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segunda-feira, 6 de maio de 2013

HOMEM DE FERRO 3 - IRON MAN 3


NOTA: 7.
- As coisas estão diferentes agora. Eu preciso proteger a única coisa que não consigo viver sem. Essa coisa é você.

Se você está lendo esta resenha e começa a ficar preocupado com a possibilidade de ler alguma coisa que estrague alguma surpresa do filme, pode ficar tranquilo. Não consigo imaginar nada que eu possa escrever que vá causar qualquer surpresa. Isso pelo simples fato de termos quase a mesma história contada pela terceira vez, alterando apenas o nome do vilão e acrescentando um desnecessário 3D que serve apenas para cansar os olhos.
Para não dizer que estamos na frente do mesmo filme, devo dizer que há uma mudança de tom em relação aos anteriores, dirigidos por Jon Favreau. Quem assume a direção é Shane Black, cuja carreira irregular tem roteiros de Máquina Mortífera, uma bobagem chamada Deu a louca nos monstros e pelo menos dois filmes ruins: Despertar de um pesadelo  e  O último grande herói. Na direção, tinha apenas Beijos e tiros, e chegou assumindo a franquia que já estava encaminhada e tentando mostrar estilo e mostrar uma marca. Só é uma pena que dificilmente os produtores deixem isso acontecer. Há uma narração característica e um humor diferenciado, mas pouco para realmente fazer a diferença.
O que ele consegue fazer de diferente mesmo é colocar um flashback no início do filme, que depois segue a velha fórmula de explosões, seguidas de mais explosões e efeitos especiais de primeira linha. O caos reina e o nosso herói aparece para limpar a sujeira e deixar o mundo mais seguro para todos. Os filmes de super-heróis estão começando a seguir uma tendência, e Shane Black acaba não deixando nenhuma de fora. O vilão da vez é Mandarim (Ben Kingsley). Um terrorista no melhor estilo Bin Laden que consegue ficar no ar de todas as emissoras de TV ao mesmo tempo para anunciar mais um ataque ao país ou realizar execuções ao vivo. 
Há cenas de ação interessantes e muito bem filmadas, o que não é nenhuma surpresa. A Marvel, porém, uniu todos os heróis de Os Vingadores em um mesmo universo. Eles co-existem agora. E somos apresentados a uma história que envolve a possível destruição do país, na morte do presidente e outros males, e nenhum outro herói sequer aparece? A única aparição é mostrada nas cenas pós-créditos, mostrando que o universo Marvel tem sua própria realidade, onde as coisas acontecem sem explicação e personagens só aparecem (ou deixam de aparecer) quando é conveniente.
Além do novo rosto de Kingsley, temos ainda a presença de Rebecca Hall (com sua competência usual) e Guy Pearce. E aqui entra um fato interessante: normalmente, um filme sobre este herói, acaba sendo palco para a atuação de Robert Downey Jr., mas de alguma forma ele parece ter sido engolido pelo personagem. Em cena, ele é amplamente ofuscado pelas interessantes performances de Kingsley e Pearce. Ainda há o interesse pelo personagem, mas os coadjuvantes acabam roubando a cena. 
Outro problema do filme, na minha opinião, é algo que aconteceu com o terceiro filme da franquia do Batman. Está certo que o Homem de Ferro é Tony Stark, mas o nome do filme não é Tony Stark. Quando vamos pro cinema pra assistir Homem de Ferro, acho justo presumir que vou ver o homem com a armadura em ação, e o que o filme mais oferece é Tony Stark. E, infelizmente, ele nem é o personagem mais interessante do filme. Serve de entretenimento, mas poderia ter ido além.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

OS INFRATORES - LAWLESS


NOTA: 5.
- Não é a violência que diferencia os homens, é quão longe eles estão dispostos a ir.

