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segunda-feira, 1 de julho de 2013

GUERRA MUNDIAL Z - WORLD WAR Z


NOTA: 8.
- Se você pode lutar, lute. Esteja preparado para tudo. A guerra está só começando.

De tempos em tempos os zumbis sempre voltam para nos atormentar. Seja na televisão, seja nos cinemas. Não faz muito tempo, Zumbilândia mostrou uma trama divertida e despretensiosa. Na TV, The Walking Dead mostra um mundo pós-apocalíptico onde vemos as interações entre os sobreviventes. Podemos até questionar a falta de originalidade em um blockbuster, mas se começarmos a fazer isso onde iremos parar exatamente? Os filmes de verão não são famosos por serem os mais originais. E se compararmos que outras atrações incluem continuações como Star Trek e super-heróis como O homem de aço, esse até que é o mais original.
É livremente adaptado de um livro. O filme não traz nada de novo, nem tenta fugir de ser um mero filme de escapismo, mas é tão bem arquitetado que surpreende e até mesmo emociona nos momentos necessários. Isso porque foi bem construído. As cenas iniciais mostram estranhas doenças se espalhando pelo mundo. Logo na abertura, Brad Pitt já se vê obrigado e proteger sua família contra um um ataque de zumbis que perseguem impiedosamente. Nessa abertura, já vemos as destruições de grandes cidades, deixando o intimismo mais presente no final. Essa estrutura funciona melhor que ao contrário do estamos acostumados a ver.
A presença de quatro diferentes roteiristas quase nunca é um bom sinal. Geralmente, indica as tais "diferenças criativas" e problemas de produção. É muito provável que este seja o problema aqui também, mas é tudo tão bem feito que se esses problemas existiram não consigo ver nas telas. Talvez o problema mais visível seja apenas numa cena do clímax onde uma propaganda é empurrada goela abaixo no pior merchandising que lembro de ter visto nos últimos anos. É tão constrangedor, que seja lá quanto a marca pagou, funcionou negativamente.
Ajuda muito ter um astro do calibre de Brad Pitt, que é respeitável e muito talentoso. Ele segura o filme do início ao fim com muita eficiência e nos deixa sempre torcendo por ele. Para um filme como este, é necessário que tenhamos empatia com o personagem principal logo de cara, ou ele pode ser apenas mais para morrer. Ao seu lado, temos o talentoso e eclético diretor Marc Foster (Quantum of solace, O caçador de pipas, Em busca da terra do nunca). Pode não ser um dos melhores diretores em atividade, mas é competente e sabe dar emoção as cenas quando necessário.
Se há algo que realmente chama a atenção neste filme, é a movimentação que os zumbis tem. De uma forma que não lembro de ter visto antes. Em Extermínio, já tínhamos alguns monstros que corriam insanamente atrás dos vivos, mas aqui isso atinge um novo patamar. Gerados por computador em muitos casos, eles são interessantes e assustadores ao mesmo tempo. E se movem de um jeito jamais visto. Só isso já pode ser o suficiente para assistir o filme. Porque ainda que a história desse filme não vá ser lembrada, os movimentos desses seres vão ficar na memória por um bom tempo.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O HOMEM DA MÁFIA - KILLING THE SOFTLY


NOTA: 5.
- América não é uma país, é um negócio.

