Mostrando postagens com marcador Cary Elwes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cary Elwes. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

AS AVENTURAS DE TINTIM - THE ADVENTURES OF TINTIN


NOTA: 9,5.
- Você acha que é coincidência? Nada do que eu faço é um acidente.

Fazer um filme como esse não é uma novidade para o diretor Steven Spielberg. Temos um intrépido herói que se envolve em uma história emocionante, enfrenta diversos perigos em diversas e exóticas locações, grandes vilões com planos mirabolantes, aviões, trens, barcos e a busca por um tesouro. Troque Tintim por Indiana Jones e verá que o diretor está em casa. Na verdade, ficou uma vontade que o último filme do arqueólogo fosse mais parecido com esse. Teria sido bem mais divertido.
E pela segunda vez (ou pelo menos esse é o número que me recordo) eu vou fazer um elogio ao uso do 3D aqui no blog. A exemplo do que James Cameron fez em Avatar, Spielberg usa a ferramenta com maestria para dar novas dimensões às filmagens convencionais, e não apenas para justificar um ingresso mais caro nos cinemas. E com isso, ele ainda consegue fazer com que este seja o primeiro desenho animado em 3D que realmente valha a pena ser assistido nesse formato.
Não sei porque os franceses não pensaram em fazer uma versão moderna do personagem que eles tanto amam. Afinal, muitas pessoas no Brasil (assim como nos EUA onde foi feito) sequer conhecem o personagem, mas com certeza menos ainda conhecem Adèle Blanc-Sec e ela ganhou sua versão nos cinemas franceses ano passado (a personagem também vem dos quadrinhos). De qualquer forma coube a Hollywood na figura de seus produtores Peter Jackson (De O senhor dos anéis) e Spielberg a colocarem o personagem novamente nas telas.
Esse Tintim (Jamie Bell) é um personagem bem interessante. Mesmo que Indiana Jones passasse a maior parte dos filmes correndo atrás de tesouros arqueológicos por todo mundo, nós o vemos dando suas aulas na universidade. Quer dizer, ele busca aventuras mas tem seu trabalho. Tintim é um repórter, mas só sabemos disso porque alguém fala, já que não pisa no jornal em momento algum. Fora que ele certamente parece com um adolescente, mas todos o tratam como se fosse um adulto.
Ele está sempre acompanhado por seu fiel cachorro Milu, que é mais inteligente que a maior parte dos outros personagens do filme. Além disso, ele se junta ao Capitão Haddock (Andy Serkis), e uma dupla de policiais atrapalhados que acabam sempre investigando os mesmos casos que Tintim, Dupond e Dupont (interpretados por Nick Frost e Simon Pegg). Todos para tentar impedir os planos do maquiavélico Rackam (Daniel Craig).
O filme foi rodado com a captura de performance, que está crescendo cada vez mais em Hollywood. Confesso que ão sou muito fã dessa tecnologia em desenhos animados, pois tem uma função de deixar um desenho tão real como se fosse um filme, mas qual o propósito de se fazer isso ao invés de se fazer um filme? Mas aqui, o efeito fica bem interessante. Tintim parece humano como um filme deve ser, mas ao mesmo tempo ele também parece com o personagem desenhado em suas histórias. O mais importante é que Tintim funciona nas telas.
E isso tudo faz de Tintim um dos filmes mais divertidos de 2011. Tenho certeza que pode agradar aos fãs do herói ao mesmo tempo que pode conquistar novas plateias, especialmente as mais novas que sequer o conhecem. Só não levou nota máxima, porque quando a ação começa não pára mais. Tivesse me dado um tempo para respirar um pouco, eu teria gostado ainda mais.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O MENTIROSO - LIAR LIAR


NOTA: 7.
- Eu desejo que só por um dia, meu pai não possa contar uma mentira.

