segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

UM ESTRANHO NO NINHO


NOTA: 100.
- Mas eu tentei, não foi? Pelo menos eu fiz isso.

Algumas vezes eu declarei o que considero algumas injustiças do Oscar. Como eles premiam alguns filmes em detrimento a outros que mereciam melhor sorte. Recentemente falei de Los Angeles - cidade proibida assim como falarei, um dia, sobre Pulp fiction. Devo ressaltar, porém, que algumas vezes eles acertam em cheio, e esse é um dos maiores acertos.
Indicado a 9 prêmios, este filme ganhou os principais: filme, diretor (Milos Forman), melhor roteiro adaptado (Lawrence Hauben e Bo Goldman), ator (Jack Nicholson) e melhor atriz (Louise Fletcher). E ainda hoje vai constar em qualquer lista séria de melhores filmes de todos os tempos. Um dos motivos, é porque raramente você encontra um filme com cenas tão boas, que quando passa por uma cena que não seja necessariamente boa, esta passa desapercebida.
Jack Nicholson interpreta R. P. McMurphy, um criminoso que se finge de louco para não ter que ir para a cadeia. Ele provavelmente começa o filme pensando que seria como umas férias no manicômio, só muito depois ele vai descobrir o quanto está errado. Ele não trata nenhum dos internos como se fossem doentes e até mesmo tenta ensinar basquete para o Chefe (índio), que não fala com ninguém há 12 anos.
Claramente ele não pertence aquele lugar. Ele é um homem que quer agitar as coisas e as pessoas, o que vai totalmente de encontro com o que a enfermeira responsável, Ratched (Fletcher), prega. Ela quer as coisas do jeito que estão. As coisas e talvez seus pacientes. Por isso, em nenhum momento do filme, qualquer paciente receba alta de lá. Talvez McMurphy conseguisse fazer alguém ter uma alta, assim como a festa que ele realiza com certeza ajuda Billy (pena que a "cura" só dure até a chegada de Ratched).
McMurphy tenta lutar contra todo aquele conformismo, que pode até ser uma crítica ao espírito da nossa sociedade atual. Durante o filme, descobrimos que o Chefe pode falar, que Billy não precisa gaguejar e que os outros não precisam ser tão apáticos. Há um paciente que até mesmo está lá por vontade própria. Não tem jeito dele vencer isso. Sua única chance é fugir ou se quebrar ao sistema. O filme não é sobre loucura, é sobre a derrota de um homem. Mas pelo menos ele tentou, como ele mesmo diz.
O elenco é sensacional, com destaque especial para Nicholson. Este é o ponto mais alto de uma carreira cheia de pontos altos. Tudo que ele faz no filme é perfeito. Fletcher está muito bem seu papel também, só é uma pena que seu papel seja estável demais. Ela é a enfermeira que acha que sabe de tudo e que sempre está certa. Ela faz muito bem, mas nunca sai do mesmo tom. É como ver um atleta que sempre joga bem sem nunca apresentar um brilhantismo: é bom mas não empolga. Talvez  se houvesse uma cena em que ela parecesse diferente, como o Chefe tem quando fala do pai dele, e sua personagem também seria perfeita. 
Nada que estrague o filme. Lembra quando disse de ter cenas tão maravilhosas que esquecemos do resto? É isso que estou falando. A maioria das pessoas não vão se lembrar do Chefe falando, mas sim da festa, da rebelião dos internos, da pescaria e da derrota de McMurphy. Mesmo a fuga do chefe é apenas um prêmio de consolação comparado a todo o resto.

OBS: Só para mostrar a força do filme na premiação, vale a pena lembrar que ele disputava com pesos pesados. Milos ganhou seu prêmio disputando com Robert Altman (Nashville), Stanley Kubrick (Barry Lyndon), Federico Fellini (Amarcord) e Sidney Lumet (Um dia de cão). Destes, apenas o filme de Fellini não foi indicado ao prêmio principal, o quinto indicado era Tubarão, de Spielberg. Concorrência pesadíssima.

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