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quinta-feira, 7 de abril de 2011

NEGÓCIO ARRISCADO


NOTA: 10.
- De vez em quando, diga "que se dane". "Que se dane" traz liberdade. Liberdade traz oportunidades. Oportunidades fazem o seu futuro.

Joel (Tom Cruise) é um jovem que mora em uma ótima casa, daquelas bem grandes com espaço de sobra. A garagem conta com dois carros, sendo um deles um Porsche do seu pai. Decoração impecável e equipamentos sofisticados. Sob esse ponto de vista, a vida dele deve ser desprovida de problemas, certo? Só acredita nisso quem nunca foi adolescente.
Apesar de tudo a seu favor, é de conhecimento geral que todos os adolescente são cheios de problemas. E se não o tiverem, eles criam um. Joel não sabe se vai ter condições de entrar na faculdade que deseja e está perto de suas provas finais. Ele também é um dos únicos do grupo de amigos que não perdeu sua virgindade, o que o faz ser alvo de chacotas.
Duas coisas fazem a vida de Joel mudar radicalmente, uma viagem que seus pais vão fazer para passar um tempo fora de casa e o conselho de um amigo seu (frase que abre o post) dizendo para curtir a vida. Para começar ele acaba se envolvendo com uma prostituta chamada Lana (Rebecca De Mornay). Lana acaba mudando para sua casa e ele tem que lidar com o cafetão dela além de ter que arranjar dinheiro para consertar o Porsche de seu pai que teve um infeliz acidente. A solução é transformar sua casa num bordel com a participação das amigas de Lana para fazer dinheiro. Pode parecer um filme bobo, mas é uma ótima comédia com um Tom Cruise ainda se lançando para o estrelato.
O filme é escrito e dirigido por Paul Brickman, dono de um curto currículo. Somente dirigiu um outro filme, e seu trabalho mais recente no cinema é o roteiro de Crime verdadeiro, dirigido por Clint Eastwood. Chego a não entender porque tão pouco trabalho, já que aqui faz um trabalho muito competente, além de nos presentear com ótimos diálogos.
O elenco se encaixa bem. De Mornay faz uma prostituta bem enigmática. Ela não é uma personagem doce, mas também está longe de ser uma má pessoa. Ela até mesmo é terna quando deve ser e se envolve com esse garoto mais novo que não sabe de nada da vida. Apesar de ir para o colégio, ele é apenas um garoto. Só isso. "Vá estudar para aprender alguma coisa", ela lhe diz. Ela não é uma garota.
Vendo o filme hoje, é fácil dizer que tem uma estrela encabeçando o elenco. Cruise tinha ainda uma carreira muito curta, mas justamente revendo o filme sabe-se que ele realmente estava destinado ao estrelato. Pode não ser um ótimo ator, mas com certeza é sempre eficiente e em muitas vezes entrega mais que os personagens dizem. Nós sabemos mais sobre ele do que ele nos diz. Esse talento ele sempre teve.
Este é um filme engraçado e divertido. Ao mesmo tempo faz refletir sobre amor, ganância e até mesmo sobre o desejo. Para quem ainda é adolescente, fica uma certa identificação com o personagem. Para quem já deixou de ser, fica a ironia e a lembrança de que sua vida já foi assim.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

PERCY JACKSON E O LADRÃO DE RAIOS


NOTA: 5.
- Eu só gosto de ficar na água. É o único lugar onde eu consigo pensar.

Chris Columbus é um diretor "mais ou menos". Mesmo quando tem um filme de grande potencial e até mesmo de grande orçamento, ele consegue fazer um filme mais ou menos. Não são ruins, mas não agradam tanto assim. Aqui ele tem bastante dinheiro e um grande elenco para fazer um filme que está apenas dentro da sua média. 
Baseado numa série de livros, acompanhamos Percy Jackson (Logan Lerman) que descobre ser filho de Poseidon e é acusado de ter roubado o raio de Zeus (Sean Bean). Seu melhor amigo é na verdade um sátiro, Grover (Brandon T. Jackson), assim como seu professor é Quíron (Pierce Brosnan), um centauro. Ameaçado, ele vai para uma "escolinha" de semideuses onde aprende a lutar. Ele é treinado por Quíron, que na mitologia morreu e se transformou na constelação de sagitário.
Percy deve devolver o raio para Zeus antes que ele comece a guerra e também resgatar sua mãe que foi aprisionada por Hades (Steve Coogan), que pretende trocá-la pelo raio. Para isso, ele, acompanhado de seu protetor, Grover, e uma filha de Atenas, Annabeth (Alexandra Daddario), vão viajar pelos EUA, único lugar que as divindades menores pensam em se esconder, enfrentando a (também falecida) Medusa, a Hidra (morta por Hércules) entre outros perigos.
A grande graça do filme do filme, é ver grandes atores em bons papéis secundários: onde mais veríamos Brosnan andando por aí sendo metade cavalo? E a Uma Thurman com várias serpentes na cabeça querendo transformar as pessoas em pedra (apesar de não saber porquê ela faz isso). Ou melhor ainda, Steve Coogan fazendo um Hades que se torna, mesmo com pouco tempo no filme, o melhor personagem do filme?
Pena que a graça termina aí. O que deveria ser a graça real do filme é essa brincadeira entre a modernidade e os deuses da antiguidade, que na minha opinião, não funciona muito bem. Apesar de ter algumas sacadas interessantes, como ele pensar ter dislexia quando na verdade sua mente traduz tudo pro grego. O que me deixa um pouco confuso na verdade: quer dizer que se eu tiver um filho e for criá-lo em um país que não fale português, ele não vai aprender uma outra língua porque seu cérebro vai ficar tentando passar tudo pro português? E afinal, por que esses deuses ainda existem e dominam o mundo se ninguém mais dá a mínima para eles? Qual a influência deles no mundo? O filme não explica e não consigo pensar numa resposta para decente para a pergunta.
E Sally Jackson (Catherine Keener), mãe de Percy? Ela encontra Poseidon, sabe que não pode ficar com ele e mesmo assim ainda engravida? Então está tudo bem em ela ser uma mãe solteira de um semideus? Ela é assim tão deslocada do nosso mundo real? Ninguém sequer usa proteção? E a semideusa Annabeth? Eu não lembro de ter lido nunca sobre um deus tendo uma filha com um(a) mortal, e a única vai aparecer logo da deusa da sabedoria? Onde está a sabedoria?
É um filme bem meia boca que pode não incomodar se assistido de graça na TV. Assim como esse promete ser o primeiro de uma série. Columbus também iniciou a série de Harry Potter, e se os fãs, aqui,  tiverem a mesma sorte, a mesma coisa vai acontecer: outro diretor mais competente vai assumir e melhorar a franquia.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

