sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O HOBBIT: UMA JORNADA INESPERADA - THE HOBBIT: AN UNEXPECTED JOURNEY


NOTA: 6.
- Estou procurando alguém para participar de uma aventura.

Depois da trilogia de O senhor dos anéis fazer um sucesso estrondoso, quase três bilhões nas bilheterias e ainda levar 14 Oscars, o diretor Peter Jackson resolveu contar a história que se passa antes de tudo que vimos. É a história de como Bilbo Bolseiro conseguiu o anel que deixou para Frodo. Não chega a ser decepcionante como A ameaça fantasma, mas com certeza está muito aquém do que se deveria esperar. Ou simplesmente pode ser o caso de ser porque essa história realmente devesse ter sido contada antes.
Digo isso, porque provavelmente se tivesse sido contada antes, um único livro não teria sido transformado em uma trilogia de filmes. Se na trilogia original Jackson realizou uma série de cortes para termos uma média de três horas por filme, o que temos aqui é uma história bem mais simples que foi esticada até não poder mais para poder justificar a razão de termos três filmes com menos de três horas, ao invés de um só, ou quem sabe com boa vontade até mesmo dois.
Claro que ter menos de três horas não quer dizer que temos uma história que flua mais rápido. Na verdade estamos longe disso. Levamos muito tempo acompanhando até que Bilbo (Martin Freeman) concorde em ir na viagem com os anões, e com o final do filme parece que sua viagem, que no livro é bem mais curta que a de Frodo, vai levar muito mais tempo para ser contada. Tudo isso com a escolha da filmagem em 48 quadros por segundo (tradicionalmente se usa 24) que, na minha opinião, não funcionou muito bem.
Claro que o talento de Jackson em montar quadros de extrema beleza não se perdeu. Cada cena do filme é, assim como na trilogia original, uma pintura com efeitos que muitas vezes passam despercebidos. Ele continua criando beleza e eficiência como poucos fazem, mas os personagens nas telas, especialmente os anões, conseguem ter ainda menos profundidade do que os personagens que tínhamos antes, e são ainda menos carismáticos apesar de serem interpretados com grande talento. A situação piora um pouco quando temos a aparição de personagens conhecidos e melhores como Gandalf (Ian McKellen), Elrond (Hugo Weaving) ou Galadriel (Cate Blanchett).
Outro grande problema do filme é seu tom. O senhor dos anéis é um livro escrito durante a Segunda Guerra Mundial e conta uma história muito sombria. O confronto definitivo entre o bem e o mal. O hobbit é um livro escrito em 1937 tendo em mente que era uma história para os filhos do escritor. Ou seja: o filme poderia ser uma divertida aventura, mas ao invés disso o que temos é uma grandiosa e perigosa aventura com muitas batalhas e decapitações que não vão decepcionar a jovem plateia sedenta de sangue.
Ao invés de se preocupar em contar a história que temos no livro, o diretor teve que se preocupar também em não entregar três filmes com menos de uma hora de duração. O que se vê na tela são diversas cenas que não estão no livro e que não funcionam nada além de transformar o filme em mais um possível parque temático como Piratas do Caribe. Depois de mais de duas horas de duração, cheguei a duvidar se Bilbo encontraria o anel, mas pelo menos temos o direito de ver a cena em que ganha o objeto feito da maneira correta. É a melhor parte do filme, e é uma pena que o resto das cenas não acompanhe nem de perto essa magia. Não deixa de parecer em nenhum momento que um filme poderia ter sido suficiente.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A NEGOCIAÇÃO - ARBITRAGE


NOTA: 9.
- Você não é minha sócia, você trabalha para mim. Todos trabalham para mim.

Diversas vezes eu escrevi sobre a importância de um personagem em um filme. Sobre o quanto ter um bom personagem pode salvar um filme assim como ter um personagem ruim pode matar completamente uma produção. Isso é porque tendemos a nos identificar com quem estamos acompanhando na tela, mesmo que quem acompanhamos seja um canalha sem coração. E é nessa categoria que cai Robert Miller, interpretado com maestria por Richard Gere.
Robert é um milionário empresário que está envolvido em uma fraude multi-milionária. Além disso, ele trai a mulher com uma amante bem mais nova que ele, com quem decide sair pra viajar. Na viagem ele bate com o carro e causa a morte da mulher, e para não se envolver em um escândalo foge do local deixando o corpo dela sozinha dentro do carro. Nós vemos isso tudo acontecendo, e mesmo assim fica a tensão de acompanhá-lo fazendo isso e ainda escapar impune de tudo.
Ele é um homem muito acostumado a ouvir "sim" na vida dele, pois vive em um mundo acessível apenas para poucos (quase todos com jatos particulares) e assina cheques com sete dígitos para suas instituições de caridade favoritas. Essa parte é muito bem retratada desde o começo do filme, onde o vemos em uma entrevista sorrindo e falando de forma convincente. Ele sai da entrevista e pega um jato, e depois o vemos em casa comemorando seu aniversário ao lado da Mulher, Ellen (Susan Sarandon) e a filha, Brooke (Brit Marling). Esse é o mundo onde ele vive e ele parece muito acostumado com isso tudo.
É a filha dele que nos revela o homem que está atrás de todo aquele sorriso e charme. Primeiro ela pergunta pro pai porque ele está disposto a vender a empresa, depois ela descobre a fraude com uma cifra de 400 milhões de dólares sem sequer desconfiar que seu próprio pai é quem está por trás de toda a trama. Ela chega a despedir um funcionário o tomando por culpado e acredito que ela nunca desconfiaria que Robert fosse capaz de fazer algo parecido com isso, enquanto ele provavelmente a entregaria se isso significasse se manter fora da cadeia.
Em relação ao crime, temos ainda dois envolvidos. Um é Grant, o filho de um ex-motorista de Robert pra quem ele fez alguns favores. Como Grant viu o estado de Robert, ainda que não tenha participado do crime, vira cúmplice. O outro é o policial cínico Bryer (Tim Roth), que até mesmo é capaz de criar evidências para conseguir enquadrar o homem rico que ele odeia sem motivo. Começa a batalha pra vermos se o homem rico consegue se safar até mesmo de uma acusação de assassinato. E se Robert parece ser capaz de entregar a filha, que chance terá Grant?
Um dos grandes motivos pra ver o filme, é a presença de Richard Gere no papel principal. Parte de sua beleza pode ter sumido com o tempo, mas seus talentos agora se encontram no auge. Apesar de sabermos tudo de errado que está sendo feito, Gere nos faz acreditar que é obra de um ser humano normal (ou tão dentro dessa definição quanto ele pode ser), e não algum tipo de sociopata. Atuação que já levou uma indicação ao Globo de Ouro e não será nenhuma surpresa se valer uma indicação ao Oscar.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA - THE AMAZING SPIDER-MAN


NOTA: 7,5.
- Todos temos segredos. Aqueles que guardamos, e aqueles que são guardados de nós.

O mundo hoje se move numa velocidade assustadora, e aparentemente isso se reflete nos cinemas. Só assim consigo imaginar porque já temos um reboot do personagem aracnídeo mais famoso da Marvel. Afinal, fazem apenas cinco anos desde a última vez que o vimos nos cinemas interpretado por Tobey Maguire, e dez desde que o primeiro chegou aos cinemas. Está certo que a terceira parte estava muito aquém do que deveríamos esperar, mas ainda assim faz pouco tempo.
Então, em teoria, o que temos é uma refilmagem do longa de 2002 dirigido por Sam Raimi, exceto que não é exatamente uma refilmagem. Explicando: como a imensa maioria assistiu o primeiro filme, pra justificar um novo começo de franquia foi necessário contar uma origem totalmente diferente da contada anteriormente. A verdade é que não precisávamos ter essa história contada novamente, mas pelo menos em alguns detalhes ela é feita de forma a justificar melhor a transformação dele em um super-herói.
Peter Parker agora passa a ser interpretado por Andrew Garfield. Um dos problemas que foram ressaltados por produtores, é que Maguire estava muito velho para o papel. Então temos agora o jovem Garfield que tem 28 anos e realmente parece velho demais para estar na escola, mas isso é um problema que acontece com quase todos os filmes que mostram escolas, então não deve ser nada demais. Pelo menos, ele tem um jeito mais nerd que Maguire. Já Dunst não chega a ser substituída, porque Emma Stone interpreta Gwen Stacy, a primeira namorada de Parker nos quadrinhos.
Um dos problemas deste filme, é que qualquer pessoa com mais de dez anos vai assistir e achar que já conhece a história, e isso é porque provavelmente já assistiu realmente. Ainda que seja admirável a preocupação de contar com detalhes e com calma, sem apressar a aparição do herói, parece meio "redundante" ter que assistir, de novo, como ele se transforma de nerd que sofre de bullying à herói. De novo. E por mais de duas horas de duração.
Um dos acertos de Marc Webb ((500) dias com ela), é não depender de um Homem-Aranha completamente digitalizado. Claro que hoje parece impossível realizar um filme sem recorrer ao já famoso CGI, mas pelo menos há inúmeras cenas realizadas por dublês, o que dá "peso" aos movimentos dos personagens. E melhor ainda, o filme funciona porque está todo apoiado em cima dos pesonagens de Garfield e Stone, e não nos efeitos.
O melhor filme do personagem pra mim, e acredito que todos vão concordar, é Homem-Aranha 2, mas este consegue ser melhor que o primeiro filme do herói, mas realmente me incomodou o fato de que em nenhum momento eu consegui parar de pensar que se tratava de uma refilmagem desnecessária. Nem o diretor pareceu se mostrar bem escolhido para mostrar um Aranha para novos tempos, em um mundo mais cruel ou coisa do gênero, como os realizadores (incluindo roteiristas e etc) não tiveram a coragem (ou mesmo foram impedidos) de contar uma história realmente nova. É a tentativa de ressuscitar a franquia fazendo a mesma coisa que foi feita antes. É interessante e divertida, mas realmente parece desnecessária.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

DETETIVE D E O IMPÉRIO CELESTIAL - DI RENJIE ZHI TONGTIAN DIGUO


NOTA: 8,5.
- Há muita gente que não quer que uma mulher se torne imperadora.

