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segunda-feira, 25 de junho de 2012

CONTÁGIO - CONTAGION



NOTA: 8.
- Hoje é um péssimo dia para ser um macaco Rhesus.

Este é um drama realista e nem um pouco voltado para o lado do espetáculo, cinematograficamente falando, sobre uma epidemia global. Seria uma simulação do que aconteceria se um novo vírus que se espalha pelo ar surgisse e se alastrasse de forma muito rápida por todo o globo. Logo que imediatamente, ficamos alerta aos perigos de um contágio: tela negra e uma tosse é ouvida. Quando vemos um garçom pegando as moedas de um cliente já sabemos que algo está em movimento.
De certa forma, a história já é familiar. Início do contágio, mapas alarmistas do vírus se espalhando pelo mundo inteiro, a corrida para a produção de uma vacina e a distribuição para a população. O problema é que o vírus aqui desafia toda a lógica que os médicos conhecem sobre doenças: ele se espalha mesmo após isolamento dos doentes e parece também resistir às vacinas produzidas. A habilidade deste filme está em mostrar a vida de alguns personagens chaves dos filmes e a interação entre outras pessoas. 
Há a família Emhoff, que rapidamente parece começar a se desintegrar. A tosse que começa o filme é de Beth (Gwyneth Paltrow), que está voltando de Hong Kong. Logo após a sua volta, seu filho morre, e não demora muito para que ela siga pelo mesmo caminho. Apenas seu marido, Mitch (Matt Damon) sobrevive na casa, por ser imune a esse vírus. No final do filme, vemos uma breve explicação de onde tudo pode ter começado, mas o mais importante é observar que pode atravessar continentes em um único dia.
Os dias vão se passando rapidamente e novos personagens vão surgindo num piscar de olhos. O chefe do CDC (Centro de Controle de Doenças) é Cheever (Laurence Fishburne), que designa Mears (Kate Winslet) para tentar controlar a doença e descobrir onde ela pode ter se originado. De outra organização em Geneva, temos Orantes (Marion Cotillard) que é uma investigadora, e em um laboratório há a Hextall (Jeniffer Ehle) que está se sentindo frustrada pela demora que está se dando para aperfeiçoar a vacina para que seja testada em humanos. Para encerrar a galeria de astros que o filme possui, temos Jude Law como um blogueiro que se preocupa em espalhar o pânico para seus leitores desde que isso aumente a quantidade de visitas ao seu blog. Infelizmente, seu personagem parece um pouco desnecessário à história, enquanto talvez tivesse melhor efeito se soubéssemos um pouco melhor como o vírus funciona.
O filme é muito bem filmado e habilmente dirigido. A presença de grandes astros ajuda muito para a dramaticidade, pois não temos muito tempo para conhecermos e nos importarmos com eles. O filme mantém também um ritmo interessante: começa a mil por hora e não procura diminuir o ritmo em momento nenhum. É um relato íntimo e que parece ser preciso no que sobre seria se uma nova epidemia se espalhasse, e é o melhor filme que já assisti sobre este tema.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

DEUS DA CARNIFICINA - CARNAGE



NOTA: 8.
- Não estou feliz. Na verdade, esse é o dia mais infeliz da minha vida.