Este filme é desses que começam devagar. Isso seria desculpável, mas o problema é que o que se segue é um desenvolvimento mais lento que conclui sem melhorar nada. A história é sobre um assalto a um lugar onde mafiosos jogam pôquer, e é preciso que cuidem de todos os envolvidos. Esse assunto vai ser melancolicamente resolvido por um assassino profissional entre as muitas e longas conversas filosóficas que ele vai ter com diversas pessoas.
O filme é escrito e dirigido por Andrew Dominik, que realizou antes o igualmente ambicioso O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford, também com Brad Pitt no papel principal. O resultado não é muito diferente, já que a dupla mira alto e resultado acaba sendo um tanto quanto decepcionante. Nesse caso, é ainda menos interessante que o faroeste, que pelo menos tinha uma fotografia impressionante e um personagem icônico.
O assassino aqui é Jackie, interpretado por um Brad Pitt tentando ser "cool", mas também frio e distante. O resultado é um pouco estranho, pois o personagem principal parece ser totalmente sem emoção. É como se ele estivesse destacado de tudo que acontecesse em sua volta, e permitisse somente seus coadjuvantes a terem emoções. Uma atuação mais ou menos equivalente ao que entregou no outro filme dirigido por Andrew Dominik.
Entre os outros mafiosos, há diversas caras facilmente reconhecíveis. O chefe é interpretado por Richard Jenkins. Outro matador de aluguel tem as feições de James Gandolfini. Como o chefe da banca de poker, está Ray Liotta, que parece sempre presente em filmes desse tipo. É difícil dizer que não é ótimo ver todo esse talento junto, mesmo que o resultado não seja exatamente um sucesso eles afastam o filme de um fracasso total.
Todo o filme, seja pelos carros que vemos ou pelas roupas que os personagens vestem, remete a um tempo mais antigo. E tudo isso parece deslocado quando se para pra pensar que na verdade tudo acontece em 2008, logo depois do furacão Katrina. É uma espécie de tentativa de dar uma relevância mais moderna a história. O ato parece um tanto desesperado e não melhora em nada a história, exceto na tirada final do filme que resulta na frase transcrita acima.
No final, o que temos é um festival de clichês pretensioso demais para o meu gosto. Parece que já vi uma centena de filmes ou mais contando exatamente o que se apresenta aqui. Talvez a única diferença, seja que este é um filme feito por homens, com homens e quase exclusivamente para homens. A única mulher que me recordo no filme inteiro é uma prostituta que aparece por pouco tempo e que mal recordo de seu rosto. E a única pergunta que me resta neste filme é como essa máfia  se sustenta financeiramente. Não há um único cidadão envolvido, e todos os golpes e negociações são feita entre os próprios mafiosos. Não consigo entender como esse método pode ser autossustentável. 

terça-feira, 6 de março de 2012

A ÁRVORE DA VIDA - THE TREE OF LIFE


NOTA: 10.
- A única maneira de ser feliz é amando. A menos que ame a vida vai passar por você num piscar de olhos. Seja bom com as pessoas. Questione. Tenha esperança.

Este é o filme mais ambicioso de Terrence Malick, diretor acostumado a filmes onde diálogos não parecem ser necessários. Ele é capaz de até mesmo acompanhar toda a existência de vida na Terra e nos fazer acompanhá-la através de incontáveis vidas, algumas até mesmo microscópicas. Outro diretor que realizou um trabalho com tanta coragem e visão foi Stanley Kubrick, com seu 2001 - Uma odisséia no espaço. O trabalho de Malick não é tão bom quanto, mas com certeza é o que mais se aproxima desde então.
O filme começa no passado, onde acompanhamos uma típica família de um subúrbio americanos. São três crianças que crescem em uma vizinhança onde ninguém parece se preocupar com falta de segurança e todas as casas ficam com portas e janelas destrancadas. Eles são criados por um pai que os trata com disciplina e  severidade na esperança de que cresçam fortes e uma mãe que parece pronta para desculpar quaisquer deslizes que os filhos cometam.
Os pais são identificados apenas como Sr. O'Brien (Brad Pitt) e Sra. O'Brien (Jessica Chastain), sem primeiros nomes. Talvez seja pelo fato de que naquela época nenhuma criança tivesse o hábito de chamar as pessoas pelo primeiro nome. Até mesmo desconfio se elas sequer sabiam o primeiro nome dos adultos. E os próprios filhos se referem a eles apenas como "pai" e "mãe". Uma dessas crianças é Jack O'Brien (Sean Penn), e é ele que vai crescer para se tronar no Sr. O'Brien.
O filme capta o cotidiano dessa família e o crescimento dos três filhos, em especial Jack que é o mais velho. Depois de uma cena inicial onde vemos a chegada de uma carta que causa grande tristeza aos pais, o filme  corta para um monte de cenas que podem parecer muito estranhas. O que eu acredito que sejam, é o Big Bang na visão do diretor, onde ele mostra muitas cenas de água. Na água acompanhamos a multiplicação de células que darão origem à vida. Incluindo eu e você.
Depois disso, vemos muitas cenas que parecem ser desconexas da vida dessa família, mas que aos pouco vão montando um quadro geral de como eles realmente são. Através de narrações que vem da voz da mãe, ouvimos sobre os caminhos da "graça divina" e os da "natureza", e como a natureza cria a vida e depois a tira de nós. Um dos rapazes O'Brien morre, e vemos Jack se transformar em um adulto. O que acontece então? A visão do diretor do que deve acontecer depois da vida.
Brad Pitt está ótimo como o provedor da família. Seu cabelo cortado bem curtinho e sua caracterização o fazem parecer nada mais que um cara normal, e não o galã de Hollywood. Ele pode parecer muito austero algumas vezes, como se não gostasse dos filhos. Ele gosta de seus filhos, e sempre que tem a chance ele os fornece carinho. Ele apenas está os criando da maneira que ele acha ser a melhor possível. Ele mesmo conversa com seu filho em determinada parte e admite que pode ter sido muito duro com ele, mas que só queria o melhor. O garoto responde à altura, não culpando o pai, mas entendendo. É assim que acontece. De repente as crianças crescem e passam a ter maior entendimento das coisas. Num piscar de olhos tudo pode mudar. E aqui, é muito bom ver como acontece.

