge Of The Fallen. Ano: 2009. Duração: 150 minutos. Com: Shia LaBeouf, Megan Fox, John Turturro e Tyrese Gibson. Direção: Michael Bay; Roteiro: Ehren Kruger, Roberto Orci e Alex Kurtzman; Música: Steve Jablonski; Fotografia: Ben Seresin; Edição: Roger Barton, Tom Muldoon, Joel Negron e paul Rubell.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

FÉRIAS FRUSTRADAS DE VERÃO


NOTA: 9.
"Qual o motivo de se importar em ser um artista ou escritor? Herman Melville escreveu Moby Dick e estava tão esquecido e pobre quando morreu que em seu obituário o chamaram de Henry. Eles vão acabar esquecendo nossos nomes de qualquer jeito." Joel

Não sei o que mais me impressionou nesse filme. Se é a capacidade do diretor Greg Motolla (do também ótimo Superbad) de contar uma história juvenil sem apelar para escatologia ou subestimar a inteligência do seu público. Se é a capacidade de contar esse tipo de história com ainda mais sensibilidade que em seu filme anterior. Se é Kristen Stewart mostrando que é uma boa atriz e que é mal aproveitada pelos filmes da Saga Crepúsculo. Ou pior ainda, porque um filme tão bom foi tão ignorado pela distribuidora aqui no Brasil.
O ano é 1987. James (Jesse Eisenberg) é um rapaz que está se formando no colégio e se preparando para ir para a faculdade. Seu planejamento é de viajar para a Europa com um amigo e na volta ir morar em NY. Seu pai, porém, perdeu o emprego e todo seu planejamento vai por água abaixo. Ele terá que trabalhar durante o verão e juntar dinheiro para poder ir para NY até conseguir um emprego por lá. Sem nenhuma experiência de trabalho, a única oportunidade que consegue é num parque que funciona apenas aos verões chamado Adventureland (que dá o nome original do filme).
É uma porcaria de trabalho. Para começar, tudo no parque parece de segunda mão. Os brinquedos estão em estado no mínimo duvidoso de conservação e todos os prêmios são uma porcaria também, com exceção do grande Panda de pelúcia, mas para levar o panda, o cliente tem que passar pelas trapaças do parque, como chapéu colado ou uma argola que não entra na garrafa. Então a maior desafio de James é manter o público interessado pelas porcarias do parque mesmo que nunca consigam ganhar um Panda. "Ninguém ganha um panda. Se alguém ganhar um panda no seu turno, não precisa nem aparecer no dia seguinte." lhe diz o dono do parque.
Apesar de todo os funcionários homens do parque terem grande desejo por Lisa P., é Em (Stewart) que desperta o interesse do herói. Ela parece mais madura que o resto das pessoas do parque, e juntos os dois conseguem ter os mais variados diálogos sobre diversos assuntos, coisa que não acontece com o resto. Nenhum dos dois é muito bonito, mas de certa forma eles formam um casal interessante e melhor ainda, ela também vai estudar em NY. Não precisa ser apenas um romance de verão, fato que parece interessar mais a ele que a ela.
Motolla também escreveu o roteiro do filme, talvez por isso tenha focado mais na beleza da história que na parte cômica. Superbad com certeza é muito mais engraçado que esse filme e até tem sua dose de sensibilidade, mas é aqui que o diretor mostra que pode entregar um belo filme sem apelações. O fato de passá-lo nos anos 80, dá uma dose de nostalgia que me agradou bastante, e permitiu que ele usasse uma interessante trilha musical.
Adventureland. Ano: 2009. Duração: 107 minutos. Com: Kristen Stewart, Jesse Eisenberg, Bill Hader e Ryan Reynolds. Direção e roteiro: Greg Motolla; Música: Yo La Tengo; Fotografia: Terry Stacey; Edição: Anne McCabe.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA: PRÍNCIPE CASPIAN


NOTA: 6.
"Tudo que você conhece está prestes a mudar." Dr. Cornelius

Grande parte do que li sobre esse filme era se ele era melhor ou pior que seu antecessor. É o tipo de discussão que costuma acontecer com continuações e alguns consideravam melhor e outros pior. Eu confesso que não pude compará-los muito bem por os achar completamente díspares. O primeiro filme primava muito pela magia e falhava muito nas cenas de ação, o segundo tem cenas de ação maiores e mais caprichadas mas falha na magia. O melhor depende se o espectador prefere ação ou magia.
Em relação ao primeiro filme, esse se passa centenas de anos depois em Nárnia e alguns anos no nosso mundo. Os Narnianos sobreviventes vivem escondidos depois de terem sido escorraçados pelos Telmarinos, que agora dominam o mundo. Se você não sabe a diferença entre um e outro não pergunte a mim, já que não é explicado no filme e tampouco li o livro para saber. Só posso dizer que visualmente os Telmarinos são parecidos com os humanos e os Narnianos são todo o resto.
Um Lorde, Miraz, cria um plano para assassinar o príncipe (o tal Caspian do título) e colocar seu herdeiro recém nascido no lugar. O príncipe consegue fugir e se refugia entre os Narnianos e convoca os reis da antiguidade (os irmãos Pavensie, que tem 1.300 anos de vida acumulada em seus corpos juvenis) para ajudá-lo a recuperar seu trono.
Tudo é maior nesse segundo capítulo, incluindo as batalhas e os efeitos especiais (apesar do leão Aslan continuar meio falso), mas as batalhas apesar de maiores são mais cansativas também. Os produtores devem ter ficados felizes com o envelhecimento dos atores, já que todos estão mais adoráveis. Fotogênicamente falando, já que nenhum deles é capaz de transmitir empatia para seus personagens.
A verdadeira falha do filme, reside na falta de magia, sem ela é difícil de acreditar que um dos melhores guerreiros é um camundongo e que um adolescente possa liderar um exército. Principalmente que os guerreiros o continuem seguindo mesmo depois de seus (inúmeros) erros. Para mim fica sempre a certeza do brilhantismo de O Senhor dos Anéis, que conseguia balancear todos os fatores da história, seja em efeitos especiais, drama, cenas de ação e todo o encanto que a história precisa. Uma pena que tudo que seja feito no mesmo gênero pareça uma obra mal acabada da adaptação da trilogia de Tolkien. Parabéns a Peter Jackson (idealizador da trilogia).

