quarta-feira, 16 de março de 2011

O DISCURSO DO REI


NOTA: 10.
- No passado, tudo que tínhamos que fazer era parecer bem de uniforme e não cair do cavalo. Agora devemos invadir a casa das pessoas. Esta família ficou reduzida a pior espécie de criaturas: viramos atores.

Dizer que este filme se trata de um rei que tem dificuldades de falar com seu povo não seria exato. Sim, a história trata sobre isso também, mas mais do que isso, ele mostra como se formou a amizade entre dois homens que permaneceram amigos até suas mortes. Eles são o Rei George VI (Colin Firth) e Lionel Logue (Geoffrey Rush).
O filme abre com George tendo que fazer um discurso para um estádio lotado em 1925. Sua dificuldade de pronunciar as palavras parece ser dolorosa. Ele se esforça mas é em vão. Sentada próximo a ele, está sua esposa Elizabeth. Suas feições são de pura compaixão pela "humilhação pública" de seu marido.
É essa compaixão, provavelmente, que a faz procurar médicos que possam curar a gagueira do marido, mesmo que ele já esteja cheio de continuar tentando ser curado. Até chegar em alguém com métodos pouco ortodoxos, palavra que ela odeia, Lionel Logue (Geoffrey Rush), um fracassado ator australiano.
Dentro de seu consultório, Logue exige que os dois sejam iguais, por isso começa a chamar o futuro rei de Bertie. George não gosta disso. Não por se achar superior ou coisa do gênero, mas pelo simples fato de ninguém fazer isso. Apenas a família o chama assim, mas nada que impeça Logue de continuar o chamando de Bertie.
Elizabeth é quem impulsiona o filme em frente. Ela é educada e polida, e sempre afável com seu marido. Todo um lado que nunca tinha visto em nenhum outro filme de Hele Bonham Carter, principalmente estando atrelada agora a um personagem cruel de Harry Potter. Ao mesmo tempo, ela é firme quando deve ser. Em uma festa do irmão mais velho de George, Edward VIII (Guy Pearce), ela ignora a mulher que ele pretende desposar. Aquela mulher já foi divorciada 3 vezes, e o escândalo dele casar com ela pode fazer com que George vá para o trono.
Sempre vemos em filmes pessoas brigando para serem Reis. Não é o caso aqui. Ela não quer que George seja o rei, e ele próprio não quer ser rei. Mas não adianta, Edward renuncia para casar com a mulher que ama, e com muito pesar George assume. Não porque quer, mas porque sabe que é seu dever a ser cumprido.
Enquanto isso, Hitler vai colocando as mangas de fora e George sabe que chega a hora de dar o discurso mais importante da sua vida. Todos os outros discursos foram uma mera preparação onde ele deve falar para todos os seus súditos que o país está entrando em guerra. A caminhada para o microfone parece uma caminhada final de um condenado pelo corredor da morte. Todos os que estão em seu caminho olham com pesar para o monarca. Todos sabe da sua dificuldade e da importância do que tem a dizer. É um gago que deve falar com confiança e firmeza para tranquilizar uma nação. E mais que isso, é um homem provando que tem capacidade de ser rei e ganhando o respeito. Essa é a cena chave do filme, e ela funciona perfeitamente.
É um desses "Filmes-Oscar"? É, mas quem se importa. O filme é muito bem feito e divertido. Toda a época é extremamente bem retratada, seja nos figurinos quanto no próprio jeito que a sociedade é mostrada. Um homem que consegue vencer seu problema pessoal para ter sua importância na história. E é também um trabalho de um elenco formidável. Eu acredito que poucas vezes a academia foi tão justa quanto ao dar o prêmio para Firth, mas vou além, o filme não seria metade do que é sem o resto de seu elenco.

15 comentários:

  1. Valleu aê , esse filme é super interessante, e comovente, e sua resenha sobre ela nota 10

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  2. Obrigado, Daniel.

    Espero que continue acompanhando.

    Abraços.

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  3. A Helena é muito amável em A Fantástica Fábrica de Chocolate. Pena que aparece pouco.

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  4. Praticamente uma participação especial.
    Nem conta.
    rs

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  5. comprei o livro (http://www.viabooks.com.br/book_details.asp?cod_livro=LO6353), mas tenho uma curiosidade... devo ler o livro primeiro ou assistir o filme? todos os filmes que eu assisto que são adaptações de livros eu fico decepcionado, mas tenho impressão de que com esse vai ser diferente, ouvi falar muito bem do filme. alguém já leu o livro e assistiu o filme também? o que acharam?

    abraços,
    rodolfo

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  6. Não saberia te dizer, já que não li o livro.
    Se me emprestar eu leio e depois te digo.
    rs

    Abraços, Rodolfo.

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  7. olha querido amigo o filme é muito interessante,mas lendo o livro vc estar aprendendo mais,pois alem de estar lendo que é uma coisa muito boa vc também estar cada vez mais aprendendo a interpretar e entre outros pontos que a leitura nos ajuda...o interessante seria ser vc fazer os dois ler o livro como tambem assistir o filme...

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  8. Trabalho com cinema e vivo de ver filmes.
    Já imaginou se todo filme que fosse ver eu lesse o livro antes?

    Não faria mais nada da minha vida.

    E pior ainda, nem tempo de ler romances estou tendo, já que estou numa pesquisa e meus tempos de leitura estão ocupados por biografias ligadas a um trabalho que vou fazer.

    Obrigado pela lição de moral, mas só pra informar: leio cerca de 15 livros por anos por mês. No último mês tive que ler duas biografias enormes.

    Quantas pessoas você conhece que podem te dizer o mesmo?

    Mas obrigado por me julgar.

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  9. Filme muito ruim!

    Maidi Terezinha

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  10. Realmente entra naquela velha questão do gosto.

    Abraços.

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  11. nao é q ele seja ruim ele só é um poco parado só isso mas se preta bem atensão vai ver q a estória é boa bjs

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  12. Nem acho parado.

    Enfim.

    Novamente, questão de gosto.

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  13. filme tem uma moral muito interessante,a luta e a persistência de um homem gago que anseia suceder o trono de seu pai.No entanto,o filme não tem um desenrolar bacana,que prenda a atenção do espectador,e como foi citado acima muitos questionamentos não foram esclarecidos ao final dele,mas é tem um elenco muito bom,vale a pena conferir.

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  14. esse, filme fala de uma superação, talvez vencida :D

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  15. Há os que gostem e os que não.
    Faz parte.

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