terça-feira, 14 de setembro de 2010

ESPECIAL GODARD: O PEQUENO SOLDADO

NOTA: 9,5.
"Fotografia é a verdade. E o cinema é a verdade 24 vezes por segundo." Bruno Forestier

Esse é um dos filmes menos conhecidos de Godard.  Foi rodado em 1960, logo após o lançamento de O acossado. Na mesma época, eram lançados Hiroshima, mon amour e Jules e Jim, outros dois filmes marcantes da nouvelle vague francesa dirigidos por Resnais e Truffaut respectivamente. A diferença é que enquanto os outros filmes eram glorificados, esta pequena pérola de Godard foi alvo constante de críticas negativas. Na maior parte por não ter a exuberância de seu predecessor.
Claramente não era a intenção de Godard de fazer um filme que se assemelhasse ao seu filme de estréia. Pelo contrário, aqui ele descontrói a própria forma narrativa que tinha usado para mudar seu estilo. Não que eu ache ruim o que ele fez antes, mas hoje o seu recurso é usado em demasia em muitos filmes e perdeu de certa forma o frescor. Talvez, nem sequer ele mesmo quisesse repetí-lo. Aqui, Godard se mostra mais maduro para realizar um filme. É como se estivesse se preparando para se tornar o diretor relevante e reverenciado que é hoje.
Sai Belmondo e entra Michel Subor, na pele de Bruno Forestier, um francês exilado na Suiça. Genebra para ser mais exato. Ele é um fotógrafo ligado com os revolucionários franceses que atuam contra a guerra da Argélia. Ao mesmo tempo que ele deve tirar fotos de uma jovem modelo que quer ser atriz, Veronica Dryer (Anna Karina), ele recebe uma missão de eliminar um árabe. Não executando o trabalho, ele acaba ficando entre os dois grupos revolucionários.
Não há muito mais o que dizer sobre o filme, exceto que Veronica na verdade trabalha para os revolucionários e que Bruno deve arrumar um jeito de se livrar dessa situação. Uma boa parte do filme mostra dois homens torturando Bruno em um quarto de hotel para que ele fale, e todos os momentos ouvimos os pensamentos dele. Chega a ser um exagero de didático.Todo o filme é narrado pelo herói, que em determinada parte percebemos que não importa o que faça ou diga, isso não fará nenhuma diferença. Seu destino está traçado e ele somente adia o inevitável.
Não é um dos filmes inesquecíveis de Godard, mas é um filme importante para acompanhar o desenvolvimento de um grande diretor. O que sinto falta, é de uma certa coragem narrativa que ele mostrou em seu trabalho anterior e que mostraria em muitos trabalhos posteriores. Talvez por ser um filme mais político, Godard tenha achado que era melhor fazer esse filme de forma mais sóbria. De qualquer forma se não é um filme inesquecível, é um trabalho muito competente. Para parte dos espectadores, pode até mesmo parecer menos datado que O acossado.

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