domingo, 14 de julho de 2013

O HOMEM DE AÇO - MAN OF STEEL


NOTA: 6,5.
- Você tem que decidir que tipo de homem quer ser quando crescer, Clark. Seja lá quem for esse homem, ele vai mudar o mundo.

A ideia era recriar o super-herói do zero, como se nada do que tivesse sido feito sobre ele antes interessasse (talvez pelo último filme, que na minha opinião foi incompreendido, não ter alcançado o sucesso esperado). O primeiro passo foi chamar  Christopher Nolan para produzir, diretor que fez muito sucesso com os bons filmes do Batman. Assim, o filme segue os mesmos moldes do homem-morcego, e finca o universo dentro do realismo. Funcionou com Batman, que é um homem "comum", com o homem de aço não funcionou da mesma forma. Pior ainda, para que nada remetesse aos filmes anteriores, excluíram a clássica trilha de John Williams que é uma das mais icônicas e memoráveis da história do cinema. Posso lhes dizer que talvez esse filme caia no esquecimento, mas a trilha clássica perdurará enquanto existir cinema.
Vamos então falar de um grande acerto do filme, que é a escolha do elenco. Começando pelo próprio Superman, que ganha as feições de Henry Cavill, que se mostra como a melhor escolha desde que Christopher Reeve vestiu a capa, sendo que fisicamente talvez ele seja ainda melhor. Seu pai biológico é bem interpretado por Russel Crowe e está bem acompanhado na Terra com Kevin Costner e Diana Lane como seus pais adotivos e Amy Adams como Lois Lane; e pra completar um Michael Shannon ainda mais psicopata do que estamos acostumados. A menção honrosa vai para Laurence Fishburne como Perry White, que está no filme porque seu personagem não podia ter ficado de fora.
O que acompanhamos neste filme é o nascimento do herói em um mundo com visual interessante mas que não impressiona, até alcançar seus 33 anos (em uma das muitas e desnecessárias referências entre o ele e Jesus Cristo), que culmina em uma batalha na Terra que devasta mais do que vimos anteriormente em Os vingadores (provavelmente para mostrar que podem fazer mais que a concorrente Marvel) e que quase significa o fim da existência humana.
Durante esse período, o filme joga para todos os lados possíveis sobre todos os aspectos da vida do herói. É uma tentativa de tentar agradar todo o tipo de plateia, o que funciona em certo nível. O grande problema mesmo é que apesar de agradar, o faz pouco, e nunca chega a realmente satisfazer. Como se ficasse no meio do caminho. Até que Superman conhece seu pai e Lois Lane quase ao mesmo tempo, e o filme corre para cenas intermináveis cenas de ação que ficam cansativas depois de tantas destruições e explosões. Apesar de entorpecer a plateia com adrenalina excessiva, essas cenas são o trunfo do filme.
E isso acontece em grande porque as cenas dramáticas não funcionam. Os elementos estão lá, mas seja lá quais foram as habilidades que os produtores enxergaram em Zach Snyder, a de construir personagens emocionais não é uma delas. Apesar de ter diminuído o que costuma fazer em seus filmes e tentar entregar algo diferente do que está acostumado (mesmo que seja copiando diferentes diretores), o diretor é ainda incapaz de construir um mito. Talvez por isso que ele esteja mais interessado em contar o fim dos dias que contar realmente uma história interessante de um homem perdido num mundo que não é seu.
O roteiro também não ajuda nem um pouco nessa missão. Assim como Batman, Superman também percorre o mundo, mas sua jornada é muito menos interessante e construtiva. Não é por acaso que o roteirista chamado foi o mesmo da trilogia de Nolan, David Goyer, mas o resultado é pouco inspirado e muito confuso. Temos o único nascimento natural em Krypton em centenas de anos. Mas por que isso acontece? Para que serve exatamente o Codex que Zod tanto busca? Por que Lois e Clark se beijam além do motivo óbvio de dar a plateia o romance que se espera que aconteça entre eles? O fato é que o roteiro se interessa quase que inteiramente em ter cenas de destruição, deixando para trás um personagem confuso e que cativa pouco além da marca que traz em seu peito.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

SUPERMAN O RETORNO - SUPERMAN RETURNS


NOTA: 7,5.
- Você vai viajar para longe, meu pequeno Kal-El, ma não vamos te abandonar nunca. Você vai fazer da minha força, a sua. Vai ver a minha vida pelos seus olhos, como eu vou ver a sua vida pelos meus. O filho se torna o pai. O pai se torna o filho.

O diretor Bryan Singer dirigiu os dois primeiros (e bons) filmes dos X-men, então resolveu sair para fazer um filme do Superman. Não é um reboot, mas sim uma continuação dos dois primeiros. Já que ele não se incomodou muito em considerar os dois últimos filmes, acho que ninguém há de me culpar por fazer o mesmo. Afinal, foram esses filmes (III e principalmente o IV) os responsáveis por ficarmos tanto tempo sem um filme com ele.
Mais ainda, Singer é inteligente o suficiente para resgatar tudo que tinha de bom de seus antecessores e dar uma visão moderna com os elementos do passado. Pra começar, temos a volta de Marlon Brando aconselhando o filho através de efeitos digitais. E assim, Superman volta para a Terra anos após ter partido depois que descobriu que algo de seu planeta natal poderia ainda existir mesmo depois de sua explosão.
A esperança é vaga e é o que dita a vida desse "homem". Ele estava a procura de seu mundo, que não existe mais. Agora ele volta tantos anos depois para tentar, novamente, se encaixar no nosso mundo. E isso é uma tarefa ainda mais difícil, depois de observar o quanto mudou depois de sua partida. Não apenas no mundo de forma geral, mas também entre seus conhecidos. Ele volta para um mundo onde sua amada, Lois Lane (aqui interpretada por Kate Bosworth) cria seu filho pequeno. Além disso, está numa relação com uma ótima pessoa Richard White (James Marsden) depois de ter vencido o mais importante prêmio do jornalismos com uma matéria onde diz porque o mundo não precisa do Superman.
O único grande problema que vejo neste filme, é a escolha de Brandon Routh para o papel principal. Está certo que Clark Kent deve ser uma pessoa sem carisma para disfarçar quem realmente é, mas seu Superman está muito aquém do que costumávamos ver com Christopher Reeve. Os dois são um pouco parecidos fisicamente, e talvez esse tenha sido o motivo, mas ainda assim falta muito para se tornar um personagem carismático, ainda mais pela falta de diálogos que ele possui.
Os outros problemas do filme são menores, e dentro do universo que havia sido construído anteriormente, não incomodam tanto. Claro que o plano de Lex Luthor (Kevin Spacey) se mostra cheio de falhas e improvável de ter sido concebido por uma mente brilhante, mas novamente ele está de volta e pensando sempre em terras. O filho de Lois é que parece muito perdido. Todos sabem quem é o pai do garoto e em determinado momento ele faz uma demonstração de força, mas depois disso tudo que faz é ficar olhando o que está acontecendo a sua volta.
Agora, basta falar o que ele tem de bom. É a busca da alma do herói. Superman não é um de nós, e é isso que Donner nos fez perceber no primeiro filme. Singer retoma esse pensamento com boas cenas de ação e aventura. Novamente, todos os elementos estão de volta. Mas dessa vez eles estão alinhados para construir a profundidade do herói. Talvez falte senso de humor, talvez falte uma história melhor. Mas com certeza não falta alma.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

SUPERMAN II


NOTA: 6.
- Venha e se ajoelhe perante Zod.

Assistir a continuação, lançada três anos depois do original, somente me faz enaltecer ainda mais o primeiro filme com Christopher Reeve. Eles não são tão diferentes assim: temos os mesmos personagens principais (sendo que Lex Luthor ganha a companhia de Zod), o romance entre o herói e Lois Lane e ainda a estranha relação que ela tem Clark Kent. E claro, praticamente os mesmos efeitos especiais que tanto fizeram sucesso.
O diretor Richard Donner rodou o primeiro filme e junto já rodava também cenas que já seriam usadas nesta continuação. Entre um e outro, ele foi demitido e substituído por Richard Lester, cujo trabalho mais significativo além desse foi A hards day night. É a diferença que existe entre eles que faz a mudança de qualidade entre os dois e que define a longevidade de cada filme. Eu ainda consigo apreciar o primeiro, já o segundo me parece muito datado. Todos os elementos estão lá, mas a emoção não é a mesma.
Depois de impedir um ataque terrorista na França, Superman joga uma bomba pro espaço onde é detonada. Ela cria uma onda de destruição que libera os três vilões que foram aprisionados no filme anterior. Zod (Terence Stamp), Ursa (Sarah Douglas) e Non (Jack O'Halloran) se encaminham para a Terra onde começam a descobrir que estão adquirindo os mesmo poderes que Superman. Mas ao contrário do herói, eles querem vir para dominar.
Ao mesmo tempo, Clark resolve se livrar dos seus poderes para finalmente poder ficar com Lois Lane. Realmente o timing não é dos melhores, porque rapidamente ele deve recuperar seus poderes para poder enfrentar os três vilões em um combate corpo a corpo. Se essa era a reclamação de fãs no filme anterior, aqui não há somente uma pessoa capaz de sair no braço com ele, mas sim três. A destruição não alcança um nível que não estejamos acostumados, mas eram bem impressionantes algumas décadas atrás.
Não parece ser um filme que dependa muito de seus atores, mas eles fazem o filme valer a pena. Reeve continuava apresentando uma performance sólida tanto como o super-herói quanto seu desastrado alter ego. Margot Kidder está ainda mais encantadora, Stamp se apresenta com um ar cruel assustador e Hackman rouba todas as cenas onde aparece. A única baixa é a presença de Marlon Brando, que deixa agora que ele seja guiado pela mãe biológica, Lara (Susannah York).
Segundo dizem, nenhuma das cenas filmadas por Donner foi reaproveitada. Lester filmou tudo novamente para este filme e o resultado é abaixo do esperado. Não há evolução. Pelo contrário, certas vezes parece que foi rodado a toque de caixa para ficar mais barato A luta, hoje, não não chega a ser interessante e termina de forma esdrúxula. Como disse antes, todos os elementos que tinha no primeiro filme estão lá, mas ele não chega a "decolar" nem emocionar. O diretor, ainda faria a terceira parte que começaria a afundar a franquia.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

SUPERMAN - O FILME


NOTA: 9,5.
- Seu nome é Kal-El. Você é o único sobrevivente do planeta Krypton. Ainda que tenha sido criado como um humano, você não é um deles. 

