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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

PAPAI NOEL ÀS AVESSAS - BAD SANTA


NOTA: 9.
- Você não vai conseguir ir no banheiro direito por uma semana.

Este filme tem roteiro da dupla que dirigiu e escreveu Amor a toda prova, onde mostraram maturidade para contar uma linda história sobre um casal há muito casados que estão se separando. Antes de realizarem isso, porém, eles mostraram um humor negro muito interessante em O golpista do ano (filme sobre os golpes dados por um vigarista para ter dinheiro para sustentar seu namorado) e aqui, onde pervertem a figura do Papai Noel.
Claro que não estamos falando de um Noel de verdade, mas sim de um homem, Willie (Billy Bob Thorton),  que se veste todo ano e fica em shoppings com crianças sentadas em seu colo escutando o que elas querem ganhar de presente no natal e tira fotos com elas. Ele é também um arrombador de cofres depressivo, alcoólatra e viciado em sexo (especialmente no tipo não convencional) que usa esse disfarce apenas para roubar os shoppings onde trabalha junto de um anão fantasiado de elfo.
Não é difícil de descobrir que alguém vai aparecer na vida dele para que ele comece a pensar numa vida diferente, mas mesmo isso não acontece da maneira convencional. Ele não é bonitinho e ele não é esperto. É um menino beirando a obesidade e que apresenta um QI claramente abaixo da média. Ele segue Willie como se fosse um estranho modelo para seguir, e se não fosse como é provavelmente não alcançaria nosso anti-herói.
Vale ainda ressaltar, que o nível de Willie é tão baixo, que qualquer melhora já é alguma coisa. Estamos falando de um homem que grita e xinga crianças, mija nas próprias calças com preguiça de ir no banheiro e transa com mulheres nas cabines de experimentar roupas das lojas. E não levem isso mal, são todos esses motivos que fazem o filme ser bom. É doentio, sem limites para o absurdo e ao mesmo tempo muito engraçado de assistir. E grande parte disso é a atuação de Thorton como esse Papai Noel doentio. 
Com tanto filme igual sendo lançado ano após ano, é bom olhar para trás e ver que algumas vezes algumas pessoas estão dispostas a fazer alguma coisa diferente. Eu não gosto do filme apenas por isso, realmente acho que é muito interessante, mas ter essa característica com certeza melhora um pouco as coisas. As regras morais de Hollywood vão caindo pouco a pouco, mas quase nunca você encontra um filme que esteja disposto a ir contra todas elas.
O filme é dirigido por Terry Zwigoff, cuja filmografia eu admito que desconheço. Talvez nas mãos de um diretor um pouco mais talentoso e, principalmente, mais audacioso, o filme poderia render risadas ainda maiores. Ele prepara muito cada piada com longas pausas, enquanto comédias tendem a depender mais de ritmo que qualquer outra coisa. Ainda assim se trata de um filme muito interessante e que não me arrependi nem um pouco de ter revisto. Assim como antes, novamente me rendeu boas risadas.

domingo, 28 de agosto de 2011

AMOR A TODA PROVA - CRAZY, STUPID, LOVE


NOTA: 8.
- Eu vou te ajudar a encontrar sua masculinidade. Tem alguma ideia de onde você pode ter perdido?

O que tem de interessante nesse filme, é que se trata de uma comédia romântica (ainda que não exagere nas piadas) bem inteligente com personagens que tem uma característica cada vez mais rara em filmes: são pessoas de "coração bom", como se costuma dizer. Dirigido por Glenn Ficarra e John Requa, a mesma dupla que dirigiu Jim Carrey em O golpista do ano, o filme é uma boa surpresa com um elenco de primeiríssima linha, que dão um apelo especial pelo filme.
Em especial Steve Carrel, que parece crescer mais nas telas de cinema a cada filme que realiza. Aqui ele é Cal, chefe de uma família aparentemente feliz. No restaurante, vemos diferentes pés debaixo de diferentes mesas. Todos os homens estão usando sapatos, até chegarmos nos pés dele com tênis. Sem modo de vestir também não é muito diferente, ele é claramente um relaxado. Quando ele diz pra sua mulher o que quer comer, ela diz que quer divórcio. Assim começa o filme.
Ele acaba indo para um bar afogar suas mágoas onde encontra o mulherengo Jacob (Ryan Gosling, que continua a surpreender pela versatilidade e talento), que fica com pena e resolve ajudar Cal a reencontrar sua masculinidade, seja lá onde ela a tenha perdido. Ele parece ser o homem certo para o trabalho, já que a cada noite ele sai com uma mulher diferente de sua escolha. Sua única rejeição acontece pelas mãos de Hannah (Emma Stone), o que não dura muito tempo.
Enquanto Cal tenta dar um novo rumo a sua vida, com novas roupas, sapatos e corte de cabelo, sua esposa Emily (Julianne Moore) continua se encontrando com colega de trabalho (Kevin Bacon) por quem parece estar trocando Cal. Ao mesmo tempo, seu filho se encontra cada vez mais apaixonado pela babá mais velha e que está obviamente apaixonada por Cal, que finalmente aprende a se dar bem em bares conseguindo sair com mulheres como Marisa Tomei (hilária).
Como se pode perceber, o filme tem um fluxo que vai seguindo e renovando o filme a cada momento. São diversos personagens e todos com uma função. Todos dando continuidade ao filme. As duas gerações, Cal e Jacob, porém, começam a trocar de papel. Cal consegue ir pro bar e sair com diversas mulheres, enquanto Jacob começa a ficar cada vez mais, e exclusivamente, próximo de Hannah. Ainda mais, ele faz o que parece não ser capaz: se apaixonar de verdade.
Se trata de um filme que prioriza seus personagens para contar uma história. Mesmo o personagem de Bacon, um aparente destruidor de lares, não é desprezível. Todos tem seus problemas e desejos. Estraga apenas saber que de alguma forma todos (e todos mesmo) os personagens vão se encontrar no final para o grande fechamento do filme. Apesar de seguir essa fórmula certinha, ainda assim é um filme que me agradou bastante. Seja pelos personagens ou pelos caminhos que eles seguem.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O GOLPISTA DO ANO


