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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

SETE VIDAS


NOTA: 4.
Ben Thomas - “Teve um suicídio.” Operador - “Quem é a vítima?” Ben Thomas – “Eu.”
Essa é a primeira cena do filme, que dá o tom de drama por todo o longa que marca a segunda parceira entre o astro Will Smith e o diretor Gabriele Muccino (a primeira foi À Procura da Felicidade). Se no longa anterior o dramalhão já dominava, mas pelo menos tinha uma história (real) de superação, aqui, o drama é só drama.
Will Smith interpreta Ben Thomas, um agente da Receita Federal que age de modo muito estranho. Logo no início, cenas desconexas se sucedem: um acidente de carro, ele com uma mulher na praia, ele fala ao telefone com um homem e quando descobre que este é cego começa a humilhá-lo, ele vai pra um asilo e agride um homem ao saber que o banho de uma idosa foi negado a ela. Não parece ser o protocolo de um agente, certo?
Essa forma errática é a tentativa (frustrada) do diretor de criar um suspense sobre as motivações de seu personagem principal, mas a verdade é que ele mostra muito em pouco tempo, e o quebra cabeça é facilmente montado pelo espectador.
Então se o mistério acaba logo nos primeiros 10 minutos de filme, o que sobra? Uma intragável cara de dor que Will Smith carrega pelo filme todo. É a tal dor que o motiva a descobrir se as pessoas são boas ou não. Se merecem a ajuda dele. Mas porque diabo um agente da Receita quer tanto ajudar as pessoas? É o tal do mistério que não chega a ser mistério.
Apesar da cara de dor, Will Smith é a única coisa que torna esse filme “assistível” até o final. Mesmo com ela, ele coloca seu carisma em ação e carrega o filme nas costas, o fazendo com facilidade até. Imagine o que ele poderia fazer em um filmaço? Por isso continua fazendo tanto sucesso (e bilheteria) mesmo sem ter um filme bom (realmente bom) no currículo.
A surpresa mesmo fica pra Rosario Dawson. Ela entrega uma atuação muito delicada e no tom exato de uma mulher que precisa de um transplante de coração para não morrer. E quando investigada por Ben, acaba tendo uma relação amorosa com ele.
E só. Quando a tal da reviravolta chega, já é tarde demais. O filme já entediou o espectador com tanto sofrimento.
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