Fosse um filme falado em inglês, estaria concorrendo nas bilheterias com todos os blockbusters lançados no mesmo período. Sejam eles produzidos por Jerry Bruckheimer ou dirigidos por Michael Bay. Claro que o fato de não ter feito uma grande bilheteria mundial não influencia em um fato: o que temos aqui é um filme que não deixa a desejar em nenhum quesito, não importando qual país de produção estejamos considerando.
O rosto familiar de Andy Lau (O clã das adagas voadoras) é quem dá aparece nas telas como o Detetive D. A história se passa por volta de 690, durante a dinastia Tang. D ficou famoso em uma série de livros (17 no total), e em alguns sentidos lembra um Sherlock Holmes, pois baseia grande parte dos seus poderes dedutivos da observação.
Nessa história, acompanhamos Wu Zetian, que está próxima de ser coroada imperadora. A primeira mulher a ascender ao trono em toda a história do império. Claro que isso pode incomodar muitos homens, por isso uma força poderosa surge para impedir que isso aconteça. A obra de um imenso Buda está sendo concluída apressadamente para o dia da coroação, mas algumas mortes acontecem na construção e a construção é paralisada, afinal não é todo dia que pessoas vivas entram em combustão sem que ninguém as toquem. Pode ser obra de bruxaria ou pode ser crime, e alguém deve tentar solucionar o caso
Esse alguém em D, que é convocado pela futura imperadora. Ele estava numa prisão, onde ela mesmo o colocou, mas agora, como é necessário, seus crimes foram perdoados e ele volta à ativa com novos truques que aprendeu durante o tempo em que esteve na cadeia. E é quando ele aparece nas telas que também o filme é "invadido" por grandes cenas de luta muito bem coreografadas que acontecem em cenários criados pela última tecnologia de computação gráfica.
Seguindo a tendência do cinema atual, o filme tem muitas cenas com saltos impossíveis, personagens que quase voam e grande parte das lutas que são travadas mais na edição do que nas filmagens. Ainda que não tenha a mesma graça de assistir a filmes onde pareça que o ator está  realmente realizando as cenas de ação, devo destacar que o filme flui de uma maneira muito divertida. E ainda assim, devo também ressaltar que apesar de todas as trucagens, a câmera passeia pelo filme com muita mais fluidez do que quando assistimos um filme de Bay e seus milhões de cortes por segundo.
O mais importante é que o caso não é construído para que apenas tenhamos ação e efeitos especiais. Tem muita emoção e muito mistério para prender a atenção das plateias. E ainda uma boa caracterização de uma época que não é comum de se ver no cinema. Claro que é um filme que vive muito para as cenas de grande adrenalina também, mas isso só faz que a mistura fique mais interessante ainda.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

DRAGNET - DESAFIANDO O PERIGO


NOTA: 7.
- Você tem muitos sentimentos reprimidos, não é? Deve ser isso que mantém seu cabelo de pé.

Dragnet era uma clássica série policial que passava na TV nos anos 1960. Em L.A. cidade proibida, havia uma homenagem a série e seu bordão: "Somente os fatos". O filme pega alguns dos ingredientes básicos da série, mas utiliza um caso bem bizarro a ser resolvido pelos policiais. É sobre um grupo quase terrorista chamado P.A.G.A.N., que realizam assassinatos, ritos satânicos, sequestram animais e tentam sacrificar uma virgem utilizando uma cobra gigante.
O filme é estrelado por Dan Akroyd como Joe Friday, sobrinho do personagem original da série. Um policial totalmente correto e que segue todas as normas do livro, e ainda obriga todo o resto a seguir também. Seu companheiro é um Streetbek, interpretado por um Tom Hanks que ainda estava em ascensão na carreira mas já era um rosto bastante conhecido do público por uma série de filmes que já havia estrelado. Seguindo os conceitos básicos de filmes, Streetbek é o oposto de Friday que vai se chocar com o modo certinho demais dele.
Os dois são designados a cuidar do caso, o primeiro deles juntos. Se juntam a eles depois, quando a salvam do sacríficio, a virgem Connie Swail. E eu escrevo assim, porque ela é chamada com esse adjetivo na frente de seu nome por quase todo o filme. É ela, doce e pura, que acaba conquistando o coração de Friday, ainda que ele não saiba exatamente o que é esse sentimento que está começando a ter. Como ele diz, quase se sentiu assim, porque já teve um gato.
Apesar de Akroyd estar presente quase que exclusivamente como coadjuvante hoje em dia, sua interpretação e personagem são a principal força do filme. Ele fala de uma maneira extremamente rápida e ainda assim fluente, o que é um dos grandes prazeres do filme. Ou ele deve ter levado horas pra aperfeiçoar sua fala, ou realmente nasceu pra viver esse personagem. Mas é claro que não dá pra deixar de ressaltar a química entre ele e Hanks, que apesar de um pouco ofuscado é eficiente como sempre.
Não é um desses filme que te fazem rir do começo ao fim, mas ele apresenta algumas boas cenas que são muito engraçadas. Envelheceu um pouco com o passar dos anos, mas ainda mantém a maior parte da sua comédia intacta. E pra mim, isso rendeu umas boas risadas.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A BRANCA DE NEVE E O CAÇADOR- SNOW WHITE AND THE HUNSTMAN


NOTA: 8.
- Você era a única pura o suficiente para quebrar o espelho e me destruir, e também a única pura o suficiente para me salvar.

Houveram duas refilmagens da Branca de neve, e todas as duas se distanciando da inocência da história que conhecemos. Quer eu esteja falando do desenho animado da Disney ou mesmo do conto original dos irmãos Grimm, mas o outro filme ainda tentava manter um pouco da mágica e doçura do conto original. Não há nada doce nesse filme aqui. Apesar de termos praticamente todos os personagens da história original e sabermos como vai terminar (ou pelo menos como deve terminar), a viagem é quase totalmente original e muito boa de acompanhar.
E boa parte dessa jornada ser tão boa de acompanhar, é que há algo muito interessante na forma que o filme pega o tema e o trata de uma forma tão séria. A maioria desses contos, estão enraizadas no subconsciente de qualquer pessoa, e de repente aparece uma nova versão violenta e obscura para mudar os conceitos. Apesar de inocentes, esses contos tem um lado sombrio, então aqui se aproveita mais esse lado do que o lado mágico.
Um pouco mais velha do que de repente imaginaríamos uma Branca de Neve, temos Kristen Stewart interpretando a personagem título pela maior parte do filme. Depois da morte de seu pai, a malvada Rainha assassina (Chalize Theron) a deixa anos presa em uma cela no alto de uma torre, até que ela finalmente consegue sua fuga e tentar apagar os erros que vem acontecendo no reino desde a morte de seu pai.
O Caçador (Chris Hemsworth), é o herói convocado pela Rainha para caçar a Branca de Neve em uma floresta onde somente ele parece ter fugido com vida. Ele deve levar a menina de volta pro castelo, mas depois de encontrá-la ele fica tão impressionado que resolve mudar de lado, e começa a ajudar ao lado do príncipe William. Este conhece Branca desde a infância e parece muito apaixonado por ela, mas para seu azar não é seu nome que aparece no título.
Enquanto isso, a Rainha mantém seu governo de terror no reino. Com medo de perder sua beleza, o que ela considera sua maior fonte de poder, ela se "alimenta" da beleza de virgens para continuar jovem e bela. E claro que ela toma conselhos de um espelho na parede que, quando ouve o famoso provérbio, aparece em forma quase humana, lembrando um pouco o T1000 de O exterminador do futuro 2 quando está em transição de uma forma para a outra.
Outra coisa que não se esperaria em um filme como esse, é uma quantidade absurda de efeitos especiais, que dão vida vida à seres como trolls, corvos que se transformam em demônios para atacar, e até mesmo transforma atores conhecidos (Ian McShane, Bob Hoskins, Ray Winstone, Nick Frost, Eddie Marsan, Toby Jones e outros) em anões. Mais um pouco e eu acreditaria que a história se passa na Terra Média de Peter Jackson, lugar onde a trilogia do O Senhor dos Anéis tomou lugar.
Apesar de cair no óbvio de hoje e ter que mostrar inúmeras cenas de batalha e efeitos especiais de última linha, há uma história interessante aqui. Inclusive, um filme que permite que os personagens tenham mais profundidade que jamais tiveram antes. E mesmo para os interessados em efeitos especiais,  não há o que reclamar aqui. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O SENHOR DOS ANÉIS: O RETORNO DO REI - THE LORD OF THE RINGS: THE RETURN OF THE KING


NOTA: 9,5.
- Filhos de Gondor, de Rohan, meus irmãos. Eu vejo em seus olhos o mesmo medo que poderia tirar o meu coração. Pode chegar o dia em que a coragem dos homens falhará, quando esqueceremos nossos amigos e quebraremos todas as alianças. Mas esse dia não é hoje. Hoje, nós lutamos.