The Chronicles of Narnia: Prince Caspian. Ano: 2008. Duração: 150 minutos. Com: Ben Barnes, Georgie Henley, Skandar Keynes, William Moseley e Anna Popplewell. Direção: Adrew Adamson; Roteiro: Andrew Adamson, Christopher Markus e Stephen McFeely; Música: Harry Gregson-Williams; Fotografia: Karl Walter Lindenlaub; Edição: Josh Campbell e Sim Evan-Jones.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

UM HOMEM BOM


NOTA: 4.
"Eu nasci aqui. Sou tão alemão quanto você é. Eu lutei pela Alemanha na guerra. Não há nada que me prenda aqui?" Maurice

Não foi boa a estréia de Vicente Amorim (O Caminho das Nuvens) em um filme americano. E olha que tinha tudo pra dar certo. Uma história sobre o nazismo, uma dupla de atores de respeito (Viggo Mortensen e Jason Isaacs) e um texto baseado em uma peça de teatro de relativo sucesso, ainda que roteirizada pelo novato John Wrathal que só tem um outro roteiro em seu currículo.
Mas não decolou.
John Halder é um professor de literatura em uma universidade em 1933, época em que Hitler está chegando no poder. Seu melhor amigo é Maurice, um judeu que lutou ao lado dele pela Alemanha na guerra anterior. Ele é chamado para conversar sobre um romance que escreveu, livro que despertou a atenção do próprio Hitler. Acontece que Hitler gostou do trabalho de Halder e quer que este escreva para ele. A única mancha que acham no passado de Halder é sua relação com um Judeu e o fato de não estar afiliado ao partido nazista. Visto como uma forma de humildade, ele ganha o prestígio de trabalhar para o fürher e um título honorário na SS (espécie de guarda costas do partido nazista alemão).
Claro que com sua ascensão, ser ligado a um judeu é um perigo para Halder, que se vê aos poucos tendo que se afastar de seu amigo. Ele pergunta porque Maurice não sai do país se não há nada que o segure lá. "Eu nasci aqui." é a resposta que recebe. E quando Maurice percebe que realmente não há salvação, ele procura seu amigo para lhe ajudar. Para Halder, ajudá-lo é um perigo.
Viggo faz de seu personagem um homem meio ingênuo. Sua casa é uma bagunça, sua mulher uma relaxada, seus filhos super exigentes e ainda tem uma mãe com lapsos de memória. Apesar de ter um caso com outra mulher, com a qual acaba casando posteriormente, ele é uma boa pessoa. Ele realmente acha que nada de ruim pode acontecer com seu amigo. E quando se dá conta da realidade, pode ser tarde demais para ele conseguir sua redenção e tarde demais para a platéia se importar.
Se falta emoção para Halder em querer realmente ajudar seu amigo, falta emoção para todo o resto do filme, cujo cerne da história deveria ser esse. A apatia do personagem, apenas reflete a apatia que o filme tem. E falha ainda como relato histórico, a chamada Noite dos Cristais, que nunca vi retratada em um filme, pode facilmente passar despercebida para quem não conhece a história. Mesmo o assassinato de Von Rath (a desculpa que faltava para os alemães atacarem os judeus) não recebe a devida atenção.
Antes os nazistas eram maus e quase sempre só maus. Alguns filmes recentes mostram nazistas que eram bons (Operação Valquíria e O Leitor). Aqui, o nazista Halder não é nada, o que o faz não ser nem digno de nota. Uma pena.

Good. Ano: 2008. Duração: 96 minutos. Com: Viggo Moertensen, Jason Isaacs, Mark Strong e Jodie Whitaker. Direção: Vicente Amorim; Roteiro: John Wrathall; Música: Simon Lacey; Fotografia: Andrew Dunn; Edição: John Wilson.

CADILLAC RECORDS


NOTA: 7.
"Sr. Waters? Nós somos grandes fãs. Demos o nome da nossa banda por causa de uma de suas músicas. Rolling Stones." Keith Richards

Ao final do filme fiquei lembrando de uma das minhas músicas preferidas de Muddy Waters que infelizmente não está no filme: The Blues Had a Baby and They Named Rock and Roll (algo como O Blues Teve um Filho e Deram o Nome de Rock and Roll). E agora eu posso entender melhor a letra da música, porque aqui vi que o Rock deve tudo aos blues. E os dois devem tudo a Chess Records, que era situada em Chicago.
De certa forma, podemos dizer que os personagens principais são Leonard Chess (Adrien Brody) e Muddy Waters (Jeffrey Wright). O primeiro é um pé de chinelo que pretende subir na vida. Como não tem problema com a cor da pele das pessoas, ele monta um clube noturno no bairro negro, Illinois, onde um dia Muddy vai tocar. Impressionado com a música, ele resolve investir na carreira musical e torna Muddy seu primeiro contratado. Depois de um incêndio no mínimo suspeito em seu clube, ele pega o dinheiro do seguro e monta a Chess Records, a melhor gravadora do país. Uma aposta de Leonard que com contas atrasadas pode perder até mesmo a sua casa.
Não saberia dizer se Leonard tinha uma grande cabeça musical, mas com certeza tinha bom gosto para a música e um estilo agressivo para os negócios. Não acredito que cogitava perder a casa. Ele criava a demanda pelas músicas da gravadora dele e lucrava bastante dinheiro fornecendo os discos para suprir a demanda. Mesmo que esta fosse criada subornando djs de rádios. E quando o dinheiro começou a aparecer, Leonard dava pras suas principais estrelas um Cadillac novinho, por isso o nome do filme.
Muddy Waters não era a única estrela da gravadora. Para que entende de música, vários nomes vão pular na cabeça, como Little Walter, Howlin' Wolf, Chuck Berry, Etta Jones (ainda em atividade), Willie Dixon e até mesmo uns "magricelos ingleses" que deram o nome da banda em homenagem a uma das músicas de Muddy, Rolling Stones.
Esse excesso de personagens, na verdade, é uma coisa que não entendi do filme. Na verdade, a Chess Records foi fundada por dois irmãos. O diretor (e também roteirista) deixou de fora da história Phil Chess. Ao meu ver, a escolha seria para deixar o filme mais compacto e focar nos personagens mais importantes, mas ao invés disso ele se perde nas muitas histórias dos músicos que passam pela gravadora, perdendo o verdadeiro foco da história. Incluindo a personagem Etta (Beyoncé, ótima) e sua relação com Leonard, que nunca fica clara o suficiente. Principalmente se considerarmos que não é um filme de grande duração. Individualmente, a maioria dos personagens tem histórias que podem ser melhor contadas em filmes à parte. Mas se o filme não funciona totalmente como drama, compensa com sobras na parte musical. Um prato cheio para os amantes de música. E para os menos conhecedores uma verdadeira aula. De qualquer forma torna o filme uma boa pedida.

