segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O ÚLTIMO DOS MOICANOS


NOTA: 7.
- O povo do meu pai diz que quando nasceu o sol e sua irmã lua, a mãe deles morreu. O sol deu à Terra sua forma, que foi o início de toda a vida. E ele retirou do seu peito as estrelas, e as estrelas iluminam a noite para lembrá-lo da alma dela. 

O diretor Michael Mann é ligado em detalhes. Roupas, armas e objetos de cenário foram construídos como se fazia na época em que o filme se passa. Não satisfeito, todo o elenco teve que passar por todo um curso de sobrevivência na selva, para dar mais autenticidade aos seus papéis.
Somado a isso, Daniel Day-Lewis é um ator conhecido pela imersão que faz para poder viver seus personagens. Segundo muitos dizem, ele vive aquele personagem. Acredito que muito do personagem de Robert Downey Jr. em Trovão tropical tenha sido inspirado nele. Inclusive quando ele diz: "só saio do personagem depois de gravar os comentários em DVD". Para este filme, parece que Day-Lewis viveu alguns meses na selva vivendo da caça e tudo, para poder dar vida à Hawkeye, um inglês adotado pelo último representante da tribo que dá nome ao filme.
Essa riqueza de detalhes dá uma autenticidade interessante ao filme e o torna muito interessante. Mas O último dos moicanos está longe de ser uma obra perfeita. O que dá uma impressão de muito esforço para pouco resultado.
Dois moicanos legítimos andam com Hawkeye, seu pai e irmão adotivos. Os últimos descendentes da tribo. Não saberia dizer se o resto da tribo eram fracos e eles sobreviveram porque eram os mais habilidosos ou se todos eram habilidosos. Acredito que a primeira opção se aproxime mais do real, porque se a tribo toda fosse tão boa quanto esses três, não estaria ameaçada de extinção.
De qualquer forma eles rastreiam uma outra tribo que ataca uma tropa inglesa. O ataque é um massacre, e eles apenas conseguem salvar duas mulheres, filhas de um general, e um oficial. Então resolvem escoltar os três até o forte onde o general está sitiado debaixo de um ataque.
O dilema de Hawkeye é se ele deve ajudar os ingleses na guerra contra a França, ajudar seus amigos que já estão lutando no forte a fugirem de lá para ajudarem nas suas casas que estão sob ataque e se foge dali ou fica perto da mulher por quem se apaixonou, Cora (Madeleine Stowe). O resto é previsível.
Previsível porque o filme toma um ritmo de matinê, filme de Sessão da Tarde, com repetidas cenas de batalhas (incluindo um Hawkeye executando um mesmo golpe pelo menos três vezes no filme). Além da paixão entre ele e Cora, os irmãos dos dois também se apaixonam. Como isso acontece não sei dizer, já que ele deve ter apenas umas três falas no filme e ela apenas fica se lamuriando. Nem sequer conversam em algum momento. Simplesmente há uma troca de olhares em uma cachoeira e pronto, Love is in the air.
Isso é apenas uma das coisas que fico sem entender no filme. Por que três homens, os últimos representantes de uma tribo, rastreiam para matar dezenas, se não uma centena, de homens de uma outra tribo? Por que arriscar escoltar esses ingleses sem a menor ligação com eles?
São questões que me fizeram perder o interesse pelo filme em determinado momento. A situação não piora por conta do elenco. Stowe está bem como poucas vezes esteve. E Day-Lewis, o mais improvável ator para fazer um filme de ação, está impecável.
Na época do seu lançamento, o diretor Michael Mann disse o quanto ficou insatisfeito com o lançamento. Seu corte tinha quase três horas de duração. Os produtores deixaram a versão de cinema com menos de duas horas. Infelizmente, os efeitos dos cortes são sentidos. A única coisa estranha, é que muitos anos depois ele teve a chance de lançar sua versão integral nos famosos Director's Cut de DVD, e sua versão é apenas alguns minutos mais longo do lançado no cinema. O resultado é ainda uma obra incompleta.

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