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terça-feira, 27 de novembro de 2012

MOONRISE KINGDOM


NOTA: 9.
- Estamos apaixonados. Nós só queremos ficar juntos. O que tem de errado nisso?

O diretor e roteirista Wes Anderson é um autor único no cinema atual. Suas histórias rapidamente se tornam algo que não vem do mesmo mundo onde eu e você moramos, elas deixam de ser eventos que podem acontecer no cotidiano e passam a tomar um rumo totalmente inesperado. Passam a tomar forma em um lugar mágico que funciona com suas próprias regras. Geralmente, esses mundos são criados baseados no intelecto do diretor, mas este filme parece ter saído do seu coração.
Esse novo mundo criado por Anderson é uma ilha, e o ano é 1965. O ano até poderia não importar tanto, pois poderia ser em qualquer época, mas vale para observar a caracterização do filme. Nosso casal de protagonistas são duas crianças: Suzy, que vive em um farol junto de sua família; e Sam, um órfão que vive num acampamento de escoteiros. Os dois se conheceram um pouco tempo antes e começaram a se corresponder através de cartas. Agora, ambos fugiram de seus lares para ficarem sozinhos sem a supervisão de um adulto.
Sam é um escoteiro, por isso ele leva consigo diversos equipamentos para acampar, mapas e outros materiais de sobrevivência que considera essenciais para poder manter os dois vivos. Já Suzy é uma sonhadora e leva uma mala que tem comida para o gato que está levando com ela, livros e um tocador de disco de vinil portátil com baterias extras.
Presente em quase todos os filmes de Anderson, Bill Murray vive o pai de Suzy, Walt Bishop, que é casado com Laura (Frances McDormand). Ambos estão ótimos, mas me impressiona como Murray sempre parece a escolha certa para um papel nos filmes de Anderson. Será que o diretor já escreve tendo em mente o ator ou será que ele é uma combinação ideal para o clima melancólico que permeiam os filmes?
A fuga separa o filme em dois mundos. Temos as crianças que estão aproveitando o tempo que têm de serem irresponsáveis e imaturos ainda que seja por um período curto de tempo, e temos o mundo adulto que se une em uma busca para encontrar as crianças que estão desaparecidas. Além dos pais da menina, isso inclui o capitão Sharp (Bruce Willis), o chefe dos escoteiros Ward (Edward Norton) e a assistente social conhecida como Assistente Social (Tilda Swinton).
O que realmente torna um filme de Anderson especial é como ele conta uma história como essa. É claro que sabemos que os eventos que estamos vendo são bem improváveis de acontecer, mas o importante é que sentimos que em nenhum o momento ninguém do elenco (em especial as crianças) estão brincando. Todos levam o filme a sério, o que dá gravidade ao material mesmo que seja tudo lírico. Tudo é fantástico, e muitas vezes o que acontece em forma de fantasia é mais interessante do que o que acontece na vida real. Ou pelo menos é mais interessante da forma que acontece na cabeça de Wes Anderson.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

ED WOOD


NOTA: 9.
- É este. É por este filme que eu serei lembrado.

