sexta-feira, 13 de abril de 2012

ENTERRADO VIVO - BURIED


NOTA: 9.
- Você está aterrorizado, então eu sou um terrorista.

Ser enterrado vivo deve ser um pavor para qualquer pessoa. Você fica largado no escuro sem poder se mover direito. Pode gritar mas ninguém será capaz de ouvir. E com certeza começa a saber que depois de um tempo seu oxigênio vai acabar e não há nada que se possa fazer. É isso que acontece com o personagem de Ryan Reynolds, Paul Conroy. Ele não é um soldado como seus captores acreditam que ele seja, ele é apenas um motorista contratado. Na guerra, isso pouco parece importar.
Ele acorda no escuro. A única coisa que pode fazer é sentir o que tem a sua volta, ele tateia e encontra um isqueiro. Só aqui começamos também a perceber o que está acontecendo. O pesadelo é real, ele está preso em um caixão. Encontra um celular que apenas confirma o que desconfiava: ele foi raptado e está sendo mantido refém.
Não pensem que é uma falha dos captores ele ainda ter um celular. Esse é um celular que eles lhe deram. Eles querem que ele use o celular. Só assim eles podem provar que Conroy ainda está vivo, e só com essa prova eles podem pedir o resgate. A partir desse momento, começamos a nos identificar com o desespero de Conroy. Ele pode ligar para a mulher, para autoridades e para quem mais conseguir, mas não pode dizer onde está ou como pode fazer para que o resgatem.
Para a sua sorte, o caixão é um pouco maior que o comum. Isso provavelmente permite que ele tenha um pouco mais de oxigênio e fique vivo por um pouco mais de tempo. Para a nossa sorte, o tamanho também permite diferente ângulos de câmera e faz com que o filme ganhe mais ação, o que é essencial em um filme. É possível que pensem que por ser um filme em um caixão ele seja monótono, mas não é este o caso. O diretor e o roteirista conseguem tirar mais ação do que achava possível em um filme como esse. E nada que não pareça real.
Os únicos diálogos do filme são através do celular. Cada ligação não parece trazer nenhum conforto para ele. Sua mulher não parece chegar nunca em casa. Nenhuma autoridade parece ser capaz de fazer nada para ajudá-lo. Em alguns casos, ele até mesmo é colocado em espera. Não basta estar numa situação de desespero, nada parece fazer sua situação melhorar.
Ao contrário do que se possa imaginar, não há uma cena "do lado de fora". Não tem agentes em um escritório tentando localizá-lo, não há uma esposa chorando pela situação do marido e nem mesmo dos sequestradores. Não há sequer um flashback da emboscada ou de qualquer passagem dele antes de ser enterrado. Nunca vemos quem está do outro lado da linha. Queremos saber quem está no outro lado, mas se nos é mostrado satisfazemos nossa vontade, se não conseguimos ver, ficamos no mesmo desespero do nosso protagonista. 
Ryan Reynolds faz um trabalho decente no papel de Conroy. Em um filme como esse, linguagem corporal é tudo, e ele consegue fazer um personagem interessante em um espaço limitado. O tempo não é exagerado também, cerca de uma hora e meia, o que não parece demais ou de menos. A câmera só aumenta a claustrofobia, e me faz apenas querer não passar por uma situação como essa.

7 comentários:

  1. Nossa, assisti esse filme com meu irmão faz um tempo e ficamos sufocados do começo ao fim. Sério, o fôlego faltou legal ai. E sinceramente, me surpreendi com o final, espera outra coisa.

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  2. Pra ti veres q eu não sou só corneteiro, aqui vai: matasse a pau! Esse filme é bom demais... fiquei colado na poltrona todo o filme. Fora isso tem dos melhores desfechos dos últimos tempos
    Grande abraço!

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    Respostas
    1. rs.
      Tá bom, de vez em quando a gente concorda.

      Abraços.

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  3. Adorei a resenha, nao assisti antes pq achei q era mais uma 1 hora perdida com bobagem. vou velo já. . .

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  4. Achei o final uma estupidez, pois ele deveria ser salvo e voltar para a família!!!

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