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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O HOBBIT: UMA JORNADA INESPERADA - THE HOBBIT: AN UNEXPECTED JOURNEY


NOTA: 6.
- Estou procurando alguém para participar de uma aventura.

Depois da trilogia de O senhor dos anéis fazer um sucesso estrondoso, quase três bilhões nas bilheterias e ainda levar 14 Oscars, o diretor Peter Jackson resolveu contar a história que se passa antes de tudo que vimos. É a história de como Bilbo Bolseiro conseguiu o anel que deixou para Frodo. Não chega a ser decepcionante como A ameaça fantasma, mas com certeza está muito aquém do que se deveria esperar. Ou simplesmente pode ser o caso de ser porque essa história realmente devesse ter sido contada antes.
Digo isso, porque provavelmente se tivesse sido contada antes, um único livro não teria sido transformado em uma trilogia de filmes. Se na trilogia original Jackson realizou uma série de cortes para termos uma média de três horas por filme, o que temos aqui é uma história bem mais simples que foi esticada até não poder mais para poder justificar a razão de termos três filmes com menos de três horas, ao invés de um só, ou quem sabe com boa vontade até mesmo dois.
Claro que ter menos de três horas não quer dizer que temos uma história que flua mais rápido. Na verdade estamos longe disso. Levamos muito tempo acompanhando até que Bilbo (Martin Freeman) concorde em ir na viagem com os anões, e com o final do filme parece que sua viagem, que no livro é bem mais curta que a de Frodo, vai levar muito mais tempo para ser contada. Tudo isso com a escolha da filmagem em 48 quadros por segundo (tradicionalmente se usa 24) que, na minha opinião, não funcionou muito bem.
Claro que o talento de Jackson em montar quadros de extrema beleza não se perdeu. Cada cena do filme é, assim como na trilogia original, uma pintura com efeitos que muitas vezes passam despercebidos. Ele continua criando beleza e eficiência como poucos fazem, mas os personagens nas telas, especialmente os anões, conseguem ter ainda menos profundidade do que os personagens que tínhamos antes, e são ainda menos carismáticos apesar de serem interpretados com grande talento. A situação piora um pouco quando temos a aparição de personagens conhecidos e melhores como Gandalf (Ian McKellen), Elrond (Hugo Weaving) ou Galadriel (Cate Blanchett).
Outro grande problema do filme é seu tom. O senhor dos anéis é um livro escrito durante a Segunda Guerra Mundial e conta uma história muito sombria. O confronto definitivo entre o bem e o mal. O hobbit é um livro escrito em 1937 tendo em mente que era uma história para os filhos do escritor. Ou seja: o filme poderia ser uma divertida aventura, mas ao invés disso o que temos é uma grandiosa e perigosa aventura com muitas batalhas e decapitações que não vão decepcionar a jovem plateia sedenta de sangue.
Ao invés de se preocupar em contar a história que temos no livro, o diretor teve que se preocupar também em não entregar três filmes com menos de uma hora de duração. O que se vê na tela são diversas cenas que não estão no livro e que não funcionam nada além de transformar o filme em mais um possível parque temático como Piratas do Caribe. Depois de mais de duas horas de duração, cheguei a duvidar se Bilbo encontraria o anel, mas pelo menos temos o direito de ver a cena em que ganha o objeto feito da maneira correta. É a melhor parte do filme, e é uma pena que o resto das cenas não acompanhe nem de perto essa magia. Não deixa de parecer em nenhum momento que um filme poderia ter sido suficiente.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O SENHOR DOS ANÉIS: O RETORNO DO REI - THE LORD OF THE RINGS: THE RETURN OF THE KING


NOTA: 9,5.
- Filhos de Gondor, de Rohan, meus irmãos. Eu vejo em seus olhos o mesmo medo que poderia tirar o meu coração. Pode chegar o dia em que a coragem dos homens falhará, quando esqueceremos nossos amigos e quebraremos todas as alianças. Mas esse dia não é hoje. Hoje, nós lutamos.

