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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

HITCHCOCK TRUFFAUT 18: AGENTE SECRETO - SECRET AGENT (1936)

Para ler o que já saiu de Hitchcock Truffaut, clique aqui.


NOTA: 7.
- Você ama seu país?
- Bem, eu acabei de morrer por ele.

Hitchcock continua aprimorando sua técnica de adaptações para o cinema. Dessa vez ele pegou histórias sobre o agente secreto Richard Ashenden (aqui interpretado por John Gielgud), que tem uma série de livros publicados. Para fazer seu filme, ele pegou dois livros e ainda uma peça baseada também no personagem. Toda a trama sobre a espionagem foi baseada nos livros, já o romance do agente ele tirou da peça.
Há algo, porém, que não funciona muito bem como em seus filmes anteriores, e o próprio diretor indica qual é o problema. Em todo filme de ação, o herói deve ter um objetivo, uma meta. Ashenden tem uma missão, mas essa o repugna. Ele não tem um real interesse em completar seu objetivo. Segundo ele mesmo observa, com isso fica difícil da platéia de apóia-lo. ou como diz depois, de mesmo ajudá-lo a cumprir seu objetivo.
Outro problema, é a própria missão que ele deve executar: matar um homem, o que não é lá tão emocionante assim de se acompanhar. Para piorar a situação, ele acaba confundindo o alvo com um inocente turista que nada tem a ver com a história. A morte do pobre homem só serve para afastar a platéia um pouco mais do mocinho, e tornando o vilão ainda mais interessante.
Truffaut lembra um detalhe que Claude Chabrol e Eric Rohmer observaram nesse filme de hitchcock e que ele ainda levaria para muitos outros filme: o vilão como sendo um homem rico, simpático, distinto, educadíssimo e sedutor. 
A trama: um homem é noticiado como morto em um jornal. É apenas um truque para que Ashenden possa trabalhar como agente secreto sob um nome diferente. Sua missão é assassinar um homem. Para isso ele conta com a ajuda do General (Peter Lorre) que sempre insiste em declamar todo o seu extenso nome, e Elsa (Madeleine Carroll), uma espiã mais interessada na emoção que a missão pode lhe dar que pelo próprio objetivo da missão.
Apesar da figura apagada do herói, que em momento algum consegue nos convencer que haja alguma coisa na Suiça que realmente mereça ser espionada, o filme tem bons personagens além do vilão. Lorre é interessantíssimo como um matador que vive perseguindo mulheres e Carrol, apesar de não ser tão bonita quanto outras atrizes que haviam na época, dá uma doçura à sua personagem que é muito bom de ver.
O que mais me incomoda no filme, é um erro decorrente: apesar de contar com uma direção primorosa, Hitchcock ainda parecia se cercar de amadores para fazer seus filmes. Movimentos de câmera imprecisos, edição de vídeo defeituosa e algumas vezes estranha e uma de som que contrasta silêncios bizarros com barulhos ensurdecedores. Não é um dos seus melhores ou piores filmes, mas ainda assim é muito interessante ver um grande diretor se formar filme a filme.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

HITCHCOCK TRUFFAUT 16: O HOMEM QUE SABIA DEMAIS - THE MAN WHO KNEW TOO MUCH (1934)

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NOTA: 8.
- Diga a ela que eles podem estar partindo. Partindo para uma longa jornada. Como é que Shakespeare disse? "Da qual nenhum viajante jamais voltou". Grande poeta.

Hitchcock dá créditos ao seu produtor Michael Balcon, que trabalhou neste filme apesar de seu nome não aparecer nos créditos. Ele dá os méritos primeiro por o ter lançado como diretor, e neste momento por dar um segundo início à sua carreira depois dos últimos fracassos. O filme foi o mair sucesso comercial do diretor enquanto esteve filmando na Inglaterra e fez também grande sucesso nos EUA, o que não era muito comum na época. 
Ao contrário da versão americana lançada anos depois, e filmada também pelo próprio diretor, o início deste filme se passa na Suiça. Um casal e sua filha estão passeando por lá quando um misterioso tiro mata um amigo deles. Antes de falecer, ele confidencia um papel que tem segredos sobre um atentado contra uma pessoa importante. Para evitar que o casal diga qualquer coisa à polícia, espiões sequestram a filha deles em troca do silêncio. O que dura até que eles tentem por conta própria encontrar a menina.
O final do filme é um cerco da polícia aos terroristas. O incidente é uma reprodução de um caso que ficou conhecido como "O cerco de Sydney street", fato que ocorreu quando Churchill ainda era chefe da polícia. A cena trouxe problemas com a censura, que considerava o caso o mais vergonhoso da história da polícia londrina, por apresentar oficiais chegando armados no local (eles não andam armados). Depois de um longo impasse, ele resolveu o problema mostrando um veículo chegando com as armas.
A melhor cena do filme com certeza é a do atentado antes do cerco. Para disfarçar o barulho do tiro, o atirador deve atirar no exato momento em que a orquestra toca címbalos para disfarçar o som. A cena segura o suspense até a sua conclusão. Com certeza, a que melhor representa o que o diretor viria a se tornar. Só ele mesmo viria a se superar na refilmagem. Como disse na entrevista: "Digamos que a primeira versão foi feita por um amador de talento, ao passo que a segunda foi feita por um profissional." E a cantata composta por Arthur Benjamin é tão boa, que Bernard Herrmann se recusou a gravar uma nova versão.
O mais interessante da entrevista é quando o diretor declara que para criar o suspense é preciso esclarecer todos os elementos para a platéia. No caso, no remake que fez, ele detalhou muito mais o que eram címbalos, chamando assim a platéia a ter maior participação dos eventos. Ou como Truffaut chama, é precisa ser um "simplificador". Só uma mostra que ele iria apenas melhorar.
Tem tudo que o diretor tinha de bom, apenas em um estado mais bruto. Sendo lapidado filme a filme. Como ele mesmo disse, "o talento estava lá". O começo do domínio dos cortes para manter a tensão e o suspense. Para melhorar, o primeiro filme em inglês do extraordinário Peter Lorre. Só é uma pena que o resto do elenco não consiga o acompanhar. Mas apesar de tudo, um bom filme do diretor.
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