
Once é um filme surpreendente.
Pensei que ia assistir a um musical, por isso acho melhor deixar isso claro: Once é um filme sobre música, não um musical. Aqui ninguém inexplicavelmente começa a cantar e dançar. Não que eu tenha nada contra musicais.
Tendo disto isso, digo que não é de todo errado dizer que a frase escrita no cartaz não é uma mentira deslavada. Once pode ser sim um dos melhores filmes de música do cinema moderno.
Vagamos por um pouco menos de uma hora e meia seguindo esse casal adorável. Ele trabalha numa loja de consertos de aspirador de pó com seu pai e toca violão na rua pra ganhar mais trocados. Ela é uma imigrante que vende revistas e flores na rua e fica feliz quando arruma emprego para arrumar um casa e toca piano numa loja de venda de instrumentos para poder praticar.
Sabe quais são seus nomes? Eu também não. E isso não importa em momento nenhum. Mesmo nos créditos finais, lê-se apenas: Man, Woman. De um começo de relação meio estranho, começa-se a formar uma amizade improvável. E melhor que isso, uma dupla musical adorável. E que maravilha é quando eles começar a fazer um dueto na loja pela primeira vez.
Na verdade, a dupla me lembra um pouco o disco de Damien Rice (que canta a música tema de closer). Um homem como lead singer enquanto uma mulher faz um contraponto maravilhoso.
Bons diálogos. Bom desenvolvimento do roteiro. Parte musical de primeira linha. Então o que falta nesse filme? Ser mais longo. É tão fácil e bom de assistir, que meu único porém seria esse. Por que não ter mais dele? Eu gostaria de assistir mais de Once. Minha sugestão está aí. Decidam vocês.