Para os que nunca ouviram falar do personagem título, Edward D. Wood Jr. era um diretor de cinema que conseguiu o título de pior diretor de todos os tempos. Título que Wood fez por merecer. Segundo observamos neste filme, parece que ele nunca filmou uma cena que não gostasse. Ele era tão apaixonado pela arte e pelo que estava fazendo, que não reparava nos erros grosseiros, atuações ruins ou coisas do gênero. E era justamente no conjunto dessas imperfeições, algumas vezes grotescas, que residia sua grandiosidade e que o tornou em uma lenda.
Conhecido por se vestir de mulher, ele estrelou Glen ou Glenda, onde interpretava o travesti cuja história é contada. Fazendo parceria com o ator Bela Lugosi, que em sua época de maior sucesso ficou imortalizado como Drácula mas que posteriormente ficou no ostracismo, fez seu filme mais famoso: Plano 9 do espaço sideral, filme onde Lugosi morreu durante as filmagens e foi substituído por um dublê que tapava o rosto com sua capa.
Com uma história dessas em mãos, seria fácil pensar que o filme foi feito para zombar do diretor, mas o que Tim Burton, que havia acabado de sair de seu segundo filme de Batman, fez, foi reverenciar esta grande figura. Não apenas isso, Burton celebrou também os filmes da época que exploravam um título interessante e usavam antigas celebridades e criavam filmes dos tipos mais estranhos que possamos imaginar e com resultados duvidosos.
Tim Burton parece ter um gosto por personagens deslocados dos lugares onde estão. Assim foi com Edward Mãos-de-Tesoura, Besouro-Suco, Sweeny Todd entre outros, incluindo até mesmo o Batman. Ed Wood (um Johnny Depp com um entusiasmo que não vemos mais hoje em dia) não é diferente nesse sentido. Seu gosto por roupas de mulher e a sua necessidade imensa de fazer filmes, faz com que ele seja estranho ao resto das pessoas. E ao mesmo tempo faz com que ele seja capaz de atrair os mais diferentes tipos, incluindo o próprio Bela Lugosi (em uma interpretação brilhante de Martin Landau).
Uma das coisas que mais me atraiu neste filme, é justamente a relação entre Lugosi e Wood. Wood parece tão cego para as coisas, que sequer parece perceber a atual realidade de Lugosi. O ator não é mais uma estrela, mas ainda assim Wood faz questão de tratá-lo como se fosse ainda. Ele o adora e acaba se tornando necessário para a vida do velho ator. E é interessante como Lugosi faz um dos melhores filmes de todos os tempos, e acaba fazendo alguns dos piores.
Não sei dizer o quanto esse filme é baseado em fatos e o quanto apenas serviu de inspiração para a criatividade dos roteiristas e do diretor. Seja como for, o filme nos brinda com ótimas cenas, tanto durante as gravações dos filmes de Wood, quanto em outros aspectos de sua vida. Há uma cena ótima onde Wood, travestido, encontra um Orson Welles em um bar e este o inspira a seguir sua visão. E que visão.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

AGENTE 86 - GET SMART


NOTA: 8.
- Eu estou tão feliz. Esse é o dia mais feliz da minha vida.
- Pro cone do silêncio funcionar você tinha que ter apertado o botão até o final.

Adaptado de uma antiga série da TV, este filme não agradou nem toda a crítica ou todo o público. Talvez por isso, apesar de ter sido lançado em 2008, ele não gerou nenhuma continuação. Eu acho uma pena, pois tem as antigas falas, boas piadas e novas ideias além de uma dupla que traz bons (e novos) ares. Além disso, cenas de ação que são muito melhores do que de qualquer outro filme de comédia que consigo me lembrar. E até mesmo que alguns blockbusters.
O Maxwell Smart neste filme é interpretado por Steve Carell. O agente meio atrapalhado mas que sempre consegue salvar o mundo, ou pelo menos os EUA, que opera em uma agência secreta americana chamada de CONTROLE. Seu trabalho é espionar agentes de um grupo terrorista conhecido como KAOS decifrando suas conversas. O desejo real de Smart é ser promovido a agente de campo, mas apesar de ter todas as habilidades, seu trabalho é bom que o Chefe (Alan Arkin) decide deixá-lo onde está.
Então a sede do CONTROLE é atacada e destruída. Além disso, diversos agentes são mortos e as ações estão comprometidas. Apenas a Agente 99 (Anne Hathaway) está em condições de operar, pois passou por uma reconstrução facial completa e ninguém sabe como ela parece atualmente. Para atuar com ela, Smart é finalmente promovido a agente de campo. Ele é o novato trabalhando com alguém mais experiente que tem que livrá-lo das confusões.
O plano para assassinar o presidente que KAOS planeja fazer é explodir com uma bomba nuclear um concerto na Disney onde haverá um concerto. Confesso que não consigo descobrir porque a bomba deve ser colocada dentro da onde o presidente vai estar. Já que é uma bomba nuclear, um ou dois quilômetros de diferença não fariam o mesmo efeito? Mas Siegrified (Terence Stamp) tem um plano interessante que parece que somente Smart é capaz de deter.
Acho que uma das coisas que mais achei interessante é a mistura de humor com as cenas de ação. Filmes de ação sempre buscam uma piada quando podem para aliviar a tensão. Aqui, as cenas cômicas é que são intercaladas com cenas de ação. Como já disse, as cenas de ação são ótimas, o diferencial é que a comédia aqui é muito melhor.
Existem muitos derivados e paródias de filmes de James Bond, eu devo dizer que a série era a melhor paródia que já vi do gênero, e felizmente o filme não fica muito atrás. Algumas cenas de ação são tão elaboradas que deixa até mesmo vários filmes do agente 007 no chinelo. Especialmente a cena final que envolve um carro em chamas andando em trilhos e um avião enquanto Smart tenta reaver o detonador de uma bomba nuclear que pode matar o presidente. Me impressionou bastante e me desaponta que não tenha tido uma continuação.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