Geralmente, a terceira parte de uma trilogia é a mais fraca de todas. Aconteceu com O poderoso chefão, Matrix (os dois últimos deste nem parecem terem sido feitos pelos mesmos diretores) e mais recentemente com Batman. Talvez aconteça que os diretores vão ficando com menos imaginação depois de dois filmes, mas este não é o caso do diretor Peter Jackson. E isso quase sempre acontece quando se tem um uso enorme de computação gráfica.
Ainda que o terceiro filme tenha mirado mais em agradar as plateias ávidas por ação, é quase impossível negar a grande façanha alcançada por Jackson. Este filme é a coroação de seu trabalho que foi realizado com maestria. Quase sempre os efeitos especiais ficam extremamente visíveis, e com estes filmes temos cerca de nove horas de filme em que os efeitos ajudam a contar uma história e nada além disso. É um espetáculo visual tão bom que mesmo os que não assistiram os dois primeiros são capazes de assistir a esse último e ainda curtir um bom filme.
Tudo o que foi feito é para nos levar à batalha em Minas Tirith, "onde o destino será decidido". Minas Tirith é o ponto alto das realizações que os efeitos especiais realizaram para os três filmes. É claro que sabemos um cenário daquele tamanho não pode ser construído para um filme, mas fica bem difícil de distinguir o que foi filmado em tamanho real e como exatamente foi inserido no meio de tantas imagens geradas por computador.
Ao mesmo tempo, Jackson corrige o problema de ter deixado tanto os hobbits ficarem em segundo plano, principalmente no segundo filme. Acho que era inevitável que isso acontecesse. Ainda que o diretor esticasse as cenas de ação para que Aragorn e seus companheiros tivessem mais tempo nas telas, ainda assim todos os seus atos eram secundários. O importante da história inteira não é uma guerra contra orcs, é destruir o anel e livrar a Terra Média de todo o mal.
Uma coisa que não foi corrigida ao longo dos três filmes é uma falta de aprofundamento nos personagens. Cada personagem tem suas personalidades e motivações, mas tudo o que acompanhamos é o que está na superfície. Mesmo quando Arwen toma uma decisão de abandonar sua imortalidade para ficar com Aragorn, não sentimos nenhum peso em sua decisão. Todas as decisões são tomadas levemente.
Infelizmente isso não acontece apenas nesse filme, mas em todos eles. Acompanhamos os personagens por muito tempo sem realmente conhecê-los em qualquer nível psicológico. Eles existem apenas como arquétipos de personagens e parecem funcionar apenas para o espetáculo visual. Tudo funciona bem, porque realmente tudo é maravilhoso, mas em momento nenhum parece que há um perigo real, porque não sabemos nenhuma real motivação ou preocupações pelas quais eles passam. O conjunto dos três filmes formam um excelentemente entretenimento como raros filmes conseguem ser, pena que não vai muito além de ser um entretenimento.

O SENHOR DOS ANÉIS: AS DUAS TORRES - THE LORD OF THE RINGS: THE TWO TOWERS



NOTA: 8,5.
- É como nas grandes histórias. Aquelas que realmente importam. As vezes você não sabe como vai terminar, porque como poderia ter um final feliz. Mas no final, as trevas passam. As pessoas nessas histórias tinham chances de voltar, mas eles continuaram sempre em frente. Porque eles tinham certeza de que ainda há bondade no mundo. E que vale lutar por isso.

