terça-feira, 31 de maio de 2011

A LUTA PELA ESPERANÇA


NOTA: 8,5.
- Eu tenho que acreditar que quando as coisas estão ruins eu posso mudá-las.

Existem atores que se encaixam perfeitamente na pele de seus personagens, e este filme exemplifica com perfeição o caso em questão. Russel Crowe vive o pugilista (real) Jim Braddock em uma história inspirado na vida dele. Crowe teve que fazer um personagem que fosse extremamente amável dentro de casa, mas que ao mesmo tempo pudesse parecer com um boxeador de verdade dentro dos ringues. Talvez Tom Hanks pudesse fazer um personagem tão amável quanto, mas duvido que pudesse parecer tão bom no ringue. Russel Crowe executa as duas tarefas com perfeição.
No início, o acompanhamos voltando para a casa depois de uma luta, lugar com certo luxo mas que não tem nada ostensivo. Braddock quer dar conforto para sua família mas sem tirar os pés do chão. Ele sabe que a fama é passageira e investe seu dinheiro para enfrentar dias piores. Para seu azar, a depressão chega e acaba com seus investimentos. Além disso, ele quebra sua mão direita e perde lutas tão ruins que resolvem tirar sua licença de pugilista. Reduzido à extrema miséria, só lhe resta trabalhar como estivador nas docas.
Seu jeito de ser não muda. Seja antes ou depois, Braddock permanece a rocha que mantém a casa de pé, sempre estável. Sua preocupação é sempre com a família. Se sua filha está com fome, ele lhe dá a sua comida e fica sem nada. Na cena mais emocionante do filme, ele vai mendigar dinheiro para que possa ligar o aquecimento da sua casa e dar o mínimo de conforto para seus filhos. Sua mulher, Mae (Renée Zellweger), também quer o melhor para seus filhos, mesmo que para isso ela tenha que admitir que não tem condição de criá-los. Ele vai fazer o que for preciso para mantê-los junto dele. Essa é sua força.
Seu antigo empresário, Joe Gould (o também ótimo Paul Giamatti), consegue uma última luta para Braddock, um lutador se machucou e ninguém aceitaria substituí-lo em tão pouco tempo para treinar. Ninguém que tenha alguma coisa a perder, o que não é o caso de Braddock. Ele luta e vence de maneira espetacular. Seu adversário era um possível candidato a disputar o título, e aquele homem que não lutava há tempos consegue derrotá-lo. O feito é tão extraordinário que Gould consegue outras lutas para Braddock, e vitória após vitória ele finalmente chega à disputa do título.
Filmes como esse, de bom coração, são cada vez mais difíceis no mundo cínico atual. Este é muito mais do que um filme de boxe, esta é a história de um bom homem que enfrentou tempos desesperadores e conseguiu dar a volta por cima. Muito lutam por dinheiro, em uma entrevista ele diz que luta para dar leite para os seus filhos. Sua vida é praticamente um conto de fadas, e não há apelido melhor para ele do que "Cinderella Man", como um jornalista lhe deu.
Na época em que ele estava lutando, o país precisava de um homem como aquele. Ele era boxeador, mas era um homem que tinha as mesmas condições que a maior parte da população: pobre e sem possibilidades de emprego. Suas vitórias davam esperança a cada pessoa de ter um futuro melhor. Esse é o tipo de história que eu gosto de ver, pena que seja um tema cada vez mais em desuso.

3 comentários:

  1. parabens pelas palavras grande observaçao de quem abriu esta conotaçao para um belo filme.!

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    Respostas
    1. Obrigado, Marcio.
      É um filme que me amociona.
      Abraços.

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