FEITIÇO DO TEMPO - GROUNDHOG DAY


NOTA: 10.
- Se você quer uma previsão do tempo, está perguntando para o Phil errado. Eu posso te dar uma previsão do inverno: vai ser frio, vai ser cinza e vai durar o resto da sua vida.

Pode parecer estranho para muito gente o acontecimento de um déjà vu, como se não fosse uma coisa natural. Acontece que é disso que o cinema vive. Hollywood quer que a gente sinta como se a gente já tivesse passado pelas situações que eles nos apresentam. É sensação de familiaridade que nos faz nos identificar com o que vemos nas telas. É isso que faz o cinema americano funcionar.
Por isso que mesmo com essa aparente falta de imaginação que domina as produções, devemos reconhecer que a inventividade trabalha logo ao lado. E é ela que trabalha para fazer do citado déjà vu uma excelente comédia sobre um único dia que se repete incessantemente. Melhor ainda se o filme tiver Bill Murray encabeçando o elenco.
E é justamente ele quem fica preso revivendo o dia no papel de Phil Connors, um jornalista que tem que ir pra pequena cidade de Punxsutawney onde ocorre o Dia da Marmota. Basicamente, o evento é esperar que a marmota, que também se chama Phil, saia da toca e anuncie que que o inverno não acabou, que ainda vai durar mais seis semanas. Como se a previsão dele fosse alterar alguma coisa. Para ele, que se considera uma estrela da TV, apesar de só falar do tempo, fazer essa reportagem é uma chatice. Muito abaixo do que seu talento pode produzir.
Sua equipe consiste do câmera, Larry, e a produtora Rita (Andie MacDowell). Ambos já estão com ele tempo suficiente para não o suportarem mais. Ele é egoísta demais para pensar em qualquer outra pessoa, o que torna fácil para as outras pessoas não darem a mínima para ele.
Para piorar ainda mais as coisas, uma nevasca impede que eles saiam da cidade, e quando Phil acorda no dia seguinte, não é realmente o dia seguinte. Ainda é o dia da Marmota, e somente ele se recorda de já ter passado por aquilo antes. Para todo o resto está acontecendo pela primeira vez. Tanto que todos dizem sempre as mesmas coisas e agem sempre da mesma forma. A única coisa que pode mudar nisso tudo é ele mesmo.
E ele muda. Primeiro fica nervoso e tenta descontar em todos, até mesmo na marmota. Depois fica depressivo até chegar ao ponto de virar suicida inúmeras vezes (acho que é a primeira vez que vejo um personagem morrer de diferentes maneiras no cinema). Mas ele não morre realmente, no dia seguinte ele ainda está lá. Ele chega a pensar que é um Deus (não O Deus). Por que não se aproveitar? Ele pode conversar com uma mulher e descobrir tudo que ela procura em um homem. Então, no "dia seguinte", ele encontra essa mesma mulher e se torna tudo que ela quer.
Acontece que esse tipo de atitude é um paliativo como o resto das coisas que ele tentou. Elas não fazem o tempo correr seu curso novamente. Não há escapatória a não ser mudar de verdade. Se tem uma coisa boa nisso para ele, é que ele é capaz de observar tudo que faz de errado e tentar melhorar. Não se trata de conquistar uma mulher por um dia, mas pelo resto da vida. É tratar bem as pessoas. E como Murray nos mostra, se tornar uma nova pessoa pode ser ótimo.

terça-feira, 17 de maio de 2011

TOOTSIE


NOTA: 9.
- Você é um psicopata.
- Não, eu sou um contratado.

