segunda-feira, 23 de maio de 2011

HITCHCOCK TRUFFAUT 02: O INQUILINO SINISTRO (1926)

Para ler o que já saiu de Hitchcock Truffaut, clique aqui.

Algumas fotos são encontradas na internet e são tudo que sobrou do filme.

O segundo filme de Hitchcock como diretor, foi The mountain eagle, filme que ele próprio considera como muito ruim. Tentativa dos produtores de penetrar no mercado americano. O filme se perdeu e ele não considera a perda como ruim. Tudo que sobrou do filme são fotos.
Truffaut lê um resumo do roteiro: "É sobre o gerente de uma loja que persegue com seu assédio a jovem professora inocente; ela se refugia na montanha sobre a proteção de um eremita que acaba se casando com ela. É isso mesmo?" Ao que o diretor lhe responde: "É, infelizmente!"



NOTA: 8.
- Eu vou colocar uma corda em volta do pescoço desse "vingador".

A história do filme é sobre uma mulher que aluga quartos na casa onde mora com seu marido e sua filha. Londres está sendo aterrorizada por um psicopata no estilo do estripador, exceto que ele se auto-intitula "O Vingador" e mata apenas mulheres louras, como a filha da mulher. Chega na casa um homem que deseja alugar o quarto e que bate bastante com a descrição do assassino, então a mulher passa a maior parte do filme na dúvida se ele é o assassino ou não.
O filme tem um começo muito bom assim como o final também é muito interessante, uma pena que o meio do filme não seja tão bom quanto. Se não é inesquecível com certeza já mostra os sinais do grande diretor que viria se tornar, com algumas tomadas muito inventivas. O grande porém é o personagem principal, estranho do jeito que é retratado, parece mais um vampiro do que um serial killer.
Hitchcock diz na entrevista que este é o que ele considera como o primeiro filme hitchcockiano, mas mesmo assim não se dá totalmente satisfeito com o filme. Não que não goste do filme, apenas acreditava que o star system (sistema usado para explorar a imagem dos atores) prejudicou o resultado do filme. Como seu protagonista era um grande ator reconhecido, ele sabia que não haveria a possibilidade de torná-lo no assassino do filme. Não que fosse o que ele queria, mas seria bom pro filme que isso pudesse acontecer. O mesmo problema se repetiria em O ladrão de casaca. O que ele realmente queria é que ele pudesse ir embora de noite sem nunca sabermos se era culpado ou não, mas com o star system era necessário deixar claro que era inocente.
O diretor usava muitos efeitos nos filmes, que consideraria supérfluos muitos anos depois. Como o fato de gravar o inquilino andando sobre vidro para mostrar que quando ele anda o lustre abaixo dele se move. Depois de amadurecer, ele não colocaria efeitos apenas por usar. Truffaut acreditava que Hitchcock não fazia uso gratuito de efeitos como muitos diziam que ele fazia. 
Este é também o primeiro filme hitchcockiano que usa usa o tema do homem acusado de um crime que não cometeu, tema que seria recorrente na sua carreira. Também pela primeira vez ele apareceria na frente das câmeras. Aqui, simplesmente porque eram produções modestas e ele precisava preencher a tela. Ele disse que depois virou uma superstição até se tornar uma gag que ele não conseguia mais evitar, por isso apenas tratava de aparecer logo nos primeiros minutos do filme para as pessoas aproveitarem melhor o filme.
O filme foi odiado pelos produtores e quase não foi lançado. O produtor que o demitiu anteriormente chegou a declarar que sequer entendia o que Hitchcock filmava. Depois que finalmente lançaram o filme, foi o primeiro grande sucesso de Hictchcock e chegaram a declarar que era o melhor filme inglês feito até então. Exagero ou não, é realmente um filme interessante.

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