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segunda-feira, 18 de junho de 2012

PROMETHEUS



NOTA: 10.
- Meu Deus. Nós estávamos tão errados.

O diretor volta ao universo de Alien, que ele mesmo começou, para recontar a origem de tudo. Não apenas a origem de um dos alienígenas mais famosos do cinema, mas também contar a nossa própria origem. É uma ficção científica que levanta interessantes questões sobre a humanidade, mas não tem resposta para elas. Não que isso seja algum desmérito, tanto que apesar de voltar ao universo que criou, Ridley Scott vai além e parece criar um novo independente do que já havia sido feito anteriormente.
O começo do filme se passa em um local espetacular com cachoeiras e uma linda e densa floresta onde um ser vivo muito parecido com um humano, mas totalmente albino, ingere alguma coisa que o faz ficar com muita dor, vomitar e se contorcer até que seu corpo se desfaça até células vermos as células de DNA quando cai na água. Esse lugar poderia ser a Terra, mas não há certeza disso. Assim como talvez as células desse ser que caem na água poderiam ser células que deram origem aos seres humanos. Podem, mas nada fica claro. Talvez a passagem seja apenas para sugerir que antes de termos vida na Terra, tivemos alienígenas por aqui.
Daí, cortamos para o ano 2089, no que pode ser o maior flash-forward da história do cinema, superando 2001, de Kubrik. Uma nave segue em direção a um distante planeta que foi indicado em diferentes pinturas em cavernas de civilizações e épocas distintas entre si. Pela disparidade de onde foi encontrado esse "mapa estrelar", pesquisadores seguem rumo a ele na esperança de encontrar a origem da raça humana. Chegando no planeta, eles encontram uma espécie de pirâmide onde buscam respostas, e é nesse cenário e na nave de um trilhão de dólares de nome Prometheus que o filme se passa.
Comandando a expedição, temos Elizabeth Shaw (Noomi Papace), que acredita que a nossa vida tenha alguma origem divina. Seu contraponto é seu namorado, Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) que considera a crença dela uma ofensa a anos de darwinismo. O que eles acham dentro da pirâmide não dá razão a nenhum dos dois. São corpos humanoides, mas maiores do que nós, cujo DNA é totalmente compatível com o nosso. Seriam eles os nossos criadores? E se sim, por quê? 
Desde o primeiro dia em que pousam naquele planeta, o terror começa. Não um terror como Scott fez no primeiro filme, onde tínhamos muito silêncio e sombras, mas um terror mais pautado na ação. E ainda assim, tão eficiente quanto. Especialmente quando a tripulação humana ao lado do enigmático robô (sempre há um com motivos misteriosos nos filmes do alienígena) David (Michael Fassbender, sempre ótimo), começam a explorar as cavernas. 
Independente dos papéis masculinos, o filme segue a tradição e apresenta não uma, mas duas personagens fortes. Uma é Vickers (Charlize Theron), uma representante da companhia que financia a viagem e que fica sempre distante dos demais e trata a todos como se fossem seus empregados. Eles são seus empregados, mas pra que será que serve tanta hierarquia no espaço a anos luz da Terra? A outra é Shaw, que mostra grandes instintos de preservação realizando feitos quase inimagináveis.
O filme mistura bem efeitos especiais, tecnologia 3D (ambos sem uso exagerado que distraia a atenção da história) e um roteiro mirabolante. O grande atrativo, para mim, é como o filme brinca com a descoberta dessa raça que tem o mesmo DNA que nós. Será que nos criaram? A possibilidade de existir algo parecido com algo tão único quanto um DNA parece ser muito improvável mesmo do outro lado do universo. E se foram eles que nos criaram, de onde eles vieram? As respostas estão abertas para uma possível sequência. O que temos agora é um espetáculo visual, suspense, aventura e ideias que podem te deixar pensando por muito tempo.

sábado, 24 de dezembro de 2011

ALIEN


NOTA: 10.
- Como a maioria já sabe, não estamos em casa ainda. Estamo no meio do caminho. "Mamãe" interrompeu nossa jornada porque alguma coisa udou. Parece que ela interceptou uma transmissão de origem desconhecida. Nós vamos checar essa transmissão.