Na década de 1940 esse tipo de filmes não eram tão incomuns e eram bem aceitos pelo público. Misturavam uma certa seriedade na trama misturada com situações absurdas para fazer uma boa comédia. Em 1959, Billy Wilder repetiu o feito e manteve seu filme em preto e branco para que a aparência dos atores não causasse estranheza no público. Neste filme, de 1982, o gênero aparece novamente mas dessa vez em cores mas ainda assim como uma boa comédia. Ao contrário as péssimas produções atuais como As branquelas e outros lixos do gênero.
Dustin Hoffman interpreta Michael Dorsey, um personagem que deve ter sido inspirado no próprio ator antes de fazer sucesso. Dorsey é um ator muito talentoso mas também muito intempestuoso, por isso criou para si uma péssima reputação de encrenqueiro. Quando vai falar com seu empresário George Fields (o também diretor Sydney Pollack), este lhe avisa que ninguém em Nova York ou até mesmo em Hollywood irá contratá-lo. Ninguém quer trabalhar com ele.
Um dia, Dorsey acompanha uma amiga sua em um teste para um papel em uma novela, mas ela não consegue o papel. Dorsey volta para casa e resolve ele mesmo se travestir para tentar o papel e acaba o conseguindo depois de mostrar que pode ser uma "mulher forte" como eles querem. Michael Dorsey pode não conseguir ser contratado, mas Dorothy Michaels tem um trabalho fixo na TV agora.
Talvez muitos possam pensar que este também deveria ter sido filmado em preto e branco para que Hoffman parecesse mais natural. Para mim ele funciona de uma certa maneira peculiar. Disfarça a voz através de um sotaque que criou para o personagem. A roupa é muito exagerada, assim como a peruca e seus óculos, mas tudo faz parte do conjunto. Quem nunca viu nas ruas uma mulher exagerada que parecia uma drag queen? Ele é um homem vestido como uma mulher que parece uma drag. Por isso acredito que funciona.
Assim como acredito que funciona tão bem porque é também uma grande comédia. Mesmo que as maquilagens e as roupas não funcionassem em algum nível, ainda assim restaria um filme com ótimas cenas e muitas risadas. Especialmente nas cenas entre Hoffman e Bill Murray, que interpreta seu amigo Jeff. Mais impressionante ainda que todas as falas de Murray foram improvisadas por ele.
Dorsey começa a ter que conviver com um ator da novela que parece se apaixonar por ele, uma "namorada" que acredita que ele está tendo um caso com Dorothy (apesar dele afirmar ser impossível) enquanto ele mesmo começa a se apaixonar por uma das atrizes da novela interpretada por Jessica Lange e que vê um Dorothy uma ótima amiga.
O melhor de tudo é que o filme não é tão superficial como parece ser. Dorothy começa a tomar vida própria por conta da sua popularidade. E se torna mais um problema que ele deve enfrentar. Situação que até mesmo dificulta sua saída da novela. Além disso, é um filme que se torna muito tocante, especialmente no final. E surpreende que um comédia tenha tanta delicadeza.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A VIDA AQUÁTICA COM STEVE ZISSOU (THE LIFE AQUATIC WITH STEVE ZISSOU)


NOTA: 5.
"Agora se todos me dão licença, eu vou cair bêbado, e em 10 dias eu vou atrás atrás do tubarão que comeu meu amigo e vou destruí-lo. Se alguém quiser se juntar a mim será mais que bem vindo." Steve Zissou