Em O poderoso chefão, acompanhamos uma família de mafiosos, mas durante todo o filme somos lembrados que eles são os bonzinhos, já que as outras famílias cometem atos de crueldade muito piores que qualquer membro da família Corleone. Dentro daquele universo, eles são os mocinhos e estamos dispostos a torcer por eles. Aqui, essa linha não existe. É um filme que mostra simplesmente homens atacando homens das formas mais cruéis possíveis sem qualquer distinção de ordem ou humanidade. Como torcer por personagens assim?
Antes que alguém reclame, que fique claro que não exijo que os filmes sejam sobre pessoas boas (O poderoso chefão com certeza não é) ou que não tenham violência, mas seria interessante observar algo que os levassem a ser do jeito que são. Não apenas observar como são violentos porque isso simplesmente está escrito no roteiro.
A história é sobre três irmãos que ganham dinheiro durante o período da lei seca vendendo uma bebida alcoólica que eles mesmos fabricam e que parece ser bem popular entre a população local. Suas vidas parecem ser bem tranquilas, até que um agente especial do governo, Charley Rakes (Guy Pearce), chega na cidade para perturbar essa tranquilidade. Ele se une ao xerife numa ação contra os irmãos, mas o mais estranho é que essa ação (Matar? Acabar com o negócio deles? Assumir os negócios?) nunca fica clara. Claro que ele é tão mau quanto qualquer outro nesse filme, e é tão traiçoeiro que a fica a pergunta de como sobreviveu por tanto tempo mesmo entre víboras.
Forrest (Tom Hardy), Howard (Jason Clarke) e Jack (Shia LaBeouf) tem um negócio de fachada para as suas operações. É uma espécie de posto de gasolina com restaurante que não deveria funcionar sequer como fachada, já que durante todo o filme eles não tem sequer um único freguês (pelo menos não que eu me lembre). Quando as mortes de ambos os lados começam a acontecer, é óbvio que o filme somente pode acabar em um grande tiroteio.
Ainda que se espere pelo grande tiroteio, a verdade é que depois de grande dose de violência já se perde interesse nos personagens. Seja nos irmãos assassinos ou no federal psicopata. Prestamos menos atenção nos interesses românticos de LaBeouf e Hardy (interpretadas por Mia Wasikowska e Jessica Chastain, respectivamente), que somente devem estar no filme para não termos um elenco exclusivamente masculino.
É um filme com uma produção muito bem-feita sobre homens, alguns ignorantes, violentos. Com um elenco muito bem escolhido e inspirado, mas que não tem uma história que saiba aproveitar os talentos que vemos na tela. Tudo que eles fazem é viver em um código bárbaro e sangrento, vivendo e morrendo em meio de tiroteios. Pra piorar a situação, o filme tem maior duração maior do que parece necessário, e acaba virando uma questão que gente precisa morrer para o filme finalmente terminar.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

PROMETHEUS



NOTA: 10.
- Meu Deus. Nós estávamos tão errados.

O diretor volta ao universo de Alien, que ele mesmo começou, para recontar a origem de tudo. Não apenas a origem de um dos alienígenas mais famosos do cinema, mas também contar a nossa própria origem. É uma ficção científica que levanta interessantes questões sobre a humanidade, mas não tem resposta para elas. Não que isso seja algum desmérito, tanto que apesar de voltar ao universo que criou, Ridley Scott vai além e parece criar um novo independente do que já havia sido feito anteriormente.
O começo do filme se passa em um local espetacular com cachoeiras e uma linda e densa floresta onde um ser vivo muito parecido com um humano, mas totalmente albino, ingere alguma coisa que o faz ficar com muita dor, vomitar e se contorcer até que seu corpo se desfaça até células vermos as células de DNA quando cai na água. Esse lugar poderia ser a Terra, mas não há certeza disso. Assim como talvez as células desse ser que caem na água poderiam ser células que deram origem aos seres humanos. Podem, mas nada fica claro. Talvez a passagem seja apenas para sugerir que antes de termos vida na Terra, tivemos alienígenas por aqui.
Daí, cortamos para o ano 2089, no que pode ser o maior flash-forward da história do cinema, superando 2001, de Kubrik. Uma nave segue em direção a um distante planeta que foi indicado em diferentes pinturas em cavernas de civilizações e épocas distintas entre si. Pela disparidade de onde foi encontrado esse "mapa estrelar", pesquisadores seguem rumo a ele na esperança de encontrar a origem da raça humana. Chegando no planeta, eles encontram uma espécie de pirâmide onde buscam respostas, e é nesse cenário e na nave de um trilhão de dólares de nome Prometheus que o filme se passa.
Comandando a expedição, temos Elizabeth Shaw (Noomi Papace), que acredita que a nossa vida tenha alguma origem divina. Seu contraponto é seu namorado, Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) que considera a crença dela uma ofensa a anos de darwinismo. O que eles acham dentro da pirâmide não dá razão a nenhum dos dois. São corpos humanoides, mas maiores do que nós, cujo DNA é totalmente compatível com o nosso. Seriam eles os nossos criadores? E se sim, por quê? 
Desde o primeiro dia em que pousam naquele planeta, o terror começa. Não um terror como Scott fez no primeiro filme, onde tínhamos muito silêncio e sombras, mas um terror mais pautado na ação. E ainda assim, tão eficiente quanto. Especialmente quando a tripulação humana ao lado do enigmático robô (sempre há um com motivos misteriosos nos filmes do alienígena) David (Michael Fassbender, sempre ótimo), começam a explorar as cavernas. 
Independente dos papéis masculinos, o filme segue a tradição e apresenta não uma, mas duas personagens fortes. Uma é Vickers (Charlize Theron), uma representante da companhia que financia a viagem e que fica sempre distante dos demais e trata a todos como se fossem seus empregados. Eles são seus empregados, mas pra que será que serve tanta hierarquia no espaço a anos luz da Terra? A outra é Shaw, que mostra grandes instintos de preservação realizando feitos quase inimagináveis.
O filme mistura bem efeitos especiais, tecnologia 3D (ambos sem uso exagerado que distraia a atenção da história) e um roteiro mirabolante. O grande atrativo, para mim, é como o filme brinca com a descoberta dessa raça que tem o mesmo DNA que nós. Será que nos criaram? A possibilidade de existir algo parecido com algo tão único quanto um DNA parece ser muito improvável mesmo do outro lado do universo. E se foram eles que nos criaram, de onde eles vieram? As respostas estão abertas para uma possível sequência. O que temos agora é um espetáculo visual, suspense, aventura e ideias que podem te deixar pensando por muito tempo.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

