quinta-feira, 29 de novembro de 2012

HOLY MOTORS


NOTA: 10.
- Ainda não demos uma risada essa noite.

Aqui temos um filme raro de encontrar. Acompanhamos um dia de trabalho na vida de Monsieur Oscar, um homem que ganha sua vida dentro do cinema. Não digo que os outros personagens não vivam no cinema, mas é raro encontrar um que viva 11 personagens diferentes (se não errei na conta), em cenários diferentes, enquanto se locomove de uma locação para outra dentro de uma enorme limousine branca.
O filme não deixa margem pra dúvidas que se trata de diferentes filmes dentro do filme. Na primeira cena, o próprio diretor surge deitado em uma cama dormindo. Ele acorda e se dirige em direção à parede do quarto, que tem um papel de parede com desenho de uma floresta. Ele tateia pela parede até encontrar um buraco de fechadura e abre uma porta usando uma chave que cresceu de seus dedos e que cabe exatamente no buraco. Como é o próprio diretor na cena, devo supor que ele está abrindo um novo mundo para nós? Um mundo pessoal? Provavelmente sim.
Depois dessa cena encontramos Oscar saindo de uma casa e entrando na limousine branca. O mais interessante é que o interior parece muito maior do que quando vemos por fora. E ainda, o interior é na verdade um camarim completo com todas as maquiagens, roupas e acessórios necessários para viver praticamente qualquer situação que precise. Depois de sair de casa de terno, rapidamente está completamente arrumado para sair de dentro do carro como uma velha mendiga que sai pedindo dinheiro pelas ruas.
Este papel é apenas o primeiro (ou será que quando aparece a primeira vez de terno já está personificando um papel?) de muitos papéis que viverá durante o dia. Não há qualquer semelhança entre os papéis ou qualquer coisa que os ligue. É como um artista que vive esses papéis de maneira quase insana pelo simples prazer de poder vivê-los. Quando se fantasia de louco, anda pelo cemitério comendo flores deixadas em túmulos até sequestrar uma modelo (Eva Mendes) que estava posando para fotos, usando a própria roupa dela para transformar o figurino de modelo em um figurino muçulmano.
Essa não é a única parte estranha do filme, e na verdade essa é a grande graça de poder assistir um filme como esse. Nunca sabemos para onde iremos a seguir, ou mesmo o que pode acontecer. Em um filme como esse, qualquer coisa é possível. Literalmente. Cada novo compromisso que ele tem é um mistério. Dentro do carro, sabemos apenas como ele vai se caracterizar, mas o decorrer das situações podem ser mais inusitados do que se imagina.
Não é um filme para um grande público, apesar de acreditar que poucas pessoas poderão se sentir entediadas diante de um filme desse. Anárquico como poucos tentam ser, imagino que o filme deva ser um presente por ter tanta liberdade. É uma espécie de reinvenção do cinema. Quando disse que nada liga os personagens interpretados por Oscar, talvez tenha me equivocado, todos são ligados pela visão artística do diretor. 

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