terça-feira, 17 de agosto de 2010

A ORIGEM


NOTA: 10.
"Sonhos parecem reais enquanto estamos nele. É só quando acordamos que nos damos conta que algo estava estranho." Cobb

Diz-se que (o diretor e roteirista) Christopher Nolan passou 8 anos escrevendo o roteiro deste filme. A história não parece improvável se analisarmos a carreira que ele construiu. Nolan estourou quando lançou Amnésia, depois lançou Insônia antes de assumir a franquia de Batman. Ele ainda intercala cada filme da franquia com outro. Primeiro com O grande truque agora com A origem. Cada filme lançado mais ambicioso que seu antecessor, como se ele estivesse se preparando para este momento.
Alguns podem reclamar que é um filme ambicioso demais, mas eu discordo. Nem todo filme precisa ser despretencioso, ainda mais quando se trata de um diretor que tem algo a dizer. E se tem alguém hoje que tem algo a dizer é ele. E ele se preparou para chegar a esse ponto, o ponto de poder contar com dois vencedores de Oscar (Michael Caine e Marion Cotillard) e cinco indicados (Leonardo DiCaprio, Tom Berenger, Pete Postlethwaite, Ken Watanabe e Ellen Paige) para compor seu elenco.
DiCaprio vive Cobb, um especialista em entrar nos sonhos alheios para roubar informações. Ele se envolve em um trabalho para roubar informações de Saito (Watanabe), mas não se dá bem e acaba mais encrencado do que já estava, afinal ele já tem um problema que o impede de voltar aos EUA. Saito lhe propõe um "último trabalho". Ele pede que Cobb insira uma idéia na mente de seu concorrente, Fischer (Cillian Murphy), em troca todos as acusações serão retiradas. Apesar de todos dizerem que é impossível, Cobb diz que pode fazer.
Assim ele começa a juntar sua equipe: seu parceiro de sempre Arthur (Joseph Gordon-Levitt, ótimo), Eames (Tom Hardy), que personifica pessoas em sonhos, Yusuf (Dileep Rao), um químico e Ariadne (Page), que deve construir o lugar onde o sonho se passará, a arquiteta. Não por acaso, Ariadne é também o nome da personagem mitológica que ajudou Teseu a sair do labirinto do minotauro. Eles devem ajudar Cobb a plantar a idéia, o que por si só já é complicado por não saberem o que encontrarão na cabeça dele, além disso há a presença de Mal (Cotillard), que invade sonhos também e sempre atrapalha Cobb.
Mais que isso não vou dizer sobre o filme, para não estragar o prazer de assistí-lo. Parece complicado, mas é muito mais fácil assistir do que explicar o filme, tal qual um sonho, quando faz sentido quando você está presente. Por isso, até mesmo acredito que seja difícil de estragar o prazer de assistir o filme. Mesmo que contasse o final, ainda assim ele não perderia sua graça. Ele parece blindado contra isso. Em parte, talvez, por parecer tão original quanto não se via um filme em muitos e muitos anos.
De qualquer forma, se quer um entretenimento inteligente, esse é o seu filme. E cuidado para não perder um segundo do filme, há detalhes vitais que não vai querer perder. Uma jóia rara que Nolan esculpiu que vai além de todos os seus trabalhos anteriores. Ainda melhor porque ele não sucumbiu aos efeitos 3D. Está ótimo do jeito que está. Lembro que em Amnésia ficava me perguntando como alguém que sofre de perda de memória recente sabe que tem esse problema. Porque não esquecia no minuto seguinte que lhe contavam isso. Aqui, não fiquei me perguntando nada. São duas horas e meia de ótimo entretenimento que passam antes que possa perceber.

PS: Dizem que a construção do sonho lembra a estrutura de fazer filmes. Saito seria o estúdio, que encomenda o produto e que supervisiona tudo. Arthur seria o produtor, responsável para que o resultado saia como o esperado. Cobb é o diretor, que comanda como será que o sonho se desenrolará. Ariadne é a contratada pelo roteiro enquanto Eames seria o ator e Yusulf o técnico de efeitos especiais. Numa parte mais exagerada, Fischer seria o público, que sente a experiência.

10 comentários:

  1. Brilhante essas ultimas considerações. Realmente, este é um filme para se ver por várias vezes, afinal seus detalhes são fascinantes e as vezes imperceptíveis ao primeiro olhar.

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  2. Com certeza.
    E que bom que é um filme que valha a pena ser assistido mais de uma vez.
    Abraço.

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  3. acabei de assitir, um dos melhores, senão, o melhor de 2010, merece um Oscar

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  4. Também achei um dos melhores de 2010.

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  5. http://oirlandes.blogspot.com/

    Não assisti no cinema, creio que seria muito melhor, mas vi muita gente comparando A Origem com matrix.
    Quem o compara com Matrix, inicialmente não compreendeu o próprio roteiro de Matrix, são dois filmes complentamentes diferentes em sua essência. Claro que, as técnicas visualmente usadas nos dois filmes podem se assemelhar, mas a complexidade de tais estórias diferem e muito. Vejo A Origem, como uma surpresa (agradável) e potencialmente, um filme que será injustiçado no Oscar, pela previsibilidade da Academia.
    Enfim, roteiro brilhante, bem desenvolvido e principalmente, atuações extraordinárias (salve especial para Ellen Page), fazem de A Origem uma ótima pedida para quem está afim de cinema como entretenimento e sem dúvidas, como arte!

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  6. Só acho que as comparações são por causa do gênero dos filmes.
    Não por conta da histórias.

    Os dois são filmes de ficção científica com cenas de ação maravilhosas e contando uma boa história.

    São exemplos raros no cinema e por esse motivo acredito que uma comparação seja justa, sim.

    Um abraço.

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  7. achei muito legal e interesante gostei muito

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