Eu sou uma pessoa saudosista, por isso é praticamente impossível pra mim assistir a este filme e não lembrar da época em que cresci acreditando que um homem podia voar. Claro que não se tratava de um homem, mas sim de um alienígena que atendia pelo primeiro nome de "super", mas ainda assim não canso de ver quando Lois Lane é resgatada e fica incrédula perguntando: "Você me pegou. Quem pega você?".
Os tempos mudaram, os efeitos especiais melhoraram, mas ainda considero o Superman de 1978 uma maravilha de ser assistida. Basicamente, tem todos os ingredientes que um filme de ação deve ter: aventura, romance, um bom herói, um vilão interessante e senso de humor. Pode ser que essa seja a simples fórmula para se fazer entretenimento de massa, e isso é o que ele é. Um bom e divertido filme que pode agradar qualquer um que embarque na aventura.
Um dos grandes acertos foi encontrar um tom ideal. O tom é de uma revista em quadrinhos que foi transposta para o cinema, mas ao mesmo com diversos elementos diferentes que dão uma dimensão diferente ao personagem e à história. Houve uma preocupação em deixar o que está sendo contado com sofisticação em relação aos quadrinhos. E funcionou tanto que eu, que nunca fui fã desse herói, me apaixonei pelo filme.
Outro acerto foi a escolha do ator que viveria o herói e seu alter ego. Christopher Reeve, até então um desconhecido da maioria, consegue fazer um Clark Kent atrapalhado e engraçado, sem fazer de si um idiota. Ele não é patético, mas também não teria como ser o homem de aço. Já como super, ele consegue se fazer passar por uma figura de autoridade. E se me perguntarem, fazia o uniforme cair bem. Ao seu lado, Margot Kidder conseguia fazer uma charmosa Lois Lane que não sabe escrever uma palavra sem colocar palavras a mais em suas reportagens.
Ao lado desses ilustres desconhecidos, temos coadjuvantes do mais alto calibre. Como o pai biológico, Jor-El, que é interpretado por Marlon Brando. Como vilão, temos um Lex Luthor interpretado por Gene Hackman, que nessa altura da carreira já tinha sido indicado três vezes ao Oscar, sendo que uma delas lhe valeu sua primeira estatueta. E ainda há uma introdução que deveria estar no segundo filme, já que são vilões que somente vão ter importância no futuro, onde temos Terence Stamp. Pode parecer um elenco exagerado, mas é essencial em um filme que prima pelo estilo visual (somente os créditos iniciais tem cerca de 6 minutos de um efeito que impressionou na época).
E que ninguém se engane, nada no filme aparece levianamente ou gratuitamente. As cenas de Krypton, o planeta natal do super, são feitas com calma para explicar os problemas que enfrentam e porque Jor-El acha melhor mandar seu filho para outro planeta. Os efeitos especiais funcionam de forma eficiente, ainda que não chamem atenção como os de hoje tentam. E a trilha sonora é mais uma brilhante contribuição de John Williams que vai ficar pra eternidade.
Claro que não é um filme perfeito. Talvez alguns vão reclamar que não tem ninguém com quem ele possa lutar. Não vejo isso como defeito, mas sim como qualidade. Nem tudo se resolve com socos, e os realizadores tiveram um louvável trabalho em fazer uma história em que ele tenha muito trabalho sem ter que trocar agressões físicas. A história tem seus furos, mas é tanta coisa boa pra gostar que tudo de errado fica em segundo plano. Não é por acaso que continua sendo considerada uma das melhores adaptações de todos os tempos de um personagem de quadrinhos.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O LUGAR ONDE TUDO TERMINA - THE PLACE BEYOND THE PINES


NOTA: 9.
- Se você pilota como um raio, vai se arrebentar como um trovão.

O filme começa e vamos acompanhando um homem cheio de tatuagens que vai andando no meio de uma multidão dentro de um circo. Ele entra em uma tenda, sobe na sua moto e começa a fazer seu número num daqueles globo da morte, onde três motociclistas ficam dando voltas em uma jaula em formato de uma esfera. A cena nos diz duas coisas sobre o personagem e filme. Sobre o personagem, já sabemos de cara que é uma pessoa que não tem medo da morte. Sobre o filme, mostra que o diretor faz uma abertura ambiciosa no estilo Orson Welles, e que talvez devamos esperar a mesma ambição.
Claro que não se trata de um filme que fale sobre o circo. O tema central que permeia as histórias é a violência. Fala sobre a responsabilidade de um pai levada de uma maneira errada ás últimas consequências, e fala também de arrependimento. Eu digo "de maneira errada", mas talvez não seja. Foi a solução encontrada por um homem que é obrigado a sobreviver entre um pagamento e outro. Nos dias de hoje, muitos podem se relacionar com ele.
O filme é dividido em três partes. Na primeira, o motociclista Luke (Ryan Gosling) vive de cidade em cidade se apresentando no circo. Em uma das cidades, ele descobre que fez um filho com Romina (Eva Mendes) na última vez que passou por lá. Ele resolve se tornar um bom pai apesar de ela já ter a vida acertada com outro homem, e se junta a Robin (Ben Mendelsohn) para roubar bancos e prover para seu filho. Não demora muito para ter que encarar a lei.
A lei vem num homem chamado Avery (Bradley Cooper), que depois de cruzar com Luke se torna o protagonista da terceira história. Ele é tratado como um herói e se envolve algumas transações sujas por causa de um policial sujo (Ray Liotta). Em especial pelos conselhos do pai, ele consegue sair da confusão e se torna num proeminente homem com um alto cargo político. Corta para 15 anos mais tarde.
Que é quando entra a terceira história, protagonizada pelo filho de Luke que numa coincidência estuda e faz amizade com o filho de Avery. A vida de Luke e Avery não é muito diferente uma da outra. Eles amam suas mulheres e filhos, que tem a mesma idade. O que divide o destino desses dois, é a educação. São fatores externos que dividem a sina de cada um deles. Provavelmente seus filhos estão na direção para seguir o mesmo caminho de seus pais, e suas famílias seguindo apenas um ciclo.
Não acho que tenha no momento, dois atores mais em ascensão que Gosling e Cooper, mas ao contrário do que se possa pensar, este não é um filme que vai decolar mais a carreira deles. Eles estão acompanhados de um elenco secundário fantástico (em especial uma Eva Mendes entregando a melhor performance de sua carreira) e apenas realizam seus papéis para ajudar a contar uma grande história. Realizar um grande filme.
O diretor  Derek Cianfrance, que também dirigiu Namorados para sempre, entrega mais um ótimo filme. Seus atores entregam sempre atuações seguras em excelente papéis. E aqui ele entrega um filme bem mais ambicioso, ainda que não alcance a refinamento, que seu filme anterior. Não se importe com a duração do filme (140 minutos), porque o que temos nas telas vale cada minuto.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

GUERRA MUNDIAL Z - WORLD WAR Z


NOTA: 8.
- Se você pode lutar, lute. Esteja preparado para tudo. A guerra está só começando.

De tempos em tempos os zumbis sempre voltam para nos atormentar. Seja na televisão, seja nos cinemas. Não faz muito tempo, Zumbilândia mostrou uma trama divertida e despretensiosa. Na TV, The Walking Dead mostra um mundo pós-apocalíptico onde vemos as interações entre os sobreviventes. Podemos até questionar a falta de originalidade em um blockbuster, mas se começarmos a fazer isso onde iremos parar exatamente? Os filmes de verão não são famosos por serem os mais originais. E se compararmos que outras atrações incluem continuações como Star Trek e super-heróis como O homem de aço, esse até que é o mais original.
É livremente adaptado de um livro. O filme não traz nada de novo, nem tenta fugir de ser um mero filme de escapismo, mas é tão bem arquitetado que surpreende e até mesmo emociona nos momentos necessários. Isso porque foi bem construído. As cenas iniciais mostram estranhas doenças se espalhando pelo mundo. Logo na abertura, Brad Pitt já se vê obrigado e proteger sua família contra um um ataque de zumbis que perseguem impiedosamente. Nessa abertura, já vemos as destruições de grandes cidades, deixando o intimismo mais presente no final. Essa estrutura funciona melhor que ao contrário do estamos acostumados a ver.
A presença de quatro diferentes roteiristas quase nunca é um bom sinal. Geralmente, indica as tais "diferenças criativas" e problemas de produção. É muito provável que este seja o problema aqui também, mas é tudo tão bem feito que se esses problemas existiram não consigo ver nas telas. Talvez o problema mais visível seja apenas numa cena do clímax onde uma propaganda é empurrada goela abaixo no pior merchandising que lembro de ter visto nos últimos anos. É tão constrangedor, que seja lá quanto a marca pagou, funcionou negativamente.
Ajuda muito ter um astro do calibre de Brad Pitt, que é respeitável e muito talentoso. Ele segura o filme do início ao fim com muita eficiência e nos deixa sempre torcendo por ele. Para um filme como este, é necessário que tenhamos empatia com o personagem principal logo de cara, ou ele pode ser apenas mais para morrer. Ao seu lado, temos o talentoso e eclético diretor Marc Foster (Quantum of solace, O caçador de pipas, Em busca da terra do nunca). Pode não ser um dos melhores diretores em atividade, mas é competente e sabe dar emoção as cenas quando necessário.
Se há algo que realmente chama a atenção neste filme, é a movimentação que os zumbis tem. De uma forma que não lembro de ter visto antes. Em Extermínio, já tínhamos alguns monstros que corriam insanamente atrás dos vivos, mas aqui isso atinge um novo patamar. Gerados por computador em muitos casos, eles são interessantes e assustadores ao mesmo tempo. E se movem de um jeito jamais visto. Só isso já pode ser o suficiente para assistir o filme. Porque ainda que a história desse filme não vá ser lembrada, os movimentos desses seres vão ficar na memória por um bom tempo.

terça-feira, 25 de junho de 2013

SEGREDOS DE SANGUE - STOKER


NOTA: 7.
- Ele costumava dizer que as vezes a gente deve fazer uma coisa ruim para impedir que façamos uma coisa ainda pior.

