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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

TÃO FORTE E TÃO PERTO - EXTREMELY LOUD & INCREDIBLY CLOSE



NOTA: 6.
- Eu não sabia o que estava esperando por mim. Embora meu estômago estivesse revirando e meus olhos lacrimejando, eu pus na minha cabeça que nada ia me deter. Nem mesmo eu.

Há algum tempo, Hollywood vem revisitando a tragédia de 11 de setembro. Seja através de referências um pouco tímidas com medo de ofender os espectadores, seja de forma escancarada e disfarçada de documentário como Fahrenheit 9/11. Talvez o motivo seja porque não importa o quanto se tente, nenhum filme vai conseguir um momento catártico falando de uma tragédia como essa. Aqui a tragédia não mostra sacrifício, reflexão ou pesar, reflete apenas um mal gosto ao se referir ao tema.
É a história de um menino de 11 anos de idade chamado Oskar Schell (Thomas Horn), cujo pai Thomas Schell (Tom Hanks) morreu em uma das torres gêmeas atingidas pelos aviões. Sua mãe (Sandra Bullock)  chora pelo marido, já Oskar lamenta a morte de seu pai procurando vídeos na internet de pessoas que se jogaram do prédio e imaginando se é seu pai, mantendo um santuário secreto em sua homenagem ou relembrando dele em flashbacks.
Até que um dia ele encontra uma chave escondida em um envelope com o nome Black escrito. Acostumado com jogos que seu pai sempre o preparou para desvendar, Oskar acredita que seja uma pista que deve seguir para descobrir algo que seu pai lhe deixou. Cheio de manias, ele se arma de máscara de gás, alguns outros objetos e um pandeiro que toca para não ter um ataque de ansiedade. Talvez o menino sofra de síndrome de Asperger, o que o faz ser um gênio mas sem traquejos sociais. Talvez esses jogos fossem uma maneira de seu pai fazer com que ele saísse de casa e se relacionasse com pessoas. Ou talvez seja simplesmente que não haja jogo nenhum.
Sem se importar com o que seja, Oskar não se detém de jeito nenhum em sua busca. Seja correndo de um lado para o outro (ele não usa transporte público) ou enfrentando seus medos da forma que pode. Ele ressente de sua mãe por ter sobrevivido e não seu pai. Ele não faz ideia do quanto machuca sua mãe com isso, mas só parece se importar em seguir de forma que seu pai ainda possa ter lhe deixado algo.
Não acompanhamos todas as visitas que Oskar faz a todos os Blacks (são 472) que encontra na lista telefônica, mas alguns encontros interessantes. Logo na sua primeira visita, ele bate na porta de Abby Black (Viola Davis), que é gentil o suficiente para deixar que o garoto entre em sua casa e ouvir a história dele, mas o menino não consegue compreender que ela está passando por um crise em seu casamento naquele momento. É uma cena tocante em especial pela atuação de Davis, e é uma pena que o filme não tenha outras cenas poderosas como essa.
O fato de o menino seguir sozinho pela cidade é um tanto quanto surreal. No prédio ele é superficialmente vigiado por um porteiro (John Goodman) e faz um amigo. Um velho senhor que se mudou para o apartamento de sua avó e que se diz ser o locatário. Ele não pode falar, ou simplesmente não irá dizer nada. Ele segue ajudando o menino em sua busca pelo Black correto ou o lugar que sua chave possa abrir se comunicando apenas através de palavras escritas em um bloco.
A verdade é que esse filme não é sobre o atentado. É apenas uma desculpa para tentar levar as platéias para emoções genéricas como solidão, tristeza ou mesmo felicidade. Você vai descobrir sobre a chave ou mesmo sobre a pessoa procurada, e eu descobri que falta uma história sobre um menino que perdeu seu pai no atentado que realmente mereça ser contada. Mesmo para mim, brasileiro, o filme sobre uma tragédia como essa parece sem sentido, e como disse: de mal gosto.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

CRASH - NO LIMITE


NOTA: 10.
- É a sensação do tato. Em qualquer cidade, você encosta em alguém, alguém esbarra em você. Em Los Angeles, ninguém te encosta. Estamos sempre atrás de metal e vidro. Acho que sentimos tanta falta do toque, que batemos uns nos outros só para sentir algo.

