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quarta-feira, 11 de maio de 2011

FAÇA A COISA CERTA

Graças a um problema no Blogger, as postagens de quarta-feira até sexta-feira foram apagadas. Aparentemente, um problema que aconteceu com todo mundo. Felizmente, consegui resgatar a postagem de quarta e estou postando novamente para quem não leu. 


NOTA: 100.
- Qual é o seu problema? Isso não é pelo dinheiro. Não podia ligar menos para o dinheiro. Está vendo esse lugar? Eu construí com minhas próprias mãos.

Não há nada minimalista neste filme de Spike Lee. Este é um filme que vibra em cores, ódio, preconceito e intolerância, e tudo isso no calor de um único dia no Brooklyn. É também um filme controverso que causa muita discussão sobre ele. Especialmente o final.
Talvez algumas pessoas possam achar o filme confuso, mas devemos nos perguntar se ele não deve ser confuso. Lee faz uma mistura de personagens que mora nos bairros: são latinos, asiáticos, negros, brancos e descendentes de italianos. A grande genialidade, é que ele consegue falar de racismo entre todas essas raças e em momento nenhum toma parte de qualquer um. Ninguém aqui está certo, ninguém está errado. Há apenas a forma que eles e pronto. E todos os personagens são enfatizados.
O próprio Lee faz um personagem, Mookie, um entregador de pizza da pizzaria de Sal (Danny Aiello), o descendente de italiano que montou seu restaurante há muitos anos no bairro e toma conta com a ajuda de seus filhos, Pino (John Turturro) e Vito (Richard Edson). Mookie é casado com uma latina com quem tem uma filha e leva horas entre uma entrega e outra, e entre essas andanças ele passa por outros personagens como "Da Mayor", um homem que se diz o prefeito e que varre a calçada por alguns trocados.
Desde o início do filme, Lee ressalta o calor que está fazendo. Aquele tipo de calor que incomoda qualquer pessoa. Incomoda ao ponto de deixar as pessoas ainda mais intolerantes. Um homem que vai comprar pilhas para o seu rádio no mercado, quase arruma uma briga porque os asiáticos não entendem o tipo de pilha que ele quer. Qualquer coisa é motivo de confusão. E conforme o dia vai passando, as coisas não ficam melhores. Tudo vai chegando ao clímax onde todos são afetados.
Apesar de ser um bairro de maioria negra, não há um único negócio que apareça no filme que tenha um dono negro. A pizzaria é de um italiano e o mercado é dos asiáticos. As fotos na parede da pizzaria são todos de atores ítalo-americanos famosos. "Por que não há uma foto de uma celebridade negra?", Buggin Out (Giancarlo Esposito) pergunta. Abra seu próprio negócio e coloque a foto de quem quiser, é a resposta de Sal. Ele volta na pizzaria com Radio Raheem (Bill Nunn), que também está irritado com Sal por ele pedir para baixar seu rádio. Raheem está errado por incomodar todos com o som, Sal fica errado por quebrar o rádio e quando a polícia chega eles também incorrem em erro. Tudo é realmente uma confusão só.
O dia seguinte não traz melhoras. Todos tratam apenas de pegar o que sobrou de suas vidas e seguir adiante. Uns sem negócios, outros sem emprego e há aqueles que não vão ter mais nada. Ainda assim, nada muda no bairro. Talvez seja assim que as coisas funcionam. Lee deu uma entrevista recentemente onde lhe perguntaram se ele tinha feito a coisa certa no filme. Ele respondeu dizendo que nunca um negro lhe perguntou isso. Esse é o tipo de atitudes pungentes que temos no filme. Por isso ele é tão brilhante. Seja você quem for.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

FEITIÇO DA LUA


NOTA: 10.
- Chega um dia em que um homem descobre que sua vida é vazia. Esse é um péssimo dia.
- Sua vida não é vazia. "Ti amo".

Alguns filmes devem ser vistos antes que você leia alguma coisa sobre eles. Este é um deles. Se eu escrever que é uma comédia étnica, pode passar uma idéia errada sobre o filme. Não que ele deixe de discursar sobre ítalo-americanos, é só que ele é muito mais que uma comédia étnica. Há uma magia nele que não encontro maneira de descrever em um texto. Pouco filmes tem essa qualidade de serem tão mágicos.
Loretta Castorini (Cher) é uma viúva de seus 30 e poucos anos que parece muito mais velha do que realmente é. Sua expressão e seus cabelos grisalhos podem fazer com que ela parece assim. Johnny Cammareri (Danny Aiello) a pede em casamento e ela aceita. Não aceita porque o ama (na verdade ela não o ama), ela aceita porque é conveniente.
Ele vai viajar para a Itália para visitar a mãe que está morrendo. É o tempo de ir, esperar ela morrer e voltar para se casarem. Ele só pede uma coisa: há muitos anos ele está brigado com seu irmão e ele quer que ela vá até ele e o convença a ir no casamento.
É assim que ela conhece Ronny Cammareri (Nicolas Cage). Uma alma atormentada que amaldiçoa o irmão. O problema? Johnny o fez olhar para o lugar errado na hora errada, e por isso ele teve um acidente que arrancou fora sua mão. O que não se podia esperar é que Ronny e Loretta se apaixonassem um pelo outro.
O filme é bom não apenas porque conta a história desse casal. Ela é boa que porque conta a história deles e de vários outros personagens que são tão interessantes quanto eles. Como os pais de Loretta, um casal de amigos e até mesmo um professor que se especializou em levar copos d'água na cara no mesmo restaurante de mulheres diferentes. É de um desses personagens que descobrimos que a lua estava especial, mágica (desculpem a repetição), quando se apaixonaram. E quando Ronny e Loretta se conhecem, a mesma lua volta a aparecer nos céus.
E todas as histórias tem suas complicações. Cher está noiva de um e apaixonada por outro. A mãe acha que está sendo traída, e realmente está, e acaba jantando com o tal professor, que vê nela uma sexualidade que seu próprio marido há muito não vê. E Cher no centro de tudo comandando o show com atuação inspirada ao lado de um também inspirado Cage (longe do que faz nos "filmes" que lança atualmente. O filme é tão delicioso, que rendeu a Cher seu único Oscar, assim como Olympia Dukakis venceu de atriz coadjuvante como a mãe. O filme também venceu por roteiro, mas Norman Jewison (que também tinha sido indicado por No calor da noite) perdeu pela direção e filme para Bernardo Bertolucci e seu O último imperador.
O tempo não fez diminuir a delícia de assistir a esse filme. Ainda bem.
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