No segundo filme da trilogia, fica mais claro que a intenção de Peter Jackson é entregar ação, que pode ser o que a maior parte da plateia quer ver. Por isso, o filme já começa sem se preocupar em mostrar os pontos importantes do filme anterior e já começa agitado. Com isso, fica claro também que Frodo (Elijah Wood) é mesmo um personagem secundário da sua própria história. A estrela do filme é Aragorn (Viggo Mortensen), e os hobbits passam a maior parte do filme longe do centro das atenções e da ação. A última parte do filme é praticamente inteira dedicada a uma incrível batalha.
O filme já abre usando a cena de Gandalf (Ian McKellen) nas minas de Moria, o que acontece ainda na primeira metade do primeiro filme. Os que não assistiram o filme anterior, não tinham nenhum preparo para assistir a esse nos cinemas. 
Claro que isso é uma reclamação totalmente pessoal. Levando em consideração apenas o filme, nada do que foi mencionado acima interfere (ou mesmo prejudica) a história que está sendo contada nas telas. O segundo filme é menos fiel ao livro, faz com que se perca grande parte do charme da história e falha em contar o mais importante, que é a jornada. Mas desde o primeiro filme, já tinha ficado claro o interesse do diretor, então devo aceitar o que é o filme e admirar como é um dos espetáculos visuais mais impressionantes que o cinema já nos proporcionou.
Grande parte desse espetáculo é gerado pelo uso muito habilidoso de efeitos especiais e animação digital. E assim, o personagem Gollum, que apenas aparecia em curtas cenas no filme anterior, aparece aqui durante uma boa duração do filme. Na época, era com certeza a criatura gerada por computador mais impressionante que já se havia visto nos cinemas. E o que é mais importante para fazer o filme funcionar: funciona quase tão bem quanto um personagem de carne e osso. Um pouco menos impressionante, mas ainda assim muito bem feitos, temos também os Ents, uma espécie de entidades que protegem as florestas.
Não estou criticando o uso da computação gráfica no filme. Algumas vezes critico o seu uso, mas é quando ela se sobrepõe a história, o que não é o caso aqui neste filme. Há inúmeras cenas em que percebemos que se tratam quase tão somente de computação gráfica, mas ainda assim as cenas são impressionantes e seguram a atenção. Fazendo como poucos diretores fazem, Jackson usa praticamente toda a tela pra preencher suas imagens com complexidade. É possível assistir o filme inúmeras vezes e ainda encontrar algo que não tenha visto antes. Jackson usa os efeitos especiais para "pintar" cada parte do que estamos vendo.
Talvez o filme agrade mais as plateias do que o primeiro. Há cenas mais espetaculares de ação e as batalhas são de tirar o fôlego, mas o filme sozinho carece de um início e está longe de ter um final. É uma ponte de três horas de duração que leva o primeiro filme para o último. Claro que é uma ponte extremamente bem feita que vai segurar as plateias e que nos faz ficar esperando o próximo filme ansiosamente. Mesmo os que já assistiram anteriormente.
Ainda corro o risco de ser chato, mas comparando com os livros, fica estranho perceber como o propósito da história original se perdeu. Se o escritor J. R. R. Tolkien quisesse contar uma história com muita testosterona e batalhas de espada, ele não teria escolhidos pequenos e frágeis hobbits como seus protagonistas. O filme quase deixa de ser uma adaptação para se transformar numa nova história moldada nos filmes de ação de hoje em dia, o que faz perder muito do charme do livro. 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O SENHOR DOS ANÉIS: A SOCIEDADE DO ANEL - THE LORD OF THE RINGS: THE FELLOWSHIP OF THE RING


NOTA: 9.
- Eu vou levar o anel para Mordor. Apesar que... Eu não sei o caminho.

