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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

MELANCOLIA - MELANCHOLIA


NOTA: 2.
- A Terra é maligna, não devemos lamentar por ela. Ninguém vai sentir sua falta.

Foi no lançamento deste filme que o diretor Lars Von Trier declarou ser um simpatizante de Hitler. Talvez  alguém tenha se espantado que ele tenha feita uma declaração tão infeliz, mas acho que todos deveriam esperar isso de alguém que ao invés de lançar filmes resolveu lançar provocações. Melancolia é uma nauseante história sobre o fim do mundo que Trier declara ser seu filme com final feliz, ou o mais perto disso que uma pessoa com a cabeça dele possa considerar feliz.
Ele segue o mesmo modelo que usou em seu filme anterior, Anticristo. O filme começa com cenas longas em câmera lenta mostrando imagens que misturam beleza de produção com cenas tristes de alguma forma. No anterior eram cenas de sexo explícito e uma criança caindo pelo janela, aqui são pessoas fazendo nada, cavalos caindo e muitas cenas do fim do mundo se aproximando.
Depois que essas cenas passam, acompanhamos o casamento de Justine (Kirsten Dunst que ganhou um prêmio por fazer uma atuação catatônica). Um longo e cansativo casamento em que nada de interessante acontece e que nenhuma das pessoas, convidados ou noivos, parece agir com qualquer tipo de coerência. Justine arruma a biblioteca, toma banho e até mesmo tem sexo num campo de golfe com um convidado aleatório enquanto todos esperam por ela. Depois, ao final da festa, seu noivo se despede dela e ela diz para sua irmã que tentou. 
Quando achamos que a tortura acabou, a coisa piora. Justine vai pra casa da irmã que mora com o marido e filho (interpretados por Chartlotte Gainsbourg e Kiefer Sutherland) enquanto ficam na expectativa se um planeta chamado Melancolia vai se chocar ou não contra a Terra ao mesmo tempo que Justine parece não conseguir sair da sua fase depressiva. O planeta se aproxima em câmera lenta para exterminar a vida na Terra, mas isso pouco comove as pessoas do filme.
Caire (Gainsbourg) e Justine deveriam ser daquelas irmãs totatlmente diferentes uma da outra. Claire mora com o marido excessivamente rico numa casa com campo de golfe, estábulos e muito mal gosto e deveria ser a irmã sã para contrastar com a louca Justine que deveria ser internada no asilo mais próximo. A única coisa que fica clara é que as duas não são irmãs. Elas em diversos momentos chegam a agir como se fossem.
A única coisa que nos resta, a menos que queira parar de ver o filme, é esperar o planeta que anda por aí demolindo outros planetas acabar com a Terra. Se Lars Von Trier queria que eu torcesse pelo fim do mundo, ele fez um ótimo trabalho. Nunca torci tanto para isso acontecer. E ele só piora as coisas tornando o processo muito mais lento que o necessário. E quando o fim do filme chega, só uma pergunta ficou na minha cabeça: "Qual o objetivo desse filme existir?". Ainda não encontrei a resposta.

sexta-feira, 18 de março de 2011

NÃO ME ABANDONE JAMAIS


NOTA: 10.
- Nenhum de vocês vai para a América. Nenhum de vocês vai trabalhar em mercados. Nenhum de vocês vai fazer coisa alguma, exceto seguir a vida que foi escolhida para vocês. Vocês vão se tornar adultos, mas por pouco tempo. Antes de envelhecerem, vocês vão doar seus órgãos vitais. E depois da terceira ou quarta doação, a vida de vocês vai se completar.