Geralmente, a terceira parte de uma trilogia é a mais fraca de todas. Aconteceu com O poderoso chefão, Matrix (os dois últimos deste nem parecem terem sido feitos pelos mesmos diretores) e mais recentemente com Batman. Talvez aconteça que os diretores vão ficando com menos imaginação depois de dois filmes, mas este não é o caso do diretor Peter Jackson. E isso quase sempre acontece quando se tem um uso enorme de computação gráfica.
Ainda que o terceiro filme tenha mirado mais em agradar as plateias ávidas por ação, é quase impossível negar a grande façanha alcançada por Jackson. Este filme é a coroação de seu trabalho que foi realizado com maestria. Quase sempre os efeitos especiais ficam extremamente visíveis, e com estes filmes temos cerca de nove horas de filme em que os efeitos ajudam a contar uma história e nada além disso. É um espetáculo visual tão bom que mesmo os que não assistiram os dois primeiros são capazes de assistir a esse último e ainda curtir um bom filme.
Tudo o que foi feito é para nos levar à batalha em Minas Tirith, "onde o destino será decidido". Minas Tirith é o ponto alto das realizações que os efeitos especiais realizaram para os três filmes. É claro que sabemos um cenário daquele tamanho não pode ser construído para um filme, mas fica bem difícil de distinguir o que foi filmado em tamanho real e como exatamente foi inserido no meio de tantas imagens geradas por computador.
Ao mesmo tempo, Jackson corrige o problema de ter deixado tanto os hobbits ficarem em segundo plano, principalmente no segundo filme. Acho que era inevitável que isso acontecesse. Ainda que o diretor esticasse as cenas de ação para que Aragorn e seus companheiros tivessem mais tempo nas telas, ainda assim todos os seus atos eram secundários. O importante da história inteira não é uma guerra contra orcs, é destruir o anel e livrar a Terra Média de todo o mal.
Uma coisa que não foi corrigida ao longo dos três filmes é uma falta de aprofundamento nos personagens. Cada personagem tem suas personalidades e motivações, mas tudo o que acompanhamos é o que está na superfície. Mesmo quando Arwen toma uma decisão de abandonar sua imortalidade para ficar com Aragorn, não sentimos nenhum peso em sua decisão. Todas as decisões são tomadas levemente.
Infelizmente isso não acontece apenas nesse filme, mas em todos eles. Acompanhamos os personagens por muito tempo sem realmente conhecê-los em qualquer nível psicológico. Eles existem apenas como arquétipos de personagens e parecem funcionar apenas para o espetáculo visual. Tudo funciona bem, porque realmente tudo é maravilhoso, mas em momento nenhum parece que há um perigo real, porque não sabemos nenhuma real motivação ou preocupações pelas quais eles passam. O conjunto dos três filmes formam um excelentemente entretenimento como raros filmes conseguem ser, pena que não vai muito além de ser um entretenimento.

O SENHOR DOS ANÉIS: AS DUAS TORRES - THE LORD OF THE RINGS: THE TWO TOWERS



NOTA: 8,5.
- É como nas grandes histórias. Aquelas que realmente importam. As vezes você não sabe como vai terminar, porque como poderia ter um final feliz. Mas no final, as trevas passam. As pessoas nessas histórias tinham chances de voltar, mas eles continuaram sempre em frente. Porque eles tinham certeza de que ainda há bondade no mundo. E que vale lutar por isso.

No segundo filme da trilogia, fica mais claro que a intenção de Peter Jackson é entregar ação, que pode ser o que a maior parte da plateia quer ver. Por isso, o filme já começa sem se preocupar em mostrar os pontos importantes do filme anterior e já começa agitado. Com isso, fica claro também que Frodo (Elijah Wood) é mesmo um personagem secundário da sua própria história. A estrela do filme é Aragorn (Viggo Mortensen), e os hobbits passam a maior parte do filme longe do centro das atenções e da ação. A última parte do filme é praticamente inteira dedicada a uma incrível batalha.
O filme já abre usando a cena de Gandalf (Ian McKellen) nas minas de Moria, o que acontece ainda na primeira metade do primeiro filme. Os que não assistiram o filme anterior, não tinham nenhum preparo para assistir a esse nos cinemas. 
Claro que isso é uma reclamação totalmente pessoal. Levando em consideração apenas o filme, nada do que foi mencionado acima interfere (ou mesmo prejudica) a história que está sendo contada nas telas. O segundo filme é menos fiel ao livro, faz com que se perca grande parte do charme da história e falha em contar o mais importante, que é a jornada. Mas desde o primeiro filme, já tinha ficado claro o interesse do diretor, então devo aceitar o que é o filme e admirar como é um dos espetáculos visuais mais impressionantes que o cinema já nos proporcionou.
Grande parte desse espetáculo é gerado pelo uso muito habilidoso de efeitos especiais e animação digital. E assim, o personagem Gollum, que apenas aparecia em curtas cenas no filme anterior, aparece aqui durante uma boa duração do filme. Na época, era com certeza a criatura gerada por computador mais impressionante que já se havia visto nos cinemas. E o que é mais importante para fazer o filme funcionar: funciona quase tão bem quanto um personagem de carne e osso. Um pouco menos impressionante, mas ainda assim muito bem feitos, temos também os Ents, uma espécie de entidades que protegem as florestas.
Não estou criticando o uso da computação gráfica no filme. Algumas vezes critico o seu uso, mas é quando ela se sobrepõe a história, o que não é o caso aqui neste filme. Há inúmeras cenas em que percebemos que se tratam quase tão somente de computação gráfica, mas ainda assim as cenas são impressionantes e seguram a atenção. Fazendo como poucos diretores fazem, Jackson usa praticamente toda a tela pra preencher suas imagens com complexidade. É possível assistir o filme inúmeras vezes e ainda encontrar algo que não tenha visto antes. Jackson usa os efeitos especiais para "pintar" cada parte do que estamos vendo.
Talvez o filme agrade mais as plateias do que o primeiro. Há cenas mais espetaculares de ação e as batalhas são de tirar o fôlego, mas o filme sozinho carece de um início e está longe de ter um final. É uma ponte de três horas de duração que leva o primeiro filme para o último. Claro que é uma ponte extremamente bem feita que vai segurar as plateias e que nos faz ficar esperando o próximo filme ansiosamente. Mesmo os que já assistiram anteriormente.
Ainda corro o risco de ser chato, mas comparando com os livros, fica estranho perceber como o propósito da história original se perdeu. Se o escritor J. R. R. Tolkien quisesse contar uma história com muita testosterona e batalhas de espada, ele não teria escolhidos pequenos e frágeis hobbits como seus protagonistas. O filme quase deixa de ser uma adaptação para se transformar numa nova história moldada nos filmes de ação de hoje em dia, o que faz perder muito do charme do livro. 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O SENHOR DOS ANÉIS: A SOCIEDADE DO ANEL - THE LORD OF THE RINGS: THE FELLOWSHIP OF THE RING


NOTA: 9.
- Eu vou levar o anel para Mordor. Apesar que... Eu não sei o caminho.

Basicamente, existem dois tipos de pessoas que assistiram a esse filme. Uma parte, é formada por ávidos leitores de livros. Essa parte é a mais apaixonada pelo material por motivos óbvios. A segunda é formada pelas pessoas que não leem os livros e preferem assistir o filme porque leva menos tempo. Quando o diretor Peter Jackson tomou o comando da trilogia de filmes adaptando a maior obra nerd (esses livros só não foram mais vendidos que a bíblia), ele tinha o dever de agradar aos dois grupos. Eu li o livro antes de assistir cada filme, e fiquei bem satisfeito com o resultado. Assim como acredito que a maioria dos leitores deva ter ficado. Com ressalvas.
Devido a grande proporção que uma história como essa possui, Jackson compactou a saga de modo a deixá-la com a maior parte de ação possível, sem deixar de lado a mitologia que apaixonou milhões de de fãs pelo mundo inteiro. Certas partes terem ficado de fora, pois ele sabia que a maior parte da plateia iria procurar uma batalha entre o bem e o mal.
Mais impressionante ainda, é que esta é uma história feita à moda antiga. A mesma Hollywood que décadas atrás fazia filmes inocentes e mágicos como O mágico de Oz, hoje realiza filmes como Gladiador. Ainda que tenha se mantido fiel ao material original, a verdade é que não é possível realizar um filme hoje em dia que não siga os novos padrões. É um filme repleto de efeitos especiais, muita ação de tirar o fôlego e aventura. A adaptação segue a história a alterando para dar mais emergência ao filme, assim como cenas de ação foram extendidas. Consequentemente, mais correria e batalhas.
Uma coisa permanece inalterada. Os heróis da história são hobbits. Eles possuem características que fazem com que pareçam as mais improváveis criaturas para viverem ma aventura. Parecem seres humanos, mas são bem menores, fazem cerca de oito refeições diárias, tiram sonecas durante o dia e nunca se afastam do lugar onde vivem. Por outro lado, são perfeitos para esse caso, pois tem um bom coração. O único porém, é que a forma com que foi filmado para que eles pareçam pequenos, interfere um pouco nas cenas.
Se é possível que alguém ainda não conheça a história: se trata de um jovem hobbit chamado Frodo (Elijah Wood) que recebe de herança do seu tio um anel que é na verdade de grande poder e pode jogar o mundo inteiro (nesse caso, a Terra-Média inteira) nas trevas sob o julgo do maligno Sauron. Frodo irá porque é um dos poucos que consegue se mantar alheio ao poder que o anel exerce, e para acompanhá-lo, se juntam magos, humanos, elfos e anões.
No livro, a história era menos sobre batalhas e mais sobre as aventuras do nosso pequeno herói fora de  lugar. Seu cotidiano inteiro é modificado. Ele não só sai da sua zona de conforto, como conhece diferentes e mágicos lugares, pessoas e diferentes "entidades". Quando necessário, havia uma pausa para poemas e músicas, coisas que o filme infelizmente não tem tempo para mostrar. 
É uma produção fantástica que Jackson abraçou com paixão. Deve ter agradado muitos fãs e não fãs, foi indicado a Oscars e levou 4 estatuetas para casa (fotografia, efeitos, maquiagem e trilha sonora). Uma pena que: 1. a saga de Frodo fique reduzida para agradar as plateias que possa se interessar mais por outros personagens, afinal vale lembrar que são protagonistas e em determinados parecem muito mais coadjuvantes. Não estivesse Frodo carregando o anel, talvez fosse cortado do filme.; 2. toda a Terra-Média e a jornada sejam muito mais interessantes na minha imaginação. Que queira dar ênfase aos perigos da jornada é uma coisa, mas será que não há uma maneira de escapar que não seja por um triz? Que não seja no último segundo?