O diretor Chan-wook Park ficou mundialmente famoso depois de lançar sua "trilogia da vingança". Em especial depois do capítulo do meio, Oldboy (que deve ser lançado em versão americanizada pelas mãos de Spike Lee). O que ele foi capaz de fazer, foi um filme que tinha um visual muito interessante, melodrama e muita violência. Em especial, um tipo de violência que não se vê em filmes rodados na terra do Tio Sam.
Em seu primeiro filme, não esperava que ele conseguisse manter tanto das qualidades que o levaram e ficar famoso internacionalmente. Logo na primeira metade do filme, o que sentimos é uma espécie de medo que apenas antecipa o que está por vir. O mundo de Park, tem cores dessaturadas, peles pálidas, movimentos de câmera lentos e uma atmosfera assustadora. É este o mundo da personagem India (Mia Wasikowska.
India é uma adolescente introspectiva e solitária que perde seu pai quando está fazendo seus 18 anos em um bizarro acidente de carro. Ela mora em uma casa enorme junto de sua mãe, Eve (Nicole Kidman), que não a toca. Nada pessoal, é apenas que India não gosta de ser tocada por ninguém. O humor da jovem vai ficando ainda pior com a chegada de seu tio, Charlie (Metthew Goode), que ela sequer sabia que existia.
Difícil imaginar que ela fosse muito melhor antes da morte de seu pai, já que quase ninguém no colégio sequer fala com ela. Ela é um tanto instável com mudanças de humor. Pode ter piorado pela morte do pai ou não, mas com certeza é a presença de seu tio que a deixa ainda mais instável. Em especial por: 1. tentar manter uma relação com ela, coisa que não gosta (provavelmente seu pai era o único que interagia com ela); e 2. começar a ter uma relação com sua mãe, o que a deixa enojada. Ele parece ler a mente da jovem em alguns momentos, mas não estamos diante de um filme sobrenatural. A verdade é muito mais assustadora.
Aos poucos, o diretor vai soltando importantes informações sobre os personagens e sobre a própria história. As vezes são revelações impressionantes, outras um tanto quanto decepcionantes. A aurea de mistério que se formou ao redor de India começa a se dissipar, e o filme começa a focar agora no personagem de Charlie, que começa a ser dissecado em uma história bizarra que envolve mortes e loucura.
Ainda que o filme possa caminhar de forma que pareça boba, há muito mais por trás de tudo isso. E somente faz com que o final seja muito bom apesar de um pouco irregular em seu desenvolvimento. Ele (o diretor) pode não ser um mestre do suspense, como Hitchcock, mas com certeza consegue segurar a tensão dando eventuais choques na plateia de tempo em tempo, choques quase cronometrados. Eu poderia falar agora toda a verdade sobre Charlie, e ainda assim não seria capaz de estragar a surpresa dos eventos da forma como vão decorrer.
Claro que em termos de violência, o diretor não pode manter o nível do que fez em seus filmes anteriores, mas a crueldade de seus personagens continua a mesma. Toda a maldade que se pode ver no mundo, continua lá. E em especial, a construção de um personagem interessante está lá. E essa personagem é India, que continua mantendo uma média de excelentes interpretações que marcam seus personagens. Apoiada por uma Kidman competente como sempre, mas em especial por um Goode que mostra que é um ator fantástico quando quer. Um elenco de peso que mantém o interesse do filme do início ao fim.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

HERÓI - YING XIONG - HERO


NOTA: 9.
- Em cada guerra, há heróis dos dois lados.

Já se foi o tempo onde filmes de artes marciais significavam produções pobres e pancadarias sem sentido. Há vários exemplos do que o gênero pode nos promover muito além da ação, e esse é um deles. O que temos aqui é um filme lindo e exuberante. Ao mesmo tempo, recupera a beleza das artes marciais, mostrando o estilo de vida de todos os lutadores que aparecem. Eles são muito mais do que apenas pessoas que lutam, matam e morrem. 
O filme lembra um pouco Rashomon, de Akira Kurosawa, onde a mesma (e misteriosa) história é contada por diferentes pontos de vista, e cada ponto pode ser verdade ou não. É um jogo, e no final pouco importa qual versão é verdadeira, e sim o que se resulta dela. E essas histórias são contadas sobre o início do primeiro império chinês. Quando a vida do rei sofria inúmeras tentativas de assassinato e os guerreiros voavam pelo ar com suas espadas cortando o ar, água e seus inimigos de forma extravagante.
O rei é Qin, que recebe um guerreiro sem nome interpretado por Jet Li. O que Qin deseja é unificar todos os reinos da China em um único sob seu comando, o que poderia evitar mais guerras e derramamento de sangue. Existem alguns renomados guerreiros que atentam contra a sua vida, e ele recebe o guerreiro sem nome porque ele clama ter eliminado todos os três. Com isso, é concedido a ele largas recompensas e o direito de ficar frente a frente com o governante.
Logo de cara, o filme já impressiona com seu visual. O herói sem nome vai entrando pelo palácio por onde mora o rei passando por milhares e milhares de soldados no caminho, até poder ficar a cem passos do monarca. E conforme vai contando como eliminou cada um de seus inimigos, é permitido que ele se aproxime cada vez mais até chegar a dez passos dele. E a cada história que ele conta nós vamos vivenciando através de flashbacks.
Claro que o que o Herói conta é apenas uma das versões da história. O rei desafia a verdade do que está sendo contado, e aí surgem a segunda, a terceira e ainda a quarta versão de cada história. E nem é muito difícil de acompanhar, porque cada uma delas é contada com uma beleza de uma cor. Há uma versão com ricos tons de vermelho, de branco e de azul, com cada cor trabalhada com uma riqueza espetacular.
E aí reside um pequeno problema do filme. Cada cena é de beleza única, mas parece ser refém de uma direção de arte. As versões parecem pequenos curta-metragens separados, apesar de contar a mesma história. Cada um é sensacional, mas não "dialoga" com o curta seguinte. Claro que é um pecado menor, porque cinco curtas maravilhosos não podem formar um longa ruim, só impede que o filme tenha a "urgência" que a história pede.
É um filme que transcende um gênero. As artes marciais viram uma coreografia tão bela quanto um ballet. E muito antes de lançar esse filme, era isso que o diretor Yimou Zhang buscava em seus filmes, como fez em Lanternas vermelhas. Era criar um "poema audiovisual" tão extraordinariamente bonito que as imagens ecoassem tempos depois que o filme acabasse. E mesmo anos depois de seu lançamento, a beleza desse poema continua ecoando.

terça-feira, 18 de junho de 2013

PAZ, AMOR E MUITO MAIS - PEACE, LOVE & MISUNDERSTANDING


NOTA: 7.
- É difícil para as crianças aceitarem seus pais como humanos.

Nos último anos, tem sido cada vez mais raro ver filmes protagonizados por Jane Fonda. Se compararmos com os demais que tem feito, até que está melhorando de papéis nessa nova fase de sua vida. Dessa vez como uma hippie que vive em Woodstock, que cultiva sua própria maconha e que tem uma criação de galinhas que ficam perambulando pela casa inteira. Claro que em todo momento todos os estereótipos hippies vão sendo jogados em cima dela. Seu grupo faz feiras nas ruas, cantam, fazem ritos para a lua, fazem protestos nas ruas e se drogam. De alguma forma, o tempo não passou para eles.
Sua filha é Diane (Catherine Keener), cujo marido pede o divórcio de forma polida e direta logo no início do filme. Esse acontecimento, faz com que ela decida passar alguns dias com a mãe, Grace (Jane Fonda), que não a vê há vinte anos. O motivo, é pelo fato de Grace ter vendido maconha na festa de  casamento de Diane. Claro que tudo pode ser esquecido quando ela precisa, e sua mãe hippie está pronta a recebê-la junto com os netos que sequer conhecia.
Diane só pede que a mãe seja cautelosa com sua vida amorosa e com as drogas enquanto seus filhos estiverem sob o mesmo teto. Claro que Grace sabe a melhor forma de conquistar netos que não conhece, e isso quer dizer ser a avó descolada que os leva para protestos, que empresta o fusca caindo aos pedaços e fuma maconha com os netos os introduzindo as drogas. Ou seja, a avó que qualquer adolescente pode ter pedido, e que qualquer mãe não queria ter perto de seus filhos.
O filme tenta usar a velha e batida fórmula de tentar juntar os estilos de vida diferentes entre mãe e filha, e consegue alguma graça, mas o filme acerta mais por causa do elenco do que pelo roteiro. Este é extremamente formulaico e pouco inspirado. Entrega exatamente o que se espera de um roteiro pouco imaginativo e na hora que os professores parecem ter ensinado como deve ser feito. Isso inclui um novo amor para Diane (na pele de Jeffrey Dean Morgan), para a filha vegetariana (interpretada por Elizabeth Olsen) e para o filho esquisito que vive filmando tudo a todo momento.
Basicamente, o filme foca nas três gerações de mulheres com o mesmo gene, já que o filho parece estar mais para um fraco alívio cômico. E todas as três entregam boas atuações, pelo menos boas o suficiente para nos interessarmos por suas personagens e nos importarmos com elas. De resto, é uma confusão de aventuras (e desventuras) de uma hippie que nunca saiu de Woodstock (o festival). Há algumas conversas que buscam emoção mas que podiam ser melhor desenvolvidas, mas que fazem o filme funcionar de forma até divertida. Nada demais, mas serve como entretenimento.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

SE BEBER NÃO CASE PARTE III - THE HANGOVER PART III


NOTA: 2.
- Tudo acaba essa noite.