O diretor Wes Anderson tem uma maneira peculiar de fazer seus filmes. Eles parecem estar se passando no mundo real, onde vivemos, mas se passam na verdade numa espécie de mundo paralelo que apesar das similaridades, tem suas diferenças. As pessoas falam de maneira que você não ouve nas ruas, e agem de formas que você nem imaginaria. Não à toa, seu barco tem instalações que incluem até mesmo um spa, e a vida marinha com formas impressionantes e irreais. Esse é o mundo de Wes Anderson.
Steve Zissou (Bill Murray) é uma espécie de Clouseau se este estivesse sob efeitos de drogas. O conhecemos na estréia de seu último documentário, que acaba na morte de seu melhor amigo, que foi comido por uma espécie de tubarão nunca vista antes. Zissou apelida de Tubarão Jaguar. A verdade é que ele não tem idéia do que atacou seu amigo, mas ele decide que vai caçar o bicho, numa espécie de inspiração por Ahab que caçava a baleia Moby Dick.
Além de seus tripulantes habituais e os estágiários que trabalham de graça, embarca também uma repórter grávida que planeja escrever sobre Zissou, Jane (Cate Blanchett) e Ned (Owen Wilson) que pode ser ou não filho de Steve Zissou. Ned, Zissou e Jane formam uma espécie de triângulo amoroso, mas sem amor algum com dois personagens querendo a atenção de Jane. Outro triângulo é formado também por Klaus (Willen Dafoe), Zissou e Ned, dessa vez com dois personagens querendo a afeição de Zissou.
Para os brasileiro há uma presença ainda mais estranha, a de Seu Jorge. Ele tem apenas uma ou duas falas durante o filme inteiro, mas sua principal função, na verdade, é estragar músicas antigas de David Bowie com versões em português.
A verdade é que o filme apresenta personagens interessantes que dialogam de maneira que somente Anderson pode fazer os personagens falarem, o que representa sim uma boa coisa, mas a história do filme não envolve tanto quanto as histórias de seus outros filmes. Pra sorte de Anderson, ele conta com um elenco de primeira, que inclui uma Anjelica Huston mostrando que pode interpretar o papel que quiser. Não é um filme que recomendo ninguém a assistir, mas qualquer um que tiver interesse não será desencorajado.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

ZUMBILÂNDIA


NOTA: 8.
"Quando a infestação de zumbis começou, os primeiros a serem comidos, por motivos óbvios, foram os gordinhos." Columbus

É difícil acreditar que tenham demorado para fazer uma comédia sobre zumbis em Hollywood. O único filme (que eu lembro) que tinha brincado com zumbis, com muita competência, foi Todo mundo quase morto, e de lá para cá já se foram 6 anos. Zumbieland (no original) finalmente aparece para acabar com esse vácuo. Apesar de diferente e contar com cenas de ação, é também extremamente divertido. Convenhamos, os zumbis já tinham parado de ser assustadores algum tempo atrás. Mesmo filmes competentes como Madrugada dos mortos já não assustavam tanto a platéia. Aqui parece que eles sempre pertenceram a esse gênero.
Os personagens não tem nomes. Conhecer os nomes implica em uma aproximação. Uma intimidade. Nenhum deles quer isso. Eles são apenas conhecidos pelos lugares de onde vieram: Columbus (o narrador, Jesse Eisenberg de Férias frustradas de verão), Tallahassee (Woody Harrelson), Wichita (Emma Stone, de Superbad) e Little Rock (a pequena sunshine, Abigail Breslin). Um mais diferente do outro. Columbus é um nerd enquanto Tallahassee é um doido. "Minha mãe sempre disse que serviria pra alguma coisa. Quem diria que seria matar zumbis?", ele diz. Diferenças que geram vários diálogos hilários.
O filme se torna uma viagem pelo país como em vários outros filmes, exceto que aqui, pelo caminho, zumbis aparecem aos montes para morrerem das mais diferentes formas. Até um banjo é usado. Espetáculo dado especialmente por Harrelson, o grande achado do filme. Como o próprio Columbus diz, ele tem realmente algo contra os zumbis. Só vendo o filme para descobrir o porquê. E no meio de tudo isso eles chegam a ficar na casa de Bill Murray, e ele ainda está na casa, o que rende a cena mais engraçada que eu consigo lembrar em muito tempo. Não direi mais para não estragar nada.
O fato é que um dos filmes mais divertidos do ano passado nos EUA chegou com atraso aqui no Brasil, mas pelo chegou. E vale a pena ser visto. Nem que seja para ver como Bill Murray não precisa de muita coisa para fazer rir, ou para ver uma matança de zumbis (e realmente muitos morrem), ou mesmo para ver um nerd conseguindo sobreviver em um filme como esse. De qualquer forma eu estou satisfeito de não ter perdido a festa.
OBS: Um dos zumbis seria interpretado por Patrick Swayze, mas logo ele teve que começar a fazer seu tratamento contra o câncer que tinha e não pode participar. Também foram oferecidos papéis de zumbis a Joe Pesci, Mark "Luke Skywalker" Hamill, The Rock, Kevin Bacon, Jean-Claude Van Damme e Matthew McConaughey, porém ninguém mais aceitou.
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