Cadillac Records. Ano: 2008. Duração: 109 minutos. Com: Adrien Brody, Jeffrey Wright, Beyoncé Knowles, Gabrielle Union, Cedric The Entertainer e Mos Def. Direção e roteiro: Darnell Martin; Música: Terence Blanchard; Fotografia: Anastas N. Michos; Edição: Peter C. Frank.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

CREPÚSCULO



NOTA: 3.
- E se eu não for o herói? E se eu for o vilão? 

Essa é a adaptação do primeiro livro da saga Crepúsculo. Fazendo uma pesquisa, descobri que esse livro vendeu sozinho mais de 17 milhões de cópias em todo o mundo. Pelo bem de todas essas 17 milhões de pessoas ou mais que o leram, espero de verdade que ele seja melhor que esse filme. E quando digo bem melhor, quero muita ênfase no "bem". Até mesmo porque assusta pensar que ainda terão mais 3 filmes (todos os 4 livros já foram lançados). Um estréia essa semana e outro já está em pré-produção.
Os pais de Bella são separados. Sua mãe está agora casada com um jogador de beisebol e percebe que para sua mãe ser mais feliz, ela tem que ir morar com o pai pra mãe poder acompanhar o marido nas viagens. O pai é o xerife de uma cidadezinha chama Forks, assim ela troca a ensolarada Arizona pela cidade mais chuvosa dos EUA. Na escola, entre as outras pessoas que conhece, ele encontra por Edward Cullen. Ela se interessa por ele instantaneamente, já ele, faz gato e sapato dela. Uma hora conversa com ela, depois é grosso, no dia seguinte nem sequer fala oi. E mesmo assim ela se apaixona por ele.
Não deve ser segredo para ninguém que Edward é um vampiro. Ele está no topo da cadeia alimentar. Segundo diz, tudo nele é feito para se tornar um predador melhor. Inclusive sua aparência. Mas como ele é o mocinho, não se alimenta de pessoas, somente de animais. Assim como a família dele que se intitulam de "vegetarianos". Já ela é normal. Diria que no máximo é bonitinha, o que me faz ter dificuldade de entender essa enorme atração que Edward sente por ela. O que pode ser já que nada nela é extraordinário?
Aparentemente, esse deveria ser uma variação do clássico de Shakespeare Romeu e Julieta. Saem Capuletos e Montéquios e entram vampiros e humanos normais, sai a rivalidade e dificuldades de se manter o relacionamento entre famílias rivais e entram problemas bobos e desinteressantes de adolescentes. Afinal, Crepúsculo tem a profundidade de um pires. Junta-se a isso o fato de ter efeitos especiais bem toscos e cenas de ação que beiram o amadorismo e o que sobra é um filme que vai agradar adolescentes. E adolescentes apenas. Principalmente aquelas apaixonadas por Robert Pattinson. Para o resto, pode soar várias vezes como uma comédia involuntária.

domingo, 15 de novembro de 2009

O SEQUESTRO DO METRÔ


NOTA: 6.
"A vida é simples agora. Eles só tem que fazer o que eu disser." Ryder

Tony Scott, o diretor do filme, não é conhecido por ser um bom diretor, é sim conhecido por ser capaz de fazer um entretenimento escapista. É isso que esse filme é. Claro que ele tem seus defeitos, mas convenhamos que qualquer filme de Tony Scott é muito melhor que um filme de Michael Bay (Transformers).
Aqui temos a refilmagem de um filme de 1974 e, como manda a lei, foi repaginado para os novos tempos. O resgate pulou de 1 milhão de dólares para 10 (ainda assim, nada absurdo para os dias de hoje e acho que consideraria um resgate justo considerando que o prazo é de apenas uma hora), a negociação não é feita com um policial e sim com um operador, entre outras modificações, mas estou me adiantando.
Vamos lá. Denzel Washington interpreta Walter Garber, um funcionário de alto escalão que por algum motivo foi rebaixado e agora está como operador de uma linha de metrô. Pro seu azar, é justo na área onde está operando que Ryder (John Travolta) decide sequestrar um vagão com os passageiros todos a bordo. Na chegada da polícia, Ryder prefere continuar se comunicando com Garber do que com a polícia. Há algo de identificação entre ele e Garber. Por isso antes ele que um "policial seboso" (Turturro).
No duelo entre os atores, eu fico com Travolta. Nada de errado com Denzel, sempre competente que faz seu papel muito bem. Garber parece ser um cara normal que só quer acertar sua vida. Já Travolta é a ira em pessoa. Ele grita e gesticula, está sempre nervoso e nem ao menos sabemos porquê (pelo menos por boa parte do filme). Além disso, estão otimamente amparados por seus coadjuvantes. Além de Turturro, temos um James Gandolfini (Os Sopranos, e também trabalhou com Scott em Amor à Queima Roupa, com roteiro de Tarantino).
O problema mesmo está no roteiro que não desenvolve seus personagens secundários (na verdade, nem desenvolve suficiente bem os principais). Nem os reféns quanto menos os cúmplices, de forma que não me fez me importar com nenhum deles. Se eles morrem ou vivem, passa a ser secundário para mim, o que cria uma falta de tensão quando escolhem priorizar apenas pelas cenas de ação.
Há também a direção frenética de Scott, que certas vezes faz seus filmes parecerem aqueles desenhos japoneses que causavam ataques epiléticos em quem assistia. Sem contar que está na hora de ele fazer um final mais marcante ao invés desses finais insossos que ele vem usando. Se estiver de muito bom humor, serve como diversão. Com bom humor.

