segunda-feira, 1 de novembro de 2010

SONHOS DE AKIRA KUROSAWA


NOTA: 9.
"Algumas pessoas dizem que viver é duro, mas isso é só papo furado. É bom estar vivo, é excitante." Velho da aldeia

Muito antes de Nolan presentear a audiência com seu A origem, já tínhamos uma mostra de sonhos no cinema. Algumas pessoas se perguntam como funcionam as mentes de gênios, com o que eles sonham. No caso do diretor Akira Kurosawa a resposta é simples e se encontra nesse filme. Aqui, temos uma sequência de 8 sonhos que o mestre japonês teve em diferentes partes da sua vida e que levou às telas em 1991.
O resultado é uma série de imagens tão lindas que somente o cinema poderia conceber. E melhor ainda, que um cineasta do calibre de Kurosawa poderia realizar. Este é um filme que preza a imagem e não os diálogos. O que não é muito diferente de outros filmes do diretor, mas aqui a coisa toma um contorno especial por se tratar de contos que exploram mundos apocalípticos e lendas japonesas.
Depois dos créditos iniciais, uma cartela aparece na tela: "Uma vez eu tive um sonho...". Esse é provavelmente o diretor nos dizendo que estamos prestes a entrar num lugar onde ninguém mais esteve antes. Nos seus sonhos. Outras sete cartelas escritas "Outro sonho..." anunciam os episódios restantes.
Apesar de não aparecer na tela, cada sonho tem um título. Ele começa com um dos sonhos mais sublimes e com pouquíssimas falas. O único diálogo (estaria mais para monólogo) é de uma mãe aconselhando o filho a não sair de casa. Quando chove e faz sol ao mesmo tempo as raposas se casam e não gostam de serem vistas. O aviso só desperta a curiosidade do menino que observa uma linda cerimônia impecavelmente coreografada. Assim começa o filme com "Um raio de sol através da chuva" e já estamos arrebatados pelas imagens.
O conto seguinte não faz menos do que o primeiro. "O jardim das pessegueiras" mostra um menino que chega em uma plantação de pessegueiros, pessegueiros que seus pais cortaram. Lá ele se encontra com um grupo de "espíritos" que representam as pessegueiras cortadas, e de novo uma bela coreografia ainda mais intrincada toma conta da tela.
Os sonhos vão se seguindo, e percebemos a diferença entre eles. As diferenças correspondem a diferente fases da vida do cineasta. Diferença de tempo e percepção da vida.
Seguem outros sonhos como "A tempestade", que mostra uma entidade que tenta seduzir um homem para a morte;  "O túnel", onde um capitão se confronta com seu pelotão morto em combate; "Corvos",  onde um pintor se encontra com um Van Gogh interpretado por Martin Scorcese e passeia pelos quadros do pintor; "Monte Fuji em vermelho", mostra um grupo de pessoas fugindo de um vulcão em erupção e catástrofe nuclear ao mesmo tempo; "O demônio que chora", onde a radiação deixou as pessoas com chifres; e "O vilarejo dos moinhos", onde um homem chega ao vilarejo e descobre que todos lá vivem sem nenhuma das invenções de hoje, nem sequer eletricidade.
Isto é o que compõe esta obra do diretor. São sonhos que servem para exibir a exuberância dele. Cada sonho é um curta que impressiona pela beleza. Algumas vezes belo, outras contundente e sempre interessante. Um filme belíssimo de se ver, ainda que não seja a melhor obra do diretor. Memorável.

Um comentário:

  1. Nao gostei muito e uma melanconia...........

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