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terça-feira, 10 de abril de 2012

ANÔNIMO - ANONYMOUS


NOTA: 9.
- Embora nossa história esteja chegando ao fim, o poeta não está. Pois seu monumento é eterno. Não de pedra, mas em verso.

O diretor Roland Emerich é mais conhecido por filmes catástrofes, como 2012 e O dia depois de amanhã, e talvez por querer fazer algo diferente que ele tenha financiado inteiramente o filme de seu próprio bolso. Filme que teve um roteiro escrito em 1998, mas que não foi para frente pois nesse ano Shakespeare apaixonado começava a fazer grande sucesso nos cinemas.
Mais um filme sobre Shakespeare, mas diferente de todos os demais. O autor é um dos mais documentados da sua época, talvez por isso pareça que não havia motivos para se duvidar que ele não tenha escrito as peças que foram montadas em seu nome. Talvez se fosse um escritor mediano ou mesmo medíocre, não haveria qualquer controvérsia. Mas acontece que ele é simplesmente o maior escritor de todos os tempos, um dos poucos artistas supremos que a humanidade conheceu.
Poucos não se incomodariam com a fama que o autor teve em sua época, se formos considerar sua árvore genealógica. Além de ser filho de um pobre e analfabeto, era um ator itinerante em um tempo que a profissão era muito mal visto por todos. Talvez seja por isso que tenham dificuldade de acreditar que este homem tenha escrito obras-primas, e por isso surgiram inúmeras teorias de que as peças teriam sido escritas por outra pessoa. Alguns nomes são sugeridos, o filme fala "em nome" de Edward de Vere.
Talvez você não saiba muita coisa sobre William Shakespeare e saiba menos ainda sobre Edward de Vere, mas isso não deve ser um empecilho para assistir a esse filme. Mesmo se este for o caso, você pode assistir a esse filme com um roteiro intrigante, uma direção precisa e ótimos atores ingleses sem saber nada, e ainda assim se entreter e acreditar que Shakespeare é realmente um personagem interessante.
E se for o caso de ser um fã de Shakespeare, aviso que este filme pega pesado com ele. Ele é retratado quase como um idiota. Sem qualquer tipo de brilhantismo, seja como ator ou qualquer outra coisa. Realmente um homem incapaz de poder ter escrito qualquer peça brilhante. Eu sou um fã de Shakespeare, mas para mim se trata de um autor e como tal ele é brilhante nesse filme também. Seja lá por qual nome atenda aqui.
Já Edward de Vere (Rhys Ifans) parece realmente um gênio. Seu modo de vestir, de falar e agir, tudo faz parte de uma pessoa tão impressionante que acreditamos facilmente que ele pertence à realeza. O filme ainda especula que ele possa ter tido um caso com Elizabeth I, com quem teria tido um filho. Isso e muitas outras tramas contra a coroa e diversas conspirações. Apesar de ter tido a maior parte filmada na Alemanha, o filme consegue com propriedade reviver a antiga Londres. Sejam nos bastidores da realeza ou mesmo no teatro construído para o filme. 
Há muitas coisas que tornam este filme uma experiência, mas devo insistir que de Vere não escreveu as peças. Talvez seja pelo fato de ser um fã de Shakespeare, ou talvez por achar a história inacreditável demais. Inclusive, li uma reportagem que indica que pelo menos 10 peças ou mais teriam sido escritas depois da morte de de Vere. A minha teoria é que não acredito em nada desse filme, mas ainda assim é possível assistir e se interessar muito por ele.
Infelizmente, muitos parecem não dar uma chance ao filme, que fracassou nas bilheterias. Tal fracasso fez com que sua estreia fosse constantemente cancelada aqui no Brasil, para nosso azar. Mas em breve, ele finalmente chega às locadoras.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

JCVD


NOTA: 7,5.
Eu confesso que era fã dos filmes do Van Damme. Não apenas eu, mas como todos os meus amigos da época. Ele era um dos caras da “porradaria” dos anos 90, disputando com Schwarzenegger e Stallone. Acredito que seu ponto mais alto deva ter sido Soldado Universal, o que torna o caso triste se analisarmos que “interpretando” ao seu lado estava Dolph Lundgreen e o filme era dirigido pelo dublê de diretor (e hoje especialista em péssimos filmes catástrofes) Roland Emmerich. Mas além desse, Van Damme teve vários filmes de sucesso, principalmente entre os adolescentes (estou me incluindo), como: Duplo Impacto, O Alvo (foi Van Damme quem trouxe John Woo para as terras ocidentais), Timecop e O Grande Dragão Branco (filme que o elevou ao estrelato).
Aos poucos eu parei de me interessar pelos seus filmes e infelizmente para ele, muita gente fez o mesmo. Grande parte da culpa vem do próprio ator que com uma série de erros foi destruindo sua imagem e sua carreira, culminando no vexame de vir para o Brasil responder perguntas imbecis do Latino e ficar excitado diante das câmeras dançando com a Gretchen (esse provavelmente foi um dos pontos altos da carreira dela) em um programa do Gugu. Com isso, seus filmes foram vindo pra nós diretamente para as locadoras, quando chegavam.
E foi o que aconteceu com esse JCVD (pra quem não reparou ainda, se trata das iniciais do nome do ator), porém, nesse caso, devo acrescentar um “infelizmente”. Acrescento por se tratar do melhor filme do ator. Não que ele tenha uma carreira cinematográfica sólida, mas pelo menos dessa vez posso realmente me referir a ele como ator, e não dublê de ator, que estrela um filme realmente bom. Nesse filme, seu papel é ele mesmo dissecando sua própria vida no filme, mostrando problemas financeiros, de custódia da filha e os péssimos filmes que anda fazendo (ele ainda faz, pelo menos, um filme por ano).
Para tentar um pouco de paz na sua vida, ele volta para seu país natal, Bélgica, onde é abordado por fãs constantemente, já que é a estrela maior do país, o filme toma um rumo estranho quando um policial profere: “Preciso de reforços. Jean-Claude Van Damme está assaltando uma agência!”. Sim, como se a vida do astro já não parecesse conturbada o suficiente ele ainda é confundido como assaltante. Aí entra o mérito do filme. Van Damme não vai bater em todos os assaltantes e salvar o dia. Despido de sua aura de astro, o vemos como ele realmente é: uma pessoa como eu ou você, de carne e osso. Tudo intensificado quando o astro faz um desabafo diante das câmeras, um misto de interpretação com confissão que realmente emociona.
Esse é um daqueles filmes que não esperava que fosse me impressionar, mas o fez e um dos motivos é a sinceridade que ele passa. Espero que o filme tenha melhor sorte do que teve até agora. Quem não gosta do ator pode se surpreender, e os que gostam podem se decepcionar com a falta de pancadarias. Para estes últimos e os mais saudosistas, Jean-Claude está finalizando Soldado Universal – Um Novo Começo (também com a volta de Lundgreen).
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