Basicamente, existem dois tipos de pessoas que assistiram a esse filme. Uma parte, é formada por ávidos leitores de livros. Essa parte é a mais apaixonada pelo material por motivos óbvios. A segunda é formada pelas pessoas que não leem os livros e preferem assistir o filme porque leva menos tempo. Quando o diretor Peter Jackson tomou o comando da trilogia de filmes adaptando a maior obra nerd (esses livros só não foram mais vendidos que a bíblia), ele tinha o dever de agradar aos dois grupos. Eu li o livro antes de assistir cada filme, e fiquei bem satisfeito com o resultado. Assim como acredito que a maioria dos leitores deva ter ficado. Com ressalvas.
Devido a grande proporção que uma história como essa possui, Jackson compactou a saga de modo a deixá-la com a maior parte de ação possível, sem deixar de lado a mitologia que apaixonou milhões de de fãs pelo mundo inteiro. Certas partes terem ficado de fora, pois ele sabia que a maior parte da plateia iria procurar uma batalha entre o bem e o mal.
Mais impressionante ainda, é que esta é uma história feita à moda antiga. A mesma Hollywood que décadas atrás fazia filmes inocentes e mágicos como O mágico de Oz, hoje realiza filmes como Gladiador. Ainda que tenha se mantido fiel ao material original, a verdade é que não é possível realizar um filme hoje em dia que não siga os novos padrões. É um filme repleto de efeitos especiais, muita ação de tirar o fôlego e aventura. A adaptação segue a história a alterando para dar mais emergência ao filme, assim como cenas de ação foram extendidas. Consequentemente, mais correria e batalhas.
Uma coisa permanece inalterada. Os heróis da história são hobbits. Eles possuem características que fazem com que pareçam as mais improváveis criaturas para viverem ma aventura. Parecem seres humanos, mas são bem menores, fazem cerca de oito refeições diárias, tiram sonecas durante o dia e nunca se afastam do lugar onde vivem. Por outro lado, são perfeitos para esse caso, pois tem um bom coração. O único porém, é que a forma com que foi filmado para que eles pareçam pequenos, interfere um pouco nas cenas.
Se é possível que alguém ainda não conheça a história: se trata de um jovem hobbit chamado Frodo (Elijah Wood) que recebe de herança do seu tio um anel que é na verdade de grande poder e pode jogar o mundo inteiro (nesse caso, a Terra-Média inteira) nas trevas sob o julgo do maligno Sauron. Frodo irá porque é um dos poucos que consegue se mantar alheio ao poder que o anel exerce, e para acompanhá-lo, se juntam magos, humanos, elfos e anões.
No livro, a história era menos sobre batalhas e mais sobre as aventuras do nosso pequeno herói fora de  lugar. Seu cotidiano inteiro é modificado. Ele não só sai da sua zona de conforto, como conhece diferentes e mágicos lugares, pessoas e diferentes "entidades". Quando necessário, havia uma pausa para poemas e músicas, coisas que o filme infelizmente não tem tempo para mostrar. 
É uma produção fantástica que Jackson abraçou com paixão. Deve ter agradado muitos fãs e não fãs, foi indicado a Oscars e levou 4 estatuetas para casa (fotografia, efeitos, maquiagem e trilha sonora). Uma pena que: 1. a saga de Frodo fique reduzida para agradar as plateias que possa se interessar mais por outros personagens, afinal vale lembrar que são protagonistas e em determinados parecem muito mais coadjuvantes. Não estivesse Frodo carregando o anel, talvez fosse cortado do filme.; 2. toda a Terra-Média e a jornada sejam muito mais interessantes na minha imaginação. Que queira dar ênfase aos perigos da jornada é uma coisa, mas será que não há uma maneira de escapar que não seja por um triz? Que não seja no último segundo?

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

HANNA


NOTA: 9.
- Isso é muito, muito difícil. Mas algumas vezes, crianças podem ser más pessoas também.

Lembro de ter visto algumas vezes filmes onde os pais isolam os filhos, educando-os por conta própria. Sempre achei que isso limitaria o que uma criança pode aprender. Não é esse o caso da menina criada na floresta de nome Hanna (Saoirse Ronan), que parece saber, pelo menos na teoria, como qualquer coisa funciona (até mesmo os músculos utilizados em um beijo) e ainda sabe falar espanhol, francês, árabe, alemão entre outras línguas. Além disso, ela sabe caçar e é mestre em combate com ou sem armas.
Claro que Hanna não é uma criança qualquer. Ela é até mesmo muito forte para uma criança e chega a vencer um combate com seu tutor, e pai, Erik (Eric Bana), que é muito maior e experiente do que ela. Depois de anos isolados na floresta, ela se diz pronta e não sabemos para o quê. Erik apenas lhe diz que se ela estiver pronta, ela deve pressionar um botão e se preparar pois alguma mulher não vai descansar até que ela esteja morta. Ele parte e deixa a menina lá sozinha.
E "ela" recebe o sinal. Ela é algum tipo de agente de uma agência internacional, embora não lembre de tal agência ter sido mencionada agora. Marissa (Cate Blanchett) manda uma equipe para a floresta e resgata a garota que é levada para o quartel. Lá Hanna começa uma matança e foge para encontrar seu pai em um lugar pré-estabelecido. Nesse ponto o diretor Joe Wright (O solista) já nos mostra um filme que ora parece um thriller com agentes secretos altamente treinados e ora parece um conto de fadas da menina que pela primeira vez está conhecendo um novo mundo. Mundo que ela só conhecia na teoria.
Não é uma novidade filmes que mostrem uma menina pequena que é capaz de matar quase todo homem que encontra. Basta lembrarmos de Kick-ass onde uma criança ainda menor do que Hanna cometia grandes chacinas. A diferença deste filme para os outros com crianças deste tipo, é que aqui o diretor parece ter algo a dizer. É um filme com sentimento, e as mortes não tão estilizadas tem um motivo maior para acontecer do que simplesmente agradar a plateia.
Wright pode parecer uma escolha estranha para esse filme. Ele apareceu adaptando grandes clássicos da literatura como Orgulho e preconceito e Desejo e reparação e pode parecer o nome errado para este tipo de filme, mas a verdade é que ele parece ter um propósito aqui. E talvez o propósito seja mostrar que os filmes de ação não precisam ser acerebrados. Além disso, ele traz uma grande dose de realidade para as cenas, mesmo as que exibem doses de CGI. Tudo é coreografado e parece tangível.
E talvez seja por isso que este filme tenha me surpreendido tanto. Hanna é não somente um filme de ação, mas um bom filme. Diferente das confusões que os filmes do gênero estão se transformando nos dias de hoje. Apesar de Blanchett parecer meio estranha como uma mulher sem qualquer sentimento, Ronan segura o filme inteiro em um papel extremamente complicado. Ela é a outra parte que faz o filme funcionar. E realmente faz com que funcione.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

