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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O LADO BOM DA VIDA - SILVER LININGS PLAYBOOK


NOTA: 9,5.
- Sabe. Por um tempo eu achei que você era a melhor coisa que aconteceu comigo. Agora estou começando a achar que é a pior. Eu lamento ter te conhecido.

Depois de um tempo afastado da direção de filmes, David O. Russel volta ao trabalho em boa forma. Depois de sua indicação em 2011 por O vencedor, ele é novamente indicado esse ano por este filme. Pessoalmente, não gostei muito do filme anterior, mas aqui ele acerta em praticamente tudo, em especial pra mim por ter personagens principais realmente interessantes e que prendem a atenção do espectador desde o início até o fim.
Acompanhamos principalmente os altos e baixo do personagem interpretado por um (indicado ao Oscar) Bradley Cooper muito inspirado. Talvez não seja o suficiente para lhe render uma estatueta, já que concorre com nomes de peso que também estão muito inspirados, mas ele está bem o suficiente para mostrar que seu sucesso não ocorreu por acaso. Seu personagem é Pat Soletano Jr., que acaba de sair de uma instituição mental depois de um violento incidente envolvendo sua esposa e o amante dela. Decidido a recuperar sua vida, e a ex-esposa, ele entra numa disciplinada rotina de treinamento para perder peso e de leitura.
Apesar de seu esforço, logo de cara dá pra perceber que ele não está bem, se é que um dia ele já esteve bem. Ter a esposa de volta se transforma em uma obsessão, e embora ele insista em dizer aos seus pais que tudo vai terminar bem nada parece indicar que isso realmente vá acontecer. Sua mãe parece ser uma pessoa sã e carinhosa com seu filho, mas o principal é que ela parece acostumada com o seu comportamento porque seu marido, Pat Sênior (Robert De Niro) também tem comportamento violento que o levou a ser banido dos estádios, e agora assiste os jogos do seu time na TV cercado de supertições e TOC com a posição dos (muitos) controles remotos.
Um amigo tem a ideia de o apresentar à Tiffany (Jennifer Lawrence, também indicada e no caminho para se tronar a melhor atriz da sua geração). Por que seu amigo acha que Pat pode se dar bem com ela? A resposta é fácil: ela é tão louca quanto o próprio Pat. Ela é uma jovem viúva que também tem sérios problemas mentais e que só pioraram depois da estúpida morte de seu marido, e somente não foi internada porque o destino não quis. Ainda assim ela é a única no filme que consegue entender este homem, e de alguma forma ele também consegue entendê-la. Mas principalmente, ele sente a necessidade de estar com ela porque ela ainda mantém contato com sua ex-mulher.
Ela, porém, não vai facilitar para ele. Ele quer que ela entregue uma carta e ela diz que pode fazer isso, mas ele deve participar de um concurso de dança que ela se inscreveu. Entre as cenas do relacionamento estranho que os dois desenvolvem, temos ainda um Robert De Niro mais inspirado que o normal (não tanto quanto no começo de sua carreira, mas ainda assim chamando bastante atenção) e um Chris Tucker hilário como sempre e que finalmente resolveu fazer um filme fora da sua franquia de A hora do rush.
Uma das coisas mais interessantes do filme é a relação entre pai e filho que De Niro interpreta com Cooper. Pat júnior não é o único com problemas para resolver, mas de alguma forma os dois, de maneira surpreendente, conseguem estreitar os laços e criar um entendimento através de jogos de futebol americano e o concurso de dança. Claro que em um determinado momento, o filme vai se render às convenções de roteiro, mas isso pouco importa porque é tudo tão bem feito que não pode ser nada além de ótimo filme.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O VENCEDOR


NOTA: 7.
- Sou eu que estou lutando. Não você, nem você e nem você (apontando para Dick, Alice e seu treinador).