NÃO TENHA MEDO DO ESCURO - DON'T BE AFRAID OF THE DARK


NOTA: 8,5.
- Nós só queremos ser seus amigos, Sally.

Frequentemente, filmes de terror usam casas mal assombradas, crianças ou o escuro para assustar as plateias. Por isso, esse filme não chega a ter nenhuma novidade. Uma certa novidade é o uso dos três fatores ao mesmo tempo. Mesmo que a casa do filme não fosse assombrada, ela deveria ser. Não que não seja uma casa bonita. Ela é lindíssima, mas também não é o tipo de casa que eu gostaria de morar depois de assistir a tantos filmes de terror.
É para este tipo de casa que um pai leva sua filha de 10 anos de idade. Olhem o cartaz acima e vejam que são os pés da criança que estão prestes a descer os degraus. Talvez um adulto descendo pudesse criar um efeito parecido, mas não seria a mesma coisa. Crianças são mais frágeis e criam uma empatia instantânea com elas. Todos temem pelo bem-estar delas. Por isso, nada pior que ver uma criança descendo no escuro rumo ao desconhecido.
Claro que para funcionar, a atriz deve ser muito bem escolhida. Como foi escolhida aqui. A jovem Bailee Madison faz de Sally uma menina introspectiva e inteligente, uma escolha extremamente eficiente. Seu pai é interpretado por Guy Pearce, um homem que ama sua filha de uma maneira um tanto distante. A namorada dele é interpretada por Katie Holmes, e consegue se aproximar mais da menina por parecer entendê-la melhor. Para completar, só falta o personagem que sabe de tudo que está acontecendo mas permanece em silêncio, que é Harris (Jack Thompson). Ele é quem dará as dicas para que se descubra o que está acontecendo de verdade. Não é necessário para o entendimento do filme, mas muita gente na plateia poderia reclamar se não houvesse uma explicação.
Adaptando um filme para a TV dos anos 1970, o produtor Guillermo del Toro deixa a direção a cargo nas mãos do estreante da direção de longas Troy Nixey. Para a estreia do diretor, a atmosfera do filme impressiona pelo ótimo controle que ele apresenta.
O início do filme mostra o que aconteceu com os moradores da casa antes de eles se mudarem. E mesmo depois nós vemos o que acontece com a menina, mas nenhum dos adultos vê coisa alguma. Por isso, é fácil culpar a criatividade da menina ao invés de realmente acreditar nela. Quem acreditaria no final das contas? Principalmente não o pai que investiu todo o seu dinheiro para reformar o lugar.
E entra ainda um outro elemento para dar o toque especial em um filme de terror: o porão. Aqui no Brasil, não é comum as pessoas terem porão ou sótão, mas é impressionante como eles funcionam bem para fazer um filme de terror. Uma pena que a causa de tanto pânico apareça rapidamente e muito claramente, diluindo um pouco do terror que poderiam causar se não pudéssemos vê-las. Terror substituído por CGI, infelizmente.
Apesar disso, o filme funciona muito bem como um filme de terror. É cada vez mais difícil de encontrar filmes que possam atingir esse potencial de realmente causar medo na plateia, e este consegue. Pode não ser memorável, mas com certeza é muito eficiente.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O DISCURSO DO REI