Certos filmes não pedem por grandes explicações. Eles não são feitos para isso. Alguns filmes são apenas "ingênuos" e não pedem muito de seus espectadores. Por isso não é tão difícil de acreditar que o simples pedido de um garoto no seu aniversário para que seu pai não possa mentir por um dia não possa se tornar realidade.
É claro, porém, que tudo não passa de uma mera desculpa para explorar a veia cômica de Jim Carrey, que já estava estabelecido como grande astro depois de sucessos como dois Ace Ventura, Debi & Lóide e até mesmo fracassos como Batman eternamente e O pentelho. E ele trabalha incansavelmente com uma energia cômica que impressiona. Como se fosse o bobo da corte atrás das risadas, ele busca a risada atrás de cada cena do filme, e dificilmente ele não consegue alcançar seu intento.
Engraçado é que esse parece justamente o filme certo para sua carreira naquele momento. Seus dois fracassos vieram quase em sequência e tinham uma coisa em comum: mostrava um Carrey em personagens detestáveis. Aqui, apesar de seu personagem não fazer muitas coisas corretas durante o filme, é com certeza adorável.
Ele é um advogado carreirista que quer se tornar sócio na empresa de qualquer forma, mesmo que para isso ele tenha que mentir em qualquer caso que lhe apareça objetivando a vitória mesmo que saiba que seu cliente esteja totalmente errado. Assim como, nesse excesso de trabalho, ele já tenha se afastado de sua ex-mulher e esteja se afastando cada vez mais de seu filho pequeno, que cansado das desculpas esfarrapadas do pai para não parecer faz o tal pedido quando vai apagar as velas do seu bolo de aniversário.
O pedido se realiza e Fletcher (Carrey) não consegue mais contar uma mentira sequer, por menor e mais inocente que pareça. E logo ele que está tão acostumado a viver contando uma mentira após a outra. E nem é preciso ir muito longe para ser solidário com ele, qualquer ser humano que não esteja preparado para contar uma única mentira pode acabar passando por problemas. Imagine ele que tem que defender o caso de uma mulher que quer metade da fortuna do marido mesmo depois que ele descobriu pelo menos 7 casos extra-conjugais dela.
Talvez se o filme tivesse escalado outro ator, a ideia poderia ter se esgotado rapidamente, mas Carrey literalmente mergulha na história do filme para que não possamos nos preocupar com qualquer outra coisa que não seja a diversão. Seja brigando com uma caneta ou mesmo se espancando em um banheiro, mesmo quem não o ache engraçado se vê pelo menos solidário com esse "pobre homem".
A graça é realmente ver Carrey tentando escapar de situações em que não pode escapar falando apenas a verdade. Tom Shadyac, que já havia trabalhado com Carrey em Ace Venture, parece já conhecer o ator que tem em mãos e dá bastante espaço para que ele brilhe. Parece mais confortável em colocar a câmera na posição e assistir o show de camarote. O que não é um negócio ruim para eles ou para nós.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

TEMPO DE GLÓRIA


NOTA: 8,5.
- Você é tão cheio de ódio que acha que pode sair por aí lutando contra todo o mundo. Isso pode não ser vida, mas com certeza não é morte. 

A guerra era para ver se conseguiam livrar os negros da escravidão, mas ocorre a poucas pessoas que os próprios negros tenham lutado nesta guerra. Realmente, nem foram tantos negros que realmente conseguiram lutar. Ao mesmo tempo que as pessoas, em sua maioria branca, lutavam pelo fim da escravidão, guerra que matou muita gente, a maioria dos soldados eram extremamente racistas. Os negros demoraram muito para serem reconhecidos. Tanto que na batalha do forte, o Sargento Carney foi o primeiro afro-americano a ganhar uma medalha no exército. A honraria lhe foi "dada" 37 anos depois da sua morte. São contradições como essa que permeiam o filme. 
Logo nas primeiras cenas, vemos Robert Gould Shaw (Matthew Broderick) em uma batalha. Ele não é um soldado nato. A batalha o perturba e o desorienta. Ele cai ao chão e desmaia, muito mais pelo horror da batalha que por seu ferimento, que é praticamente um arranhão no pescoço. Ele só vai acordar muito depois da batalha terminar, quando negros vão juntar os corpos dos soldados mortos para serem enterrados. Entre os negros está Rawlins (Morgan Freeman). O caminho dos dois se encontrarão novamente.
Shaw volta para a casa para se recuperar de seu ferimento, mas volta como herói. Como um homem que foi para a batalha e conseguiu sobreviver. Além de uma promoção, ele tem a chance de liderar a 54ª infantaria, um novo batalhão que está sendo formado apenas por negros. Como vimos nas cenas anteriores, ele não parece apto para liderar, mas ainda assim aceita a missão.
A verdade é que ninguém acreditava que os negros dariam bons soldados. Claro que volta a questão do racismo, ninguém podia acreditar que eles pudessem fazer um trabalho no mínimo tão bom quanto o dos brancos, mas Shaw logo percebe que aqueles homens aprendem rapidamente. Especialmente Rawlins e Trip (Denzel Washington numa atuação perfeita que lhe valeu um Oscar).
O que ninguém esperava é o batalhão pudesse se tornar tão orgulhoso. Aqueles homem realmente se sentiam honrados de vestir o uniforme, de poder lutar pela sua própria liberdade. Apesar dos brancos não terem vontade de mandá-los para a guerra, esses homens anseiam pela oportunidade de irem para a batalha. Tanto que quando chega o dia do pagamento, eles descobrem que vão receber menos que os brancos. Com o orgulho que agota tem, eles não podem aceitar aquilo. Eles querem o mesmo pagamento. Eles merecem o mesmo pagamento. Os oficiais brancos também se recusam a receber o pagamento. Todos estão de acordo. E a união dentro do batalhão está formado. E se Shaw deu a esses homens orgulho, eles lhe dão coragem na batalha.
A história do filme é muito bonita e interessante de acompanhar. Meu único problema com o filme é ter que acompanhar todo o filme e ver todo um batalhão de homens negros marchando para a morte sob a ótica de um homem branco. Inclusive, esse homem branco recebe mais destaque no poster e nos créditos. Está certo que o filme é baseado em cartas que Shaw escrevia, mas acho que o filme podia ganhar muito mais força se fosse visto sob o ponto de vista do interior do batalhão. Dos próprios soldados. Gostaria muito mais de ver Rawlins e Trip. Mas ainda assim é um filme notável.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...