The Taking of Pelham 123. Ano: 2009. Duração: 105 minutos. Com: Denzel Washington, John Travolta, James Gandolfini e John Turturro. Direção: Tony Scott; Roteiro: Brian Helgeland; Música: Harry Gregson-Willians; Fotografia: Tobias A. Schiliessler; Edição: Chris Lebenzon.

A ORFÃ


NOTA: 4.
"Acho que as pessoa deveriam sempre pegar as coisas que aconteceram de errado na vida dela e transformar em algo bom. Não acha?" Esther

Ao longo de seus 123 minutos (e realmente ele parece longo) fica a nítida impressão de que o filme poderia ser bem melhor. E dessa vez nem posso dizer que ficou no quase. O diretor se esforça bastante para qualquer pessoa que estiver assistindo sair da sala. É como se ele nos punisse por estar vendo. Só não consegue 100% de abandonamento por causa da ótima atuação de seus atores. E aqueles que conseguem ficar até o final são agraciados pela melhor (e infelizmente mal aproveitada) virada da trama em muitos anos.
Acompanhamos um casal que está pensando em adotar uma criança. Eles já têm dois filhos, mas como sofreram um aborto no terceiro, eles querem transferir esse amor para uma outra criança. Ao visitar o orfanato eles decidem adotar Esther. Ela parece adorável, inteligente e tem um grande talento para pintura.
Porém, como o postêr mesmo diz, há algo de errado com Esther. Ela não tem aquela inocência que as crianças costumam ter. Ela parece muito mais madura do que deveria ser pra sua idade. Mesmo para uma criança que ficou prematuramente madura. Ela sabe das coisas. Há uma dose de sabedoria nas coisas que ela fala. E quando ela senta no piano, mesmo tendo feito sua nova "mãe" pensar que não sabia tocar, ela não comete um único erro em uma música complicada de Tchaikovsky.
Por esses e outros motivos, desde sua chegada, ela e Kate (sua nova mãe) não se dão bem. Talvez porque seja fácil demais para Esther implicar com Kate, uma mulher que devido a algumas péssimas escolhas teve vários problemas em sua vida pessoal. A isso junta-se o comportamento condescendente de John, o marido, que justamente por causa dos problemas de sua esposa, prefere acreditar que não há algo errado com Esther.
O que deveria ser o grande gancho do filme é saber o que há com ela, por isso é estranha a decisão do diretor de explicitar (até mesmo no trailer) as maldades da menina. Não há um suspense em saber se ela realmente é uma criança perversa ou se é uma impressão equivocada da mãe com problemas psicológicos.
Outro erro do diretor (do horroroso A Casa de cera) é que ele faz questão de usar todos os clichês do gênero de forma tão banal que beira o patético. A cena do espelho que não assusta mais ninguém desde os anos 80? Está lá. Ele não traz nada de novo ao gênero. Na verdade ele estraga tudo que há de bom nele. Por isso que quando a virada finalmente chega, pode ser, terrivelmente, tarde demais. Talvez na mão de um diretor mais talentoso pudesse ser um bom filme. Aqui se torna apenas uma história que poderia ser melhor aproveitada.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

POSTAGEM DE UM ANO!

No dia 13 de Novembro de 2009, fiz as primeiras postagens com os filmes Apenas Uma Vez, Speed Racer e O Amor Não Tem Regras. Um ano depois e em mais de 100 postagens desde então, o blog foi crescendo e tomando a forma que tem agora. Mudanças tanto nos textos quanto nas próprias postagens.
Então para comemorar, vamos falar um pouco da evolução do cinema. Um pequeno resumo do início, claro.
É de conhecimento de muitos (praticamente todos que gostam de cinema) que o cinema foi "inventado" pelos irmãos Lumière, na França. Bem. Na verdade eles foram os primeiros a realizar uma exibição de cinema no mundo. O cinema iria existir mesmo sem eles. Relatos mostram que Edison já havia feito um aparelho semelhante, só não o lançou porque não conseguia sincronizar o som com a imagem. Assim como em outros lugares do mundo também já tinham desenvolvimentos semelhantes.
A primeira exibição se deu em 28 de dezembro de 1895 com a exibição de 10 filmes curtos. Entre os filmes estava A Chegada do Trem na Estação de Ciotat, que, consta uma "lenda", fez com que várias pessoas saissem correndo com medo de serem atropeladas.

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Se é verdade ou não não tem como ter certeza. De qualquer forma, o invento do cinematógrafo, como era chamado, despertou o interesse de muita gente. Incluindo Georges Méliès. Outra história conta que Méliès tentou comprar um cinematógrafo e os Lumière se recusaram. "É uma invenção sem futuro" eles teriam dito. Por mais que a frase tenha se tornado célebre, é difícil de acreditar nela. Os irmãos viajavam pela Europa divulgando o invento e como bons negociantes, era mais fácil pensarem no lucro do produto que negar sua venda. Prefiro acreditar que eles tinham algo em mente além disso.
De qualquer forma, os irmãos se limitavam a rodar mini documentários. Eram na verdade registros do cotidiano. A tendência se espalhou e o próprio Edison lançou alguns de seus filmes. Alguns feitos anteriormente a exibição de dezembro, incluindo o primeiro beijo do cinema.

