sábado, 9 de abril de 2011

O PEQUENO NICOLAU


NOTA: 10.
- Eu sou Nicolau. Minha vida é muito legal e não quero que ela mude.

Logo no início do filme, a professora pede que escrevam uma redação sobre o que as crianças querem ser quando crescer. Nicolau descreve o que cada amigo seu vai ser: um vai ser ministro porque gosta de comer e essa função exige que ele vá a muitos banquetes, o outro vai trabalhar com o pai porque ele ganha muito dinheiro e por aí vai. Todas as descrições são inocentes como uma criança somente poderia fazer. Não há nada racional naqueles relatos, e desde o início do filme embarcamos nessa inocência.
O filme se passa nos anos 1950, época onde puxar uma criança pela orelha deveria ser considerado totalmente normal. Nicolau (Maxime Godart) é mimado por sua mãe e adora a sua vida. Gosta tanto que não consegue escrever na redação o quer quer ser quando crescer. Ele não quer crescer. Ele quer que sua vida permaneça da mesma forma que está agora.
Para seu desespero, seus pais começam a ser gentis um com o outro. Esse "comportamento estranho" bate com a descrição que seu amigo lhe deu de seus pais. Quando isso aconteceu, ele teve um irmão. Nicolau não quer ter um irmão. O nascimento de outra criança mudaria totalmente sua vida. Ser irmão mais velho o obrigaria a envelhecer, coisa que não pretende fazer. Além disso ainda fica com medo que seus pais o larguem na floresta para cuidar apenas da nova criança.
Tentando evitar as mudanças, Nicolau tem uma idéia simples: ele deve se livrar da nova criança. Para isso, ele conta com a ajuda de seus amigos que bolam os planos mais mirabolantes (que nós sabemos que não vão funcionar, e nem precisam, mas é divertido ver as crianças tentando). O importante aqui é acompanharmos a lógica das crianças. Apesar de podermos acompanhar a lógica dos adultos também, é o ponto de vista infantil que domina a tela.
O elenco funciona muito bem. Sejam adultos ou crianças, todos empenham seus papéis de acordo com o estilo do filme. A direção de arte faz um bom trabalho não só mostrando a época retratada no filme como também a personalidade de cada pessoa no filme. Incluindo ótimos figurinos do garoto rico que usa as roupas mais estranhas.
No mundo cínico que vivemos hoje, o cinema também se tornou em uma coisa cínica. Um filme como esse facilmente teria algum momento de ruptura que levaria o personagem a um amadurecimento precoce. Não é o caso aqui. Nicolau não vai amadurecer. Essa doçura é a alma do filme e é isso que o torna tão bom. E melhor ainda, agrada plenamente adultos e crianças. Diversão garantida para quem se deixar levar pela história.

8 comentários:

  1. Eu estou há horas com esse filme aqui em casa e me amarrando para ver. Agora, vou pô-lo na frente da fila...
    Grande abraço

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  2. Rafael Barbosa:
    Há horas?
    Então nem ficou muito tempo para ver.
    rs

    Dianamrs:
    Bem bonito e divertido realmente.

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  3. esse texto esta pela metade

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  4. Amei esse filme e o garotinho "chato", o que não pode apanhar porque usa óculos, dá um show de interpretação. Outro momento antológico é o jantar que a mãe de Nicolau prepara para o patrão do marido. Um filme que toda a família pode assistir junta, sem perigo de ver aparecer cena de sexo.

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