Geralmente, os filmes contam histórias sobre uma ou duas pessoas, mas isso não é uma regra. Algumas vezes, um filme conta uma história sobre um lugar. Um evento ou mesmo um sentimento. Foi o que Robert Altman fez ao contar a história musical de Nashville ou o que Richard Curtis fez mais popularmente contando histórias de amor em Simplesmente amor. A fórmula é a mesma em todos esses casos: pessoas, diferentes apresentam diferentes pontos de vista sobre o mesmo tema. Elas não precisam se conhecer ou mesmo se encontrar. Um filme assim que seja bom é difícil de encontrar.
Outro tipo de filme que surpreende, são projetos sem distribuidoras e que rodam festivais para conseguir alguém que se interesse pelo filme. Algumas vezes, esses filmes até fazem um sucesso comercial, comparado com seu orçamento, mas dificilmente conseguem sucesso de público e crítica.
Só esses dois motivos já podem ser bons o suficientes para elogiar esse filme. Sim, é um filme com histórias paralelas que falam sempre sobre a intolerância. Além disso, é um filme feito com meros 6 milhões de dólares. Mesmo depois de vencer o Oscar de roteiro com Menina de ouro, Paul Haggis teve dificuldades de realizar esse filme, a ponto de ter que usar sua casa e seu carro nas filmagens. A Lionsgate comprou os direitos de distribuição do filme no Festival de Toronto, e tornou este, o primeiro filme comprado em um festival a ganhar um Oscar.
Um dos maiores trunfos do filme é sua imprevisibilidade. Qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento. Poucos filmes têm essa capacidade de nos surpreender. Não sabemos para onde vamos, o que vai acontecer e muito menos quais os destinos dos personagens. E cada personagem, individualmente é tão bem trabalhado, tão bem desenvolvido, que nos importamos com cada um deles. Mesmo que não seja um "mocinho".
Não que existam "mocinhos" nesse filme. Ninguém é inteiramente inocente. Ou inteiramente culpado. De qualquer forma, com certeza ninguém aqui é bonzinho. Há momentos em que os personagens fazem coisas boas e há momentos que eles tomam atitudes contrárias. Algumas vezes, até controversas.
Vejamos por exemplo, Matt Dillon interpretando o policial John Ryan (o melhor personagem do filme e provavelmente a melhor interpretação dele na vida). Num primeiro momento, ele pára um carro porque uma mulher de pele mais clara está realizando sexo oral no motorista negro. Fossem dois negros ou dois brancos, talvez ele não parasse o carro, mas ele parou esse carro. Durante a revista, ele aproveita para pegar nas partes íntimas da mulher. Depois o vemos sofrendo em casa com o pai doente sem conseguir um tratamento médico adequado. Quando está em posição de poder, ele se aproveita, quando a situação é inversa ele apenas sofre sem nada poder fazer. Nada é o que parece. E mesmo depois ele tem a chance de redenção. Somente alguns tem essa chance no filme.
E as pessoas dizem o que pensam, sem os filtros sociais que estamos acostumados. Não importa onde estejam ou na presença de quem. O iraniano é chamado de Osama na loja de armas (ele nem é árabe), ao mesmo tempo chama o latino de membro de gangue (assim como a personagem de Sandra Bullock) e por aí vai. Em um determinado momento, William Fitchner vira para Don Cheadle e dispara um "Fuck black people." Não há meias palavras.
De qualquer forma, é um retrato dos preconceitos da nossa sociedade. Não apenas da americana, mas de grande parte do mundo. E isso faz com que ele se torne um filme reflexivo. Poucos filmes podem influenciar as pessoas, gostaria de acreditar que este tenha esse poder. Que possa ser um pequeno passo para uma sociedade mais tolerante,

segunda-feira, 29 de março de 2010

UM SONHO POSSÍVEL (THE BLIND SIDE)


NOTA: 7.
- Quem diria que teríamos um filho negro antes de conhecer uma democrata.