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Méliès conseguiu sua câmera e foi além. O máximo de dramaturgia que existia no cinema, era a filmagem de peças de teatro. Claro que não funcionavam já que não havia diálogos. Porém, ele começou a desenvolver histórias que eram próprias para o cinema. Foi quem inventou o cinema de ficção. E ficção mesmo. Graças a uma falha da câmera, ele conseguiu fazer as primeiras trucagens do cinema, sobrepondo uma filmagem a outra. Além disso, seus efeitos especiais também contavam com cenários elaborados e animações. Seu filme mais célebre foi A Viagem Para a Lua.

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Apesar de haver evolução, essa ainda era tímida. Vendo o filme, se observa que não havia uma edição propriamente dita. A câmera ficava parada enquanto a cena se desenrolava. Um plano aberto que começa e termina a cena da mesma forma. Mas além dos efeitos, continha elementos interessantes. Os cientistas estavam mais para magos que outra coisa e a nave era uma bala a ser disparada em direção a lua. Os efeitos que faziam os alienígenas sumirem são impressionantes. E um dos primeiros erros de continuidade: a "nave" é disparada em direção a lua e logo depois a vemos já na lua, e somente depois vemos o pouso da mesma.
Infelizmente, ele morreu pobre e grande parte seus filmes se perderam. As películas da época continham prata, e quem as adquiria, queimava os filmes para obter o metal. Por sorte, uma parte continua intacta e disponível para quem quiser assistir. Boa parte se encontra no Youtube.
A próxima evolução aconteceu com Edwin S. Porter. Alguns anos depois de Méliès, ele evolui um pouco o cinema que o francês usava. Porter começa a usar a movimentação de câmera e o posicionamento dela. Ao invés da câmera frontal, ele começa a usar outros ângulos, dando mais dinâmica. Na fuga dos bandidos em O Grande Roubo do Trem por exemplo, a câmera se move para acompanhar a fuga. Inovações ainda discretas, mas que já começam a melhorar a forma de fazer filmes.

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Quem realmente deu a cara do cinema foi o também norte americano D. W. Griffith. Não foi ele que inventou grandes maneiras de se fazer filme, mas ele foi o primeiro que entendeu o que o cinema podia realmente se tornar. Entendendo isso, ele juntou todas as criações que haviam e as incorporou nos filmes de maneira única. Alguns dizem que ele criou algumas coisas mas é tudo muito controverso. O que é certo é que ele foi o primeiro a utilizar a montagem paralela (dois eventos simultaneamente em dois lugares distintos) de modo a criar suspense na cena. Graças a ele também foram incorporados o plano detalhe para destacar algum elemento, o ponto de vista de um personagem, regras de continuidade entre outras coisas. Seu maior feito, foi o O Nascimento de Uma Nação. Depois de assistir um filme de longa duração, ele resolveu realizar o seu próprio, considerado por muitos como o primeiro longa (considerando que foi o primeiro a ser feito com as regras cinematográficas conhecidas até hoje, ao contrário de seus antecessores). Chega a ser irônico pensar que Griffith pulou de uma duração de pouco mais de 10 minutos para um longa de 3 horas, mas tudo bem. Chaplin o definiu como "Pai de todos nós".

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Muitos vão dizer que Griffith era racista e que isso transparecia em seus filmes, mas não estou analisando caráter e sim sua importância cinematográfica. A acusação de racismo o perseguiu por toda a vida, tanto que mesmo realizando bons filmes, nunca mais conseguiu sucesso de público. Mesmo após sua morte ele ainda sofreu com isso. O prêmio do sindicato de diretores da américa substituiu o nome D. W. Griffith Award, dado pela excelência de um diretor para DGA Lifetime Achievement Award por causa disso. Uma curiosidade: uma parte de O Nascimento de uma Nação é usada no filme Forrest Gump. Quando Forrest conta sobre um antepassado seu, aparece uma cena da Ku Klux Kan, essa parte foi retirada do filme de Griffith e anexada digitalmente ao longa com Tom Hanks.

Espero que tenham apreciado o pequeno resumo dos primórdios do cinema. Quem sabe não posto mais numa próxima "Postagem Especial"?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

UM CONTO DE NATAL


NOTA: 9.
"Eu tenho os mesmos genes que ela, então devo ser mesmo filho dela. Quando era menor, preferia imaginar meu pai dormindo com outra mulher." Henri

Famílias disfuncionais geram ótimo filmes. Em geral, os filmes acabam dando a preferência a um personagem da família que possa parecer mais interessante. Ás vezes é alguma notícia bomba que vai estourar naquela família. Aqui é uma família se reunindo pro natal. Não acredite que acontece de repente. O natal do filme demora a chegar. Não há um desenrolar de situações que vão explicar o que estão passando através de diálogos ou flashbacks. O filme desenvolve tudo sem pressa alguma.
O fato principal é que a matriarca da família está morrendo de um câncer no fígado e considera a possibilidade de fazer um transplante de medula para aumentar sua expectativa de vida. A família se reúne para as festas, e é daquelas famílias grandes, com filhos, tios e netos. Não há uma linha narrativa a ser seguida. O que acompanhamos são momentos entre os integrantes a família. Algumas vezes engraçados, outras trágico, reveladores e outros sérios.
O filme não foca na dor ou no drama. Esse é seu grande acerto. A própria "vítima" não age de forma tão dramática. Na verdade ela reage de uma forma bem estranha. Ela nem ao menos sabe se deseja fazer o transplante ou não. Enuqanto isso, seu marido faz todas as contas de expectativas de vida com transplante e sem.
Engraçado pensar que por não ter uma linha narrativa definida, o filme em vários momentos parece estar indo pra lugar nenhum. É um daqueles filmes que você nunca sabe quando vai acabar, mas daquela forma chata que faz o filme parecer ter vários finais. Não que eu considere isso uma coisa ruim. Na verdade dá um toque especial ao filme.
Não há ninguém que se destaque nas atuações também, mas todos estão ótimos em seus papéis. Para quem não está acostumado com filmes franceses, tem que se preparar para longos diálogos. Em algumas vezes ele parece se alongar um pouco demais em certas cenas, mas nada que estrague o filme. Pra mim fica a experiência de ter visto de novo Deneuve em um grande filme.