terça-feira, 21 de junho de 2011

MEGAMENTE


NOTA: 8.
- Todos devem escolher entre dois caminhos. O bom é o caminho da honra, heroísmo e nobreza. O mal... Bem, é mais legal.

Um desenho animado que mostra um vilão como o personagem principal não é exatamente uma novidade. Há pouco tempo, por exemplo, tivemos o também bom Meu malvado favorito onde o personagem principal tinha que enfrentar um outro vilão para obter supremacia. Aqui reside a diferença entre os dois, já que neste temos um supervilão enfrentando um super-herói. No melhor molde das histórias do super-homem.
E ainda nos moldes do homem de aço, acompanhamos como Megamente (Will Ferrell) é lançado em um foguete espacial pelos seus pais para ser salvo de um planeta distante. Junto com ele, é lançado um segundo foguete com o menino de ouro Metro Man (Brad Pitt), e uma colisão entre os dois faz com que Metro Man caia numa bela casa com pais amorosos e ricos enquanto Megamente seja criado na cadeia em meio aos bandidos da pior espécie. Já que Metro é o adorado por todos, o herói, cabe a Megamente ser o vilão da história.
Como não poderia faltar, há a repórter Rosane Rocha (Tina Fey), que tem nome e sobrenome começando com a mesma letra tal qual Lois Lane, que é usada pelo vilão para atrair o herói para atraí-lo para mais uma de suas ciladas que sempre falham. Tanto é que em momento algum sequer se apavora e não grita nem mesmo quando lhe é pedido. Com ela está sempre o câmera (último elemento para a cópia ficar mais fiel) Hal (Jonah Hill).
Sabemos que seus planos sempre falham porque o vemos na cadeia e porque assim nos é dito, mas o plano do vilão dá certo e ele finalmente consegue se livrar de Metro Man e se diverte bastante com isso enquanto vai modelando a cidade da maneira que quiser. Não há ninguém agora que o possa deter, e isso o entedia. Só havia motivo para ele ser um vilão se houvesse um herói, por isso, para dar novamente sentido a sua vida, ele resolve clonar os poderes de Metro Man e implantar em outra pessoa para criar um novo herói. O escolhido acaba sendo Hal que se torna Titan, que gradualmente vai se transformando em um vilão ainda pior do que ele. E cabe a Megamente detê-lo, mas será que ele pode se dar melhor como herói do que como vilão?
O fato é que não é muito difícil torcer por Megamente. Ele foi vítima de bullying por toda sua vida desde a infância. A única maneira de ir contra aquilo era ser o oposto de seu agressor. Ele não é mau, é confuso, mas que garante diversão para toda a família (incluindo os grandinhos). Apesar de parecer uma cópia descarada não só de Super-homem entre outros desenhos, ele consegue ir longe ainda por conta de boas sacadas e   bons diálogos. Em especial, pela diversão que todos os atores parecem ter com seus personagens. Pode não ser original, mas tem seus méritos.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

CLUBE DA LUTA


NOTA: 6.
- Se você acorda num lugar diferente, em um horário diferente, você pode acordar como uma pessoa diferente?