NOTA: 10.
- No passado, tudo que tínhamos que fazer era parecer bem de uniforme e não cair do cavalo. Agora devemos invadir a casa das pessoas. Esta família ficou reduzida a pior espécie de criaturas: viramos atores.

Dizer que este filme se trata de um rei que tem dificuldades de falar com seu povo não seria exato. Sim, a história trata sobre isso também, mas mais do que isso, ele mostra como se formou a amizade entre dois homens que permaneceram amigos até suas mortes. Eles são o Rei George VI (Colin Firth) e Lionel Logue (Geoffrey Rush).
O filme abre com George tendo que fazer um discurso para um estádio lotado em 1925. Sua dificuldade de pronunciar as palavras parece ser dolorosa. Ele se esforça mas é em vão. Sentada próximo a ele, está sua esposa Elizabeth. Suas feições são de pura compaixão pela "humilhação pública" de seu marido.
É essa compaixão, provavelmente, que a faz procurar médicos que possam curar a gagueira do marido, mesmo que ele já esteja cheio de continuar tentando ser curado. Até chegar em alguém com métodos pouco ortodoxos, palavra que ela odeia, Lionel Logue (Geoffrey Rush), um fracassado ator australiano.
Dentro de seu consultório, Logue exige que os dois sejam iguais, por isso começa a chamar o futuro rei de Bertie. George não gosta disso. Não por se achar superior ou coisa do gênero, mas pelo simples fato de ninguém fazer isso. Apenas a família o chama assim, mas nada que impeça Logue de continuar o chamando de Bertie.
Elizabeth é quem impulsiona o filme em frente. Ela é educada e polida, e sempre afável com seu marido. Todo um lado que nunca tinha visto em nenhum outro filme de Hele Bonham Carter, principalmente estando atrelada agora a um personagem cruel de Harry Potter. Ao mesmo tempo, ela é firme quando deve ser. Em uma festa do irmão mais velho de George, Edward VIII (Guy Pearce), ela ignora a mulher que ele pretende desposar. Aquela mulher já foi divorciada 3 vezes, e o escândalo dele casar com ela pode fazer com que George vá para o trono.
Sempre vemos em filmes pessoas brigando para serem Reis. Não é o caso aqui. Ela não quer que George seja o rei, e ele próprio não quer ser rei. Mas não adianta, Edward renuncia para casar com a mulher que ama, e com muito pesar George assume. Não porque quer, mas porque sabe que é seu dever a ser cumprido.
Enquanto isso, Hitler vai colocando as mangas de fora e George sabe que chega a hora de dar o discurso mais importante da sua vida. Todos os outros discursos foram uma mera preparação onde ele deve falar para todos os seus súditos que o país está entrando em guerra. A caminhada para o microfone parece uma caminhada final de um condenado pelo corredor da morte. Todos os que estão em seu caminho olham com pesar para o monarca. Todos sabe da sua dificuldade e da importância do que tem a dizer. É um gago que deve falar com confiança e firmeza para tranquilizar uma nação. E mais que isso, é um homem provando que tem capacidade de ser rei e ganhando o respeito. Essa é a cena chave do filme, e ela funciona perfeitamente.
É um desses "Filmes-Oscar"? É, mas quem se importa. O filme é muito bem feito e divertido. Toda a época é extremamente bem retratada, seja nos figurinos quanto no próprio jeito que a sociedade é mostrada. Um homem que consegue vencer seu problema pessoal para ter sua importância na história. E é também um trabalho de um elenco formidável. Eu acredito que poucas vezes a academia foi tão justa quanto ao dar o prêmio para Firth, mas vou além, o filme não seria metade do que é sem o resto de seu elenco.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

LOS ANGELES - CIDADE PROIBIDA



NOTA: 100.
- Não tente fazer a coisa certa, rapaz. Você não tem a prática.

