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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

HITCHCOCK TRUFFAUT 31: INTERLÚDIO - NOTORIOUS (1946)

Para ler o que já saiu de Hitchcock Truffaut, clique aqui.


NOTA: 100.
- Um homem não diz uma mulher o que fazer. Ela diz a si mesma.

Como Truffaut ressalta, este filme é o que mais se aproxima de toda a essência do que é um filme hitchcockiano. A quintessência de Hitchcock. Pelo menos de todos os filmes preto e branco. E isso porque o filme basicamente se resume a um único MacGuffin: uma amostra de urânio escondido dentro de uma garrafa de vinho. Esse é um dos simples que o diretor já usou, e talvez por isso seja o mais eficaz. Com certeza o melhor até agora. Na verdade essa é a genialidade do filme: se aproximar da simplicidade, e o faz com tamanha competência que o filme se torna algo além do que se podia esperar. Se torna genial.
Para convencer os produtores de que o MacGuffin funcionaria, o diretor teve trabalho para vender a ideia do filme. Ideia essa que surgiu em 1944, um ano antes das bombas de Hiroshima e Nagasaki explodirem. Inclusive, ele relata que a pesquisa que fez pro filme sobre a bomba atômica o fez ser vigiado pelo FBI. Mesmo depois de explicar ao produtor o que era um MacGuffin e a pouca importância que se deve dar a ele, o produtor resolveu se livrar do filme e os atores envolvidos. Erro que provavelmente o fez se arrepender depois de ver o sucesso do filme.
Junto a Casablanca, esse filme é que garante imortalidade a Ingrid Bergman. Ela é Alicia Huberman, mulher com fama notória (o que dá o título original do filme) que é convidada pelo governo americano a espionar nazistas que estão radicados no Rio de Janeiro. Quem a convence a realizar o trabalho é Devlin (Cary Grant), agente por quem ela se apaixona e que acaba a jogando nos braços de outro homem para que ela possa se infiltrar. No final, se trata apenas de uma história de amor entre um homem e uma mulher que acabam não ficando juntos por desencontros e mal entendidos.
Aqui acontece uma coisa interessante. Ao passo que vemos que ela está realmente apaixonada por ele, nunca temos certeza se ele a ama. Ele ainda a joga nos braços de outro homem, Sebastian (Claude Rains, outro que apesar de coadjuvante também se tornou imortal no cinema). Ele é realmente apaixonado por ela e acabamos criando uma certa empatia por ele. E ainda marca ainda mais sua presença quando se mostra um vilão que não puxa uma arma, mas sim se mostra calculado para realizar seus atos. Esse é um personagem realmente mau.
E quanta ironia: Devlin é mais alto e bonito que o inseguro, ciumento e dominado pela mãe Sebastian. Ainda assim, apenas uma vez vemos Sebastian desafiar sua mãe, e ele faz isso em prol de sua amada. Devlin quase nada em favor dela.
E para terminar, um final sensacional. Mesmo o diretor, que anteriormente caiu na armadilha de terminar seus filmes com perseguições ou grandes de cenas. Aqui, tal qual o MacGuffin, ele extrai o suspense de algo simples. Não há brigas, nem perseguições, explosões ou qualquer coisa do gênero. A cena é simples e guarda todo o suspense do filme. Ela é calma e delicada. E talvez por isso seja o filme preferido de Truffaut. Realmente é genial e finalmente começamos a nos aproximar da genialidade que fez o diretor ser quem é.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O FANTASMA DA ÓPERA – THE PHANTOM OF THE OPERA (1943)



NOTA: 8.

Um épico da era de ouro do cinema. Aqui o fantasma ganha uma nova roupagem numa adaptação menos fiel porém mais interessante, ainda que o horror seja amenizado. A começar pela humanização do personagem. Se no anterior ele já existia desde o início do filme, quase como uma lenda do teatro, aqui ele ganha uma origem e uma motivação.

Acompanhamos Erique Claudin (que no anterior era Erik), um violinista da casa de ópera de Paris que é dispensado por não mais poder tocar o violino com perfeição. Apesar de ter tocado lá por vinte anos, ao contrário do que todos pensam, ele está falido porque secretamente paga as aulas de canto para Christine. Fora da ópera ele não pode mais pagar e o professor a dispensará das aulas. Decidido a vender seu Concerto, ele vai a uma editora para publicarem e ao ouvir que estão tocando sua obra, ele enlouquece e mata o editor. A assistente para se defender joga ácido em sua cara e ele para fugir da polícia se esconde nos esgotos e passa a entrar desapercebido pelas dependências da ópera. Esses fatos o enlouquecem e ele passa a matar pessoas até que Christine seja posta como cantora principal. Filmado nos mesmo estúdios que o anterior (que até hoje existe), a cena da queda do lustre foi refeita, mas desta vez leva ao ápice do filme. Logo em seguida há a caçada que culmina no soterramento do fantasma.

Aqui o fantasma é interpretado por Claude Rains (o policial de Casablanca), mas não é de longe o personagem mais interessante da trama. Aqui ele divide a cena com Anatole Garron (interpretado por Nelson Eddy) e Raol D’Aubert (Edgar Barrier), que são donos das melhores cenas do filme com o cinismo pela disputa do amor de Christine. Aqui Raol é um oficial de polícia que investiga os crimes e Garron é o barítono do teatro. Há três cenas deles com Christine que são impagáveis, e, inclusive, são eles que fecham o filme.

Esse filme dá um salto à frente em relação ao filme anterior com uma história mais complexa e melhor trabalhado. Apesar de ter um clima muito mais ameno e divertido (apesar de também ter sido vendido como um terror), vale muito a pena. Apesar de agora as pessoas cantarem (em francês) nas óperas apresentadas, este filme não é um musical e é ótimo.
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