Antes de começar a resenha, deixe-me esclarecer uma coisa muito importante: eu gosto muito do trabalho do diretor David Fincher. Seus trabalhos em Seven, Vidas em jogo, O curioso caso de Benjamin Button e no mais recente A rede social são ótimos e me fazem ficar curioso para ver o trabalho que fará na versão americana de Os homens que não amavam as mulheres.
Tendo dito isto, eu agora declaro que não gosto de O clube da luta. Na verdade, acho que é um trabalho ainda pior do que ele fez em Aliens 3 e O quarto do pânico. Sei que serei amplamente criticado pelos fãs do filme, que acredito serem muitos, mas faz parte da vida.
Edward Norton interpreta um personagem cujo nome não sei dizer qual é. O que sei é que ele trabalha em uma empresa de seguros e está extremamente insatisfeito com a sua vida. Pessoalmente ou profissionalmente. Ele é depressivo e não consegue dormir há vários dias. São em grupos de ajuda que ele finalmente encontra sua catarse. A dor das outras pessoas o faz dormir como um bebê.
O seu "tratamento" começa a dar errado quando Marla (Helena Bonham Carter) começa a aparecer nos mesmos grupos que ele frequenta, incluindo câncer testicular. Ela é um "turista" como ele, e saber disso o incomoda a ponto de não mais conseguir dormir. A falsidade dela espelha a dele.
Até que em um voo a trabalho, ele conhece Tyler Durden (Brad Pitt), um estranho que parece identificar o âmago dele. Eles trocam contatos, e quando o personagem de Norton descobre que seu apartamento explodiu, ele procura Tyler para abrigo. É quando eles formam o tal Clube da Luta.
Cada filme é dividido, na maioria das vezes, em três atos. Este primeiro ato, é uma brilhante crítica ao consumismo e ao estilo de vida americano de viver. Quanto mais se tem, mais se quer. Mesmo que não precise de nada disso. Um filme inteligente, com humor sarcástico de primeira. Pena que vem o segundo ato e tudo construído no primeiro vai por água abaixo.
O segundo ato é uma ode à violência. Um festival de sangue, caras quebradas e sons que engrandecem cada soco dado. A inteligência que domina a primeira parte sobrevive em parcos momentos aqui. A única coisa a ser considerada é a violência.
Tyler é um personagem carismático, de certa forma. Digo isso com ressalvas, porque ele tem uma maneira peculiar de mostrar sua filosofia. Parece interessante, mas não é de nenhum utilidade para mim, e prefiro acreditar que não deveria ser para a maioria das pessoas. Seu carisma se resume a convencer todos a lutarem em lugares duvidosos. E é seu carisma que leva o filme ao seu terceiro ato.
No terceiro ato, a influência de Tyler faz com que se crie um projeto diferente do Clube da Luta. Ele usa todo seu carisma para recrutar membros do Clube para o Projeto Destruição, que basicamente tem a intenção de criar caos e destruição pelas cidades dos EUA. Lembra alguma outra pessoa que levou todo a Alemanha para a guerra? É como Tyler.
Nenhum membro fica mais forte, mais sábio ou tem qualquer outro tipo de melhoramento na sua vida. Eles apenas ficam trocando socos, e depois seguem um fascista para criar caos. Eles estão mais para membros de um culto que poderiam seguir Charles Manson e matar pessoas em suas casas. Fora todo o clima de mistério que é meio desnecessário para a trama, com as dúvidas do que é real ou não.
O que realmente se salva durante todo o filme é a competência de seu elenco. Norton e Pitt estão pefeitos em seus papéis e Carter chega para colocar a cereja no topo. Todos impecáveis. Difícil ver um elenco que se encaixa tão bem. E uma pena que tenham sido usados nesse filme.
Seja qual for a mensagem que Fincher quisesse passar, ela ficou perdida na confusão e na violência.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

ENTREVISTA COM O VAMPIRO


NOTA: 9.
- Seu sangue amaldiçoou minhas veias mais doce que a própria vida. Foi então que as palavras de Lestat fizeram sentido para mim. Eu só conhecia a paz quando matava. 

