domingo, 9 de outubro de 2011

EU QUERIA TER A SUA VIDA - THE CHANGE-UP


NOTA: 3.
- Quando estávamos crescendo, Dave e eu tínhamos planos. Ele queria ser astronauta. E eu queria vender golfinhos no mercado negro.

Uma vez escrevi que as melhores comédias costumam ser politicamente incorretas. Não consigo me lembrar agora de uma boa comédia que não fosse ao menos um pouco transgressora. O problema, porém, é que há uma diferença entre o politicamente incorreto engraçado para qualquer coisa incorreta feita para ser engraçada. Claro que esse conceito é extremamente subjetivo e varia de pessoa para pessoa. Para mim ver dois bebês quase se cortando com facas e depois serem punidos em uma pia levando um banho de leite não é engraçado. É gratuito. Tendo dito isso, digo também que este não é um filme engraçado. É gratuito.
Alguns filmes são acusados de serem extremamente machistas e pintarem uma péssima imagem das mulheres. Aqui, o filme tem uma péssima imagem dos homens e uma pior ainda das mulheres. Por isso não se pode sequer ser acusado de sexista, apenas de ser um filme que não sabe retratar qualquer ser humano decente durante todo sua duração. Tanto é que transgrede todas as regras de civilidade e boa conduta. Não me entendam mal, não sou puritano. Assisti Se beber não case e adorei o filme. Mas este não é o mesmo tipo de filme ou mesmo tem o mesmo tipo de humor.
O tema do filme é um dos mais batidos que o cinema pode gerar: a troca de corpos entre dois personagens. Por algum passe de mágica, dois personagens acordam no corpo de outra pessoa. Aqui a saída é muito original... NOT. Dois amigos de infância estão mijando em uma fonte quando dizem ao mesmo tempo "Eu queria ter a sua vida". E logo depois de estarem no corpo novo eles descobrem o motivo da troca. Claro que eles acreditam nisso, é uma coisa que acontece sempre com qualquer pessoa.
Assim como deveria considerar muito engraçado homens levando um jato de cocô no meio da cara, mijando em público no meio de um shopping em frente de crianças, tatuadores se aglomerando na frente de uma vagina para "observar" uma tatuagem que acabou de ser feita, uma mulher grávida em busca de sexo e outra mulher tendo uma crise de diarreia.
Pra piorar, temos dois personagens principais pela qual eu não podia me importar menos. Um é um ator maconheiro que não faz nada o dia inteiro e o outro um obcecado pelo trabalho. O trabalhador, Dave (Jason Bateman) aparece no início tendo que levantar de madrugada para cuidar das crianças que estão chorando. De Dave (Ryan Reinolds), não vemos praticamente nada sobre sua vida. E logo no início, antes que possa me interessar por qualquer personagem, a troca acontece.
E pior ainda, ambos são tão estúpidos e ridículos, que somos obrigados constantemente a ficar nos lembrando quem é quem. Não há nada na troca que indique quem é quem. São péssimos seres humanos sem nenhum respeito ou decência. Existe pouquíssima coisa pra se acompanhar no filme. Nem personagens, nem história e nem graça. Para quem gosta de escatologia e piadas de péssimo gosto pode ser um prato cheio.

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