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

ENTRE O AMOR E A PAIXÃO - TAKE THIS WALTZ

NOTA: 7.
- Eu tenho medo de ficar entre dois lugares.

Margot (Michelle Williams) conhece Daniel (Luke Kirby) durante uma viagem que está fazendo à trabalho. Ela é uma escritora freelancer de Toronto. No voo de volta pra casa, numa coincidência, eles viajam de volta um do lado do outro no avião. Não apenas eles moram na mesma cidade, mas como descobrem, depois de dividirem um taxi, que são vizinhos. Daniel mora do outro lado da rua de onde Margot vive com seu marido, Lou (Seth Rogen).
Em alguns momentos, o filme parece que vai tomar parte em alguma realidade mágica, tal qual Wes Anderson realiza tão brilhantemente em seus filmes, mas este filme nunca tira o pé da realidade e eu começo a me perguntar como Margot e Lou podem manter uma casa numa vizinhança de casas tão agradáveis, principalmente se considerarmos que Lou está há anos preparando um livro de culinária e aparentemente sem ganhar um tostão sequer. Pior ainda, como Daniel mantém sozinho sua casa se seu trabalho é empurrar um carrinho pelos pontos turísticos de Toronto.
Coincidências e improbabilidades à parte, Margot fica indecisa entre os dois. Lou é simpático e agradável, e parece a amar muito, apesar de não ser uma pessoa muito passional. Daniel por outro lado parece mais apaixonado e é mais sensível também, e o mais importante é que é novidade, enquanto ela já sabe tudo o que precisa saber sobre Lou. Ela não quer trair, e ao mesmo tempo não quer desistir da novidade que Daniel pode lhe oferecer.
Daniel, por sua vez, trabalha furtivamente e de maneira eficiente. Em nenhum momento ele realmente investe em Margot. Ele fica à espreita, mostrando a ela que está interessado e disponível, enquanto espera que ela venha ao seu encontro. Por outro lado, Lou é extremamente ingênuo de acreditar que nada pode atrapalhar seu casamento, que parece mais e mais fadado ao fracasso. Se eles continuam juntos, é porque deve haver amor ali, mas infelizmente nem sempre amor é suficiente.
Não há como termos um final feliz aqui. Alguém, ou talvez todos, vão se machucar. E um grande acerto da diretora Sarah Polley, é que o filme em momento nenhum se torna depressivo ou melodramático. Polley conduz seu filme com muita música e um visual muito colorido. Acrescenta também personagens coadjuvantes interessantes, em especial Geraldine (Sarah Silverman), como a irmã alcoólatra de Lou.
Ainda que tenha os dois pés na realidade, o filme ainda consegue encantar por conta de seus intérpretes. Williams ganha nossa empatia desde o primeiro frame por simplesmente ser adorável do jeito que é ainda que o filme tente a deixar feia. E ganha também por apresentar relações que podem fazer muitas pessoas na plateia se identificarem com alguma relação que já tiveram. Em um momento, o filme parece ter acabado, e teria sido melhor se tivesse acontecido naquele momento. Mas talvez Polley queira mostrar que, assim como a relação mostrada no filme, nem sempre as coisas terminam quando deveriam.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

NA TERRA DE AMOR E ÓDIO - IN THE LAND OF BLOOD AND HONEY


NOTA: 6.
- Você não é uma prisioneira se quiser permanecer aqui.

Não sei o quanto as pessoas sabem sobre a Guerra da Bósnia. Eu confesso que não sou nenhum expert no assunto. É uma guerra étnica? Religiosa? Questão territorial? O grande interesse do filme é, na verdade, mostrar um casal de vizinhos que se conhecem, tem um encontro agradável, flertam uns nos braços dos outros até que uma bomba explode. Em 1992, eles dormem e acordam no dia seguinte em lados opostos da guerra.
Nem sempre filmes de uma guerra pouco conhecida do público atingem o público. Guerra ao terror, foi lançado aqui direto em vídeo, e somente depois de ser indicado ao Oscar foi lançado nos cinemas. Por isso sinto que devo dar os parabéns a Angelina Jolie pela coragem de escrever e dirigir este filme, sua estreia na direção. Para começar atrás das câmeras, escolheu uma questão que a preocupa. Talvez muitos pudessem escolher filmes que trouxessem notoriedade, mas ela escolheu uma "causa".
Depois do incidente com a bomba, a guerra começa rápida e Jolie a mostra impiedosamente. O casal é mostrado em outra realidade. Ele é Danijel (Goran Kostic), um policial que se transforma num dos líderes do exército sérvio-bósnio. Ela, Ajla (Zana Marjanovic), uma muçulmana que pinta quadros. Ela é posta junto de muitas outras mulheres dentro de um ônibus onde chegam numa espécie de campo de concentração. As apresentações terminam com o estupro de uma mulher por um soldado na frente de todos.
Tecnicamente, Ajla nasceu no mesmo lugar que os soldados, mas como é muçulmana passa a ser odiada. Ao mesmo tempo, durante todo o filme vemos estupros sistemáticos realizados pelos soldados. De alguma forma, o estupro é uma ferramenta de guerra. É uma violenta dominação das mulheres e não apenas questões étnicas, religiosas ou territoriais. Danijel salva Ajla de ter o mesmo destino das outras mulheres e ambos começam um romance.
A questão é se Danijel a salvou por ser uma pessoa boa, ou por simplesmente querer exclusividade, principalmente tendo em vista o que acontece depois. Assim como não sabemos se ela realmente gosta dela ou apenas considera ser mais seguro trocar sua segurança por sexo.O pai de Danijel é o general, e explica o quanto seu povo sofreu nas mãos dos muçulmanos. Apesar de vermos seu exército cometendo as piores atrocidades, o que me parece é que cada lado tem as vítimas e do outro lado ficam os algozes cruéis. E no meio disso tudo, o problema é que o filme centra todo o filme nesse melodrama entre o casal.
É um filme que me comoveu e prendeu minha atenção por quase todo o tempo, mas mais por mostrar a crueldade que se acontece em guerras do que pela história em si. Há toda uma guerra acontecendo, e pouco a vemos por estarmos acompanhando um doentio romance de pessoas que não deveriam estar se relacionando. E este romance pouco serve como metáfora para a guerra. O filme se torna mais interessante quando acompanhamos alguns poucos momentos da irmã de Ajla, que é quando acompanhamos a verdadeira loucura do que acontece. Pena que parece pouco em relação ao todo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

UM TIRA ACIMA DA LEI - RAMPART


NOTA: 9.
- Tenha em mente que eu não sou racista. Eu odeio todas as pessoas igualmente.

Woody Harrelson interpreta um policial em uma delegacia que ficou conhecida em 1999 por ter uma quantidade absurda de policiais corruptos. Pode-se pensar que ele aprendeu com isso, mas o fato é que ele é um policial tão corrupto quanto os de 99. Talvez até mais. Co-escrito por James Ellroy, cujas obras já renderam diversos filmes policiais, o interessante é observar que ele não é um policial que se junta a outros para ser corrupto. Estar em Rampart ou em outro lugar não faria diferença. Ele é uma força de corrupção autossuficiente. 
Talvez haja um motivo para ele ser corrupto do jeito que é, mas o mais interessante é observar que o filme não produz respostas para isso. Diferente dos demais filmes, nosso "herói" não está precisando de dinheiro, não está correndo atrás de luxo e não está atrás de qualquer tipo de vingança, seja contra um grupo de pessoas ou mesmo "contra o sistema". Ele faz o que faz porque simplesmente é uma pessoa sem nenhum instinto moral dentro de si.
Ele é racista ao extremo e procura ter relações com mulheres apenas para fins sexuais. Tanto é que casou com duas mulheres que são irmãs e as colocou morando em casas vizinhas, onde fica com as filhas que tem, uma de cada casamento (as meninas são irmãs e primas ao mesmo tempo). Aparentemente, a única relação de afeto seriam com as filhas, tanto que se diz que ele matou um estuprador por conta desses sentimentos com as filhas. Mas vendo o filme, fica difícil de acreditar que isso seja verdade. É mais provável que ele tenha matado o homem porque simplesmente ele queria matar alguém. Ou talvez porque o estuprador fosse negro.
De qualquer forma, Brown (Harrelson) faz a última coisa que a delegacia precisa: ele é filmado espancando um negro no meio da rua. Ele até tem motivo para se defender, mas em nenhum momento ele parece querer acabar com o ato de agressão. Pelo contrário, parece mesmo é que ele sente prazer de estar realizando aquele "trabalho". Não parece haver escapatória para ele. É o bode espiatório ideal para  a assistente da promotoria (interpretada por Siourney Weaver), tem um caso frustrado com a defensora (Robin Wright) e insulta racialmente o policial negro que o está investigando (Ice Cube). Mesmo outras pessoas corruptas se afastam dele.
Harrelson é ideal para este tipo de papel. Ele é capaz de fazer seu personagem parecer de um jeito e levar a plateia a descobrir que é de outro totalmente diferente. Esse é a segunda vez que trabalha com o diretor e roteirista Oren Moverman. Em O mensageiro, ele treinava um jovem no ofício de dar notícia à famílias de soldados mortos. Seus ensinamentos diziam para manter afastamento emocional, mas acabamos descobrindo que ele tinha sentimentos no final das contas. Ter um ator como ele em um papel como esse, apenas enriquece os filmes. Afinal, aqui ele pode ser realmente amoral e sem sentimentos? Talvez ele possa. Talvez ele simplesmente seja assim e pronto.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

HOLY MOTORS


NOTA: 10.
- Ainda não demos uma risada essa noite.