Star wars já tinha nos mostrado um pouco antes que o espaço pode servir como ótimo cenário de filmes. Mas o filme de George Lucas era uma fábula para toda a família, por isso coube a Ridley Scott mostrar que o terror também poderia ser feito no mesmo cenário. Como eles estampavam nos cartazes: "No espaço ninguém pode ouvir você gritar".
Uma nave tem sua trajetória interrompida para verificar a recepção de uma transmissão cuja fonte não foi reconhecida. Eles descem naquele pedaço de espaço estranho para investigar e um dos tripulantes é atacado por um estranho ser que se prende em seu rosto. Para qualquer pessoa que já tenha visto um filme da série, ou  mesmo para os que nunca assistiram, fica óbvio que esse ser está colocando o que virá a se formar o aterrador alienígena dentro do pobre homem.
Um dos tripulantes, é Ripley (Sigourney Weaver), única que apareceu nas sequências da série. As ordens dos empregadores dela é clara: eles devem levar aquele ser com vida para que possam usar como alguma espécie de arma. Mas Ripley não tem o menor interesse em seguir essas ordens. Ela tem um ódio tão forte deles que arrasta para todos os outros filme. Ela não quer saber como aprisionar. Sua pergunta é sucinta: "Como matamos isso?".
Basicamente, o alien só parece existir para matar a tripulação da nave. Nem sequer parece muito preocupado com a reprodução de sua espécie, já que precisam dos humanos (ou provavelmente outro ser qualquer) para isso. Só que ao invés de aparecer logo com pessoas morrendo, o filme nos envolve em um ritmo muito bom. As coisas não acontecem do nada. Temos a interceptação do sinal, a decisão de sair e investigar, o retorno para a nave e assim sucessivamente. Cada coisa acontece com calma, ao contrário do que aconteceria em um filme hoje em dia. Se passa muito tempo de filme até que a primeira morte aconteça e mais ainda para que o alien adulto, na forma que conhecemos, seja mostrado.
Tem uma coisa que é muito interessante também na forma como a criatura é mostrada. Seja por uma questão técnica ou não, é muito bom ver como ela é sempre uma coisa meio misteriosa. Quando ela sai de dentro do seu hospedeiro, parece uma espécie de verme rastejante. Depois vemos que ela cresce mas nunca conseguimos saber ao certo como ela realmente é. É só no final do filme que é revelada a verdadeira forma dela. Esse mistério todo também nos mantém num suspense que ajuda no clima do filme.
Weaver interpreta muito bem sua personagem, que permanece como um ícone da heroína dos filmes de ação. Não consigo dizer se alguma outra mulher daquela época conseguiria interpretar um personagem desse tipo tão bem quanto ela. Mas boa parte dos créditos do filme também vai para o diretor Ridley Scott. Antes de Alien ele só havia o bom e cerebral Os duelistas, talvez por isso tenha se preocupado tanto com o clima do filme e a história. Depois disso, ele dirigiria o futurista Blade Runner. Apesar de ter alguns filmes estranhos em sua carreira, não há como negar que se trata de um diretor de enorme talento.
O engraçado é que este filme é considerado um dos mais influentes do cinema, mas apesar disso vejo pouca gente de hoje realmente se inspirando neles. Não há uma preparação para o suspense, o que acaba fazendo que não haja suspense. Só sucessões de sustos fáceis. Por isso o filme ainda se mantém tão forte e tão bom.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

GLADIADOR


NOTA: 6.
- Hoje eu vi um gladiador se tornar mais poderoso que o Imperador de Roma.

Há pouco tempo reassisti a este filme depois de um longo período. Havia algo nele que me agradava, e que agora descobri que não mais me encanta. Simplesmente percebi que não se trata de um filme tão bom como eu recordava que ele era. Talvez seria melhor se o tivesse apenas guardado na memória.
A foto acima faz jus ao filme. Tudo é meio borrado onde nada possa ser visto claramente. Assim como no filme. Cenas que não precisam de efeitos especiais, como ele andando pelo deserto ou mesmo suas memórias de casa, são ensolaradas. Qualquer outra cena que exija detalhes ou efeitos especiais são embaçadas. Até mesmo cenas onde os gladiadores conversam  podem parecer ensolaradas, mas no momento que pisam no Coliseu o tempo fecha. Os dias são sempre sombrios, chuvosos ou obscuros. Dessa forma, não fica muito espaço para ver os trabalhos de efeitos especiais que ganharam Oscar. Convenhamos também, a concorrência era fraca (O homem sem sombra e Mar em fúria).
Na verdade, a própria vitória na premiação se mostra um reflexo da pobreza daquele ano. Concorrentes: Chocolate, O tigre e o dragão, Traffic e Erin Brockovich. Hollywood já teve anos melhores.
De qualquer forma, acompanhamos a história de Maximus (Russel Crowe), um general do exército romano na vitoriosa campanha contra os bárbaros. Depois da última batalha, o imperador Marcus Aurelius  (Richard Harris) deseja tornar Máximus seu sucessor, ao invés de seu filho Commodus (Joaquin Phoenix, muito antes de enlouquecer). Commodus não aceita a situação, matando o pai e mandando executar Maximus, que consegue fugir para casa apenas para descobrir sua família morta.
Capturado, Maximus é vendido como escravo para se transformar em gladiador. Aproveita a chance de ir subindo no "ranking" para poder lutar em Roma e se encontrar com, o então Imperador, Commodus. E por aí a história vai, culminando na óbvia batalha final.
A história não é das mais interessantes e os personagens não ajudam muito. Maximus passa o filme todo mal humorado. Só consigo me recordar dele rindo em duas ocasiões durante o filme, e as duas são muito breves. Seu humor impede que fale muito durante o filme, o que reduz ainda mais a chance dele falar alguma coisa que preste. Seu braço direito, Quintus, não pensa duas vezes antes de obedecer as ordens de matar a mulher e o filho de Maximus, mas estranhamente se recusa a ajudar seu querido Imperador na luta final. E afinal, para quê a família de Maximus foi morta? Eram alguma ameaça para o imperador? Outra amargurada é Lucilla, que casou mesmo sendo apaixonada por Maximus e depois durante o filme nunca consegue ter seu amado. Como eles se conheceram eu não sei, já que ela é filha do Imperador e Maximus afirma nunca ter pisado em Roma. Já Commodus é um dos vilões mais estranhos que já vi. Apático, medroso e capaz de tentar seduzir a própria irmã. O mais interessante de todos é juba (Djimon Hounsou), mas que infelizmente não pode falar mais que seu protagonista, então em vários momentos apenas grita e grunhe.
Vendo as batalhas, elas não parecem grandes obras de arte. Mel Gibson filmou com muito mais competência em Coração Valente batalhas muito mais complexas. A batalha contra Tigris é confusa (sei que parece repetitivo em filmes de ação eu falar a mesma coisa, mas as cenas estão parecendo cada vez mais confusas). Eles dão uns dois ou três golpes, então corta para um close do rosto de um deles, então Maximus está no chão com um tigre em cima dele, depois o tigre está se contorcendo em outro lugar e por aí vai.
Quem declara que é o melhor filme sobre gladiadores, sugiro que veja (ou reveja) Spartacus. Apesar de não ser sobre gladiadores, Ben-Hur também pode ser visto como uma obra bem superior que se passa na mesma época. São dois clássicos. Já este, só não passará na Sessão da tarde por ter muita violência.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

