sexta-feira, 18 de março de 2011

NÃO ME ABANDONE JAMAIS


NOTA: 10.
- Nenhum de vocês vai para a América. Nenhum de vocês vai trabalhar em mercados. Nenhum de vocês vai fazer coisa alguma, exceto seguir a vida que foi escolhida para vocês. Vocês vão se tornar adultos, mas por pouco tempo. Antes de envelhecerem, vocês vão doar seus órgãos vitais. E depois da terceira ou quarta doação, a vida de vocês vai se completar.

Lembro de quando assisti A ilha, filme pessimamente dirigido por Michael Bay. Lembro de ter achado que o filme tinha uma premissa bem interessante mutilada pela necessidade de ter constantes cenas de ação. Pensei algo do tipo: "bem que podiam explorar melhor essa ideia". Até que alguém resolveu realmente explorar bem a mesma ideia.
Este filme é baseado em um livro homônimo escrito por Kazuo Ishiguro. Acompanhamos a vida de três crianças: Kathy, Ruth e Tommy. E mais tarde as acompanhamos em sua vida adulta interpretadas respectivamente por Carey Mulligan, Keira Knightley e Andrew Garfield. Os três cresceram em um orfanato, mas este não é um orfanato qualquer, é um orfanato muito especial. As crianças educadas aqui são clones de pessoas e tem um único objetivo: crescer para se transformarem em doadores de órgãos.
Eles não tem pais. Pelo menos no conceito que usamos a palavra. A existência de suas vidas é fazer crescer corações, fígados, rins e qualquer outro órgão que as pessoas "de verdade" possam usar. E depois de um tempo, suas vidas se completam. Eles não usam a palavra "morte", isso implicaria que são seres humanos. E se forem humanos, como poderiam tirar um coração deles? Ou qualquer outro órgão vital? Não, suas vidas se completam, porque ele alcançam os objetivos ao qual vieram ao mundo. Tal qual uma máquina qualquer.
Muitos podem se perguntar porque simplesmente não fogem. Não acredito que essa seja uma opção. Quando crianças somos ensinados de algumas coisas e levamos esses ensinamentos para o resto de nossas vidas. O caso dessas crianças é o mesmo. Elas foram ensinadas, por exemplo, que não podem passar por uma cerca e não passam porque senão podem morrer. Assim como passam todo a sua educação sendo ensinados que devem doar seus órgãos e pronto. A menos que a opção seja dada a eles, eles não tem opção. Eles tem conhecimento que são vistos apenas como uma espécie de produto para consumo. O filme é sobre como eles lidam com esse conhecimento.
Assim como o filme de Bay, este filme poderia cometer o erro de virar um espetáculo de ação ou mesmo um show de efeitos especiais típicos de filmes de ficção científica. A história não é sobre isso. É sobre essas três crianças. Como Kathy e Tommy são apaixonados um pelo outro e como Ruth os impede de ficar juntos. E depois, como Ruth, agora consciente de sua mortalidade, deseja reparar as coisas. Ela descobre onde eles devem ir para ficarem mais tempo juntos. Se eles provarem que realmente se amam, se conseguirem ver em suas almas que estão realmente apaixonados, eles terão alguns anos para ficarem juntos. Mas novamente, se eles se amam seriam humanos. Será que alguém vai considerar que eles realmente podem amar?
Este é um bom filme sobre pessoas que não sabem de toda a existência que podem ter. É um filme delicado que nos faz pensar. Talvez nos entristecer. Os personagens são tão inocentes. Eles nada sabem da vida, e não terão tempo de aprender. Nós sentimos por eles, porque nós sabemos.
Dizem que uma pessoa que doa um rim é especial. Imagina uma pessoa que doa os dois? Eles são especiais sim. Por isso gostei tanto de ver um filme sobre eles.

8 comentários:

  1. Parabéns gostei muito de tudo por aqui!

    Beijos pra Ti

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  2. Que bom que gostou.

    Obrigado pelos elogios.

    Beijos.

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  3. Já viste a minha resenha, achei interessante, gostei do elenco, mas não achei o bicho.
    Vale a conferida.
    Grande abraço

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  4. Eu gostei muito.

    Discordamos.
    rs

    Abraços

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  5. ameiiiiiiiiiii
    eu sou andressa

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    Respostas
    1. Prazer, Andressa.
      Que bom que gostou.

      Continue visitando.

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  6. Adorei sua resenha! Gostei do filme e senti muita emoção ao vê-lo, mas juro que não tinha captado toda profundidade significativa do mesmo; e sua resenha me ajudou bastante a entendê-lo. Ass.Janna

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  7. Quando assistir esse filme não havia entendido ao certo o que ele quis transmitir, seu texto me ajudou muito a esclarece minhas ideias, pra mim o filme pode ser considerado uma crítica a sociedade em si, como nós somos um produto que quando paramos de servir somos descartados.
    Mais uma vez adorei a resenha, parabéns!

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