Aqui temos um filme raro de encontrar. Acompanhamos um dia de trabalho na vida de Monsieur Oscar, um homem que ganha sua vida dentro do cinema. Não digo que os outros personagens não vivam no cinema, mas é raro encontrar um que viva 11 personagens diferentes (se não errei na conta), em cenários diferentes, enquanto se locomove de uma locação para outra dentro de uma enorme limousine branca.
O filme não deixa margem pra dúvidas que se trata de diferentes filmes dentro do filme. Na primeira cena, o próprio diretor surge deitado em uma cama dormindo. Ele acorda e se dirige em direção à parede do quarto, que tem um papel de parede com desenho de uma floresta. Ele tateia pela parede até encontrar um buraco de fechadura e abre uma porta usando uma chave que cresceu de seus dedos e que cabe exatamente no buraco. Como é o próprio diretor na cena, devo supor que ele está abrindo um novo mundo para nós? Um mundo pessoal? Provavelmente sim.
Depois dessa cena encontramos Oscar saindo de uma casa e entrando na limousine branca. O mais interessante é que o interior parece muito maior do que quando vemos por fora. E ainda, o interior é na verdade um camarim completo com todas as maquiagens, roupas e acessórios necessários para viver praticamente qualquer situação que precise. Depois de sair de casa de terno, rapidamente está completamente arrumado para sair de dentro do carro como uma velha mendiga que sai pedindo dinheiro pelas ruas.
Este papel é apenas o primeiro (ou será que quando aparece a primeira vez de terno já está personificando um papel?) de muitos papéis que viverá durante o dia. Não há qualquer semelhança entre os papéis ou qualquer coisa que os ligue. É como um artista que vive esses papéis de maneira quase insana pelo simples prazer de poder vivê-los. Quando se fantasia de louco, anda pelo cemitério comendo flores deixadas em túmulos até sequestrar uma modelo (Eva Mendes) que estava posando para fotos, usando a própria roupa dela para transformar o figurino de modelo em um figurino muçulmano.
Essa não é a única parte estranha do filme, e na verdade essa é a grande graça de poder assistir um filme como esse. Nunca sabemos para onde iremos a seguir, ou mesmo o que pode acontecer. Em um filme como esse, qualquer coisa é possível. Literalmente. Cada novo compromisso que ele tem é um mistério. Dentro do carro, sabemos apenas como ele vai se caracterizar, mas o decorrer das situações podem ser mais inusitados do que se imagina.
Não é um filme para um grande público, apesar de acreditar que poucas pessoas poderão se sentir entediadas diante de um filme desse. Anárquico como poucos tentam ser, imagino que o filme deva ser um presente por ter tanta liberdade. É uma espécie de reinvenção do cinema. Quando disse que nada liga os personagens interpretados por Oscar, talvez tenha me equivocado, todos são ligados pela visão artística do diretor. 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

MIB 3 - HOMENS DE PRETO 3


NOTA: 8.
- Eu prometi os segredos do universo. Nada além disso.
- Que outros segredos há além disso?

Foi em 1997 que o primeiro filme da série chegou aos cinemas. Misturando efeitos especiais, alienígenas e muito humor, o filme era um entretenimento interessante e fez bastante sucesso nos cinemas. Cinco anos depois o filme teve uma continuação que quase estragou tudo. Digo quase porque dez anos depois (quero dizer: esse ano) temos uma nova continuação que faz a série não somente voltar à boa forma do primeiro, mas consegue surpreendentemente entregar um material ainda superior.
Por tanto tempo ter passado, talvez o conceito não seja conhecido de todos, mas permanece funcionando da mesma maneira: uma agência secreta internacional é responsável por toda e qualquer atividade alienígena na Terra. E conforme descobrimos nos filmes anteriores, há uma quantidade enorme de alienígena rondando entre nós. Todos os agentes deixam de ter identidades e passam a ser chamados apenas pela letra do primeiro nome.
Os dois principais, pelo menos são os principais para nós, são: o veterano K (Tommy Lee Jones) e o agente mais jovem que ele mesmo recrutou no primeiro filme, J (Will Smith). O que muda é que agora a divisão é chefiada pela agente O (Emma Thompson). Um monstro terrível chamado Boris e acertadamente apelidado de Animal escapa da prisão de segurança máxima que fica na lua. Ele não tem um braço porque o agente K arrancou fora. Agora seu plano é voltar no tempo e matar K antes que isso aconteça.
De alguma forma o agente J é o único que sabe que algo mudou. Que K foi morto quando não deveria ter sido. Então ele deve voltar no tempo para impedir que Boris altere o passado. O resultado disso é o encontro de J com um jovem agente K, interpretado por Josh Brolin. E acreditem: a personificação de Brolin como um jovem Jones por si só já é motivo suficiente para assistir o filme. Ele realmente parece uma versão mais nova de Jones, e falando a voz se parece tanto que em determinados momentos fiquei em dúvida se a voz dele não foi dublada pelo próprio Jones.
O final do filme é uma eletrizante sequência em Cabo Kennedy durante o lançamento do Apollo 11, o primeiro foguete a pousar na Lua. Os agentes devem colocar um objeto no foguete antes que ele seja lançado, e apesar de parecer improvável que com a quantidade absurda de câmeras filmando o lançamento ninguém tenha reparado nos Homens de Preto, a sequência é muito bem filmada e entrega uma boa dose de adrenalina.
Smith sempre parece ser o personagem que faz o filme realmente funcionar na parte cômica, e ele ainda não perdeu o jeito. Apesar de não ter o frescor de novidade como o primeiro teve quando lançado, é um filme que me divertiu bastante. No final, ainda introduz uma cena comovente dando uma nova dimensão aos personagens que já conhecíamos.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

MOONRISE KINGDOM


NOTA: 9.
- Estamos apaixonados. Nós só queremos ficar juntos. O que tem de errado nisso?

O diretor e roteirista Wes Anderson é um autor único no cinema atual. Suas histórias rapidamente se tornam algo que não vem do mesmo mundo onde eu e você moramos, elas deixam de ser eventos que podem acontecer no cotidiano e passam a tomar um rumo totalmente inesperado. Passam a tomar forma em um lugar mágico que funciona com suas próprias regras. Geralmente, esses mundos são criados baseados no intelecto do diretor, mas este filme parece ter saído do seu coração.
Esse novo mundo criado por Anderson é uma ilha, e o ano é 1965. O ano até poderia não importar tanto, pois poderia ser em qualquer época, mas vale para observar a caracterização do filme. Nosso casal de protagonistas são duas crianças: Suzy, que vive em um farol junto de sua família; e Sam, um órfão que vive num acampamento de escoteiros. Os dois se conheceram um pouco tempo antes e começaram a se corresponder através de cartas. Agora, ambos fugiram de seus lares para ficarem sozinhos sem a supervisão de um adulto.
Sam é um escoteiro, por isso ele leva consigo diversos equipamentos para acampar, mapas e outros materiais de sobrevivência que considera essenciais para poder manter os dois vivos. Já Suzy é uma sonhadora e leva uma mala que tem comida para o gato que está levando com ela, livros e um tocador de disco de vinil portátil com baterias extras.
Presente em quase todos os filmes de Anderson, Bill Murray vive o pai de Suzy, Walt Bishop, que é casado com Laura (Frances McDormand). Ambos estão ótimos, mas me impressiona como Murray sempre parece a escolha certa para um papel nos filmes de Anderson. Será que o diretor já escreve tendo em mente o ator ou será que ele é uma combinação ideal para o clima melancólico que permeiam os filmes?
A fuga separa o filme em dois mundos. Temos as crianças que estão aproveitando o tempo que têm de serem irresponsáveis e imaturos ainda que seja por um período curto de tempo, e temos o mundo adulto que se une em uma busca para encontrar as crianças que estão desaparecidas. Além dos pais da menina, isso inclui o capitão Sharp (Bruce Willis), o chefe dos escoteiros Ward (Edward Norton) e a assistente social conhecida como Assistente Social (Tilda Swinton).
O que realmente torna um filme de Anderson especial é como ele conta uma história como essa. É claro que sabemos que os eventos que estamos vendo são bem improváveis de acontecer, mas o importante é que sentimos que em nenhum o momento ninguém do elenco (em especial as crianças) estão brincando. Todos levam o filme a sério, o que dá gravidade ao material mesmo que seja tudo lírico. Tudo é fantástico, e muitas vezes o que acontece em forma de fantasia é mais interessante do que o que acontece na vida real. Ou pelo menos é mais interessante da forma que acontece na cabeça de Wes Anderson.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

HISTERIA - HYSTERIA

NOTA: 8.
- Senhor. Me daria um prazer imenso ocupar qualquer posição que me permita oferecer alívio aos meus pacientes com poucas chances de matá-los.