ROBIN HOOD


NOTA: 4.
"Se está construindo para o futuro, você precisa de fundações fortes. Leis e terras escravizam o povo para um rei que exige lealdade mas não oferece nada em troca." Robin Longstride

O diretor Ridley Scott parece ter gostado de dirigir Gladiador. Tanto que houve um roteiro escrito para uma sequência do filme que nunca foi realizado, mas se engana aquele que pensa que a sequência não aconteceu. Primeiro Scott o fez com Cruzada e agora fecha a trilogia com este Robin Hood.
Claro que estou exagerando um pouco, mas parece que o diretor está se prendendo a estes filmes com grandes batalhas épicas e reconstrução histórica. O resultado está parecendo cada vez mais repetitivo e o diretor se sai muito melhor em filmes como O gangster, que ao contrário desse é um ótimo filme.
Novamente, Russel Crowe, estrela. Dessa vez com o nome de Robin Longstride. Ele está ao lado do Rei Ricardo Coração de Leão atacando a França. Com a morte do rei, ele resolve voltar para a casa, cansado de tantas guerras. Um desertor. No caminho, ele cruza com um ataque a uma companhia inglesa que está voltando para a Inglaterra para devolver a coroa do rei. Então ele toma o lugar do líder morto,  Robert Loxley, para retornar para casa e devolver a espada ao pai do homem, acompanhado de Will Scarlet e John Pequeno.
Chegando lá, o pai de Loxley o convence a fingir que é seu filho morto. Isso para que a viúva de seu filho, Marion (Cate Blanchett), não corra o risco de perder as terras da família. Isso, e pela promessa de contar a Longstride a história de sua família, numa coincidência enorme.
A tentativa de Scott, era de contar a história do homem antes de ele se tornar lenda, mas a grande graça de um personagem como Robin Hood é sua lenda. Principalmente se contarmos que é um personagem que nunca existiu. O Robin Hood não era um personagem para ser levado a sério. Então o diretor coloca um pé na fantasia e o outro, com mais força, na realidade, mas não se decide entre nenhum dos dois. O filme acaba não funcionando nem com um nem com o outro. Isso tudo com muitas cenas que resultam em um banho de sangue que não combina com a história. Pior ainda se considerar que as cenas de batalha parecem repetitivas. A cena final então, parece retirada do início de O resgaste do soldado Ryan.
Crowe está bem na pele do personagem e o interpreta com vigor e uma certa fúria, apesar de parecer um pouco velho para o personagem. Mas ainda assim é um grande ator. Blanchett também é ótima, mas a formação dos dois como casal ficou péssima. Eles não parecem um casal atraente em momento nenhum.
Ridley Scott chegou a declarar que o único filme que prestava sobre Robin Hood era A louca história de Robin Hood, comédia de Mel Brooks, e parece querer se afastar de seus antecessores, mas acabou por não justificar o porquê de fazer outro filme com o personagem, já que não acrescentou nada a história.
Nos cinco minutos finais, somos brindados com o Robin Hood de verdade (o fantasioso, claro), e as legendas na tela dizem que a lenda nasce. Infelizmente já é tarde demais para salvar o filme.
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