Quando o primeiro filme foi lançado, se transformou num sucesso instantâneo. O sucesso não foi por acaso, foi a melhor comédia daquele ano e de alguns outros anos, e transformou Bradley Cooper em um astro (indicado as Oscar esse ano). Com esse sucesso todo, era apenas questão de tempo que fizessem uma continuação. E o fizeram. O segundo filme foi lançado e apesar de não fazer feio nas bilheterias foi muito criticado, em especial por contar exatamente a mesma história do primeiro. Para fechar a trilogia (apesar de não haver motivo nenhum para ser uma trilogia), a terceira parte resolveu apostar numa proposta diferente. E realmente, é tão diferente dos dois primeiros que sequer chega a parecer uma comédia.
Lançado em 2009, o primeiro vinha com uma restrição de idade (somente para maiores de 18 anos) e contava com Mike Tyson, um tigre, uma prostituta, um bebê.... e um mafioso chinês chamado Chow para surpreender o mundo inteiro e faturar mais de quatro vezes seu orçamento somente nos EUA. Os anos se passaram e o grupo original volta para onde tudo começou. Para o nosso azar, toda a graça que fizeram no primeiro filme não voltou com eles.
O filme começa com uma rebelião em uma prisão, que nos revela que Chow (Ken Jeong) aproveita o momento para realizar sua fuga. Mas o que coloca o bando junto novamente, é uma intervenção para Alan, que na abertura causa um acidente com muitas mortes e que resulta na morte de uma girafa (numa cena de péssimo gosto). No meio do caminho, eles são abordados por um mafioso (John Goodman), de quem Chow roubou muito dinheiro, que sequestra Doug. Sua proposta é simples, devido a troca de cartas entre Alan e Chow, eles devem encontrá-lo e entregá-lo junto com o dinheiro roubado para terem Doug de volta. O que nos faz ter muito mais Chow que temos nos outros filmes. O veredicto é que ele é engraçado, mas aparentemente apenas em pequenas doses.
Galifianakis passou de total desconhecido para se transformar num astro da comédia. Eram deles os melhores momentos do primeiro filme. E aqui isso não mudou muito. Ele continua tendo as melhores piadas, a diferença é a escassez com que elas acontecem. Ainda há certa graça de ver um homem de 42 anos que continua agindo como o pior dos adolescentes que já se viu em um filme, mas a piada repetida perde força. Com um roteiro que não entregue piadas diferentes do que já vimos anteriormente, ela perde ainda mais força.
Já o resto do elenco principal não parece ter muita função. Stu (Ed Helms) continua gritando como uma mulher nas horas de tensão e somente isso. Phil (Cooper) aparece no filme só pra ser o colírio nos olhos femininos (com exceção de uma cena no telhado de um hotel em Vegas). A melhor metáfora para o filme, é Chow: extremamente irritante e que faz tudo por dinheiro. Se você assistiu o trailer deste filme, já viu o que ele tinha de melhor pra mostrar. O resto não vale a pena.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

ALÉM DA ESCURIDÃO, STAR TREK - STAR TREK INTO DARKNESS


NOTA: 9.
-  Você acha que seu mundo está a salvo? Isso é uma ilusão. Uma ideia reconfortante pra te proteger. Aprecie esses últimos momentos de paz.

Eu poderia dizer que em 2009, quando J. J. Abrams lançou a refilmagem de Star Trek, foi uma surpresa que ele tenha sido tão bem-sucedido em ressuscitar e renovar uma série que estava morta (os Trekkers podem querer minha cabeça, mas quando foi a última vez que viram um produto novo de qualidade antes do reboot?). Eu poderia dizer isso, mas seria injusto. Já que não é de hoje que Abrams prova que existe um motivo pelo qual seus blockbusters  sempre figuram entre os melhores do ano.
Assim chegamos ao segundo filme da série que, se não supera o primeiro em certos aspectos, com certeza impressiona mais pelos efeitos espetaculares e cenas de ação de tirar o fôlego (ainda que considere que em alguns momentos pareçam exagerados). Li muitas reclamações sobre a militarização das naves, que na série original tinha apenas o objetivo de explorar novos mundos e civilizações, mas como nunca fui fã mesmo da série original, isso é realmente um aspecto que não me incomoda nem um pouco.
No futuro, vemos que mesmo nossa civilização mais avançada ainda é vítima de terrorismo. Uma biblioteca é explodida e depois a própria federação é atacada pela mesma pessoa, um terrorista intergalático interpretado por Benedict Cumberbatch (mais conhecido pela série de TV onde interpreta Sherlock Holmes). Depois de ser demovido de seu posto pode ter desobedecido as diretivas de uma missão, Kirk (Chris Pine) é devolvido ao comando da nave somente para caçar o criminoso. Ao contrário das missões de exploração, a missão da Enterprise é agora de vingança.
O nome do filme, se refere ao que Kirk deve realmente realizar. A missão não é pra capturar o vilão, mas sim matá-lo, mesmo que muitas pessoas digam para o capitão da nave o quanto isso aprece errado e o quanto parece estranho. Kirk acaba sendo convencido por Spock (Zachary Quinto) a capturar ao invés de eliminar, o que se prova ser um erro. Em especial quando sua verdadeira identidade for revelada (que apesar de tanto mistério, vai ser facilmente descoberta pra quem assistia a série antiga e que não vai fazer muita diferença pra quem não).
O filme tem seus problemas. Pessoalmente, não gosto de diálogos filmados em longos closes, como os que me fizeram reparar em cada poro do rosto de Kirk na gigantesca tela do IMAX. Há também a inclusão forçada de Carol (Alice Eve), que parece somente ter seu personagem no filme para aparecer de roupa íntima e um e outro detalhe do filme que acaba sendo mal resolvido. Mas em geral, o filme tem tanta coisa boa que o resto acaba virando meros detalhes.
Abrams agora vai se dirigir a outro ponto do espaço, onde vai se voltar para a franquia de Star wars, mas deixou o caminho de Trek muito bem encaminhado para as continuações. Ele equilibra as cenas de ação com as emoções dos personagens e alívio cômico nas horas necessárias. Além de um vilão impressionante e uma dinâmica dentro da nave que mantém nosso interesse para o que está por vir. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

UM GOLPE PERFEITO - GAMBIT


NOTA: 2.
- Bem. Todo mundo sabe a resposta pra essa pergunta.

Se rapararem no poster do filme, vão observar que o roteiro foi escrito pelos irmãos Joel e Ethan Coen (vencedores de Oscar tanto em roteiro quanto em direção que tem no currículo: O grande Lebowski, Onde os fracos não tem vez, Fargo, entre outros). E tirando o elenco, não encontramos, por exemplo, sequer o nome do diretor do filme. O motivo é óbvio: tentar vender que aqui tem algo parecido com uma história que valha a pena acompanhar. Pra ser honesto com vocês, não há nada que possa remotamente atrair alguém para os cinemas.
O filme, supostamente, é uma refilmagem de um clássico de 1966 estrelado por Michael Caine e Shirley Maclaine, mas a história não segue o mesmo caminho. Colin Firth faz o papel de Harry Dean, o curador da coleção particular de um bilionário arrogante e grosseiro chamado Lionel Shahbandar (Alan Rickman). Cansado de ser maltratado, ele arma um plano que envolve um falsificador de quadros e uma cowgirl do Texas (Cameron Diaz) que consiste vender um quadro falso de Monet para enganar seu chefe ao mesmo tempo que enriquece.
Todas as armas para fazer rir estão soltas neste filme. São piadas sobre flatulência, calças perdidas e uma caracterização racista de asiáticos que não fazem rir. Pra piorar a situação, o nome não faz jus ao golpe do filme, que por falta de cérebro de quem o executa e também do roteiro (com todo respeito aos irmãos Coen, de quem sou fã. Mas em defesa deles: este roteiro parece ter sido escrito há mais de 15 anos e talvez nem eles mesmos tenham tido interesse em dirigir), não faz o filme sequer ficar interessante ou despertar qualquer tipo de curiosidade.
O plano começa a dar errado tão logo a americana chega em Londres, e Deane é obrigado a improvisar constantemente. E parece que é mais ou menos isso que aconteceu quando o filme foi feito. É só observarmos a cena em que Deane tenta dar um pequeno golpe no hotel e acaba ficando sem as calças. Em alguma momento, alguém deve ter achado que ia funcionar tão bem que ele fica sem elas por quase meia hora. A cena é realmente uma das melhores e rende algumas (poucas) risadas, mas é muito pouco para tanto tempo na tela. 
Pelo menos, temos um elenco tão talentoso que tenta salvar o filme de alguma forma, ainda que não o suficiente para fazer valer a pena. Talvez (com muita certeza) se tivesse sido dirigido pelos Coen, fosse um outro filme (mais interessante). Nas mãos de Michael Hoffman, que não tem nenhum filme espetacular no currículo, fica apenas um amontoado de clichês sem muita graça, ou sutileza e que parece extremamente datado. Roteiro capenga, péssimo figurino e direção pobre. Não se engane pelos nomes no cartaz. Há estreias melhores surgindo nessa semana.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

THE IRON LADY


NOTA: 5.
- Observe seus pensamentos, porque eles se transformam em palavras. Observe suas palavras, porque elas se transformam em atos. Observe seus atos, porque eles se transformam em hábitos. Observe seus hábitos, porque eles se transformam no seu caráter. Observe seu caráter, porque ele se transforma no seu destino. O que nós pensamos, nós nos transformamos.

