quarta-feira, 23 de maio de 2012

HITCHCOCK TRUFFAUT 35: PAVOR NOS BASTIDORES - STAGE FRIGHT (1950)

Para ler o que já saiu de Hitchcock Truffaut, clique aqui. 


NOTA: 7.
- Eu nunca espero ser apreciado. Sua mãe me curou desse problema.

Novamente, Hitchcock volta para um filme que constitui em um whodunit, como ele costumava chamar, mas havia alguns motivos para que ele fizesse isso. Um motivo é que o livro havia saído há pouco e alguns críticos escreveram que daria um bom filme de Hitchcock, fato que ele lamenta ter acreditado. Outro é que teve uma relação conturbada de trabalho com Ingrid Bergmen durante as filmagens do seu filme anterior, e procurava alguma coisa mais leve para o próximo trabalho. O último motivo, é que se interessou em fazer uma história sobre o teatro.
O filme foi um novo fracasso na carreira do diretor, que novamente se encontrava em uma situação delicada ao acumular dois fracassos seguidos. Dessa vez o filme não chega a ser ruim como foi na ocasião anterior, mas realmente parece um filme um pouco abaixo da média para ele. Hitchcock parece mais interessado nas cenas individuais do que no filme como um todo. Há vários momentos interessantes, mas falta um pouco de coesão na edição final ou mesmo um tempo menor de filme.
O mundo do teatro londrino é realmente um fascinante cenário onde uma estudante de atuação se disfarça de ajudante de uma grande atriz, Charlotte Inwood (Marlene Dietrich), para descobrir a verdade sobre a morte do marido dela. A intenção dela, é ajudar seu amigo que tinha um caso com a famosa atriz que está sendo procurado pelo assassinato. Normalmente, esse tipo de argumento causaria uma perseguição, mas aqui a história não chega realmente a decolar.
Depois do lançamento do filme, Hitchcock foi duramente criticado por começar o filme com um flashback que depois acaba se revelando uma mentira. Não acredito que hoje esse tipo de artifício causaria qualquer tipo alvoroço, pior já foi feito com resultados menos interessantes. Funcionando ou não, pelo menos o diretor tentou um artifício diferente.
O que ninguém pode negar é que este filme tem um dos melhores elencos que o diretor já teve em um filme seu. Repleto de talentos ingleses, brilha mais ainda a estrela alemã de Marlene Dietrich. Mesmo com menos tempo em tela que Jane Wyman, a atriz não precisa de muito para mostrar porque é uma das grandes estrelas do cinema. Como Hitchcock diz na entrevista: "Quanto mais perfeito o vilão, mais perfeito será o filme". E a vilã de Dietrich é fantástica mesmo em um filme mediano.
O grande problema mesmo do filme é a falta de tensão que costumamos ver nos filmes do diretor. Ele mesmo reconheceu que percebeu isso durante as filmagens, mas não havia mais nada que pudesse fazer. Nenhum dos personagens parece estar em perigo em nenhum momento, o que não faz com que acompanhá-los se torne muito interessante. Fica mais de curiosidade do que por qualidade.

2 comentários:

  1. Um filme menor de Hitch, mas que ainda assim se mostra divertido e consegue despertar algum interesse.

    http://eaicinefilocadevoce.blogspot.com.br/

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    1. Desse vez concordou comigo, hein?
      rs

      Abraços.

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