segunda-feira, 4 de junho de 2012

SOB O DOMÍNIO DO MEDO - STRAW DOGS

NOTA: 8,5.
- Não é que o desgraçado tem um homem dentro no final das contas?

Esta nova versão é muito parecida com a original de 1971, filme dirigido na época por Sam Peckinpah. Apesar de não ter o lirismo de Peckinpah, o diretor Rod Lurie (de Faces da verdade), consegue fazer um filme tão visceral quanto, violento, perturbador e bem feito. Troca-se uma cidade do interior da Inglaterra pelo Mississípi, um matemático por um roteirista de cinema e teremos a mesma história incluindo um gato morto e uma armadilha para ursos. 
Saem também Dustin Hoffman (que declarou não ter gostado de realizar o filme) e Susan George, e entram James Marsden e Kate Bosworth nos papéis principais como o intelectual e sua esposa que se mudam para a cidade do interior para que ele possa trabalhar em um lugar sossegado. Algo na maneira como os dois vivem incomoda os moradores daquela pequena cidade, que parecem começar uma luta pelo território, como se quisessem mostrar ao casal como eles deveriam viver.
Amy Sumner (Bosworth) não é apenas a mulher do mocinho como acontecia no filme original, ela era uma espécie de garota popular daquele colégio que se mudou para tentar sua carreira como atriz e conseguiu alguma notoriedade em um papel numa série televisiva. David (Marsden) se muda para a antiga casa do pai dela, um lugar muito bonito e um pouco afastado da cidade que tem um celeiro que foi devastado por um furacão.
Logo no primeiro dia eles vão almoçar num daqueles bares onde todos se conhecem. Lá eles conhecem Charlie (Alexander Skarsgård), o namorado de Amy da época de colégio e que vai consertar o telhado do celeiro. A relação entre o ex e o atual não começa bem desde esse primeiro encontro e piora logo no primeiro dia de trabalho de Charlie, e depois da maneira que as coisas vão avançando percebe-se que não tem como melhorar. Até sermos levados pela violenta conclusão.
Bem. Eu moro numa cidade onde acredito que a polícia deva tomar conta de assuntos que não posso ou que não devo resolver. Essa cidade onde eles se encontram se orgulha de dizer que eles cuidam de si mesmos, ainda que haja um oficial local que deveria cuidar disso. A ideia é mostrar que um homem comum é capaz de se defender ferozmente quando sua vida depende disso. E aparentemente em uma cidade como essa isso é capaz de acontecer. Ainda que toda a trupe de Charlie e do treinador (interpretado por Woods) esteja cercando sua casa. É assim que veremos do que ele é capaz.
Apesar de ser similar ao original e de gostar muito do diretor Sam Peckinpah, devo admitir que gostei mais desse filme do que do original. Lurie não banaliza o sentido final do filme enfraquecendo a intenção de seu herói e nem glorificando a violência ou o sexo. Além disso, todo o elenco traz muito mais profundidade aos seus papéis, em especial Woods que dá um show à parte.

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