Meryl Streep é a atriz mais talentosa que temos hoje no cinema. Talvez a mais talentosa que já tivemos no cinema. É um erro, porém, acreditar que é só colocar uma câmera na sua frente e começar a gravar para realizar um bom filme. Que é uma grande vantagem tê-la no filme, disso não há dúvidas, mas é preciso talento para fazer um bom filme e é preciso saber usá-la. A diretora Phyllida Lloyd consegue falhar em ambos os casos.
Isso não quer dizer que ela está mal no filme, isso deve ser uma coisa praticamente impossível de acontecer (alguém consegue dizer um filme onde ela esteja realmente mal?). Na verdade, sua personificação de Margaret Thatcher é impressionante e não dá pra imaginar outra atriz que pudesse fazer melhor ou sequer com a mesma qualidade. O problema realmente reside no fato que o filme em nenhum momento sabe o que quer mostrar sobre a vida da ex-primeira ministra. Ou mesmo o que dizer sobre ela.
O pior de tudo, é que se alguma biografia deveria emitir uma opinião sobre a pessoa demonstrada, deveria ser sobre a "Dama de Ferro" (apelido pelo qual ficou conhecida). Vamos ver. Estamos falando da primeira mulher a ser eleita para Primeira Ministra e exerceu uma política durante seus três mandados que dividiu o povo inglês. Fora isso, armou uma guerra para reaver as Ilhas Falkland que ninguém dava a mínima antes e muito menos liga pra ela agora.
Com uma forma quase radical de governar, acho que nenhuma pessoa em toda a Inglaterra seria capaz de ter uma opinião neutra em relação a ela. Mas acontece que estou errado, e existem pelo menos duas pessoas neutras: a diretora junto com a roteirista Abi Morgan. Tudo que o filme faz é mostrar a mulher já senil que fica relembrando grandes momentos da sua vida. Tudo é tão sem paixão, que sequer a própria personagem parece ter gostado da vida que levou.
Afinal, era ela um monstro? Uma heroína e talvez um belo exemplo para as mulheres? Se quiser saber a resposta, é melhor procurar nos livros de história. Isto pode estar parecendo repetitivo, mas realmente me incomoda não a ver como uma mulher, e sim como um fato que aconteceu na história. Se há uma defesa para Streep, é que nada de errado aqui parece ser culpa dela, mas sim dos realizadores (Lloyd já havia dirigido Streep em Mamma Mia!, que não é o ponto alto da carreira da atriz).

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O HOMEM DA MÁFIA - KILLING THE SOFTLY


NOTA: 5.
- América não é uma país, é um negócio.

Este filme é desses que começam devagar. Isso seria desculpável, mas o problema é que o que se segue é um desenvolvimento mais lento que conclui sem melhorar nada. A história é sobre um assalto a um lugar onde mafiosos jogam pôquer, e é preciso que cuidem de todos os envolvidos. Esse assunto vai ser melancolicamente resolvido por um assassino profissional entre as muitas e longas conversas filosóficas que ele vai ter com diversas pessoas.
O filme é escrito e dirigido por Andrew Dominik, que realizou antes o igualmente ambicioso O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford, também com Brad Pitt no papel principal. O resultado não é muito diferente, já que a dupla mira alto e resultado acaba sendo um tanto quanto decepcionante. Nesse caso, é ainda menos interessante que o faroeste, que pelo menos tinha uma fotografia impressionante e um personagem icônico.
O assassino aqui é Jackie, interpretado por um Brad Pitt tentando ser "cool", mas também frio e distante. O resultado é um pouco estranho, pois o personagem principal parece ser totalmente sem emoção. É como se ele estivesse destacado de tudo que acontecesse em sua volta, e permitisse somente seus coadjuvantes a terem emoções. Uma atuação mais ou menos equivalente ao que entregou no outro filme dirigido por Andrew Dominik.
Entre os outros mafiosos, há diversas caras facilmente reconhecíveis. O chefe é interpretado por Richard Jenkins. Outro matador de aluguel tem as feições de James Gandolfini. Como o chefe da banca de poker, está Ray Liotta, que parece sempre presente em filmes desse tipo. É difícil dizer que não é ótimo ver todo esse talento junto, mesmo que o resultado não seja exatamente um sucesso eles afastam o filme de um fracasso total.
Todo o filme, seja pelos carros que vemos ou pelas roupas que os personagens vestem, remete a um tempo mais antigo. E tudo isso parece deslocado quando se para pra pensar que na verdade tudo acontece em 2008, logo depois do furacão Katrina. É uma espécie de tentativa de dar uma relevância mais moderna a história. O ato parece um tanto desesperado e não melhora em nada a história, exceto na tirada final do filme que resulta na frase transcrita acima.
No final, o que temos é um festival de clichês pretensioso demais para o meu gosto. Parece que já vi uma centena de filmes ou mais contando exatamente o que se apresenta aqui. Talvez a única diferença, seja que este é um filme feito por homens, com homens e quase exclusivamente para homens. A única mulher que me recordo no filme inteiro é uma prostituta que aparece por pouco tempo e que mal recordo de seu rosto. E a única pergunta que me resta neste filme é como essa máfia  se sustenta financeiramente. Não há um único cidadão envolvido, e todos os golpes e negociações são feita entre os próprios mafiosos. Não consigo entender como esse método pode ser autossustentável. 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

PERIGO POR ENCOMENDA - PREMIUM RUSH


NOTA: 9.
- Eu gosto de correr. Sem marchas. Sem freios. Não posso parar. Nem quero parar.

O trânsito de Nova York é um dos piores que se vê em filmes. Então não é de se admirar que existam empresas que fazem entregas de documentos e objetos usando bicicletas. De nenhum jeito isso pode ser considerado seguro. Se com motos, que são maiores, já temos inúmeros acidentes, é só imaginar como deve ser para bicicletas. Especialmente para os que gostam de andar na maior velocidade possível sem sequer ter freios.
O destemido entregador que faz isso é Wilee (Joseph Gordon-Levitt), que faz entregas não porque precisa do dinheiro para viver. Ele faz as entregas porque precisa da adrenalina. É mais que um trabalho, é um estilo de vida no qual ficou viciado. O "Premium Rush" do título original, se refere a um prêmio extra dado aos entregadores para uma entrega especial. Pode ser por ter que ser entregue num período menor de tempo, pela distância ou mesmo pelo horário. A verdade é que não interessa exatamente porquê, já que tudo acontece rápido demais para termos que nos importar com isso.
Pra ser mais sincero ainda, até mesmo os personagens não fazem tanta diferença assim. Nenhum deles é muito bem desenhado. A única coisa que sabemos é que não dá pra imaginá-los trabalhando em um escritório ou coisa do gênero. São todos viciados em adrenalina. Só podem ser viciados esperando uma dose extra sem ter que gastar dinheiro. E Wilee é o pior de todos.
Não bastasse os perigos que uma entrega comum pode fazer, esta atrai ainda mais problemas ao rapaz. O que ele deve entregar, é uma espécie de bilhete chinês que equivale a um cheque. Não que o objetivo do pagamento seja realmente importante, mas vou deixar em segredo para alguma surpresa. O que nos interessa saber, é que fora dos perigos do trânsito, Wilee deve também tomar cuidado com um policial corrupto, Bobby Monday (Michael Shannon), que está atrás do bilhete para pagar dívidas de jogo. 
Talvez fosse mais fácil simplesmente entregar o bilhete, mas ele simplesmente se interessa demais pela corrida. Uma vez que começa, quer terminá-la de qualquer jeito. E ele faz isso subindo em carros, rampas, passando por dentro de lojas e com diversas outras manobras perigosas. É praticamente impossível persegui-lo com um carro, e os que tentam fazer de bicicleta simplesmente não aguentam o ritmo.
Não é o caso de esperar qualquer profundidade de personagens ou mesmo da história. Esta é simples e atende o que se espera dele. Geralmente, os filmes de perseguição seguem sempre o mesmo roteiro. Não aqui. David Koepp (diretor de A janela secreta e roteirista de filmes como Missão impossível) consegue entregar algo diferente com muita imaginação e energia. Muito mais do que esperava ver em um filme como esse.

terça-feira, 4 de junho de 2013

NA ESTRADA - ON THE ROAD


NOTA: 5.
- As únicas pessoas pra mim são as loucas. Loucas para viver, loucas para falar, loucas para serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo.