Esse é mais um daqueles filmes que chegam com meses de atraso entre o o seu lançamento nos EUA, e boa parte do mundo, e seu lançamento no Brasil. Não que seja um filme imperdível. Sua indicação ao Oscar foi certamente exagerada, mas também foram exageradas as indicações de pelo menos outros 3 filmes. De qualquer forma, aqui temos uma história de esperança e redenção, tema cada vez menos recorrente na Hollywood cínica de hoje.
Acompanhamos a história de um garoto, Michael Oher, que não tem sequer onde dormir, mas que ganha uma bolsa em uma escola privada, escola onde estudam os filhos da socialite Leigh Anne, Sandra Bullock (oscarizada por esse papel). Um dia, percebendo que o garoto não tem onde dormir, ela o leva para sua casa para passar uma noite. Logo ela percebe que essa noite vai virar um projeto que transformará os dois.
Michael não é o melhor dos alunos. Suas nota são baixas para qualquer padrão, mas fica difícil saber quanto é sua culpa e quanto da culpa cabe aos professores em lhe explicar a matéria. De qualquer forma, ele é abençoado com um corpo forte e ágil o suficiente para bloquear qualquer pessoa que queira chegar perto de seu quaterback (o jogador que lança as bolas, para quem não sabe). Vantagem que não pode deixar de ser aproveitada. A única dificuldade é que proporcionalmente ao seu tamanho é a vontade de Michael de não machucar ninguém.
Claro que toda a família se abre para Michael dentro da casa. E ele, uma pessoa tão fechada, consegue se abrir quando percebe que eles estarão ali para ele. Não importa o que aconteça. Eles são uma família, certo? O que para alguns parece óbvio, não é assim tão fácil para quem nunca teve uma. Ainda que seja uma espécie de caridade seletiva (só há uma pessoa beneficiada nesse filme), ainda é melhor salvar uma vida que nenhuma. Um amigo de Michael não tem a mesma sorte.
O filme é piegas, mas a história toda é. O diretor, e roteirista, John Lee hancock, só perde a mão em alguns diálogos do filme. Principalmente quando seus personagens disparam frases para emocionar a platéia, mas nada que atrapalhe muito o filme. E ele sempre mantém o ritmo do filme. Apesar da calma de Michael, ele sempre divide as cenas com Leigh Anne ou seu filho S. J., que são sempre agitados e acelerados.
Falar de qualquer outro ator nesse filme que não seja Bullock, chega a ser meio desnecessário. Esse filme é dela do início ao fim. Claro que há o marido (o cantor Tim McGraw) e os filhos, mas todos sabem quando dar o espaço para ela brilhar. Ela é praticamente uma força da natureza, sempre atarefada e fazendo mil coisas ao mesmo tempo. Podem dizer que aproveitaram o filme para dar um prêmio para ela. Ela pode até não ter outra indicação, mas com certeza não vi outra interpretação em 2009 que a ofuscasse.

domingo, 11 de outubro de 2009

A PROPOSTA


NOTA: 7,5.
“Como devo chamá-la: Margaret ou amante do diabo? Porque eu já ouvi todo o tipo de coisa.” Gammie
No começo eu comecei odiando a personagem de Sandra Bullock, mas com o passar do filme, ela consegue me fazer gostar dela. É mais ou menos isso que acontece com o filme. No início, ele não a suporta, depois eles acabam se apaixonando. Se fez comigo, por que não com o personagem de Reynolds?
No início, ela lembra um pouco o papel de O Diabo Veste Prada. Ela é Margaret, uma tirana disfarçada de editora de livros odiada e temida por todos. Ela não pensa duas vezes antes de despedir um homem que claramente quer seu emprego. Assim como ela não hesita muito para ordenar que Andrew se case com ela.
Isso acontece porque ela é uma canadense em vias de ser deportada já que ignorou a lei do país. Para não ser deportada, ela arranja esse casamento para conseguir o Green Card e poder manter seu emprego, que é tudo que ela tem na vida. Assim ela manipula Andrew para casar com ela, já que ela se for, ele dificilmente conseguirá manter seu emprego. Ele aproveita a oportunidade para conseguir a promoção para editor. Afinal, forjar casamento é um crime punível com uma multa de U$ 250 mil e cinco anos de prisão. Parece um acordo justo. No setor de imigração, ela descobre que haverá uma investigação para confirmar a relação dos dois, então para facilitar, ela vai com ele para o Alaska para conhecer a família dele.
Aí todos sabem o que vai acontecer. Eles vão se apaixonar de forma gradual. Ela vai se apaixonar pela família dele, que com exceção do pai, fazem quem ela se familiarize. Tudo com situações engraçadas. E aos montes para nossa sorte.
Claro que tudo é mais do mesmo, mas é tão bem feito, que faz com fiquemos interessados no filme. Bullock pode começar como megera, mas todos sabemos a facilidade que ela tem de ser adorável. E a dupla que faz com Reynolds é ótima. Veja essa reciclagem do que já viu antes e saiba que mesmo adivinhando tudo que vai acontecer, vai se divertir bastante. Destaque especial para Oscar Nuñez (The Office), que faz um personagem impagável no filme.
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