O Oscar de 1998 coroou o épico Titanic, de James Cameron, com 11 prêmios. Uma pena que esse feito, embora notável, tenha ofuscado uma obra-prima. Eu hoje vejo mais virtudes neste filme de Curtis Hanson, do que na obra de Cameron. Apesar de ter sido filmado como um filme noir, a obra de Hanson parece atemporal. Fora seu figurino, poderia muito bem se passar nos dias de hoje e ainda ter a mesma força.
Antigamente, em Los Angeles, existia uma revista chamada Confidential. Sua especialidade era as fofocas de celebridades, principalmente as mais sujas e picantes. Foi essa revista que deu origem ao surgimento dos tabloides sensacionalistas tão comuns hoje. E esse filme se inspira nessa revista, não só na figura de Danny DeVito, mas como no fato de explorar a podridão policial da época. Assim, se misturam ficção e realidade daquela época.
Danny Devito interpreta Sid Hudgens, dona da revista Hush Hush. Sua voz é a que primeiro aparece no filme. Ele narra eventos que podem parecer irrelevantes, mas não são. Incluindo a morte de Mickey Cohen, um gangster real da época. O policial que mais trabalha com ele, e aparece em muitas de suas capas, é Jack Vincennes (Kevin Spacey), uma espécie de policial da mídia. Além de aparecer nas capas, ele é consultor técnico de um seriado conhecido como Badge of honor (um equivalente ao Dragnet, tanto que usa o mesmo bordão: "Just the facts").
Não posso esquecer que foi este filme que levou Russel Crowe ao estrelato. Antes disso, seu maior destaque era Rápida e mortal, horroroso faroeste com DiCaprio e Sharon Stone. Aqui ele interpreta Bud White, um corajoso e brutal policial que usa muito mais os punhos do que o cérebro. Pelo menos na primeira parte do filme.
Contrário a ele, é Ed Exley (Guy Pierce), um covarde brilhante e carreirista. Seu objetivo é subir de posto mais novo que seu pai, falecido, conseguiu. Nem que para isso, ele tenha que pisar em outros policiais e se tornar odiado por toda a delegacia.
Cada um investiga um caso diferente, que é parte de um caso muito maior. O que pode ser realidade em algumas coisas, pelo visto. O incidente do início do filme, Natal Sangranto, também é real. Assim como Lana Turner realmente namorou o guarda-costas do mafioso Mickey Cohen, Johnny Stamponato. O único porém seria que eles namoraram em 1957 e o filme se passa em 1953, mas quem liga? Uma curiosidade? Johnny foi morto pela filha de Lana Turner depois que ela o pegou traindo a mãe.
A história também envolve uma rede de prostituição comandada por Pierce Patchett, com prostitutas que parecem com estrelas de cinema. Uma delas é Lynn Bracken, uma personificação de Veronica Lake que se apaixona por Bud White. Sua personagem é a única doce em todo o filme. Quando ela diz calmamente porque ama Bud, você entende porque ela mereceu o Oscar daquele ano.
Pra mim, com certeza o melhor filme de 1997. Não apenas pela ótima história, grandes personagens (e muito bem construídos) e a atmosfera perfeita para um filme policial, mas pelo brilhante trabalho de adaptação de uma história extremamente complicada. Poderia ser confuso, mas aqui é apenas um ótimo filme com uma grande história. Um dos melhores policiais de todos os tempos.

Kim Bassinger e Veronica Lake

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A ESTRADA (THE ROAD)



NOTA: 8.
"Eu mato qualquer um que encostar em você. Porque este é meu trabalho." O Homem