É assim que Mortimer Granville consegue seu emprego no consultório do Dr. Robert Dalrymple. Bem, o próprio juramento que os médicos fazem diz que não devem machucar ninguém, então não há nada de errado em relação a isso. O que Granville não fazia ideia é que a prática adotada por Dalrymple não oferece chance alguma de machucar suas pacientes. Nesse sentido, os dois tinham um histórico bem impressionante.
Claro que ambos não sabiam mais do que qualquer outro médico daquela época sabia. O trabalho consistia em tratar uma doença feminina que não existia: a histeria. É tão divertido observar que o tratamento consistia em nada menos que dar orgasmos nas mulheres "histéricas" de Londres. Por mais estranho que pareça, seu consultório se encontrava sempre lotado de mulheres insatisfeitas sexualmente, mas que sequer sabiam disso.
Com mais pacientes do que consegue dar conta, Dalrymple (Jonathan Pryce) se vê obrigado a contratar o ambicioso Granville (Hugh Dancy) como seu assistente. Granville acabara de se ver desempregado depois de discutir com seu superior sobre os métodos médico ortodoxos da época. Isso faz também que ele conhece as filhas de Dalrymple: a feminista e única mulher do filme realmente perto da histeria, Charlotte (Maggie Gyllenhaal); e sua irmã que procura seguir todos os costumes da época, Emily (Felicity Jones). Charlotte desacredita inteiramente a prática do pai mas usa seu dinheiro para ajudar a sustentar seu trabalho com a população pobre de Londres. Já Granville deveria se casar com uma das filhas mas acaba se apaixonando pela outra.
Para o azar dele, porém, o esforço de curar (ou será que nesse ponto já posso usar o termo satisfazer?) suas pacientes faz com que ele fique com uma lesão que o impede de continuar trabalhando. Junto de seu amigo, o estranho Edmund St. John-Smythe (Rupert Everett) que está trabalhando em um espanador de pó elétrico, ele pensa o que fazer da vida. Quando testa o espanador de pó na mão machucada, os dois chegam à conclusão que podem usar a invenção para "curar" as mulheres. E assim, o vibrador foi inventado.
Um dos grandes prazeres de assistir a esse divertido filme, é como a diretora Tanya Wexler encaixa tudo perfeitamente dentro do período. Figurinos, sets de filmagem e as locações escolhidas fazem conjunto com os atores e roteiro para reconstruir tudo como se estivéssemos naquela época. Baseado em fatos, a diretora consegue contar uma história que entretém e ainda por cima educa em certos sentidos. Em poucas palavras e com perdão do trocadilho: é um filme com boas vibrações.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

TUCKER E DALE CONTRA O MAL - TUCKER AND DALE VS EVIL


NOTA: 8.
- Não vai acreditar, mas estávamos cuidando das nossas vidas quando um grupo de garotos começou a se matar pela nossa propriedade.

Este filme entrega algo que não se vê todo dia: uma comédia genial politicamente correta. Basicamente, se trata de uma ideia esticada para ficar na duração de um longa-metragem, mas mesmo que pareça que poderia ser um filme mais curto do que já é, o fato é que a dupla protagonista faz o filme valer a pena. É o esforço dos dois que faz com que a repetição não estrague o filme, e aqui eles tem a sorte de terem encontrado um ao outro.
Claro que não se deve esperar um filme genial. Não se trata da recriação da roda nem nada sequer parecido com isso. Pelo contrário, dificilmente se vê um filme que siga a fórmula tão ao pé da letra quando este.
Um carro cheio de adolescentes segue por uma estrada do interior onde eles planejam festejar um fim de semana. Em um posto, eles cruzam com Tucker e Dale, que assim como o resto das pessoas no lugar estranha em ver os "garotos da cidade", enquanto ao mesmo tempo os garotos estranham os "caipiras"e os confundem com psicopatas ou coisa do gênero.
Saindo de lá, eles armam suas barracas com música e cerveja, enquanto Tucker e Dale saem no seu barco para pescar no lago de noite. Segundo eles contam no grupo, nesse dia fazem 20 anos do dia em que um bando de jovens como eles foram brutalmente assassinado naquele mesmo lugar. O conhecimento da história faz com que eles não mudem em nada o planejamento, e todos pulam no lago para nadar praticamente sem roupa. Claro, por que não? Uma menina acaba se acidentando e cai inconsciente na água. Quem a retira é a dupla de caipiras.
Se alguém assistiu a algum trailer desse filme, sabe o que vem a seguir. Se não assistiu a nada desse filme mas está ficando interessado, talvez seja melhor parar de ler agora. Não que seja uma informação que vá estragar a graça do filme, mas talvez a surpresa possa ser mais interessante. O que acontece é que a dupla não tem nada além das melhores intenções em ajudar a moça, enquanto o grupo pensa que eles querem matá-la e começam a atacar os dois. E é nesse momento que o filme consegue distorcer todos os clichês do gênero para se transformar em uma comédia hilária.
Apesar de termos um bom número de atores em cena, somente quatro deles sobrevivem tempo suficiente para se tornarem relevantes na história. Dale (Tyler Labine) é um doce e que sofre com problemas de baixa estima. Tucker (Alan Tudyk) é seu amigo que sempre tenta o ajudar ao mesmo tempo que perde a paciência com ele. A garota resgatada / sequestrada é Alison (Katrina Bowden) e o líder dos adolescente é Chad (Jesse Moss), um garoto com problemas de controlar seu temperamento.
É um filme que homenageia tanto quanto ironiza os filmes do gênero. Apesar de toda a quantidade de sangue que jorra na tela, ainda assim consegue ser um filme agradável e divertido. Mais importante: é rápido, é engraçado e funciona. Simples assim. Mal posso esperar pra ver essa dupla em ação novamente em outro filme.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

JOGOS VORAZES - THE HUNGER GAMES


NOTA: 7.
- Você é mais forte que eles. Eles só querem um bom show, só isso. Você sabe caçar, mostre a eles quão boa você é.

O futuro que nos é mostrado em filmes (e livros) de ficção científica é sombrio de muitas formas diferentes, e aqui não é exceção. Mas geralmente é também visto como uma parábola do nosso presente. Aqui, depois das nações norte-americanas serem destruídos por uma catástrofe, surge uma nova chamada Panem. Essa nova civilização é governada pela Capital, que é cercada de 12 distritos que aparentemente nada podem fazer a não ser acatar as imposições feitas a eles.
E uma das imposições que a Capital faz, são os Jogos da Fome, onde um casal de cada distrito é escolhido em um jogo de guerra que é transmitido para todos através de câmeras escondidas. E também é um jogo onde somente uma pessoa pode sair viva. É no sorteio desse casal do Distrito 12 que começamos a acompanhar o filme, onde Katniss (Jennifer Lawrence) se voluntaria para ir no lugar de sua irmã que foi sorteada. Junto dela irá Peeta (Josh Hutcherson).
Katniss é uma guerreira moderna. Com um arco ela consegue manter sua mãe e irmã mais nova alimentadas. Suas habilidades de caça parecem fazer dela uma possível candidata à vitória. As chances não são muitos grandes, já que de 24 participantes somente um deles pode permecer vivo, mas ela deve agarrar essa única chance para poder voltar à sua família. Já Peeta não mostra as mesmas habilidades, mas mesmo que um deva morrer talvez o romance entre eles seja uma possibilidade.
Não sei quanto ao resto dos outros distritos, já que quase não são mostrados, mas o Distrito 12 é muito pobre e decadente. O que contrasta ainda mais quando nossos heróis chegam na Capital onde tudo é luxuoso e bem ornamentando com cristais e coisas do gênero. O exucutivo responsável pelos jogos é Seneca, que possui uma barba cujo desenho daria inveja até ao diabo e o líder da nação é o Presidente (Donald Sutherland).
Apesar de ter uma história até bem interessante e com algumas boas cenas de ação, algumas coisas me incomodaram no filme. Quando cada escolhido é apresentado, suas reações são muito opacas. Muito pobres. Como disse antes, por mais que tenha habilidades suas chances de sobrevivência são pequenas e a maioria está rumando para a morte certa. Seria compreensível que emoções mais fortes emergissem. Outra coisa que senti falta foi alguma discussão sobre quão justo é um jogo mortal onde meninas de 16 anos ou menos lutam contra rapazes de 18 em um combate corpo-a-corpo. Não se trata de machismo ou coisa do gênero, apenas uma observação que considero relevante. Além disso, o filme abre mão de mostrar as críticas sociais presentes na história de maneira mais aberta.
Apesar disso, o filme é um entretenimento interessante. Ainda mais por conta de Jennifer Lawerence no papel da heroína Katniss. Em Inverno da alma ela já tinha mostrado não somente que é capaz de estar no papel principal de um filme com (muita) competência, mas também talento mais que necessário para viver uma personagem forte e convincente. Talvez os realizadores tenham considerado que as plateias iriam apreciar mais as lutas que política, mas se for este o caso o filme está muito longo para mostrar apenas isso. Interessante mas poderia ir um pouco além.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

AMERICAN PIE: O REENCONTRO - AMERICAN REUNION


NOTA: 5.
- Como vai sua mãe, Stifler?
- Fica longe da minha mãe!