Un Conte de Noel. Ano: 2008. Duração: 157 minutos. Com: Catherine Deneuve, Mathieu Almaric, Jean-Paul Roussillon e Anne Consigny. Direção: Arnaud Desplechin; Roteiro: Arnaud Desplechin e Emmanuel Bourdieu; Música: Grégoire Hetzel; Fotografia: Eric Gautier; Edição: Laurence Briaud.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

DISTANTE NÓS VAMOS



NOTA: 6.

“Todas essas coisas boas você tem dentro de você. O amor, a sabedoria, a paciência. A paciência ás 3h da manhã quando quando todos estão acordados porquê Ibrahim está doente e como não achou o banheiro acabou vomitando na cama Kakti. E quando você pisca, são 5h30 e você sabe que vai ficar cansado o dia inteiro. A semana inteira. Toda a vida.” Tom Garnett

Distante Nós vamos é um daqueles filmes bonitinhos de se ver. Filmes como esse geralmente apresentam personagens estranhos em situações um tanto quanto bizarras. Não que o casal pareça completamente normal, mas é que eles são cercados de tanta gente mais estranha que uma comparação chega a ser covardia.
Burt (John Krasinski, que fez O Amor Não Tem Regras e é um dos atores de The Office) e Verona (Maya Rudolph, mais conhecida por suas participações em Saturday Night Live) descobrem que vão ter um filho. Eles moram em um quarto meio apertado e sem aquecimento não por falta de dinheiro, mas pra poder ficar perto dos pais dele. Porém, os pais dele vão morar fora do país antes do nascimento do bebê. Sem motivos para continuar no casebre, eles fazem uma viagem para possíveis lugares onde podem ir morar.
Eles são personagens difíceis de serem vistos no cinema. Ambos trabalham por conta própria são realmente apaixonados e nunca sequer brigam. Então eles rumam para o Norte dos EUA, onde encontram uma ex-chefe quase alcoólatra que destrata os próprios filhos e o marido. Depois uma velha amiga de Burt que virou uma espécie de hippie que tem problemas com carrinhos de bebês. Então ex-amigos de faculdade que tentam disfarçar a tristeza fingindo serem felizes (eles nem sequer mostram o final de A Noviça Rebelde, pulando a parte dos nazistas) e terminando a jornada com o casamento arruinado do irmão de Burt.
Com opções como essas, como podem escolher o melhor lugar para morar? Talvez possa se dizer que eles se consideram superiores demais, mas são eles que vão montar a nova família. Quem melhor para decidir o que é melhor?
Krasinski e Rudolph interpretam otimamente seus papéis. Eles conseguem ser gentis não apenas um com o outro, mas com as pessoas ao seu redor. É o tipo de casal de amigos que qualquer pessoa poderia gostar de ter. Chega a ser incrível como a relação deles consegue sobreviver mesmo em meio o caos que os cercam.
É a direção de Sam Mendes (Foi Apenas um Sonho) que não está exata. O filme e o roteiro são fora do convencional. Já a direção dele não. Apesar de tentar, ele não consegue abandonar as formalidades que apresentou em seus filmes anteriores. É um filme bonitinho que pode se gostar de ver, mas se fosse mais informal poderia ser melhor.

Away We Go. Ano: 2009. Duração: 98 minutos. Com: John Krasinski, Maya Rudolph, Jeff Daniels e Maggie Gyllenhaal. Direção: Sam Mendes; Roteiro: Dave Eggers e Vendela Vida; Música: Alexi Murdoch; Fotografia: Ellen kuras; Edição: Sarah Flack.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O SOLISTA


NOTA: 7.
- Eu nunca amei nada do jeito que ele ama a música." 

O Solista é um daqueles filmes que tem cheiro de Oscar. Ótima atuações, uma história real e sobre um personagem com problemas mentais. A roteirista é a mesma de Erin Brockovich e o diretor o mesmo de Desejo e reparação e Orgulho e Preconceito. Exceto que em momento nenhum consegui saber exatamente o que o diretor (ou roteirista) queria me fazer sentir assistindo o filme. Então nem posso dizer que falhou nesse sentido, apenas que não me direcionou para algum lugar.
Acompanhamos o repórter Steve lopez, que escreve sobre qualquer coisa. Um talento eu diria. Até mesmo seu acidente de bicicleta vira uma coluna do jornal. Um dia, ele ouve um som de violino em uma praça. Um som que não pertence aquele ambiente. Quando chega mais perto, percebe se tratar de Nathaniel Ayers, um esquizofrênico que toca o instrumento com apenas duas cordas e diz já ter estudado em Julliard (uma das escolas de música mais conceituadas do mundo). Se um acidente gera uma coluna, o que dirá um provável prodígio musical que atualmente vive nas ruas?
Lopez escreve sua matéria mas o destino faz com que ele tenha mais responsabilidades que gostaria com Ayers. Ele passa então a ajudar Ayers a retomar sua carreira musical. Ele nunca viu ninguém gostar tanto de alguma coisa quanto a paixão que ele nutre pela música. É algo incrível, mas será que a mente dele suporta?
É quando o filme se perde. Em todos os grandes filmes com doentes mentais, vemos como a doença altera o ser humano. Principalmente, vemos pelos olhos do próprio doente. Como o retardo de Forrest Gump por exemplo, onde no final do filme já até entendemos seu raciocínio. Aqui, a doença de Ayers fica mal resolvida. Pra completar, há uns flashbacks para explicar a evolução da doença e como ele foi parar nas ruas que nem se fazem necessários. Acredito que a doença deva funcionar dessa forma mesmo, só não achei que fica bem dramaturgicamente falando.
O filme começa a ficar mais complicado quando entra na parte em que trata dos desabrigados. Há toda uma parte que trata de centros de reabilitações, o descaso da população e das autoridades e porque os próprios desabrigados evitam esses tipos de lugares. Acho o esforço louvável, mas meio fora de propósito de acordo com a temática do filme. Poderia ser muito bem vindo em outro filme que trate desse assunto. Parece ter boas intenções, mas como dizem, de boas intenções...
Vale uma espiada mais pelas atuações. Robert Downey Jr. dá o ponto exato de um repórter atarefado que tem problemas no casamento e de relacionamento com o filho e ainda tem que dividir seu tempo com um esquizofrênico. Foxx está perfeito até mesmo atrás de todas as fantasias que usa durante o filme. E assim como Mirren em Intrigas de Estado, Keener também está totalmente plausível como editora de jornal (também com problemas). Só não espere muito.