Um dos 10 indicados ao Oscar de melhor filme do ano, e provavelmente só está na lista por ela ser muito extensa. Permanecessem 5 indicados, provavelmente este filme não entraria na festa pelo simples fato de não ser um filme muito bom.Ou talvez esteja na lista por a academia sempre ter mostrado uma predileção por filmes com boxeadores que conseguem ascender na vida.
Acompanhamos a história (real) de Micky Ward (Mark Wahlberg), um lutador de boxe de uma pequena cidade que está vindo de uma série de derrotas. Ele até mesmo pensa em parar de lutar. Sua vida muda quando ele conhece Charlene (Amy Adams), que conhece sua história e identifica seu principal problema: sua família.
Micky é treinado pelo irmão, Dick (Christian Bale), um viciado em crack que passa o filme inteiro se vangloriando de ter derrubado Sugar Ray Leonard, numa luta que ele perdeu há muito tempo atrás. Por causa do vício, Micky nunca consegue um treinamento decente mesmo quando está perto de lutas. Isso quando Dick aparece para os treinos. Ele também passa boa parte do filme falando sobre o documentário que estão fazendo sobre a vida dele e seu retorno aos ringues. O documentário é na verdade sobre como o crack acabou com a sua vida.
Ele é agenciado por sua mãe, Alice (Melissa Leo), que age muito mais como empresária do que como mãe. Ela convence o filho a lutar com um homem 10 quilos mais pesado que ele só para poderem receber o dinheiro da luta. Ela parece ser o tipo de mulher mais interessada em conduzir a vida de Micky para o fracasso que admitir que ele possa ter sucesso sem ela. Isso inclui convencê-lo também a deixar de treinar em Vegas o ano todo e com salário. O melhor é ele ficar com a família, mesmo que esta o arraste para baixo.
Para completar a família disfuncional, ele tem 7 irmãs que só servem para concordar com a mãe e arranjar problema com Charlene, a quem chamam de "garota da MTV", o que significa ser assanhada.
É só quando Micky se afasta da sua família que sua carreira começa a tomar um rumo vitorioso. O grande trunfo dele é a sua capacidade de apanhar durante uma luta inteira para de repente acertar um golpe que lhe garante a vitória. Ás vezes, tudo que precisa é de um único golpe. Caminho das vitórias que o leva para a disputa do título mundial.
As atuações estão ótimas no filme, destaque para Bale que se transforma a cada personagem que faz. Seja como Batman, um sobrevivente na selva ou viciado em crack. Ele não parece errar na mão e parece que finalmente vai conseguir seu primeiro Oscar. Melissa Leo  (Rio congelado) faz mais um papel fantástico, e a surpresa fica para Amy Adams que tem uma carinha bonita mas mostra que sabe falar grosso e ser durona quando necessário.
A fraqueza do filme, porém, está na fraqueza de seu protagonista. Não que Wahlberg seja um péssimo ator, longe disso, é apenas que seu personagem é muito fraco para um protagonista. Está certo que ele sempre se viu sob a sombra de seu irmão e sufocado pelas irmãs, mas ainda assim um lutador de boxe tão sem personalidade assim não deveria ser o principal na trama. Não é por acaso que Bale, Leo e Adams foram indicadas por papéis secundários e Wahlberg não. Que me desculpe quem gosta do filme, mas quando todos os coadjuvantes são melhores que o protagonista, algo está errado. Seu personagem não parece ter objetivos e nem leva o filme a lugar algum, é apenas levado pelos coadjuvantes.
Para completar, as lutas não são empolgantes. Quando assistimos Touro indomável ou mesmo um Rocky, ficamos sempre torcendo pela vitória. Ou que pelo menos ele faça um grande show. Aqui, as lutas parecem apenas passar como um elemento do filme. Infelizmente não fiquei torcendo muito por ele. Talvez até mesmo porque não me importei o suficiente com ele. Uma pena.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

TRÊS REIS


NOTA: 9,5.
“Bush disse as pessoas para se levantarem contra Saddam. Elas acharam que iam ter nosso apoio. Não tem. Agora estão sendo massacradas.” Archie Gates
Não lembro de ter assistido até hoje um filme sobre a guerra do Golfo tão bom quanto este. Nem ao menos perto. Convenhamos, estamos diante de uma obra prima sobre uma guerra bizarra que certas pessoas nem consideraram uma guerra.
O ano é 1991 na então conhecida “Operação Tempestade no Deserto”. Acompanhamos os tais três reis: os soldados Troy Barlow (Mark Wahlberg), Chief Elgin (Ice Cube) e Conrad Vig (Spike Jonze, que curiosamente dirigiu no mesmo ano o estranho Quero Ser John Malkovich).
Num primeiro momento, Troy, atira num homem balançando uma bandeira branca. A trégua é tão recente que eles não sabem como reagir ainda. Há uma festa para ele por conta do tiro. Ele é provavelmente o único que atirou em alguém naquela guerra. Logo depois, há uma revista em todos os homens da área. É quando eles encontram um mapa escondido no traseiro de um deles.
O mapa leva ao tesouro escondido de Saddam Hussein. A história vaza e acaba caindo nos ouvidos do sargento Archie Gates, um veterano das Forças Especiais, que está de saco cheio das suas tarefas e pretende ficar com o ouro para se aposentar. Afinal, sua tarefa atual é pajear uma repórter.
O diretor leva o filme com uma energia visceral. Assisti-lo é uma experiência visual como tivemos poucas vezes na história do cinema. Mas o filme não é apenas uma experiência visual, além da direção, O. Russel entrega um roteiro que mostra o que uma boa história pode trazer de diferente para um filme de ação. A violência e a morte andam lado a lado com uma história bem bolada e diálogos inteligentes, e muitas vezes hilários. A ação vem da história, não o contrário.
Seria fácil estereotipar os personagens. Principalmente os árabes. Mas Russel vai além, todos os árabes do filme são o que os americanos fizeram dele. Se são “vilões”, o são por culpa dos “mocinhos”. Não é um filme de tão fácil digestão. Talvez por isso, Russel entregue um final mais moralista.
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