Este filme é baseado em um livro muito celebrado mundialmente. Reconheço que ainda não tive o prazer de ler o livro, mas vendo o filme me pergunto o quanto de história ele realmente tem para contar. O herói de Jack Kerouac, Sal Paradise (que é o próprio Kerouac), não parece ser mais que uma simples companhia para o carismático ladrão de carros Dean Moriarty, com quem se junta e parte para uma viagem de carro que cruza diferentes lugares dos EUA e do México.
Parece que o grande motivo da viagem é experimentar diversos tipos de drogas. E no caminho das drogas, seguem também muita bebida, mulheres e jazz. A desculpa de Dean (Garrett Hedlund) para a viagem, é procurar seu pai, mas o que realmente parece é que ele simplesmente curte muito todo o resto para parecer realmente preocupado em achar o pai. Dean é um sujeito com tanto carisma, que foi capaz de inspirar toda uma geração que leu o livro.
A escolha do diretor brasileiro Walter Salles parece acertada, já que não é a primeira que acompanha jovens em uma jornada atrás de auto-conhecimento. Não faz tanto tempo atrás, Hollywood pode acompanhar a jornada de Che Guevara pela América do Sul em Diários de Motocilceta. Agora, acompanhamos como Sal Paradise/Jack Kerouac (Sam Riley) foi moldado a ser o que é depois de viajar com Dean. Não é a toa que o filme encontra seu final quando Sal senta em sua máquina de escrever e digita "Eu conheci Dean..."
E Dean é um jovem que atrai a atenção de Sal. Como disse, apesar de dizer que está a procura do pai, tudo parece apenas uma desculpa. Seu verdadeiro interesse parece mais ficar dentro de um carro atrás de garotas e drogas. A própria mulher de Kerouac é interpretada no filme por Kirsten Dunst logo após que teve um filho com Dean. Nesta cena, ela lhe pergunta se ele sabe o quanto ela sacrificou por ele. Dean não sabe. Ou se sabe, não parece se importar com nada além dele mesmo. Apesar de atrair admiração de seus colegas, ele não é exatamente o que se pode chamar de amigo.
A viagem que eles realizam é até interessante, mas não o suficiente para prender a atenção da plateia por tanto tempo. Pelo menos não prendeu a minha atenção. A verdade, é que conseguem tanta excitação quanto uma dupla de amigos que não tem dinheiro nenhum consegue ter. O que não é realmente muita coisa. Assim como o filme acaba não oferecendo tanta diversão também. Apesar de talentoso, Salles não colocou no filme o suficiente para contar uma história como essa. Nem mesmo se aventura para mostrar os "loucos". E mesmo Dean não parece o louco que deveria ser e apenas realiza suas idas e vindas para dar andamento à história.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

LOOPER - ASSASSINOS DO FUTURO


NOTA: 8.
- Viagem no tempo ainda não foi inventando, mas em trinta anos vai ser. Instantaneamente será considerada ilegal e usada somente por organizações criminosas. Quando essas organizações precisam que alguém suma, eles mandam pro nosso tempo. 

Quando assistimos um filme sobre viagens no tempo, em geral você deixa todas as regras do mundo onde vive do lado de fora da sala de cinema. Aqui, há ainda um outro porém. O filme pede que além de acreditarmos nos saltos temporais, temos que acreditar também que Joseph Gordon-Levitt vai se transformar em Bruce Willis daqui há trinta anos. Acredite, essa é com certeza a parte mais difícil de acreditar no filme inteiro. No momento que você aceita isso, o resto do filme segue sem problemas.
Por isso é que você pode começar a ver o filme e demorar a reconhecer Grodon-Levitt. Pelo visto, os realizadores sentiram a necessidade de o transformar fisicamente para que de alguma forma a diferença não parecesse tão gritante. Naturalmente, nem mesmo ele poderia dizer que Willis poderia ser ele mesmo no futuro. O resultado fica um pouco estranho para o meu gosto. Antes, o diretor colocou os nada parecidos Adrien Brody e Mark Ruffalo como irmãos e nenhum dos dois usou maquiagem. O resultado foi melhor nesse caso pois não causa distração.
O filme se passa em 2044. Ainda não existe viagem do tempo nessa data, mas existe 30 anos depois disso. As viagens são (serão) usadas por organizações criminosas que mandam pessoas do futuro que precisam sumir. Assassinos como Joe (Levitt) esperam para que a pessoa apareça, mata e some com o corpo. Cada viajante volta com barras presas ao corpo, que servem de pagamento pelo trabalho executado. Até que Joe se vê diante dele mesmo mais velho, interpretado por Willis. Velho Joe coloca o novo Joe pra dormir e parte numa caçada. A menos que o novo Joe possa matá-lo, toda uma organização irá caçá-lo para que possam eliminar o problema. Tudo o que acontece com novo Joe, reflete no velho Joe.
Além de Joe(s), temos ainda um Jeff Daniels que comanda a caçada como líder da organização, e uma Emily Blunt que mora numa fazenda com o filho pequeno. Mãe e filho tem estranhos poderes e podem mover objetos, e a criança é um dos possíveis alvos do velho Joe em sua caçada. O filme é interessante apesar de tanta coisa que é jogada na tela. Apesar de em certos momentos ficar um pouco confuso e com excesso de personagens, Rian Johnson (roteirista e diretor) não deixa de lado o mais importante, que é contar a história. E faz isso com muito estilo.
O resultado poderia ser um pouco mais interessante se os personagens principais fossem mais interessantes (na tentativa de deixá-los intrigantes, eles acabaram ficando irritantes). É somente quando novo Joe se encontra com Sara (Blunt) na fazenda que o personagem ganha um pouco mais de profundidade, o que é interessante mas me faz sentir falta de momentos como esse em outros momentos do filme. Mas há muita energia e referências a antigos filmes, como o fato de Joe encontrar sua namorada num lugar de mesmo nome onde os protagonistas de Casablanca se encontraram. É um entretenimento com estilo e personalidade.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

FRANKENWEENIE


NOTA: 7.
- Vocês não entender ciências. Vocês tem medo dela. Para vocês, ciências é mágica ou bruxaria porque vocês tem mentes pequenas. 

Em 1984, Tim Burton lançou um curta-metragem chamado Frankenweenie, que tinha em seu elenco:   Shelley Duvall (de O iluminado) e Sofia Copolla. Décadas se passaram, o diretor é agora um dos mais prestigiados do mundo e ele volta para a mesma história de seu curta que faz homenagens a inúmeros filmes de terror clássicos como A noiva de Frankenstein entre outros. A diferença é que saem os atores de carne e osso e entram os personagens animados, além da duração obviamente.
Animação stop-motion (bonecos moldados sendo fotografados quadro a quadro) e em preto e branco, num lugar de personagens bizarros que ficam ainda mais estranhos na ausência de cores. É neste lugar sombrio onde encontramos Victor Frankenstein (Charlie Tahan) e seu cachorro Sparky. O cachorro não é dos mais brilhantes, mas está sempre interessado em agradar seu dono e eles se amam. É com muito pesar que Victor tem que enterrar o animal depois de um acidente em um cemitério que você só vai ver em filmes de terror.
O professor de ciências do colégio, Mr. Rzykruski (Martin Landau, num estilo que lembra um Vincent Price), dá uma aula aplicando choques em sapos, o que faz com que eles se mexam por um instante. Isso faz com que Victor, aficionado por ciência, crie um laboratório em seu sótão onde revive seu cachorro, que volta com a mesma personalidade que antes. Ainda que precise de novas cargas de tempo em tempo.
Tudo agora depende dele conseguir manter o cachorro em segredo. Ninguém aceitaria muito bem a ideia que o garoto ressuscitou um animal. Talvez pela idade, ele sequer tenha pensado nisso por um instante, mas com certeza não se trata de uma atitude provida de ética entre cientistas. Para sua defesa, ele sequer é em cientista ainda. Mas a questão continua complicada.
Infelizmente para ele, nos subúrbios nada fica em segredo por muito tempo. E principalmente algo dessa magnitude. Logo todos seus colegas de classe sabem e tentam recriar a experiência em seus próprios animais de estimação mortos. Os resultados desastrosos lembram muito o que víamos em filmes japoneses antigos.
Não é o melhor filme de Burton, mas mantém o estilo do diretor e lembra alguns de seus trabalhos mais antigos. Da época anterior de filmes mais populares e que precisam de maior apelo, como o mais recente Alice. Talvez se fosse feito dessa forma no passado, pudesse ser muito macabro para as plateias mais novas, mas os meninos de hoje em dia já estão acostumados a verem coisas piores. 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

PARANORMAN


NOTA: 7.
- Não há nada de errado em sentir medo, desde que você não deixe isso te mudar.

Em muitos aspectos, Norman é como qualquer outro menino. Ele vai pro colégio, é perturbado por valentões e até mesmo seus parentes que se preocupam com os gostos dele que podem ser um tanto quanto mórbidos. Mas o que o diferencia é exatamente isso, Norman consegue falar com os mortos.  Claro que os seus pais não acreditam que ele realmente fale com sua vó morta, eles pensam que é como se estivesse falando com um amigo imaginário, mas a verdade é que ele realmente tem esse "poder" (ou seria uma maldição?).
Em nenhum momento sequer descobrimos porque ela morreu, talvez tenha sido por causas naturais, mas o que realmente importa é que ela permaneceu para ficar de olho nele. Vendo o que somente ele vê, pode ser uma boa ideia ter alguém assim ao lado. Apesar de parecer como outras crianças, e outros heróis de filmes que são diferentes, isolados dos demais e geralmente vistos com preconceitos. Mas melhor ainda, aqui, ele pode ser realmente louco. Pelo menos um pouco.
Um dos problemas do desenho são os personagens em volta de Norman. Seus pais (Leslie Mann e Jeff Garlin) são os personagens mais insossos possíveis. Sua irmã (Anna Kendrick) é uma adolescente com os hormônios em ebulição e mais irritante que todos os otros personagens juntos. A decepção maior fica para seu amigo, que deveria ser o alívio cômico mas acaba sendo apenas chato. O pior de tudo, nenhum dos personagens citados são necessários para a trama, mas realmente deve ser difícil focar apenas em um personagem e os demais acabam se tornando essenciais.
Isso serve para deixar o próprio Norman ainda mais interessante. Em geral, o mais interessante nele é que não parece ter saído da família Disney. Os desenhos da casa do Mickey podem ser bons, mas é melhor ainda saber que há coisas diferentes do que estamos acostumados a ver. Personagens sozinhos e não compreendidos são comuns demais hoje em dia, mas há algo em Norman que foge desses clichês. Ele é realmente "esquisito".
Não ser um personagem da Disney, não quer dizer que o filme não tem atrativos visuais. O que vemos é muito bonito, mostrado de uma forma diferente. Com belas cores e visual muito interessante. A trama em geral não tem nada de espetacular, mas até que consegue prender a atenção mesmo que dê voltas desnecessárias que parecem servir mais para alongar o filme que qualquer outra coisa. Em especial o filme emperra quando tentam empurrar a "necessária moral da história", mas até que dá pra curtir bastante quando o filme se solta um pouco de toda a parte da "maldição".

segunda-feira, 6 de maio de 2013

HOMEM DE FERRO 3 - IRON MAN 3


NOTA: 7.
- As coisas estão diferentes agora. Eu preciso proteger a única coisa que não consigo viver sem. Essa coisa é você.