Lançado em 1999, o primeiro filme desta série fez bastante sucesso e gerou duas continuações (oficiais) em pequenos intervalos de tempo. Agora, pouco menos de 10 anos desde a última vez que tinham aparecido, eles voltam. Mais maduros? Pouco provável. Apesar de não serem mais adolescentes, continuam usando nudez, fezes e sexo enquanto roubam jet skies se envolvendo em confusões. Não importa quanto tempo passe, mas eles continuam fazendo as mesmas coisas de sempre, com uma sensação de ás vezes estarmos ouvindo a mesma e repetida piada.
Ainda mais estranho é a sensação de não conseguirem deixar a mãe de Stifler fora do filme. Desde o primeiro filme, ela causou uma impressão tão grande que parece ter permanecido todos esses 13 anos no quarto durante as festas de seu filho esperando algum adolescente entrar e tentar seduzi-la. Será que ninguém envelhece nesta série?
Não é por acaso então que Stifler parece ser o amigo do grupo com mais dificuldades de se ajustar aos novos tempos. Os outros, de alguma forma quando não estão reunidos, seguiram com suas vidas. Agora na casa dos 30 anos, eles se encontram 3 dias antes da reunião com os amigos da época de  colégio. Eles até tentam não se envolver em confusões deixando Stifler fora dos planos, mas é claro que isso não funciona.
Atualizando os fatos: Oz se transformou num apresentador de um programa esportivo parecido com os que passam na ESPN, Finch se transformou num aventureiro que roda o mundo atrás de lugares exóticos e estranhas boates, Stifler continua na mesma cidade trabalhando como subalterno em uma grande empresa e Jim e Michelle continuam casados mas desta vez com um filho mas com a vida sexual inativa.
A graça que o primeiro filme tinha, era a experiência da primeira vez através de jovens um tanto quanto ingênuos. É um tema recorrente desde que eu era adolescente e Porky's reprisava na TV. O filme em si tinha um ar de novidade, mas aos poucos foi dando lugar à familiaridade dos atores fazendo as mesmas piadas em diferentes idades. Ainda que entregue algumas boas risadas, o filme não deixa de passar uma sensação de déjà vu e em nenhum momento entrega alguma nova memória à série.
O próprio nome da série deriva de uma cena em que Jim, ainda virgem, treinava o ato sexual com uma torta até ser pego pelo pai. A cena é lembrada num diálogo, que me fez perceber que, na verdade, o filme inteiro é baseado em pura nostalgia. É a sensação de buscar através dos fãs um público que ainda espera pra assistir a mesma turma realizando as mesmas façanhas. Para os que não são fãs, parece que pouco sobra do filme. Para mim, o problema é que nenhum dos filmes causou uma impressão forte o suficiente para me fazer querer relembrar de tudo.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

ATAQUE AO PRÉDIO - ATACK THE BLOCK


NOTA: 8.
- Mesmo se for um ataque alienígena real, eles tem menos de um metro e meio, cegos e foram espancados até a morte por um monte de garotos. Não precisa se preocupar.

A Terra (em especial, os EUA) foi alvo de muitos ataques alienígenas nas telas dos cinemas, mas nunca antes ela havia sido protegida por um grupo de pré-adolescentes. Mais estranho ainda, pré-adolescentes delinquentes que vão de bandidos à heróis nesta comédia de terror que coloca o grupo de residentes de uma periferia contra os invasores do espaço.
Luzes aparecem no céu de Londres. Enquanto uma enfermeira é assaltada pelo grupo de adolescentes, um alien cai em cima de um carro quase os atingindo. O líder do bando parte para cima e consegue eliminar sozinho a ameaça. O problema é que mais e mais seres chegam em alguma espécie de invasão, e o grupo parte para a guerra ao lado da enfermeira que assaltaram, pois em uma situação como essa ela percebe estar mais segura ao lado deles que sozinha.
Realizado como um filme "B" dos anos 1970, acompanhamos a gangue quase que inteiramente dentro deste conjunto habitacional de baixo custo em Londres. E é quando combatem que começo a gostar mais do filme, pois ao retirar suas máscaras (que usam para os roubos), cada personagem mostra o rosto e também suas personalidades. É também uma oportunidade que eles têm para realizar algo diferente do que estão acostumados a fazer.
Escrito e dirigido por Joe Cornish, um ator e roteirista (que recentemente trabalhou no roteiro de Tin-Tin) faz uma excelente estreia na direção de um longa metragem. Em especial por mostrar (ou pelo menos parece mostrar) bastante conhecimento sobre os membros de gangue. E mais ainda por mostrar personalidades interessantes aos seus personagens e também por ter descoberto John Boyega para viver Moses, o protagonista do filme e líder da quadrilha mirim. São seus conhecimentos sobre a arquitetura do local e da vizinhança que os dá alguma vantagem sobre os invasores.
E temos também os aliens. Eles parecem uma matilha de lobos atacando sem armas as pessoas que aparecem na sua frente. De alguma forma eles parecem dominar a viagem espacial, mas não parecem capaz de realizar muito mais que isso e conseguem ser eliminados por um bando de garotos sem nenhuma tática militar ou qualquer coisa parecida. Até pode ser possível que eles não sejam os principais de sua raça, que sejam uma espécie de cães de caça, mas também em nenhum momento somos apresentados a qualquer outro tipo de alienígena, então nos resta pensar que essa raça que sequer parece ter polegares opositores são os atacantes espaciais. Seja lá como eles fizeram para chegar aqui.
Claro que essas perguntas são apenas secundárias e não são importantes para curtir o filme. O filme trata de quabrar as barreiras entre as classes e defender nosso planeta. A real questão é se a ação do filme e seus personagens funcionam na tela. Pra mim a resposta é sim. E em grande parte do tempo é muito divertido assistir como casam bem.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

MAGIC MIKE


NOTA: 7.
- Senhoritas, a lei diz que não podem tocar. Mas eu posso ver daqui que temos várias mulheres que violarão as leis, certo?

Nunca imaginei essa profissão como um "emprego dos sonhos" de qualquer pessoa. Sejam homens ou mulheres, ganhar dinheiro enquanto colocam notas em seu fio-dental não deve ser considerado a melhor coisa do mundo. Ao mesmo tempo, deve ser mais fácil para homens, já que quando dançam a maior parte das fãs devem estar procurando mais por diversão do que sexo, enquanto os homens que observam as mulheres devem estar pensando mais que tem chance de dormir com elas.
Claro que isso tudo é mera suposição. Na minha cabeça, vender a diversas pessoas o direito de tocarem em suas partes íntimas por notas de 2 dólares (como um personagem diz, é melhor não contar o que precisam fazer por uma nota de 20) não deve fazer muito bem à alma. E é isso que o novo filme de Steven Soderbergh conta com humor, romance e drama com muitas coreografias de homens bonitos e sarados tirando a roupa. Acredito que esse filme irá atrair mais as mulheres do que homens.
Os corpos na tela são claramente corpos de pessoas narcisistas. Até onde eu sei, quanto mais tempo se gasta na academia para deixar seus corpos esculturais, mais limitadas essas pessoas são para conversas. A menos que se queira ouvir sobre academia e malhação. Digo isso porque de certa forma o filme me lembra esse aspecto: quanto mais "malha" para parecer bem construído, menos profundidade eu consigo ver nele.
O filme mostra como o jovem e ingênuo Adam (Alex Pettyfer) conhece Magic Mike (Channing Tatum)  durante a reforma do telhado de uma casa. Mike simpatiza com o rapaz e o acaba levando para o local de seu segundo trabalho: Xquisite, onde dança como stripper 3 vezes por semana. Adam não tem intenção de ir para os palcos, mas acaba sendo jogado lá e dança envergonhado. Talvez por acharem que é parte do show, ele acaba fazendo sucesso com as mulheres e é rapidamente convencido por Dallas (Mathew McConaughey) a se manter nessa nova profissão.
Seguindo a fórmula desse tipo de filme, acompanhamos a vida noturna de Mike e Adam, enquanto o filme vai descendo pro lado negro da profissão e Adam vai se perdendo entre bebidas e drogas. Enquanto isso, uma subtrama mostra a relação entre Mike e a irmã de Adam. Ele prometeu para ela que tomaria conta de seu irmão, mas por mais que suas intenções fossem boas, ele nada pode fazer para evitar a derrocada.
Os figurinos e coreografias valorizam a profissão deles. Na verdade, pelo jeito que o negócio é tocado fica um pouco difícil de acreditar que eles consigam uma produção tão feita quanto realizam. O filme começa leve e divertido e aos poucos vai seguindo para um lado mais dramático. Lembra um pouco Magnólia, mas sem a mesma qualidade. 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

007 - OPERAÇÃO SKYFALL


NOTA: 9,5.
- Juventude não é garantia de inovação.