Tirando uma cena inicial e outra final com crianças brincando em um parque, todo o filme se passa dentro de um apartamento em Manhattan. Pode não parecer muita coisa, mas tudo que o diretor Roman Polanski precisa é de um grande elenco, e aqui ele conta com quatro nomes de peso e de muito talento: Kate Winslet, Christopher Waltz, Jodie Foster e John C. Reily. O que realmente importa não é a história em si, mas ver os atores em ação.
O apartamento de Manhattan é do casal Penelope (Foster) e Michael Longstreet (Reily). Eles recebem o outro casal Nancy (Winslet) e Alan Cowan (Waltz) por conta de um problema que houve entre os filhos deles. Na cena de abertura do parque, um deles acerta o outro no rosto com um pedaço de madeira. Sendo o filho dos Cowan o agressor e Longstreet o agredido. A cena é filmada de longe e sem audio, assim não sabemos como aconteceu e o que foi dito. Não há como saber exatamente quem está certo ou errado. 
A visita é uma forma dos pais tentarem resolver o problema de forma amigável, e a atuação deles no início da conversa nos faz parecer que eles vão conseguir resolver seus problemas tranquilamente no final das contas. Afinal, todos parecem sensatos e trabalham, e aparentemente são ricos, já que moram em um bairro chique e o que vemos é um apartamento com um certo luxo, apesar de estranhar que um deles viva de vender utensílios para a casa. Talvez ele seja um bom vendedor e tenha um ótimo volume de vendas, mas de qualquer forma isso não vem ao caso.
Adaptado de uma peça do teatro e vencedora do Tony chamada God of carnage, e Polanski não fez muito esforço para disfarçar a origem teatral. Toda a ação principal se passa dentro do apartamento, e eles no máximo chegam até o corredor até que algum evento os leve de volta para dentro do apartamento. A estratégia parece ser bem simples, o que Polanski quer nos mostrar é o atrativo principal do filme: performances.
O filme vai mudando a forma como eles se tratam. Primeiro eles começam trocando amenidades. O problema é que os dois casais parecem inclinados a aceitar a culpa dos seus filhos, como se as duas crianças pudessem ser culpadas pelo acidente. Mas aos pouco a civilidade vai dando lugar a decadência humana, e o filme começa a tomar a forma que parece interessar a eles. Um casal começa a atacar o outro, mas as alianças parecem se quebrar em uma velocidade impressionante e logo são homens contra mulheres e por aí vai. 
Não chega perto de ser um dos melhores filmes de Polanski, mas ele tira grandes atuações de todo o seu elenco. Sem que ninguém destoe ou fique fora do tom. E os próprios atores parecem estar satisfeitos com eles mesmos. E é sobre isso que o filme trata.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O LEITOR


NOTA: 8.

“Não importa o que eu sinta. Não importa o que eu pense. Os mortos continuam mortos.” Hanna Schmitz

O diretor Stephen Daldry tem uma filmografia curta, mas de uma sensibilidade inacreditável. Ele ficou mundialmente conhecido logo com seu primeiro longa, Billy Eliot, que lhe valeu uma indicação ao Oscar. Depois, chegou com mais força na premiação com As Horas, mas novamente ficou só na indicação. Na premiação desse ano, ele foi novamente ignorado com esse filme. Ainda que não tenha vencido, fica a marca impressionante de ter sido indicado por melhor direção em todos os seus filmes.

Aqui ele conta a história de Michael. Começa com ele adulto (Fiennes) e passa para contar a história da sua adolescência (Kross). Quando tinha 15 anos e conheceu Hanna (Winslet). Um dia, voltando para casa, Hanna percebe que ele está doente e cuida dele, o leva até em casa. Ele volta para agradecer e os dois acabam se envolvendo sexualmente.

Hanna é bem mais velha que ele. E essa não é a única diferença, as situações financeiras, culturais e tudo o mais são diferentes. Ele ganha a primeira experiência da sua vida. Ela ganha histórias. “Primeiro leia, depois sexo”, ela diz para ele. E ele traz todo tipo de livros para ler para ela. Até que um dia, ela some e despedaça o coração do garoto.

Pulamos 8 anos. Ele está agora na faculdade de direito, parte de uma aula bem restrita, com apenas 6 alunos. O professor (Ganz) os leva para um julgamento. Mulheres estão sendo julgadas por terem trabalhado em um campo de concentração. Entre elas, está Hanna.