Antes de vampiros virarem material de bobagens como Crepúsculo e Os diários do vampiro, eles eram usados como personagens de terror. Anne Rice, escreveu uma série de livros e escreveu o roteiro adaptando um deles para o cinema. O resultado se encontra aqui, em mais um belo filme de Neil Jordan (não creditado como roterista).
Acompanhamos Louis (Brad Pitt) contando sua longa vida de vampriro para um repórter (Christian Slater). Não toda sua vida, mas a partir do momento em que foi transformado. Começa em 1700, logo após a morte de sua mulher e filha (no livro ele nunca teve uma esposa). Louis se encontra em tamanho desespero que faz qualquer besteira que possa o levar à morte. Ao invés disso, ele encontra o vampiro Lestat (Tom Cruise).
Lestat lhe faz uma proposta simples: ou Louis aceita se transformar em um vampiro e lhe fazer companhia ou Lestat dará a morte que ele tanto deseja. Claro que Louis se transforma em um vampiro e os dois ficam passeando (e se alimentando) pelas principais cidades da época.
Há uma coisa aqui que o diferencia dos demais filmes. Não há uma "glamourização" no fato de ser vampiro. O personagem Louis é melancólico. Ele sempre se arrepende de ter se transformado no que se transformou. Duas pessoas no filme vão lhe pedir para virarem vampiros, e ele não tem a menor intenção de transformar nenhuma delas.
Ao mesmo tempo, o filme desmistifica muito coisa sobre os vampiros. Os vampiros aqui não morrem com estacas no coração, não temem símbolos religiosos ou coisa do gênero. Fica um ar de realidade no ar. Algo do tipo: "como seria se um vampiro realmente existisse". O que o torna muito interessante.
O filme não se aproxima muito do terror também. Cada mordida é feita com finesse. Há uma sedução no ar, mesmo quando Lestat vai morder Louis, há uma sedução. Não acho que chegue a ser homossexual, na verdade os vampiros não parecem ter apenas uma preferência sexual. Eles não estão apenas dizimando gado, eles estão realizando uma caça. Talvez o mais divertido seja a caça.
Inclusive, por isso acontece a parte mais assustadora do filme: eles transformam uma criança de 12 anos em uma vampira. Ela tem um rosto angelical e uma veia assassina que se transformam numa mistura impressionante. Vale ressaltar que ela não é uma má pessoa, ela na maioria das vezes sequer tem noção do que faz a princípio. É apenas uma criança que mata, e com passar dos anos sua aparência não muda. Nem nunca mudará.
Tom Cruise foi criticado pela sua escolha, mas está ótimo no papel. Há algo em sua maquiagem que tira a aura de astro misturado com uma atuação contida. O melhor do filme, sem dúvida.
A única coisa que me incomoda é que pouca coisa acontece no filme. É como uma vida normal de uma pessoa, só que bem mais longa. Sinto falta de alguma grande ação que levasse para o final, ao invés de ficar quase que numa enrolação. Não queria esperar tanto assim para o final do filme. Afinal,, não sou imortal como eles.

OBS: O papel do repórter deveria ser interpretado por River Phoenix (irmão de Joaquin Phoenix), mas ele morreu de overdose antes do início das filmagens. Por isso o filme é dedicado a ele.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

BASTARDOS INGLÓRIOS


NOTA: 8.

