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terça-feira, 6 de setembro de 2011

AS MÚMIAS DO FARAÓ - LES AVENTURES EXTRAORDINAIRES D'ADÈLE BLANC-SEC


NOTA: 8.
- A morte é o único caminho que leva ao nascimento.

Confesso que não conhecia os quadrinhos de Jacques Tardi que deram origem a esse filme. Depois de uma pesquisa, pude visualizar o estilo que o autor dá à sua intrépida heroína. E o diretor Luc Besson vai de encontro a esse visual cartunesco dos quadrinhos para fazer um filme que pode não ser ótimo, mas que pelo menos diverte bastante.
Um dos motivos que o torna um bom filme, é o cuidado do diretor em dimensionar suas heroínas. Seja a torturada alma da assassina Nikita, a pobre menina órfã Matilda que segue um matador profissional em busca de vingança ou até mesmo a mártir Joana D'Arc. Esse não é assunto estranho para ele, por isso trata de trabalhar muito bem suas personalidades, desejos e objetivos.
No caso aqui, a heroína é Adèle Blanc-Sec (Louise Bourgoin), uma aventureira caçadora de tesouros com uma missão muito mais importante que encontrar relíquias: ela quer achar a múmia do médico de um antigo faraó que pode conseguir curar sua irmã que sofreu um acidente. Para ela, eles tinham um conhecimento avançado na medicina e por isso as múmias conseguem ficar intactas mesmo depois de milhares de anos.
Para ajudar, ela conta com a ajuda de Espérandieu, um excêntrico cientista que desenvolveu uma técnica de dar vida à criaturas há muito mortas. Para aperfeiçoar sua técnica, ele dá vida a um pterodáctilo dentro de um ovo  de milhões de anos em um museu. O animal causa tantos problemas que o Espérandieu acaba sendo preso e a polícia contrata um caçador para dar conta do recado.
As cenas de ação funcionam muito bem, em especial por tirar aquele tipo de ação cômica e um pouco nonsense dos filmes de Indiana Jones. Como na cena em que ela consegue fugir usando um sarcófago. É mais ou menos uma amostra do que os filmes de Tomb Raider poderiam ter se tornado se tivessem algum tipo de cuidado.
O início do filme é que peca um pouco em relação ao seu resto. Logo de cara, há uma narração ao estilo de Amélie Poulain, mas que não é tão boa assim. O mais estranho porém, é que tão rápido quanto o início da narração é o fim da narração. Parece que ela existe apenas para dar informações que o diretor teve preguiça de filmar para a platéia, aí quando chega nas partes que ele decidiu filmar ela acaba. Para a sorte do filme, ainda estamos no início do filme, o que não estraga muita coisa.
Claramente, Besson quer dar início a uma franquia francesa sobre Adèle, mas ainda não anunciaram nenhuma nova aventura. É uma pena, porque é um bom exemplar de filmes de ação (melhor que a maioria de Hollywood) com uma heroína carismática interpretada com competência e beleza por Bourgoin. Agora que a personagem foi introduzida, há a possibilidade de melhorar mais a franquia. Um dos melhores filmes de Besson em muitos anos.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