Lembro de quando assisti A ilha, filme pessimamente dirigido por Michael Bay. Lembro de ter achado que o filme tinha uma premissa bem interessante mutilada pela necessidade de ter constantes cenas de ação. Pensei algo do tipo: "bem que podiam explorar melhor essa ideia". Até que alguém resolveu realmente explorar bem a mesma ideia.
Este filme é baseado em um livro homônimo escrito por Kazuo Ishiguro. Acompanhamos a vida de três crianças: Kathy, Ruth e Tommy. E mais tarde as acompanhamos em sua vida adulta interpretadas respectivamente por Carey Mulligan, Keira Knightley e Andrew Garfield. Os três cresceram em um orfanato, mas este não é um orfanato qualquer, é um orfanato muito especial. As crianças educadas aqui são clones de pessoas e tem um único objetivo: crescer para se transformarem em doadores de órgãos.
Eles não tem pais. Pelo menos no conceito que usamos a palavra. A existência de suas vidas é fazer crescer corações, fígados, rins e qualquer outro órgão que as pessoas "de verdade" possam usar. E depois de um tempo, suas vidas se completam. Eles não usam a palavra "morte", isso implicaria que são seres humanos. E se forem humanos, como poderiam tirar um coração deles? Ou qualquer outro órgão vital? Não, suas vidas se completam, porque ele alcançam os objetivos ao qual vieram ao mundo. Tal qual uma máquina qualquer.
Muitos podem se perguntar porque simplesmente não fogem. Não acredito que essa seja uma opção. Quando crianças somos ensinados de algumas coisas e levamos esses ensinamentos para o resto de nossas vidas. O caso dessas crianças é o mesmo. Elas foram ensinadas, por exemplo, que não podem passar por uma cerca e não passam porque senão podem morrer. Assim como passam todo a sua educação sendo ensinados que devem doar seus órgãos e pronto. A menos que a opção seja dada a eles, eles não tem opção. Eles tem conhecimento que são vistos apenas como uma espécie de produto para consumo. O filme é sobre como eles lidam com esse conhecimento.
Assim como o filme de Bay, este filme poderia cometer o erro de virar um espetáculo de ação ou mesmo um show de efeitos especiais típicos de filmes de ficção científica. A história não é sobre isso. É sobre essas três crianças. Como Kathy e Tommy são apaixonados um pelo outro e como Ruth os impede de ficar juntos. E depois, como Ruth, agora consciente de sua mortalidade, deseja reparar as coisas. Ela descobre onde eles devem ir para ficarem mais tempo juntos. Se eles provarem que realmente se amam, se conseguirem ver em suas almas que estão realmente apaixonados, eles terão alguns anos para ficarem juntos. Mas novamente, se eles se amam seriam humanos. Será que alguém vai considerar que eles realmente podem amar?
Este é um bom filme sobre pessoas que não sabem de toda a existência que podem ter. É um filme delicado que nos faz pensar. Talvez nos entristecer. Os personagens são tão inocentes. Eles nada sabem da vida, e não terão tempo de aprender. Nós sentimos por eles, porque nós sabemos.
Dizem que uma pessoa que doa um rim é especial. Imagina uma pessoa que doa os dois? Eles são especiais sim. Por isso gostei tanto de ver um filme sobre eles.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

CORAÇÃO SATÂNICO


NOTA: 9.
“Quão terrível é a sabedoria quando ela não traz nada de bom para o conhecedor dela, Johnny?” Louis Cyphre
Ao final do filme, eu fiquei me perguntando se ele se tratava de uma história policial ou de um filme de terror. Acho que o mais correto seria dizer que se trata de um filme policial com requintes de terror, mas não consigo ter muita certeza.
Acompanhamos Harry Angel (Rourke), um detetive pé de chinelo que cuida apenas de pequenos casos. Na maioria das vezes, casos conjugais. Até ser contratado por Louis Cyphre (De Niro), um estranho homem que deseja procurar um soldado desaparecido e ex-roqueiro chamado Johnny Favorite.
Não é o tipo de caso a que ele está acostumado, mas Cyphre insiste e lhe oferece um bom dinheiro. O problema é que a busca por Favorite o leva pelo submundo dos EUA, incluindo uma trilha de cadáveres frescos que parecem o perseguir, fazendo que sua situação só piore e não possa largar facilmente o caso.
Falando assim, pode parecer apenas mais um filme policial como existem aos montes. De certa forma, até chega a ser. Então o que torna esse filme mais interessante? O sobrenatural. O diretor e roteirista entrega um filme onde as coisas não são o que parecem ser. O submundo do filme esconde muita sujeira e magia negra.
Por isso, o filme é levado até o limite tanto em sua forma visual quanto na atuação dos próprios atores. De Niro aparece com um longo cabelo negro, uma barba estranha mas cuidadosamente cuidada e unhas que lembram as do Zé do Caixão. Ele entrega um personagem enigmático com uma atuação inspirada, mesmo que tenha pouco tempo em cena. Quando o vir descascando um ovo, entenderá do que estou falando.
Ele conta ainda com Mickey Rourke, aqui, no seu auge. Ele entrega uma ótima interpretação de um homem que aos poucos vai perdendo sua razão por conta da situação. Incrível como um ator pode fazer sucesso apresentando personagens tão relaxados.
O filme é de 1987 e dirigido por Alan Parker, que já havia entregue a pérola O Expresso da Meia Noite, além de outros filmes como o musical infantil Quando as Metralhadoras Cospem e o Pink Floyd The Wall. Aqui, ele entrega um filme tão inspirado quanto seus antecessores.
No final do filme vem a revelação do mistério. Por mais estranho que pareça a revelação com seus toques sobrenaturais, ela faz sentido. Ainda que de forma distorcida. Mas somos perfeitamente capazes de aceitar. Porque o diretor nos prepara para ela com extrema habilidade. Pena que ele tenha diminuído consideravelmente seu ritmo de trabalho.
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