O livro A estrada, de Cormac McCarthy (Onde os fracos não tem vez), é um daqueles livros que as pessoas diziam que não podiam ser adaptados. Algumas vezes, quando isso é dito, o resultado é decepcionante, como visto recentemente nos cinemas com Watchmen, aqui já não é. Claro que temos ter em mente que o filme deve ser avaliado pelo que ele é, não pelo que é em relação ao livro. Ambos tem seu valor, mas a forma como aprecia um livro não é a mesma que se tem em relação a um filme.
Acompanhamos personagens sem nome. O Homem (Viggo Mortensen) e seu filho, O Garoto (Kodi Smit-McPhee). Por algum motivo que nunca fica claro, o mundo virou um caos pós-apocalíptico. Guerra nuclear? Não tem muita importância para o filme, o que interessa é como o mundo ficou depois disso. Os dois andam pela estrada em direção sul sempre com muita cautela. Encontrar alguém na estrada não significa encontrar um companheiro de viagem, pode significar o encontro com alguma quadrilha canibal.
Basicamente, o filme é separado em dois grupos: a dupla são as pessoas boas, quase todo o resto são as pessoas más. Assim como visto em Ensaios sobre a cegueira, quando o pior acontece a humanidade não se une, ela se divide e os mais fortes querem se dar bem em cima das outras pessoas. O medo do Homem é não viver o suficiente para que seu filho aprenda a se virar sozinho, o garoto teme perder a humanidade. "Ainda somos os mocinhos?", ele pergunta frequentemente.
O elenco funciona perfeitamente. Mortensen está ótimo como o pai, sempre disposto a qualquer coisa para proteger seu filho. Mais um personagem para a galeria diversificada de sua carreira (já interpretou um Amish, um rei e um chefão da máfia russa, pra citar alguns). O Garoto é uma ótima surpresa. Smit-McPhee apresenta um garoto num mundo onde sua inocência não tem vez. Charlize Theron é uma presença luminosa que aparece em flashbacks. O único porém é que aparecem flashbacks demais que parecem querer aproveitar a sua presença e que pouco acrescentam a história. Há ainda a ótima presença de Robert Duvall, que infelizmente só dura uma cena.
O diretor John Hillcoat monta seu mundo destruído de forma impressionante. Os figurinos e cenários todos parecem se encaixar perfeitamente no visual do filme. O Homem e o Garoto vestem o que parece ser necessário para a sobrevivência naquele mundo. As casas que aparecem, estão sempre com aparência de abandonados. É um visual triste para um filme tão triste quanto.
Lembro de ter escrito há pouco tempo que bons filmes geralmente causam uma sensação. Aqui ele incomoda, e não parece ter uma chance de redenção para nenhum personagem.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O TRAIDOR


NOTA: 8.
“Sabia que o Alcorão diz que se matar uma pessoa inocente é como se tivesse matado toda a humanidade?” Samir Horn
É estranho pensar que o livro religioso que contém a frase acima, possa ser usado para convencer pessoas a realizarem ataques terroristas. Seus ataques matam tanto homens, quanto mulheres e crianças. E mesmo o atentado contra o World Trade Center matou não apenas americanos, mas pessoas de diversos outros países.
Essa é uma das questões levantadas pelo filme: quantas pessoas inocentes devem morrer para se ganhar uma guerra. Ao mesmo tempo que matar uma pessoa inocente é matar a humanidade, salvar uma pessoa inocente é salvar o mundo.
O filme foca em Samir Horn (Don Cheadle), nascido no Sudão que viu seu pai ser assassinado dentro do seu carro por uma bomba. Anos depois, Samir se torna um agente secreto para o governo americano. Trabalhando infiltrado, sua missão é se infiltrar e acabar com uma célula terrorista.
Depois de tanto tempo lutando essa guerra, ele fica sem contato com seus superiores. Na verdade, pelo tempo que passou, apenas uma pessoa sabe da existência de Samir. Então ele é um agente duplo? Ou será que é um agente triplo? Ele quer acabar mesmo com a célula terrorista ou usa o governo para conseguir efetuar os golpes terroristas?
A maioria dos Mulçumanos é contra o terrorismo e Samir é um devoto. Ele sempre reza voltado para Meca e frequentemente cita o Alcorão. Inteligente demais para se matar com uma bomba. Não. Samir planta bombas que vão ser detonadas por controle remoto.
Até que surge o grande plano: várias bombas que vão ser detonadas em diferentes lugares ao mesmo tempo. Uma mensagem que a América vai sentir e muito.
O filme não toma lados. Vemos tanto as operações terroristas e sua motivações quanto o modo de agir das equipes dos EUA, liderados por Guy Pearce e Neal McDonough, dois agente do FBI que discordam da forma de como devem agir contra os terroristas.
Mas é Cheadle que segura todos os aspectos do filme. Seu personagem permanece obscuro durante todo o filme. Afinal, de que lado ele realmente está? A interpretação do ator está ótima. Talvez se ele se focasse apenas em papéis de alta projeção como Hotel Ruanda ou os “Segredos...” ao lado de George Clooney, já seria um dos atores mais reconhecidos e bem pagos de Hollywood. Pra nossa sorte ele sempre arranja um espaço para filmes como esse.
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