The Soloist. Ano: 2009. Duração: 117 minutos. Com: Jamie Foxx, Robert Downey Jr e Catherine Keener. Direção: Joe Wright; Roteiro: Susannah Grant; Música: Dario Marianelli; Fotografia: Seamus McGarvey; Edição: paul tothill.

domingo, 8 de novembro de 2009

(500) DIAS COM ELA


NOTA: 9.

"O que se passa a seguir é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Especialmente você, Jenny Beckman. Sua vadia." Nota do autor.

Tem uma coisa que sempre vejo acontecer quando alguém conta uma história, que é ver a pessoa voltar pra algum evento anterior do que está contando na hora. Algum detalhe que estava faltando e que se não for contado, vai acabar com a compreensão de tudo. Isso faz com que a história nem sempre seja contada na ordem correta dela.
Ao meu ver, a culpa é nossa. Não que tenhamos uma péssima memória ou porque a história esteja sendo esquecida. Acredito que seja por conta das coisas que lembramos. Nem sempre lembramos das coisas como elas são, e muitas vezes não na ordem cronologicamente certa, mas sim pelo que mais nos impactou. É mais ou menos assim com esse filme, onde logo no início, sabemos como vai terminar. Resta descobrirmos o "porquê".
Ele não começa com o casal se conhecendo e se apaixonando. Ele começa com o casal sentado num banco em uma praça. Para Tom esse talvez seja o evento mais importante que ele lembra. Só ao final do filme vamos saber o contexto dos dois. Até temos cartelas que indicam qual o dia que vamos ver a seguir, mas acredito que isso seja desnecessário. Um mero capricho para o espectador.
Tom (Joseph Gordon-Levitt) trabalha em uma firma de cartões. Sua carreira de arquiteto nunca decolou, e ele se satisfez com o emprego que paga suas contas. Um dia ele conhece Summer (Zooey Deschanel, e o motivo pro nome original do filme: (500) Days of Summer), a nova assistente de seu chefe. Ele se apaixona por ela instantaneamente. A contagem começa no momento em que ela a conhece.
Tom é totalmente previsível. Logo de cara fica claro que ela é mais do que ele pode ter. Já Summer é um total mistério. Até mesmo porque talvez o filme seja contado pelo ponto de vista dele. Só o que é facilmente visto de seu ponto de vista, é que ela é totalmente honesta com ele. Sempre. Tom é que insiste no relacionamento. E insiste em mais do que a moça oferece. Desde o início se percebe que é Tom que tenta lutar contra a realidade.
Tudo no filme funciona maravilhosamente bem: ele é leve e divertido de assistir, em várias partes é engraçado, o casal protagonista funciona bem e a trilha sonora é ótima (talvez por conta do diretor Marc Webb que estréia nesse filme em longa e vinha de uma carreira em videoclips). E ao mesmo tempo que é romântico, mantém um pé na realidade. Como o próprio Tom anuncia logo no início do filme, essa não é uma típica história de amor. Por isso que pode ser tão bom assistí-lo.

(500) Days of Summer. Ano: 2009. Duração: 95 minutos. Com: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel e Geoffrey Arend. Direção: Marc Webb; Roteiro: Scott Neustadter e Michale H. Weber; Música: Mychael Danna e Rob Simonsen; Fotografia: Eric Steelberg; Edição: Alan Edward Bell.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

INTRIGAS DE ESTADO


NOTA: 8.
- Você só quer a verdade. Você é tão hipocríta. Não está interessado em mim. Vem aqui e é tudo sobre você conseguir sua história. Eu confiei em você. Você é meu amigo. Você deveria ser meu amigo de qualquer jeito.

Intrigas de estado consegue condensar uma minissérie em pouco mais de duas horas de projeção mantendo uma história concisa, interessante e que critica o congresso americano. Isso aliado a um elenco classe A (incluindo Ben Afleck, que resolveu atuar de verdade) e o desempenho dos jornais diante das novas mídias. Acho que isso já é motivo o suficiente para assistí-lo.
Logo de cara temos um jovem correndo desesperado. Ele tromba nas pessoas, quebra coisas. Ele está correndo por sua vida. O final da corrida termina com sua morte. Esse é o caso que Cal (Crowe) começa a investigar. Ele é um repórter que parece conhecer todo mundo e que todos o conhecem. Ele rapidamente vê o que ninguém mais vê, talvez por isso o filme tenha apenas 2 horas. E isso vem de um homem que a primeira vista, apareceria apenas como um relaxado (tudo seu é bagunçado).
Aliada a ele está Della (McAdams), uma aprendiz de repórter que escreve para o blog do jornal. Se ela é a modernidade do jornal, cal a coloca junto com ele para aprender um pouco do jornalismo a moda antiga. Investigar ates de colocar qualquer coisa em seu blog. Ela deixa de ser uma blogueira para se tornar uma jornalista. E que sorte a dela que cai logo numa reportagem como essas.
O caso dela é sobre a morte de uma mulher que trabalha para um amigo de cal, um congressista chamado Stephen Collins (Afleck). Claro que os dois casos estão ligados e os dois começam a investigar juntos. A mulher morta está tendo um caso com Collins, mas o que há por trás do escândalo. Nesse caso envolve uma empresa militar que não responde a ninguém.
O filme tem um ótimo começo. O elenco dá conta do recado divinamente. Além dos citados, devo acrescentar as ótimas atuações de Bateman e Mirren, perfeitos em seus papéis. Mas de alguma forma, o filme que parece que vai decolar, nunca chega a deixar a pista de pouso. Tudo é resolvido sim, e bem resolvido, mas de forma não impactante. O final que deveria ser devastador para completar o ótimo começo, fica morno.
Fica pelo menos o personagem de Crowe. Um jornalista íntegro no meio do que o novo jornal está se tornando. Novo layout, corte de gastos entre outras coisas. Deve ser dificil para o jornal se manter com a internet como ameaça constante, mas pelo menos é bom saber que existem repórteres que buscam a verdade na podridrão. Eu leria a coluna dele.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

GOMORRA


NOTA: 9,5.