ROBIN HOOD


NOTA: 4.
"Se está construindo para o futuro, você precisa de fundações fortes. Leis e terras escravizam o povo para um rei que exige lealdade mas não oferece nada em troca." Robin Longstride

O diretor Ridley Scott parece ter gostado de dirigir Gladiador. Tanto que houve um roteiro escrito para uma sequência do filme que nunca foi realizado, mas se engana aquele que pensa que a sequência não aconteceu. Primeiro Scott o fez com Cruzada e agora fecha a trilogia com este Robin Hood.
Claro que estou exagerando um pouco, mas parece que o diretor está se prendendo a estes filmes com grandes batalhas épicas e reconstrução histórica. O resultado está parecendo cada vez mais repetitivo e o diretor se sai muito melhor em filmes como O gangster, que ao contrário desse é um ótimo filme.
Novamente, Russel Crowe, estrela. Dessa vez com o nome de Robin Longstride. Ele está ao lado do Rei Ricardo Coração de Leão atacando a França. Com a morte do rei, ele resolve voltar para a casa, cansado de tantas guerras. Um desertor. No caminho, ele cruza com um ataque a uma companhia inglesa que está voltando para a Inglaterra para devolver a coroa do rei. Então ele toma o lugar do líder morto,  Robert Loxley, para retornar para casa e devolver a espada ao pai do homem, acompanhado de Will Scarlet e John Pequeno.
Chegando lá, o pai de Loxley o convence a fingir que é seu filho morto. Isso para que a viúva de seu filho, Marion (Cate Blanchett), não corra o risco de perder as terras da família. Isso, e pela promessa de contar a Longstride a história de sua família, numa coincidência enorme.
A tentativa de Scott, era de contar a história do homem antes de ele se tornar lenda, mas a grande graça de um personagem como Robin Hood é sua lenda. Principalmente se contarmos que é um personagem que nunca existiu. O Robin Hood não era um personagem para ser levado a sério. Então o diretor coloca um pé na fantasia e o outro, com mais força, na realidade, mas não se decide entre nenhum dos dois. O filme acaba não funcionando nem com um nem com o outro. Isso tudo com muitas cenas que resultam em um banho de sangue que não combina com a história. Pior ainda se considerar que as cenas de batalha parecem repetitivas. A cena final então, parece retirada do início de O resgaste do soldado Ryan.
Crowe está bem na pele do personagem e o interpreta com vigor e uma certa fúria, apesar de parecer um pouco velho para o personagem. Mas ainda assim é um grande ator. Blanchett também é ótima, mas a formação dos dois como casal ficou péssima. Eles não parecem um casal atraente em momento nenhum.
Ridley Scott chegou a declarar que o único filme que prestava sobre Robin Hood era A louca história de Robin Hood, comédia de Mel Brooks, e parece querer se afastar de seus antecessores, mas acabou por não justificar o porquê de fazer outro filme com o personagem, já que não acrescentou nada a história.
Nos cinco minutos finais, somos brindados com o Robin Hood de verdade (o fantasioso, claro), e as legendas na tela dizem que a lenda nasce. Infelizmente já é tarde demais para salvar o filme.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A VIDA AQUÁTICA COM STEVE ZISSOU (THE LIFE AQUATIC WITH STEVE ZISSOU)