Muitos podem pensar que o conflito está em Hanna. Por ela ter trabalhado no campo de concentração, mas eu não creio. Claro que há uma discussão sobre o fato de ela estar “apenas fazendo o seu trabalho”. Ela precisava de um emprego. Essa discussão eu deixo para cada um. Eu não consigo imaginar o que eu teria feito. Por sorte nem preciso, mas cada um pode dizer com certeza que não teria participado? Uma questão complicada de ser respondida.

Como eu disse, porém, não acredito que a questão do filme seja essa. Acredito que o problema maior do filme seja a vergonha. Michael sente vergonha da relação que teve com aquela mulher. Ele sabe um segredo sobre ela que pode livrá-la da condenação dela, mas ainda assim se cala. Talvez o sentimento de Michael, seja uma metáfora para o sentimento de todo o povo alemão. É mais fácil ignorar que aconteceu, do que realmente aceitar o fato. Que faz parte do seu passado.

Não apenas isso. Aquela mulher que o largou, acabou com sua vida. A pessoa que ele se tornou foi baseada em cima daquele rompimento. Ele mantém todos a um certo distanciamento de todo o mundo. Incluindo sua filha. Ele não quer passar por aquilo de novo.

Fato é que não podemos negar o que aconteceu em nossas vidas e Michael vai aprender isso. Da maneira mais dolorosa. Então que se aprenda com o passado. Essa é a função da história. E do filme.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

FOI APENAS UM SONHO



NOTA: 8,5.
“Me diga a verdade, Frank. Lembra disso? Costumávamos viver por ela. E você sabe o que é tão bom sobre a verdade? Todos a conhecem não importa quanto tempo vivem sem ela. Ninguém esquece a verdade, Frank. Só ficam melhores em contar mentiras.” April Wheeler
Primeiro o diretor Sam Mendes desconstruiu o “sonho Americano” moderno com seu filme de estréia: Beleza Americana. Agora volta as lentes para o sonho americano na década de 1950, logo após a Segunda Grande Guerra.
Aqui vemos que para certas pessoas, o sonho estava mais para pesadelo. Sem exageros. Um jovem casal cheio de sonhos sobre a vida futura se conhecem numa festa. Eles parecem perfeitos um para o outro. Tempos depois, eles se casam e se mudam para o subúrbio, onde têm uma casa, dois filhos e um emprego na cidade que ele odeia.
A excitação do relacionamento entre os dois passa. A realização dos sonhos também. Afinal, nenhum dos dois tem sonhos concretos para realizar. É quando April tem uma idéia. Eles se mudam para Paris, onde Frank disse ser o único lugar que ele tinha vontade de morar fora dos EUA, ela trabalha enquanto ele tira um tempo para descobrir o que realmente quer fazer da vida.
Parece fácil, mas lembre-se que estamos na década de 1950. Como um homem pode suportar ser sustentado pela mulher? Apesar disso, ele aceita. Eles começam seus preparativos para a viagem. É quando Frank recebe uma proposta de promoção na empresa. Daquelas que aparecem para poucos. Ao mesmo tempo, April está grávida de novo. Ele não têm escolha, certo? É quando vemos que April é guiada pelas suas próprias ambições. Ela quer mais do que tem. Enquanto Frank está satisfeito em ter o que já tem.
Para piorar, eles recebem para jantar o filho de uma amiga que acabou de sair de um sanatório. Mas ele não parece louco. A menos que loucura seja dizer a verdade. Vai ver que naquela época era. É só o que ele faz. Dizer a verdade com palavras cruéis. Se a verdade por si só já machuca...
Ao contrário de Titanic, DiCaprio e Winslet entregam papéis reais e devastadores aqui. A perfomance dos dois eleva o filme a um outro patamar. Eles são os Wheelers, como todos dizem no filme. Não astros, mas pessoas de verdade. Um crítico escreveu: “As pessoas reclamam que seus pais não as entendem. E se eles não entendiam a si mesmos?” É mais ou menos o resumo do que é esse filme.
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