terça-feira, 22 de dezembro de 2009

ADORAÇÃO


NOTA: 8.
"Seu tio é um homem raivoso. Algumas pessoas o acham estúpido mas não é verdade. Quando alguém carrega esse tipo de raiva o tempo todo, pode parecer estúpido. Esse é o lance da raiva. Ela suga muita inteligência." Morris

A princípio este filme parecer confuso, mas acredito que se o espectador prestar bastante atenção o achará muito mais envolvente que confuso. Apesar de algumas voltas que a história dá. E que fique claro que as voltas também apenas deixam o filme cada vez mais interessante. A cada volta um novo aspecto da história é mostrado para gente. E a cada novo aspecto apresentado, somos levados a uma direção diferente da anterior. Para que eu fique menos confuso, melhor falar logo do filme.
Simon é um garoto no colégio lendo uma redação para seus colegas de classe. Ele lê em primeira pessoa. A redação é sobre seus pais. Aparentemente, sua mãe foi presa no aeroporto porque carregava uma bomba que deveria explodir dentro do avião matando 400 pessoas. A bomba teria sido colocada na bolsa dela pelo pai dele, sem que ela desconfiasse de coisa alguma.
Seguido a isso, aparecem cenas que mostram sua professora de francês lendo uma reportagem sobre esse incidente que Simon descreve sobre seus pais e seu avô chamando seu pai de assassino. Mas nem tudo que parece é. E o que realmente aconteceu, terá que ser descoberto pelo espectador. Bem próximo ao fim do filme. Afinal, por que a professora resolveu ler sobre incidente em específico para a turma? Por que incentivar tanto o garoto a prosseguir com a história? E se a história for realmente real, o que leva Simon a torná-la pública logo agora? Contar que seu pai tentou matar a mãe grávida dele mesmo?
A cada novo descobrimento sobre a história, vamos acompanhando o filme de uma forma diferente. Não apenas porque a história está indo para um novo rumo, mas também porque o ponto de vista da história mudou. Assim um fato que antes parece uma barbaridade impensável pode logo em seguida se transformar em um objeto de reflexão. Dessa forma, pensamos sob diferente pontos de vista de uma mesma história. Como a princípio olhamos um personagem com ternura para depois descobrirmos que é um canalha. Primeira vez que me recordo de ter sentido essa sensação.
Atom Egoya (diretor) parece fazer um exercício de cinema. O filme é muito menos sobre personagem. É muito mais sobre um tema. É um tema complexo que aprisiona os personagens. Como uma teia de aranha que nenhum deles consegue fugir. O que se torna engraçado se pensarmos que essa ausência de um personagem central forte por um tema torna todos os personagens tão mais interessantes.

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