quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A PELE QUE HABITO - LA PIEL QUE HABITO


NOTA: 8.
- As coisas que o amor de um louco pode realizar.

O que se pode esperar de um filme do diretor (e roteirista) espanhol Pedro Almodóvar? Perversão sexual, viradas no plot da história que mistura indas e vindas entre o passado e o presente. Tudo com uma fotografia linda que ressalta as cores brilhantes que o cineasta usa. Neste filme, todos os ingredientes estão no seu lugar, o que não chega a ser um desapontamento, mas também o filme não chega a empolgar muito.
Alguns filmes de terror antigos costumavam mostrar um cientista louco, pedaços de corpo, pessoas capturadas e uma vingança oculta. Acontece que, geralmente, esses filmes costumavam ter um pé fora da nossa realidade e um certo senso de humor. Quando vemos esses tipos de filmes, nunca consideramos que isso possa acontecer no "nosso mundo". Já Almodóvar faz o seu filme tão intenso que nos leva a crer que essa história bizarra deve ser levada a sério. 
O cientista louco nessa história, é Robert Ledgard, interpretado por Antonio Bandeiras em um momento de rara inspiração e intensidade. Uma tragédia aconteceu com ele, e sua loucura vem, na verdade, da sua dor. Seu coração está despedaçado, e ele acaba usando outras pessoas para reparar o mal que lhe aconteceu. É como se ele tivesse o direito de fazer isso. E como se as pessoas tivessem que se sacrificar para seu próprio bem.
Desde a abertura do filme, o vemos observando a bela Vera (Elena Anaya), que é uma prisioneira dentro da casa. Casa não, uma mansão em Toledo. De maneira geral, ela tem todos os luxos que uma pessoa pode ter, o que inclui livros, TV e sessões diárias de pilates (ou algo do gênero), com exceção da sua liberdade. Já que sequer ela possui os meios de se suicidar, é difícil pensar em muitas opções para sair desta situação.
Não falarei mais nada da história do filme, para não estragar surpresas que vão acontecer. Almodóvar usa as cores com tanta intensidade e de forma tão bela, que não chega a combinar muito com a história a ser contada no filme. Assim como o filme carece um pouco de química entre seus personagens. Sabemos que Vera quer seduzir Robert (talvez a única escapatória que ela consiga pensar), mas não sentimos que isso vai realmente acontecer.
A nota é mais pela habilidade de conduzir as cenas de maneira magistral como só o diretor é capaz de fazer do que pelo filme como um todo. Provavelmente, a história  expressa exatamente o que Almodóvar gostaria de ter contado, só me resta perguntar se os trailers me prepararam para decidir se queria ver ou não. E não acho que se tivesse tido a escolha, teria aceitado a assistir.

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