Mostrando postagens com marcador George C Scott. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador George C Scott. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de abril de 2012

TOQUE DE RECOLHER - TAPS


NOTA: 8.
- Honra não conta para nada quando você está diante de garoto morto.

Apesar de parecer um filme realístico, o que temos aqui é um filme que não toma traços reais. Explico: o filme foi todo gravado em locação, no caso uma academia militar, mas sinto falta de algumas coisas que deveriam existir na realidade. Se é uma academia militar, onde estão os cadetes adultos do filme?  O único adulto que aparece é um velho veterano de guerra que parece estar caducando. O que me parece, é que se utilizaram de um fundo realístico para contar uma história fantasiosa. Em especial, uma fantasia sobre a natureza humana de adolescentes jovens demais para saberem em que mundo estão crescendo.
O filme começa com o ano letivo do colégio. Uma parada completa com os alunos e tudo o mais. Todos orgulhosos de si mesmos reverenciando o velho general Harlan Bache, que provavelmente não por coincidência, é interpretado por George C. Scott, que se eternizou no papel de Patton. Ao fim da parada, Bache dá seu discurso onde anuncia que ao fim do período letivo a academia irá fechar suas portas para que o terreno possa ser vendido.
Brian Moreland (Timothy Hutton) não aprova a ideia. Ele é um aluno dedicado que foi indicado para ser o cadete líder no próximo ano. No que deve ser uma das maiores honras da sua curta vida, ele é convidado para jantar o general e ouvir suas histórias de guerra. Até mesmo beber um pouco de brandy com ele. Porém, toda a disciplina, glória e tradição parecem ir por água abaixo com o fechamento da academia. Tudo para construírem um condomínio. Para piorar, Bache é retirado de cena por conta de um incidente envolvendo um jovem da cidade.
Moreland toma todo o inventário de armas e suplementos onde começa um sítio no colégio. Contando com os outros alunos, eles fazem uma ocupação militar com a condição de que a academia não seja fechada. Participam dessa ocupação até mesmo alunos mais novos, com cerca de 10 anos de idade. Eles tem apenas uma lista de exigências que eles acreditam que podem salvar a escola de ser destruída.
A maior parte do tema, é sobre essa resistência, que do lado de fora conta com a oposição de policiais e da guarda nacional. Surgem alguns problemas em relação à história, como: onde estão todos os adultos responsáveis pelo funcionamento da escola? Por que os jovens estudantes teriam acesso á munição de verdade? Por que as pessoas de fora são tão incompetentes para acabar com uma rebelião formada por crianças? Mas a verdade é que isso pouco importa.
Pouco importa porque o filme é na verdade um estudo sobre caráter. Sobre personagens. Sobre adolescente que conseguem distorcer o que lhes foi ensinado para usarem de forma que possam justificar seus próprios atos, não importa quão errados eles pareçam. Por isso temos o ideológico Moreland, seu amigo que só parece estar ao seu lado por se importar com ele, Dwyer (Sean Penn) e um outro que parece estar interessado em uma guerra real, Shawn (Tom Cruise).
Por acompanharmos esses personagens tão de perto, nos aproximamos um pouco desse universo onde eles se encontram. Apesar de não ser fã de militares, reconheço que compartilhei o desespero deles por terem sua escola fechada, pela situação que estão seu amor pelo estabelecimento (que não sei porque nenhum adulto parece ter). Com atuações precisas, o filme me absorveu para dentro desse universo e me fez ficar interessado.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

DR. FANTÁSTICO - DR. STRANGELOVE OR: HOW I LEARNED TO STOP WORRYING AND LOVE THE BOMB



NOTA: 100.
- Senhores. Vocês não podem brigar aqui. Esta é a Sala de Guerra.

Um dos melhores filmes de Kubrick e é um dos menos celebrados. Quando se fala em Kubrick todos logo apontam para O iluminado e Laranja Mecânica, e poucos falam sobre Dr. Fantástico. Este filme concorreu aos prêmios de melhor filme, diretor e roteiro adaptado. O roteiro foi perdido para Becket, filme e direção foram para Minha bela dama, com Audrey Hepburn. Premiado ou não, é impossível falar sobre as melhores comédias do cinema sem citar essa obra prima de Kubrick.
A trama começa quando o Gen. Jack Ripper (qualquer semelhança com o famoso assassino não deve ser coincidência, interpretado por Sterling Hayden) decide mandar os aviões de sua base atacarem a Rússia. Seus motivos são simples: ele quer proteger a "pureza dos fluídos naturais do corpo", afinal os comunistas tem um diabólico plano de colocar flúor na água que os americanos bebem. A única pessoa que pode tentar evitar o ataque é o Cap. Mandrake (Peter Sellers).
O filme então se passa basicamente em 3 frontes: o escritório do lunático general, o interior de um dos aviões e a Sala de Guerra, que é onde o Gen. Turgidson (George C. Scott) explica para o presidente Muffley (Sellers de novo) que Ripper se aproveitou de uma brecha no sistema de defesa, o tornando a única pessoa capaz de cancelar os ataques. Fatos sempre confirmados pelo Dr. Strangelove (Sellers outra vez), um cientista alemão que tem um braço biônico que ou tenta estrangulá-lo ou fica fazendo uma saudação nazista.
O piloto do avião deveria ser o quarto papel de Sellers, mas como ele não se acertou com o sotaque, o papel acabou ficando para Slim Pickens. Seu personagem é o contraponto da sala de guerra. Enquanto todos lá estão preocupados com o fim do mundo, ele discursa sobre como seus comandados serão lembrados como heróis de guerra e promovidos.
A base do filme é a performance de seus atores. Todo o resto é irrelevante. E a performance dos atores é hilária. Sellers consegue fazer três papéis engraçados e totalmente diferentes. Um pouco atrapalhado como o capitão, estranhíssimo como o doutor e o único são da Sala de Guerra, mas ainda assim capaz de ligar para a Rússia e dizer "Dimitri, nós temos um pequeno problema" como quem está falando com a mãe zangada. Ele foi indicado por um de seus papéis.
Apesar de sua indicação, quem realmente domina o filme George C. Scott. Seu Gen. Turgidson é a melhor no filme. É dito que ele declarou que não gostava que Kubrick sempre lhe pedisse para exagerar na atuação. Talvez por isso, cada vez que ele exagera na forma como se move, ele compensa dizendo cada linha como se fosse uma verdade absoluta. O resultado é que vemos que ele se move de um jeito engraçado, mas o que ele diz e da forma que diz nos impede de achar o comportamento estranho.
Como em 2001, Kubrick discursa sobre os problemas que as máquinas podem trazer para as nossas vidas. Elas não fazem nada errado, o problema está em quem as projeta e as programa. O prepotente homem que a concebe para ser infalível e comete ele mesmo uma falha. Em 2001, HAL 9000 quer apenas proteger a missão. Aqui, as máquinas vão apenas cumprir o seu propósito: a destruição do mundo. Não é culpa delas, é apenas a sua função.
Último filme em preto e branco de Kubrick, e um filme que realmente causou mudanças na política americana depois de seu lançamento. Passaram em branco no Oscar, e infelizmente nem Kubrick venceu como diretor, e com essa ele teve 4 indicações, assim como Peter Sellers foi indicado por 3 vezes sem vencer jamais. Mas pelo menos gravaram seus nomes no cinema com esses e com outros filmes.

PS: Este é o filme indicado ao Oscar com o maior título. No original: Dr. Strangelove or: how I learned to stop worrying and love the bomb.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...