Se você está lendo esta resenha e começa a ficar preocupado com a possibilidade de ler alguma coisa que estrague alguma surpresa do filme, pode ficar tranquilo. Não consigo imaginar nada que eu possa escrever que vá causar qualquer surpresa. Isso pelo simples fato de termos quase a mesma história contada pela terceira vez, alterando apenas o nome do vilão e acrescentando um desnecessário 3D que serve apenas para cansar os olhos.
Para não dizer que estamos na frente do mesmo filme, devo dizer que há uma mudança de tom em relação aos anteriores, dirigidos por Jon Favreau. Quem assume a direção é Shane Black, cuja carreira irregular tem roteiros de Máquina Mortífera, uma bobagem chamada Deu a louca nos monstros e pelo menos dois filmes ruins: Despertar de um pesadelo  e  O último grande herói. Na direção, tinha apenas Beijos e tiros, e chegou assumindo a franquia que já estava encaminhada e tentando mostrar estilo e mostrar uma marca. Só é uma pena que dificilmente os produtores deixem isso acontecer. Há uma narração característica e um humor diferenciado, mas pouco para realmente fazer a diferença.
O que ele consegue fazer de diferente mesmo é colocar um flashback no início do filme, que depois segue a velha fórmula de explosões, seguidas de mais explosões e efeitos especiais de primeira linha. O caos reina e o nosso herói aparece para limpar a sujeira e deixar o mundo mais seguro para todos. Os filmes de super-heróis estão começando a seguir uma tendência, e Shane Black acaba não deixando nenhuma de fora. O vilão da vez é Mandarim (Ben Kingsley). Um terrorista no melhor estilo Bin Laden que consegue ficar no ar de todas as emissoras de TV ao mesmo tempo para anunciar mais um ataque ao país ou realizar execuções ao vivo. 
Há cenas de ação interessantes e muito bem filmadas, o que não é nenhuma surpresa. A Marvel, porém, uniu todos os heróis de Os Vingadores em um mesmo universo. Eles co-existem agora. E somos apresentados a uma história que envolve a possível destruição do país, na morte do presidente e outros males, e nenhum outro herói sequer aparece? A única aparição é mostrada nas cenas pós-créditos, mostrando que o universo Marvel tem sua própria realidade, onde as coisas acontecem sem explicação e personagens só aparecem (ou deixam de aparecer) quando é conveniente.
Além do novo rosto de Kingsley, temos ainda a presença de Rebecca Hall (com sua competência usual) e Guy Pearce. E aqui entra um fato interessante: normalmente, um filme sobre este herói, acaba sendo palco para a atuação de Robert Downey Jr., mas de alguma forma ele parece ter sido engolido pelo personagem. Em cena, ele é amplamente ofuscado pelas interessantes performances de Kingsley e Pearce. Ainda há o interesse pelo personagem, mas os coadjuvantes acabam roubando a cena. 
Outro problema do filme, na minha opinião, é algo que aconteceu com o terceiro filme da franquia do Batman. Está certo que o Homem de Ferro é Tony Stark, mas o nome do filme não é Tony Stark. Quando vamos pro cinema pra assistir Homem de Ferro, acho justo presumir que vou ver o homem com a armadura em ação, e o que o filme mais oferece é Tony Stark. E, infelizmente, ele nem é o personagem mais interessante do filme. Serve de entretenimento, mas poderia ter ido além.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

ARGO


NOTA: 10.
- Presta atenção. Se você for fazer isso, se for realmente fazer isso, você não pode criar histórias sobre um filme que não existe. Você precisa de um roteiro, você precisa de um produtor.

A história desse filme é tão inacreditável que se não tivesse acontecido de verdade poderia render um filme que não chamasse atenção de ninguém. Por isso é importante destacar que realmente o que se passa aqui aconteceu. Claro que não é mostrado exatamente como aconteceu, nenhum filme mostra exatamente isso. O que interessa é que é baseado em fatos. Então, estamos diante do relato mais perto do que se passou.
O filme é dirigido po Ben Affleck, que sempre teve uma trajetória um tanto irregular nos cinemas alternando bons filmes com outros no mínimo duvidosos. Fato que não acontece mais. Desde que se sentou atrás das câmeras, Affleck vem de três bons filmes em sequência. Sendo que na verdade não se trata de uma regularidade. Aqui, temos seu melhor trabalho até o momento. Os outros filmes são bons, é que apenas podemos ver aqui uma evolução em seu trabalho. É mais um ator fazendo uma feliz transição para trás das câmeras. Assim como Clint Eastwood, Robert Redford e Warren Beatty (pra citar alguns) antes dele.
A história é sobre o resgate mais improvável que já ouvi falar na história moderna. Há uma invasão na embaixada americana no Irã devido a um protesto político. Seis funcionários conseguem escapar e ficam refugiados na casa do embaixador do Canadá sem poderem sair de casa e muito menos do país, enquanto os demais funcionários ficam reféns na embaixada. Para o resgate, o melhor plano que a CIA consegue bolar é realizar uma produção falsa de um filme, para que assim eles pudessem sair como se fossem funcionários canadenses. Aí entra Tony Mendez (o próprio Affleck), armando tudo em Hollywood e indo até o Irã para realizar o resgate.
Affleck consegue realizar muito bem as três histórias paralelas. Uma é a tensão dos reféns que ficam presos dentro da casa sem saber se vão conseguir sair dali com vida. É a parte mais interessante, pois envolve as pessoas que realmente estão em perigo. Os funcionários dentro da embaixada estão sob os holofotes das câmeras do mundo inteiro e dificilmente seriam mortos, mas ninguém sabe o que pode acontecer com eles caso sejam capturados longe das câmeras. Temos também o debate das pessoas em Washington que tentam resolver a situação e o alívio cômico que vem dos produtores do falso filme em Hollywood.
Boa parte do que vemos aqui funciona porque realmente não parece ser real. Ninguém pode criticar os iranianos, afinal quem pensaria que a produção de um filme seria a cobertura de uma fuga de seis funcionários do país? A coisa toda é inacreditável demais para parecer verdade. E por isso acabamos embarcando nessa jornada e torcendo ansiosamente. Uma pena que ARGO, o falso filme, nunca tenha sido realizado. Hoje seria uma peça muito interessante de assistir.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

OBLIVION


NOTA: 7.
- Eu tenho te observado, Jack. Você é curioso. Eles mentiram pra você, e é tempo de aprender a verdade.

A distribuidora criou uma aura de mistério em cima desse vídeo. Diante disso, em seus primeiros minutos, o filme gera  uma atmosfera bem interessante com Tom Cruise como único sobrevivente de um planeta que está totalmente em ruínas. Até mesmo a Lua aparece totalmente partida no céu. Então, finalmente as revelações são apresentadas, e qualquer pessoa que já assistiu filmes de ficçao científica antes sabe exatamente o que vai acontecer sem surpresa nenhuma.
Se há alguma coisa de realmente interessante no filme, são as formas dos objetos e veículos que são usados. O diretor Joseph Kosinski já tinha mostrado esse talento em Tron: o legado, onde o mundo virtal era tão bonito e interessante que não sei porque as pessoas queriam sair de lá. Aqui não é muito diferente. Mesmo em ruínas, os personagens estão cercados de cenários modernos tão interessantes que o visual em si chega a ser mais interessante que a própria história.
O ano é 2077, 60 anos depois de uma guerra em que os humanos enfrentaram uma ameaça alienígena. Os humanos venceram a guerra mas o custo foi muito alto. Agora, o planeta é praticamente inabitável devido a radiação. Jack Harper (Tom Cruise) é parte da equipe de limpeza, que na verdade significa que ele ficou para trás para reparar robôs que estão na Terra para acabar com os alienígenas que restaram. Alienígenas que ele nunca encontra. É como se fosse Wall-e, mas muito mais cercado de efeitos especiais e cenas de ação.
Sua parceira é Vika, que sempre diz para sua superior (Melissa Leo através de uma tela) que os dois formam "uma equipe efetiva". Faltam duas semanas para que eles terminem o tempo de serviços e voltem a viver com os demais humanos. Mas Jack se mete em uma missão não autorizada para salvar uma mulher que apenas viu em seus sonhos, Julia (Olga Kurylenko). Agora é questão de saber onde ele conhece essa mulher e outros mistérios. Era realmente um sonho? Lembranças?
Tom Cruise se mostra acertado para a escolha de um filme como esse. Se apresentando na sua qualidade padrão, onde entrega o que a cena pede e nada mais, o que geralmente significa uma emoção por vez. A partir disso, o que temos é o ator correndo e atirando e destruindo tudo que precisa ser destruído. O mesmo Cruise que estamos acostumados a ver em outros filmes. Seu personagem parece mais interessante mesmo quando ele está sentado na grama com uma camisa xadrez e um boné de baseball. Mas provavelmente o que mais vende são as cenas de ação, então cenas de outro tipo são raras.
Cada vez mais fica difícil de descobrir o que é real e o que é CGI, e aqui não é diferente. A fotografia é muito interessante e os efeitos especiais são feitos com a competência que está se tornando padrão de filmes de grande orçamento. No geral, o efeito faz o filme parecer um sonho. Tudo é fascinante, e o diretor usa essas ferramentas com maestria. Infelizmente, depois de uma hora de filme tudo começa a parecer repetitivo e cada vez menos interessante.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

LES MISÉRABLES (1998)


NOTA: 6.
- Jean Valjean não pertence mais ao mal. Com essa prata, eu comprei sua alma. Resgatei você do medo e ódio. E agora eu te devolvo para Deus.