A frase não foi escolhida por acaso. A série do espião mais famoso do mundo completa 50 anos agora em 2012, e não podia usar esses anos de forma melhor. Ao longo desses anos, houveram sucessivas tentativas de revitalizar a série, mas nenhuma tão dramática desde de que Daniel Craig assumiu o papel em Cassino Royale. Era o reboot para os novos tempos, e neste terceiro filme da retomada, este é o filme mais conectado com o mundo real e atual.
Muito bem dirigido pelo oscarizado Sam Mendes (Beleza americana, Estrada para perdição), o filme continua com a tradição de belas mulheres, tiros, lutas bem elaboradas, explosões e locações exóticas, mas o melhor de tudo é que ao mesmo tempo ele consegue surpreender a plateia e qualquer fã. Pela primeira vez um passado sombrio do herói, um vilão genial (interpretado soberbamente por um Javier Bardem com uma cabeleira dourada) que se equipara a grandes vilões da história do cinema, e um final tão bom como há muito não se via em um filme estrelado por Bond (se é que já houve um final assim). É a revitalização da franquia alcançando seu ápice de forma a nos manter acreditando que ainda veremos James Bond nas telas por outros 10 anos ou mais. Quem sabe por outros 50 anos ainda?
Acho importante ressaltar esse fato, porque é possível que isso tudo não fosse necessário. Apesar de estar lançando bons filmes ultimamente, é muito provavel que as pessoas ainda acompanhem o herói no cinema pela força que o nome dele ainda tem. Ele não sobreviveu 50 anos por acaso. Acredito mais é que as pessoas vão se identificar com o que estão acostumados a ver. Por isso é tão louvável e admirável que tenham conseguido fazer um filme tão bom que possa agradar tanto aos que querem ver o que estão acostumados quanto ainda se preocupem em surpreender os novatos e demais interessados.
O filme abre em Instambul, onde Bond e Eve (Naomie Harris) estão na perseguição de um mercenário que roubou uma lista com os nomes reais de todos os agentes secretos a serviço da Rainha. Bond persegue de moto pelos telhados da cidade até chegar no trem onde é baleado e cai no rio. Enquanto se encontra "morto", o MI6 recebe uma série de ataques. É quando Bond se vê na obrigação de voltar ao trabalho com uma ferida no ombro, fora de forma para os padrões da espionagem e com uma mira tremida e imprecisa.
Ainda enferrujado, Bond recebe sua missão de um novo Q (Ben Wishaw) que agora tem pouco mais de 20 anos de idade, que lhe entrega uma arma (WALTHER PPK) e um dispositivo de localização para encontrar Silva (Bardem), um ex-agente responsável pelos recentes ataques e pelo vazamento dos nomes dos agentes. Silva quer acertar as contas com M (Judi Dench), e a batalha levará para Skyfall, o lugar onde Bond cresceu antes de ir para o orfanato.
Mais ainda que trabalhar o passado do herói, pela primeira vez, um filme coloca M no centro da ação. Não apenas ela é o alvo do ex-agente e agora terrorista, como suas decisões são questionadas pelo governo britânico. Questionam que talvez seus métodos tenham se tornado antiquados. Enquanto isso Bond continua sua rotina de jogos, lutas e bebedeira sem amassar seu smoking. Com a exceção de que desta vez, o filme exala um frescor que faz parecer que estamos assistindo a tudo pela primeira vez. Sem deixar de nos lembrar que a série é antiga, colocando uma série de objetos e referências de filmes antigos durante a exibição.
Tivemos esperar 50 anos e 23 filmes para esperar pelo passado do herói, mas o que posso dizer é que a espera valeu a pena. Pela primeira vez, vemos que há um preço a se pagar quando se mata mais de 10 pessoas por filme. Se me perguntarem, é o filme que se equipara (se não supera) ao Dr. No, de 1962, e que apresenta o melhor Bond de todos os tempos. Craig dá mais dimensão ao personagem que seu antecessores. Bond deixa de ser um personagem que apenas dá tiros e dorme com mulheres e passa a ser um personagem completo. Com passado e profundidade.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

OS INFRATORES - LAWLESS


NOTA: 5.
- Não é a violência que diferencia os homens, é quão longe eles estão dispostos a ir.

Em O poderoso chefão, acompanhamos uma família de mafiosos, mas durante todo o filme somos lembrados que eles são os bonzinhos, já que as outras famílias cometem atos de crueldade muito piores que qualquer membro da família Corleone. Dentro daquele universo, eles são os mocinhos e estamos dispostos a torcer por eles. Aqui, essa linha não existe. É um filme que mostra simplesmente homens atacando homens das formas mais cruéis possíveis sem qualquer distinção de ordem ou humanidade. Como torcer por personagens assim?
Antes que alguém reclame, que fique claro que não exijo que os filmes sejam sobre pessoas boas (O poderoso chefão com certeza não é) ou que não tenham violência, mas seria interessante observar algo que os levassem a ser do jeito que são. Não apenas observar como são violentos porque isso simplesmente está escrito no roteiro.
A história é sobre três irmãos que ganham dinheiro durante o período da lei seca vendendo uma bebida alcoólica que eles mesmos fabricam e que parece ser bem popular entre a população local. Suas vidas parecem ser bem tranquilas, até que um agente especial do governo, Charley Rakes (Guy Pearce), chega na cidade para perturbar essa tranquilidade. Ele se une ao xerife numa ação contra os irmãos, mas o mais estranho é que essa ação (Matar? Acabar com o negócio deles? Assumir os negócios?) nunca fica clara. Claro que ele é tão mau quanto qualquer outro nesse filme, e é tão traiçoeiro que a fica a pergunta de como sobreviveu por tanto tempo mesmo entre víboras.
Forrest (Tom Hardy), Howard (Jason Clarke) e Jack (Shia LaBeouf) tem um negócio de fachada para as suas operações. É uma espécie de posto de gasolina com restaurante que não deveria funcionar sequer como fachada, já que durante todo o filme eles não tem sequer um único freguês (pelo menos não que eu me lembre). Quando as mortes de ambos os lados começam a acontecer, é óbvio que o filme somente pode acabar em um grande tiroteio.
Ainda que se espere pelo grande tiroteio, a verdade é que depois de grande dose de violência já se perde interesse nos personagens. Seja nos irmãos assassinos ou no federal psicopata. Prestamos menos atenção nos interesses românticos de LaBeouf e Hardy (interpretadas por Mia Wasikowska e Jessica Chastain, respectivamente), que somente devem estar no filme para não termos um elenco exclusivamente masculino.
É um filme com uma produção muito bem-feita sobre homens, alguns ignorantes, violentos. Com um elenco muito bem escolhido e inspirado, mas que não tem uma história que saiba aproveitar os talentos que vemos na tela. Tudo que eles fazem é viver em um código bárbaro e sangrento, vivendo e morrendo em meio de tiroteios. Pra piorar a situação, o filme tem maior duração maior do que parece necessário, e acaba virando uma questão que gente precisa morrer para o filme finalmente terminar.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

ESPELHO, ESPELHO MEU - MIRROR MIRROR


NOTA: 5.
- E a rainha percebeu que se quisesse continuar bela... bem... Branca de neve teria que fazer o que faz de melhor. Cair.

Uma moda atual do cinema é recontar as histórias antigas com mais malícia e ação do que haviam sido contadas antes. No caso de Branca de Neve, temos essa versão para agradar os mais maliciosos, e uma outra versão com Kristen Stewart no papel título que vai agradar quem busca mais ação. Há todo um cuidado especial com o visual para que nenhuma cena pareça nada menos que linda, só é uma pena que esqueceram que sempre é bom tomar cuidado com a história para não estragar tudo.
O filme, não é uma adaptação fiel do conto ou mesmo do desenho animado da Disney, mas também não é uma sátira e nem sequer chega a ser uma história original levemente inspirada em qualquer outra fonte. Não consegui definir exatamente qual é o propósito deste filme senão tirar o dinheiro das crianças que não tinham idade suficiente para entrar na outra versão com Stewart, porque se fosse apenas para mostrar uma versão mais feminista da personagem, bem... Isso foi feito em ambas.
Ao mesmo tempo que mostra um lado mais moderno de sua heroína, o filme degrada os pobres anões, que no filme parecem uma parte fuleira do bando de Robin Hood, com exceção de que aqui eles apenas roubam para eles mesmos. E eles usam ainda estranhos trajes para facilitar a vida de roubos que não me pareceram muito interessantes na tela.
Roubando a cena temos Julia Roberts como a rainha. Ela cai muito bem no papel da mulher que casou com o Rei, e quando este foi para a floresta e nunca mais voltou, deixou sua enteada presa no castelo até seus 18 anos. É dela também a narração do filme. Sua única preocupação é consigo mesmo, o que faz o reino passar de um lugar feliz para um miserável por conta dos impostos que ele coloca sobre o povo para sustentar seu luxo.
Mesmo com os impostos, seu lacaio Brighton (Nathan Lane) lhe informa que ela está falida. Por isso ela pensa em poder se casar com o príncipe Alcott (Armie Hammer), que anda pela floresta tentando realizar um ato heróico mas acaba sempre resgatado sem suas roupas. Mas ainda assim é um príncipe, e a Rainha sabe que casar com ele pode ser o fim de seus problemas financeiros.
Claro que o príncipe também conhece Branca de Neve (Lily Collins, a filha do cantor Phil Collins), e que os dois se interessam um pelo outro. Branca é ingênua e pura, o oposto da Rainha. Uma personagem adorável mas que realmente acaba ofuscada por Roberts com seu jeito imperioso e autocrático. Ela consulta o espelho localizado em um lugar um tanto bizarro, mas nunca faz a famosa pergunta. O fato de estar envelhecendo, cria pelo menos uma cena hilária na véspera do baile que ela irá realizar para o príncipe.
Visualmente tudo parece funcionar bem, e o filme até conta com certa graça. Mas o diálogos são tão pobres que a beleza vai se esvaindo aos poucos, e conforme o filme avança, começa a ficar chato porque toda a surpresa visual já passou. Não há muito interesse em acompanhar a rainha e Branca ou Branca e o príncipe. O diretor Tarsem Singh é muito bom para criar cenas belíssimas, mas é uma pena que peque tanto no principal, que é contar uma história.
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