DUPLA IMPLACÁVEL


NOTA: 4.
"Não sou seu motorista, sou seu parceiro." James Reese

Se você gostou de Busca implacável e quer ver o filme de novo, pode assistir a esse Dupla implacável. Se assistiu e não tem a menor pretensão de assistir novamente, passe longe deste Dupla implacável, que tem até mesmo o nome quase igual. Assim como o desenrolar da história.
Sai Liam Neeson e entram John Travolta e Jonathan Rhys Meyers. Reese (Meyers) é uma espécie de agente duplo que trabalha para o embaixador americano na França ao mesmo tempo que trabalha para alguma agência secreta, seja lá qual agência for. Ele é um agente pé de chinelo que realiza trabalhos simples como trocar placas de um carro ou plantar uma escuta em um escritório. Até que é chamado para ser parceiro de Charlie Wax (Travolta).
Já Wax é um agente chamado para resolver grandes problemas. Porque alguém chama Wax para trabalhar é um grande mistério, já que tudo para ele se resolve atirando e explodindo coisas. Assim como é um mistério qual sua verdadeira missão, mas isso não faz grande diferença já que as únicas missões que importam é de Wax matando pessoas e as pessoas tentando matar Wax.
O diretor Pierre Morel, o mesmo do já citado Busca implacável, faz o mesmo trabalho que em seu filme anterior. Ele, que antes era diretor de fotografia, leva o filme em cima de uma premissa que beira a estupidez e resolve tudo da maneira mais fácil possível, torcendo para a platéia não pensar muito até a cena de ação seguinte. Não há surpresas no filme. Não há mistério. Ele explode um lugar que tem uma pista para outro lugar. Nesse lugar que ele vai explodir em seguida tem uma pista para outro lugar que também vai ser explodido e por aí vai. Tudo da maneira mais idiota possível. Não interessa história, interessa apenas tiros e explosões, que não são interessantes.
E todas as cenas de ação são entrecortadas com cenas ridículas que supostamente deveriam ser engraçadas. Pelo menos EU não acho engraçado ver Reese carregando um jarro com cocaína dentro para cima e para baixo, chegando a cheirá-la dentro da Torre Eiffel. Acho simplesmente ridículo.
Entra agora um detalhe curioso para quem quiser reparar em como os filmes de ação eram feitos antigamente e como são feitos hoje. Antes, e quando digo antes quero dizer desde antes da primeira versão de Robin Hood já feita, os atores treinavam o tipo de luta que iam realizar no filme para poderem fazer suas cenas de ação. O resultado valia a pena, já que víamos os astros realmente fazendo as cenas. Agora, repare que as cenas não são feitas por Travolta (nada contra ele, tanto que até já me declarei seu fã). Ou na cena vemos o rosto de Travolta ou vemos o corpo de alguém fazendo as cenas de ação. Nunca os dois ao mesmo tempo. 
O resultado é um filme de ação pobre, como a maioria que está saindo nesses últimos tempos. Por que fazer uma cena de ação bem feita se pode-se chegar na sala de edição e juntar um monte de movimentos desconexos e fazer um filme? Em Os mercenários as cenas de ação eram confusas mas pelo menos os atores estavam fazendo. Aqui são confusas e sem rosto algum. Outro filme de ação que não entrega o que deveria. Não indicaria nem para fãs do gênero.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

IMENSIDÃO AZUL


NOTA: 9.
"Não olhe para Jacques como se ele fosse um ser humano. Ele é de outro planeta." Enzo

Este foi o primeiro filme do diretor Luc Besson falado em inglês. Ele tinha feito antes um filme que teve uma certa repercussão, chamado Subway, que não chegou por aqui. Aqui ele faz um filme que foi a maior bilheteria da década dos anos 1980, chegando a ficar cerca de um ano em cartaz. Ainda por cima ficando reconhecido internacionalmente.
Embora o filme seja uma obra de ficção, o diretor se baseou nas vidas dos mergulhadores Jacques Mayol e Enzo Maiorca, somente trocando o sobrenome de Enzo por Molinari.
O filme começa mostrando a infância de Jacques e Enzo, interpretados por Jean-Marc Barr e Jean Reno na fase adulta. Ambos são pequenos mergulhadores que moram numa ilha grega, apesar de um ser italiano e outro francês. Isso até a morte do pai de Jacques, que também era mergulhador.
Corta para o presente. Enzo é campeão mundial de mergulho livre enquanto Jacques é estudado por diferentes cientistas. De acordo com um desses cientistas, seu batimento cardíaco e a forma com que usa o oxigênio só foram encontrados em golfinhos e baleias. Jacques é um fenômeno e Enzo, muito competitivo, precisa derrotar Jacques, então o convida para o campeonato mundial de mergulho livre.
Eu poderia falar que a relação dos dois amigos é estranha, mas a realidade é que todas as relações de Jacques são muito estranhas. Ele guarda a foto da família na carteira. A foto é de um golfinho, o único ser com que ele consegue manter uma relação sem atritos. Enzo parece gostar de Jacques, mas sempre é movido pela competição, já Jacques parece somente interessado na amizade dele. Não é a competição que o motiva, tanto que quando Enzo não pode competir, ele não compete.
Ele ainda tem uma relação com um mulher americana, Johana Baker (Rosanna Arquette), mas a coitada não tem chance nenhuma. Não é que ele não goste dela, é que apenas ela não tem como competir com o mar. Sabe quando uma pessoa trabalha com alguma coisa e nos tempos vagos só quer descansar? Jacques nunca fica muito tempo fora da água. Quase todo o seu tempo livre é na água, e na maioria das vezes com golfinhos. Quando ela pergunta para ele como é mergulhar, ele diz que o único problema é achar um motivo realmente bom para voltar à superfície.
O filme tem seus defeitos mas não podemos negar que seja conduzido com habilidade por Besson. Em certas partes parece meio bobo, mas um filme de quase três horas que não pareça cansativo tem seus méritos. Sem contar na habilidade de fazer um filme interessante sobre um esporte que ninguém dá a mínima. Reparem no primeiro mergulho de Jacques, por exemplo, todos aparecem em velocidade normal enquanto ele sai da água em câmera lenta. Jacques não pertence ao nosso mundo, e Besson teve sensibilidade o suficiente para mostrar isso.
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