“Ou você está conosco ou está contra nós. E se estiver contra nós, não vamos poder deixar você ir. Porque não poderemos confiar em você.” Gigante

Um dos melhores filme sobre criminosos. Não tem o charme de um O Poderoso Chefão, mas talvez seja justamente por isso que é tão contundente. São criminosos italianos matando uns aos outros. Sem remorsos. Como diria Corleone: “São apenas negócios.”
O filme mostra todos os tentáculos da organização criminosa conhecida como Camorra. Situados em Nápoles, provavelmente são maiores que a máfia porém menos conhecidos. Quer dizer, pelo menos eu nunca havia ouvido uma palavra sobre essa organização. No final somos informados de que eles movimentam 250 bilhões de Euros por ano. No final do filme, cartelas dizem que a organização investiu dinheiro até na reconstrução do World Trade Center. Preciso dizer mais sobre o poderio deles?
O filme ganhou o Grande Prêmio de Cannes e concorreu ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. Por que não concorreu ao Oscar eu não sei dizer. Talvez pelo fato do filme não ter um personagem principal que desperte empatia do público. Não há heróis e vilões nesse filme. Não há um único mocinho.
Se for esse o caso, o que eles consideram uma falha eu declaro como uma virtude. E uma das grandes. Não chegamos nem a conhecer os verdadeiros chefões dessa organização. O filme trata dos peões dela. Meros peões. Que vivem e morrem por pouco enquanto os líderes estão sentados em algum lugar em cima de 250 bilhões anuais.
O filme é baseado em um livro escrito por Roberto Saviano. Segundo uma pesquisa no Wikipedia, ele se infiltrou na organização criminosa. Viveu seu cotidiano e teve ajuda de informantes. Foi além, deu nome aos bois e agora vive sob vigilância constante. Esse é o preço da coragem dele. Acompanhamos a organização do tráfico de drogas, enterro ilegal de resíduos tóxicos e até mesmo o envolvimento na indústria da moda.
Garrone roda o filme de maneira quase documental. Nada de truques de câmera ou um belo visual. Vemos as coisas tais quais elas são. É um filme sórdido. Não há luxo e ostentação aqui. Não é bonito de ver, mas com certeza não passa longe das situações pelas as quais passa muita gente no Brasil. E nesse caso, se formos comparar com o nosso Cidade de Deus, saímos perdendo.
Não vou me alongar mais que isso. A história é complexa demais e os personagens são muitos. Muitos mesmo. Lembro que em Cidade de Deus, muitos personagens se transformavam em um para evitar problemas de compreensão e evitar o grande número de personagens. Gomorra dá aula de como uma adaptação dessas deve ser feita. Muitos personagens sim, mas todos com importância crucial no desenrolar do filme. No final você pode não lembrar o nome de todos, mas com certeza vai lembrar da história. Este filme pode não funcionar como espetáculo cinematográfico com um visual bonito, mas com certeza dá uma aula de história sobre o crime na Itália.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

MAMMA MIA!




NOTA: 5.

“Típico. Você espera 20 anos por um pai e então aparecem três de uma vez só.” Rosie

É difícil não comparar este filme com Across The Universe, musical realizado com músicas dos The Beatles apenas. Aqui sai a banda inglesa e entra a Sueca Abba, com título também inspirado em um nome de uma música. Mas sai também uma boa história para entrar uma bobagem nem um pouco divertida.
Se pasando em uma ilha grega, acompanhamos Donna (Meryl Streep) que possui um hotel na ilha. Sua filha, Sophie (Seyfried), está prestes a se casar e pretende finalmente descobrir quem é seu pai. Vasculhando as coisas da mãe, ela acha um diário e chega a três possibilidades e usa o casamento como desculpa para saber quem é realmente seu pai. Ela acredita que saberá quando o vir. As possibilidades são Sam (Pierce Brosnan), Bill (Stellan Skarsgard) e Harry (Colin Firth).
Claro que Sophie fez tudo escondido da mãe, mas mesmo assim ela leva um bom tempo pra descobrir o que eles estão fazendo na ilha. Mesmo para um filme, a coincidência é absurda demais para ser levada a sério e o filme se arrasta demais nessa história. Ou a falta dela.
Os problemas são óbvios, e começa pelo fato que Abba não são The Beatles. Não há nem como comparar a qualidade das músicas e nem consigo imaginar como justificaram usar o grupo Sueco para realizar o filme. O único motivo é imaginar que o musical da Broadway tenha atraído milhões de pessoas. Com exceção de duas músicas (Mamma Mia e Dancing Queen), a parte musical do filme nunca engrena. Assim como as coreografias. E tudo piora ainda mais quando não há ninguém cantando ou dançando.
Todo o mérito do filme vai para o elenco afinadíssimo. Não lembro de já ter visto um filme ruim com um casting tão perfeito. A primeira vista, Streep parece uma escolha errada para o papel, mas ela joga tudo abaixo logo na primeira música e deixa claro que ela pode interpretar o papel que quiser. Fácil assim. E fica mais delicioso vê-la em papel desse porte, onde se vê claramente que ela está se divertindo bastante no filme ao contrário de seus papéis sérios.
O resto do elenco não deixa a bola cair, mas apesar do destaque para Brosnan, são Firth e Skarsgard que roubam a cena. Especialmente Skarsgard. Mude o elenco e o filme não serve nem para assistir quando nada mais estiver passando. Como o elenco está presente, é possível que você consiga chegar ao final do filme.

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