NOTA: 5.
"Agora se todos me dão licença, eu vou cair bêbado, e em 10 dias eu vou atrás atrás do tubarão que comeu meu amigo e vou destruí-lo. Se alguém quiser se juntar a mim será mais que bem vindo." Steve Zissou

O diretor Wes Anderson tem uma maneira peculiar de fazer seus filmes. Eles parecem estar se passando no mundo real, onde vivemos, mas se passam na verdade numa espécie de mundo paralelo que apesar das similaridades, tem suas diferenças. As pessoas falam de maneira que você não ouve nas ruas, e agem de formas que você nem imaginaria. Não à toa, seu barco tem instalações que incluem até mesmo um spa, e a vida marinha com formas impressionantes e irreais. Esse é o mundo de Wes Anderson.
Steve Zissou (Bill Murray) é uma espécie de Clouseau se este estivesse sob efeitos de drogas. O conhecemos na estréia de seu último documentário, que acaba na morte de seu melhor amigo, que foi comido por uma espécie de tubarão nunca vista antes. Zissou apelida de Tubarão Jaguar. A verdade é que ele não tem idéia do que atacou seu amigo, mas ele decide que vai caçar o bicho, numa espécie de inspiração por Ahab que caçava a baleia Moby Dick.
Além de seus tripulantes habituais e os estágiários que trabalham de graça, embarca também uma repórter grávida que planeja escrever sobre Zissou, Jane (Cate Blanchett) e Ned (Owen Wilson) que pode ser ou não filho de Steve Zissou. Ned, Zissou e Jane formam uma espécie de triângulo amoroso, mas sem amor algum com dois personagens querendo a atenção de Jane. Outro triângulo é formado também por Klaus (Willen Dafoe), Zissou e Ned, dessa vez com dois personagens querendo a afeição de Zissou.
Para os brasileiro há uma presença ainda mais estranha, a de Seu Jorge. Ele tem apenas uma ou duas falas durante o filme inteiro, mas sua principal função, na verdade, é estragar músicas antigas de David Bowie com versões em português.
A verdade é que o filme apresenta personagens interessantes que dialogam de maneira que somente Anderson pode fazer os personagens falarem, o que representa sim uma boa coisa, mas a história do filme não envolve tanto quanto as histórias de seus outros filmes. Pra sorte de Anderson, ele conta com um elenco de primeira, que inclui uma Anjelica Huston mostrando que pode interpretar o papel que quiser. Não é um filme que recomendo ninguém a assistir, mas qualquer um que tiver interesse não será desencorajado.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL


NOTA: 6.
- Para um velho, até que você não luta mal. Tem tipo o quê? 80?” 

Há um hiato de quase 19 anos entre este filme e o anterior da série. E infelizmente esse hiato é percebido na tela. Chego a dizer que o problema começa logo no título. Este novo parece um título de episódio de He-man.
Outro fato que se nota de cara é o envelhecimento do ator. Me lembra muito Sean Connery em A Liga Extraordinária, quando se vê claramente que o ator interpreta um personagem que não condiz com sua idade. Indiana Jones é capaz de proezas ainda mais inacreditáveis do que realizou nos longas anteriores. Podiam ter brincado um pouco mais com isso no filme.
Aqui, Indiana é capturado por Russos (pensei que iam ser deixados em paz com o fim da Guerra Fria) para recuperar um objeto no mesmo galpão superguardado onde foi deixada a Arca da Aliança no primeiro filme. O objeto em questão é a Caveira de Cristal do título.
Mas por que essa caveira é tão importante? Para descobrir Indiana passa pelos mesmos problemas de sempre: é capturado, escapa, é capturado de novo, escapa de novo, e por aí vai.
Dessa vez ele conta com a companhia de Mutt Williams, interpretado por Shia LaBeouf que não convence de forma nenhuma como herói de ação apesar de Spielberg querer empurrá-lo dessa forma. Um garoto irritante e nervoso que não faz que seja surpresa nenhuma ele ser filho do herói (com a personagem Marion, também do primeiro filme).
O que fez com que a série tivesse grande sucesso, era ver Indiana correndo atrás para desvendar grandes segredos da humanidade, aqui é só enfadonho o vir perseguir uma lenda obscura que, para fazer com que tenha um significado maior do que realmente merece, recebe uma explicação pra lá de estapafúrdia.
O filme até segue tentando recuperar a magia dos anteriores, com boas perseguições e cenas de ação, apesar de uma cena ridícula envolvendo formigas gigantes que comem pessoas. Mas não é de se espantar que o final do filme seja um festival efeitos especiais. Spielberg sempre se mostrou um devoto a elas: quase estragou o relançamento de E.T. substituindo o boneco do original por um ser digital; e não só isso, nos próprios Indianas anteriores ele usava em menor escala (hoje, acho que mais por necessidade que por escolha). Aqui ele erra de vez a mão.
Difícil acreditar que toda essa espera para fazer a continuação por não encontrar a “história certa” tenha acabado com o roteiro desse filme. Indiana tenta fazer jus a sua reputação, só podia ter esperado por uma história boa o suficiente para isso. Ás vezes, só carisma não basta.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON – THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON


