quarta-feira, 23 de setembro de 2009

TRÊS REIS


NOTA: 9,5.
“Bush disse as pessoas para se levantarem contra Saddam. Elas acharam que iam ter nosso apoio. Não tem. Agora estão sendo massacradas.” Archie Gates
Não lembro de ter assistido até hoje um filme sobre a guerra do Golfo tão bom quanto este. Nem ao menos perto. Convenhamos, estamos diante de uma obra prima sobre uma guerra bizarra que certas pessoas nem consideraram uma guerra.
O ano é 1991 na então conhecida “Operação Tempestade no Deserto”. Acompanhamos os tais três reis: os soldados Troy Barlow (Mark Wahlberg), Chief Elgin (Ice Cube) e Conrad Vig (Spike Jonze, que curiosamente dirigiu no mesmo ano o estranho Quero Ser John Malkovich).
Num primeiro momento, Troy, atira num homem balançando uma bandeira branca. A trégua é tão recente que eles não sabem como reagir ainda. Há uma festa para ele por conta do tiro. Ele é provavelmente o único que atirou em alguém naquela guerra. Logo depois, há uma revista em todos os homens da área. É quando eles encontram um mapa escondido no traseiro de um deles.
O mapa leva ao tesouro escondido de Saddam Hussein. A história vaza e acaba caindo nos ouvidos do sargento Archie Gates, um veterano das Forças Especiais, que está de saco cheio das suas tarefas e pretende ficar com o ouro para se aposentar. Afinal, sua tarefa atual é pajear uma repórter.
O diretor leva o filme com uma energia visceral. Assisti-lo é uma experiência visual como tivemos poucas vezes na história do cinema. Mas o filme não é apenas uma experiência visual, além da direção, O. Russel entrega um roteiro que mostra o que uma boa história pode trazer de diferente para um filme de ação. A violência e a morte andam lado a lado com uma história bem bolada e diálogos inteligentes, e muitas vezes hilários. A ação vem da história, não o contrário.
Seria fácil estereotipar os personagens. Principalmente os árabes. Mas Russel vai além, todos os árabes do filme são o que os americanos fizeram dele. Se são “vilões”, o são por culpa dos “mocinhos”. Não é um filme de tão fácil digestão. Talvez por isso, Russel entregue um final mais moralista.

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