NOTA: 8.
- O amor é uma coisa engraçada. Te alegra, te entristece, te faz realizar todo um monte de coisas que você nunca pensou em fazer antes. Na verdade, amor é a razão pela qual eu estou aqui deitado e morrendo.

Como o filme tem um tom de comédia, somos avisados logo de cara que a história que vamos ver é real. Somos avisados duas vezes, para não ter dúvidas. Então para deixar claro, essa é uma história real. Os diretores escreveram o roteiro baseado no livro que conta a impressionante história de Steven Russell, que aqui é interpretado por Jim Carrey.
Quando pequeno, Russell descobriu que era adotado. Ele cresceu, se casou, teve uma filha e virou policial. Mas que ninguém se engane, ele não virou policial para fazer o bem. A verdadeira razão de se tornar policial era simplesmente encontrar sua verdadeira mãe e saber porque ela o abandonou. Ele acaba a encontrando, mas nunca consegue descobrir o motivo que ela teve. De qualquer forma, como não vê mais motivos em continuar como policial, ele muda de emprego e de cidade.
Acontece que toda essa vida que ele levou até o momento é uma mentira. Depois de se envolver em um acidente, ele tem uma epifania: ele é gay. Nada mais de esconder quem ele realmente é e forjar uma vida de fachada para as pessoas. Ele vai viver como quer e, principalmente, ele vai transar com quem ele quiser. Por isso se muda para Miami onde vive com seu namorado Jimmy (Rodrigo Santoro). Para seu azar, ele descobre que ser gay é muito caro, por isso aplica golpes em seguradoras e e falsifica cartões de banco para manter seu estilo. Eventualmente, ele vai preso.
É na cadeia que ele encontra seu verdadeiro amor: Phillip Morris (Ewan McGregor). Mas encontrar o amor da sua vida não o faz sossegar. Se passando por advogado, ele consegue sair da cadeia e tirar Morris de lá. Disposto a dar tudo para ele, ele até mesmo vai para julgamentos como advogado. Consegue um bom emprego com um bom salário, mas nunca se dá por satisfeito. Mesmo com o emprego ele ainda aplica seus golpes para fazer ainda mais dinheiro. O grande problema de Russell é ser ganancioso demais. E Morris é inocente demais para perceber rapidamente o que está acontecendo.
Antes que alguém reclame que escrevi que ele decide ser gay, que venham dizer que a pessoa ou é ou não é, eu digo que apenas acho que não é o caso aqui. Morris é um personagem interessante, parece que tudo que ele faz é para ser do contra. Ele poderia ser brilhante e ganhar muito dinheiro, mas preferiu ser do contra e vive numa eterna luta contra as autoridades. A única coisa que realmente parece ser real é seu amor por Morris.
Carrey está ótimo no papel do vigarista. Pode-se até questionar um ator de comédia para fazer um papel desses, mas na verdade ele caiu como uma luva. Pelo simples fato de ser uma história demasiadamente fantástica para se acreditar. Mesmo se fosse uma ficção, pareceria exagerado. Além disso, ele consegue passar uma imagem afável com contornos cômicos e dramáticos quando necessário. Ótima performance.
Bem. A pena de Russell parece muito exagerada para alguém que nunca causou mortes ou qualquer tipo de destruição. Ainda assim, realmente deve ser muito embaraçoso para as autoridades um sujeito que consegue fugir diversas vezes (4, sempre às sextas-feiras 13) e que conseguiu também enganar todo o sistema penal e penitenciário. Pena que usou sempre seu intelecto de forma destrutiva. Pelo menos rendeu uma ótima história.
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