Qualquer adaptação literal do livro de Victor Hugo não poderia, ou pelo menos não deveria, ser ruim. Seguindo desse princípio, aqui temos todos os elementos que compõe essa trama que emociona qualquer pessoa. Os momentos mais dramáticos estão presentes. Fica claro a motivação de todos os personagens e porque a trama segue seu curso. É um filme fácil de se acompanhar, mas não chega a ser uma unanimidade. Falta paixão.
Aqui, Jean Valjean é interpretado po Liam Nesson, que chega à porta do bispo dizendo que é um ex-condenado e que nos seus papéis consta que ele é um ladrão. O bispo diz que sabe quem ele é, ou seja, o recado era um mero resumo para as plateias. A cena segue com Valjean roubando a prataria e sendo preso por isso. O bispo ao invés de entregá-lo, diz aos policiais que foi um presente. Em algumas versões essa cena tem imenso peso dramático, aqui ela parece existir apenas porque está no roteiro.
Ele reconstrói sua vida com a prata. Compra uma fábrica que se torna próspera, aprende a ler por conta própria e se transforma no prefeito da cidade. Até que Javert (Geoffrey Rush), um policial que o reconhece da época em que cumpria pena o reconhece e quer expor o homem. Não sei se era realmente assim que acontecia naquela época, mas o que temos aqui é que uma vez que uma pessoa faz alguma errada, ela vai pagar por isso pelo resto da vida. Não há chances de redenção perante a lei não importa qual for o crime. É por isso que Valjean teve que trocar seu nome. Porque seu nome está amaldiçoado pra sempre.
Ao mesmo tempo ele descobre Fantine (Uma Thurman), uma jovem que trabalhava em sua fábrica e foi mandada embora. Numa época com poucos empregos, ela se vê obrigada a se degradar cada vez mais até cair na prostituição para poder mandar dinheiro pra sua filha doente. Quando Valjean a descobre, ela já está muito doente e quase morrendo. Ele cuida dela e promete que irá cuidar da sua filha. O que significa fugir novamente de Javert com a pequena Cosette.
Mais anos se passam e Cosette (Claire Danes) é agora uma moça, e eles moram em Paris. Ela quer liberdade e ele precisa continuar se escondendo para não ser apanhado. Num de seus passeios, ela acaba se apaixonando pelo jovem idealista Marius (Han Matheson), que está sendo perseguido pela polícia por seus discursos contra a monarquia. Esse evento coloca novamente Javert no caminho de Valjean.
Javert não é também um típico vilão. No geral, ele é apenas uma pessoa que quer fazer tudo dentro das regras. Exageradamente. Em determinado momento, ele diz que "sempre tentou viver sua vida sem quebrar uma única regra". E essa é a principal força do personagem. Aqui, porém, ele é visto um pouco como mau, o que enfraquece o personagem. Mas a interpretação de Rush compensa qualquer falha que o personagem apresenta.
No final, Les misérables é um filme que entrega o que o livro conta sem arriscar nada. O que não é muito bom, já que o livro tem muitos (e muitos mesmo) mais detalhes. O período parece bem retratado com cenários e figurinos de acordo, mas de alguma forma nunca parece fisgar totalmente a atenção. Quando um filme de época é bem feito, nos transporta para um outro mundo. Aqui parece que estamos tendo uma aula de história sobre uma época muito interessante mas contada por um professor chato.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

INTOLERÂNCIA - INTOLERANCE: LOVES STRUGGLE THROUGHOUT THE AGES


NOTA: 100.

Depois do lançamento de O nascimento de uma nação, o diretor D. W. Griffith provavelmente se deparou com dois desafios. O primeiro seria apagar a fama de racista recém adquirida tão logo o filme foi lançado. O segundo, é como ele poderia fazer um filme que fosse ainda mais grandioso. A resposta para ambos os desafios é este filme, que mostra a intolerância que as pessoas podem ter umas com as outras (assim como tiveram com ele), contadas em quatro histórias diferente e em tempos diferentes, o que faz o filme ter cenários espetaculares. É uma obra de arte que nenhum espectador tinha visto anteriormente.
Para a produção, especula-se que Griffith gastou mais de dois milhões de dólares com construções de cenários gigantescos (conta-se que um deles permaneceu montado por muitos anos durante a época de ouro de Hollywood, como uma espécie de monumento) e muitos (e muitos) figurantes que participam do filme. A produção foi tão suntuosa pra época, que Griffith mandou decorar todos os cinemas que exibiam o filme. O resultado é que o diretor se viu sem dinheiro pra sequer desmontar o cenário depois que o filme foi lançado. E mesmo depois, a produção não conseguiu se pagar.
Querendo mostrar os perigos que a intolerância pode causar, ele usa como base de seu filme a história de um casal pobre que tem um filho. Numa série de circunstâncias infelizes, o marido vai preso por conta de um crime que não cometeu. Quando é novamente condenado, mesmo sendo inocente de novo, sua sentença é a morte. Que culmina numa cena entrecortada com a mulher tentando salvar seu marido enquanto ele caminhava para a forca. Suspense que somente ele conseguia realizar.
Para "ligar" as cenas, temos Lilian Gish como uma mulher que somente balança um berço o tempo inteiro. E embora esta história do casal seja a mais interessante do filme, a história era modesta demais para servir aos propósitos do diretor. Depois de lançar um épico, ele provavelmente achou que não podia lançar nada que fosse menor. Então, para complementar, temos ainda uma parte bíblica com Jesus Cristo, uma parte persa, uma babilônica e uma francesa da idade média.
O filme não conta as histórias em ordem cronológica, mas sim vai indo e vindo entre uma e outra de forma bem interessante. O problema é que mesmo hoje, esse tipo de filme não é completamente compreendido pelas plateias. O exemplo mais recente que posso citar é A viagem, que conta muitas histórias paralelas em tempos e mundos diferentes. E hoje, as pessoas já estão acostumadas a assistirem filmes assim (graças a Eisenstein, MTV e outros). Imaginem o impacto que Griffith causou ao fazer isso quase cem anos atrás? O filme não foi entendido por muitas pessoas. Isso pode explicar parte de seu fracasso, mas também pode ser porque quis contar uma história que pregava paz a e tolerância num mundo que estava prestes a entrar na sua Primeira Guerra Mundial.
Seja como for, hoje o filme é um épico que marcou a história do cinema. É um reflexo de um diretor que mostrava uma genialidade fora de série, não importando a história que contasse. E mais interessante ainda, é uma obra que mostra o quanto eles estava a frente de seu tempo. Ainda que tenha suas falhas, mostra que Griffith estava, pelo menos, décadas a frente de qualquer outro diretor. Não por acaso, o que temos aqui é uma obra de arte que é o maior espetáculo da era muda.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

JACK O MATADOR DE GIGANTES - JACK THE GIANT KILLER


NOTA: 7.
- Medo de altura?
- Medo de cair.
- Bem. Então não caia.

Uma tendência dos filmes nos últimos tempos é pegar antigos contos de fada e colocar sob uma perspectiva feminista. Ou pelo menos uma perspectiva que não seja tão sexista. Em A Branca de Neve e o Caçador, uma solução encontrada foi colocar uma espada na mão da heroína. Os resultados não costumam ser ruins. O mais estranho então, é que este filme não siga os mesmos passos. Tem todos os ingredientes que uma produção milionária pode ter, exceto um bom roteiro ou mesmo a "atualizada" que se espera.
Pra ser justo, que fique claro que nunca considerei essa história em si interessante. Por isso apesar do esforço, o que temos é prazer moderado pra um orçamento tão inchado. Liderando o projeto, Bryan Singer, excelente diretor de filmes que vão desde Os suspeitos e Operação Valquíria, até divertidos blockbusters como os dois primeiros filmes dos X-men. De alguma forma, ele considerou que esse projeto valia o seu tempo, mas o que temos aqui destoa um pouco do resto de sua filmografia.
A história é sobre um grupo de monges que conseguem cultivar feijões mágicos que cresceriam o bastante para para se aproximarem de Deus. O problema é que entre a Terra e o Reino Divino, tem um lugar habitado por gigantes. É uma espécie de ilha, só que ao invés de água, estão cercados de nuvens. Os gigantes descem para a Terra na tentativa de dominar tudo, mas são impedidos quando o Rei usa uma coroa mágica que domina os gigantes.
Muito tempo depois, a história é contada de pais para filhos como se fosse um conto de fadas. Em partciular, acompanhamos dois personagens que adoram ouvir a história, e ambos ávidos por aventuras. Claro que um é Jack (Nicholas Hoult), a outra é  a Princesa Isabelle (Eleanor Tomlinson), cujo pai, o Rei (Ian McShane) a promete em casamento para Roderick (Stanley Tucci). Também é claro que seus caminhos vão se encontrar, e numa série de eventos, a Princesa acaba indo parar na terra dos gigantes, enquanto Jack se voluntaria para tentar resgatá-la junto com um grupo liderado por Elmont (Ewan McGregor).
Os gigantes, liderados por um general de duas cabeças (Bill Nighy), são as melhores coisas do filme. Singer consegue tirar alguma diversão da diferença de tamanho entre as espécies. Como eu disse anteriormente, o filme foge das tendências atuais de ter uma personagem feminina forte. Tenta, ao dar espaço para Isabelle, mas ela acaba se tornando uma figura mais figurativa que realmente necessária. Apesar de seu esforço, Singer e seu bem escalado elenco (com destaque para McGregor com um jeito de Errol Flynn) não conseguem fazer o filme realmente decolar. Em especial, esperava que Singer conseguisse fazer mais usando o 3D do que ele mostra aqui. 
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