MATRIX


NOTA: 9.
- Eu sei porque você está aqui, Neo. Eu sei o que tem feito. Você está procurando por ele. Eu sei porque eu estava procurando pela mesma coisa. E quando o encontrei ele disse que eu não estava procurando por ele, estava procurando por uma resposta. É a questão que nos motiva, Neo. É a questão que te trouxe aqui. Você sabe a pergunta, Neo, assim como eu sabia.
- O que é Matrix?

Em 1999, chegaram aos cinemas dois filmes que prometiam revolucionar o cinema: George Lucas iniciava uma nova trilogia da franquia de maior sucesso da história com Guerra nas estrelas - A ameaça fantasma. Já cultuada por milhões de fãs espalhados pelo mundo, o restart da franquia deixou muita gente decepcionada. Correndo por fora veio também esta fábula de ficção científica, que viria a se transformar numa trilogia e arrebatou muitos fãs também. No quesito de revolucionar o cinema, porém, os dois falharam, mas Matrix pelo menos chegou um pouco mais perto.
Keanu Reeves interpreta um personagem duplo, de dia é um programador conhecido como Thomas Anderson, e de noite é um hacker conhecido apenas por Neo. Neo é convencido por uma mulher, Trinity, (Carrie-Anne Moss) a se aventurar em descobrir o que é a Matrix do título. É assim que ele chega ao enigmático líder dos homens de couro conhecido como Morpheus (Laurence Fishburne).
E é assim que ele descobre a verdade. Uma verdade tão grande que mesmo quem nunca assistiu o filme conhece: o mundo em que vivemos não é real, é uma realidade virtual criada para não percebermos que somos escravos de máquinas que nos usam como fonte de energia. Morpheus acredita que existem pessoas com poder de controlar os elementos da Matrix, e que Neo é um deles. O escolhido.
A trama montada pelos irmãos Wachowski (na época do filme, Andy e Larry, que agora atende por Lana) é muito intrigante e segura a platéia. E não segura apenas pela trama, mas também pelo visual do filme que é arrebatador. Figurinos e fotografia estão ótimos. Aliado a isso estão cenas de ação espetaculares e lutas que desafiam a gravidade. Efeitos especiais revolucionários totalmente integrados ao filme (não se esqueçam que os efeitos bullet time foram um dos mais copiados do cinema). Tudo muito divertido, mas poderia ter ido além. Acabou ficando no meio do caminho.
O único problema, é que depois de tudo isso, eles apelam para fórmula. Os bandidos atiram nos mocinhos e erram. Os mocinhos conseguem escapar. Aí entra uma luta onde o bandido bate no mocinho até quase matá-lo. Então o mocinho descobre uma força interior que o permite derrotar o bandido. Tudo isso já tinha sido feito, todos já viram. Só não perdem muitos pontos, porque dificilmente foi visto com cenas tão brilhantes como estas.
No final fica parecendo uma espécie de video game muito bem feito. Tem até mesmo os vilões da fase: os agentes (o principal interpretado por Hugo Weaving). Eles são uma espécie de Irmãos cara de pau que servem para matar os mocinhos.
Podia ter revolucionado, mas não conseguiu por esse pequeno detalhe. Tivessem dado uma conclusão espetacular ao filme, sem ser apenas um tiroteio muito bem coreografado, o filme seria perfeito. Se tivesse ao menos um detalhe mais intrigante para segurar melhor a platéia depois do tiroteio, seria quase perfeito. Mas ao invés disso, deixaram o final em aberto para concluir ao final da trilogia. O resultado são dois filmes ruins que não acompanham satisfatoriamente este aqui e que fecham de maneira fraca uma trilogia que poderia ter sido muito mais. Dos três, só fico com esse.
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