NOTA: 9,5.

David Fincher, diretor de Clube da Luta e Seven, nos conta essa triste e emocionante história. Difícil de acreditar que o homem que sempre mostrou criatividade e tecnologia em seus filmes se preocupe em contar uma história mais singela e visualmente mais simples. Não que não tenha tecnologia (Pitt e Blanchet com 17 anos estão presentes no filme, assim como Pitt com 80), mas os efeitos presentes no filme passam batidos e servem apenas para contar a história. Assim, Fincher sobe um degrau como diretor (e olhe que ele já era muito bom).

Brad Pitt, em sua terceira parceria com Fincher, encarna o personagem título que nasce com 80 anos, um bebê com todas as rugas e doenças da velhice, e vai rejuvenescendo com o passar do tempo. Abandonado pelo pai por sua aparência, ele é criado por uma mulher doce que trabalha e mora em um asilo. Assim, Benjamin cresce entre as pessoas que apesar de não terem sua idade, pelo menos aparentam com ele. É lá onde ele conhece a personagem de Cate Blanchett, neta de uma das internas e seu grande amor. Ao fazer 17 anos, ele começa a trabalhar em um navio onde sai para conhecer o mundo, ajudar na guerra e conhecer um amor em terras estrangeiras (Tilda Swinton, mais velha na idade e mais nova na aparência).

Isso tudo pode parecer estranho, mas o mundo de Button é diferente do nosso, além do seu caso peculiar, temos um homem que já foi atingido por um raio 5 vezes e uma mulher velha atravessa a nado o canal da mancha. Tendo dito isso, o caso de Benjamin não é assim tão absurdo, certo? O Próprio Benjamin não é tão comum assim. Quando encara a morte pela primeira vez, ele simplesmente ajuda a carregar o corpo. Vai visitar seu grande amor e ela prefere sair com os amigos? Ele não discute, apenas vira as costas e segue seu caminho. Parece que, por sua condição, Benjamin sabe mais sobre o tempo do que nós. A velha estava no seu tempo de morrer, assim como não era ainda seu tempo de estar com sua amada.

Pitt mostra (mais uma vez) seu valor. Não que precisasse. Uma revista elegeu seu personagem em Clube da Luta, Tyler Durden, como o melhor personagem de todos os tempos. Além de vários outros personagens que ele interpreta com maestria, como Jesse James para citar outro exemplo. Do outro lado da linha da vida, uma não menos magnífica Cate Blanchett (a prova de qualquer crítica e mostrando que “a maldição do Oscar” é bobagem) dá vida ao seu par romântico.

Um filme que visto em qualquer ordem, merece ser revisto. O melhor de Fincher. Que deve agradecer ao maravilhoso trabalho do roteirista Eric Roth, que já escreveu O Bom Pastor, Munique, Ali e Forrest Gump.
PS: Para poder realizar esse filme, Fincher fechou um orçamento de 150 milhões para filmá-lo junto com Zodíaco (que era a verdadeira aposta dos estúdios financiadores). O filme teve essa semana, nada menos que 13 indicações ao oscar. Incluindo Filme, diretor, ator e roteiro.
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