quarta-feira, 27 de junho de 2012

A CAIXA DE PANDORA - DIE BÜCHSE DER PANDORA


NOTA: 10.
- Só uma coisa, meu rapaz: tome cuidado com essa mulher.

O blog chega agora a sua publicação de número 500, e por isso não posso deixar de postar um filme que ficará para sempre marcado na história do cinema. Assim com também Louise Brooks deixou sua marca para sempre imortalizando a personagem Lulu. O filme envelheceu, mas a beleza dela permanecerá. Todos estamos acostumados a assistirmos filmes, e sabemos que quando uma mulher assim aparece nas telas é a certeza de que podemos nos sentir atraídos por ela, mas que com certeza trará problemas.
Foi dito em um documentário, que Brooks era "muito selvagem em um negócio que era manso". Ela pode não ter tido uma longa e próspera carreira em Hollywood, mas fez pelo menos dois filmes alemães que ficarão na história: Diário de uma perdida e este A caixa de Pandora. Seu corte de cabelo está como um dos mais influentes de todos os tempos, a pele de porcelana e seus olhos escuros fazem o conjunto com uma boca que parece estar sempre em uma posição de provocação. Entre seus amantes mais famosos está Chaplin. Mas ela também tinha um problema com bebida, e um dia mandou a Paramount para o inferno quando a pediram para dublar seu último filme mudo. Seu jeito "selvagem" acabou fazendo com que ela terminasse numa agência de acompanhantes depois que todos seus amigos se esqueceram dela. Para sua sorte, foi "salva" por um fã para revisitar seus filmes.
Lulu não é uma prostituta como ela mesmo diz, apesar de parecer se comportar um pouco como uma. Ela recebe a visita de Schon, um homem que pode ser seu amante e parece depressivo pela chegada do dia de seu casamento. Ele não quer casar, e talvez tenha a esperança de que Lulu o convença a desistir de tudo por ela. O filho dele também parece apaixonado por ela, mas o velho acaba terminando seu noivado e desposando a moça. 
Schon é muito possessivo e ciumento. Num acesso, ele pega sua arma e pede para que a moça se suicide para que ele não tenha que matá-la, mas claro que a moça não quer morrer. Ela ama a sua vida, ela ama viver. Na confusão, Schon acaba morto e a moça é condenada pela sua morte. O filho de Schon ignora tudo e acaba fugindo com ela onde suas vidas vão seguindo em decadência.
(ESTE PARÁGRAFO CONTÉM SPOILER) 
Na fuga, eles acabam em Londres. Falidos, seu cafetão, que talvez seja seu pai, acaba a convencendo a tentar conseguir dinheiro nas ruas. Para seu azar, ela cruza com quem pode ser Jack Estripador, que lhe diz que não tem dinheiro. Mas ela não está somente preocupada com dinheiro e simpatizada pelo homem o convida mesmo assim. Talvez seja a sua punição pela vida que levava, ou talvez na época fosse necessário afirmar que uma moça que não se importa com as "regras" da sociedade não possa ter seu final feliz.
Não se trata de um caso de estudo psicológico ou social. O filme é um estudo sobre o erotismo numa época em que pouco se falava sobre isso. A cada vez que se assiste, parece que uma nova parte da personalidade de Lulu é exposta. Apesar de conhecer a história, ainda assim ela me parece estranha como se fosse a primeira vez. São novas descobertas que faço a cada nova visita a esse universo. Ela gosta de curtir sua vida, seja bebendo, festejando ou fazendo amor, a única coisa que parece incapaz é de se sentir presa. Morte pode parecer melhor ás vezes que uma vida na cadeia. 
O filme sem Brooks provavelmente não seria tão memorável, assim como não existiu e nem existirá outra personagem como Lulu. A minha única frustração é não ser capaz de escrever um texto à altura dessa grande obra de arte.

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