“Meu nome é Tenente Aldo Raine e estou montando uma equipe especial. Preciso de 8 soldados. Oito soldados judeu americanos. Vamos soltar na França, vestidos de civis, e uma vez que estivermos em território inimigo vamos fazer apenas uma coisa: matar nazistas.” Tenente Aldo Raine

Ao final do filme fica uma certeza: Tarantino é dono de um estilo único. Poucos diretores conseguem ser identicados tão facilmente por seu estilo. Menos ainda em atividade. Então só por isso já dá pra dizer que ele é muito bom mesmo. E seu novo filme não vai passar despercebido por ninguém. Gostem ou não do filme. E acredito que existirá quem não goste.

O filme apresenta basicamente três personagens e vertentes diferentes, interpretados por Brad Pitt, Mélanie Laurent e Christoph Waltz. Cada um lidera um núcleo da história do filme. Um caçador de nazistas, um caçador de judeus e uma judia. Bem díspares.

Tentente Aldo Raine (Pitt) monta um esquadrão que ficam andando pela Europa caçando a matando nazistas. Eles não fazem prisioneiros e cada soldado promete entregar para Raine cem escalpos (Raine tem uma herança apache) ou morrer tentando. Eles sobrevivem de forma improvável por anos nas áreas então ocupadas por nazistas fazendo suas matanças.

O vilão é Hans Landa (Waltz) cuja capacidade de encontrar judeus o faz ser apelidado como o “Caçador de Judeus”. Landa é provavelmente a pessoa mais inteligente, e inclusive fala com perfeição inglês, alemão, francês e italiano. Logo na primeira cena do filme (ótima por sinal), ele descobre onde estão escondidas uma família de judeus. No massacre, escapa apenas a menina Shosanna.

Shosanna (Laurent) cresce após o massacre de sua família com documentos falsos. Muda seu nome e cuida de um cinema, onde é assediada por um soldado alemão, que é na verdade um herói nazista por ter matado sozinho 300 inimigos. O caso do soldado serve de inspiração para os desejos nazistas e acaba se tornando um filme feito por Goebbels e sua estréia será feita no cinema da moça.

Aí que as histórias se encontram: Shosanna planeja incendiar o cinema, Raine quer invadir para explodir tudo e Landa é responsável pela segurança do lugar, que receberá além de Goebbels, o próprio führer.

Aqui vale lembrar que essa não é a verdadeira Segunda Guerra Mundial, essa é a Segunda Guerra Mundial do Tarantino. Não espere uma aula de história, Tarantino não está interessado em o quê realmente aconteceu ou como aconteceu, ele está interessado em contar uma história. E acredite, o final do filme choca e consegue ser mais feliz do que na verdade aconteceu. Não me surpreenderia se eles conseguissem resgatar Anne frank. Por isso Raine fazendo caretas o filme inteiro é totalmente aceitável. É um filme deslocado da realidade.

Por esses apstectos o filme de Tarantino é um espetáculo. Não fosse ele tão apaixonado pelo seu roteiro, poderia ter entregue um dos melhores filmes sobre a guerra, ao invés disso entrega um filme bom com momentos de brilhantismo. Um pouco mais curto e com mais espaço para a matança dos Bastardos, (afinal, o filme deveria ser sobre eles, não?), seria um filme memorável, mas ainda assim não será facilmente esquecido. Principalmente, o personagem Hans Landa não será esquecido. O filme pode não ser o melhor, mas não consigo recordar um nazista mais memóravel que esse.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON – THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON


NOTA: 9,5.

David Fincher, diretor de Clube da Luta e Seven, nos conta essa triste e emocionante história. Difícil de acreditar que o homem que sempre mostrou criatividade e tecnologia em seus filmes se preocupe em contar uma história mais singela e visualmente mais simples. Não que não tenha tecnologia (Pitt e Blanchet com 17 anos estão presentes no filme, assim como Pitt com 80), mas os efeitos presentes no filme passam batidos e servem apenas para contar a história. Assim, Fincher sobe um degrau como diretor (e olhe que ele já era muito bom).

Brad Pitt, em sua terceira parceria com Fincher, encarna o personagem título que nasce com 80 anos, um bebê com todas as rugas e doenças da velhice, e vai rejuvenescendo com o passar do tempo. Abandonado pelo pai por sua aparência, ele é criado por uma mulher doce que trabalha e mora em um asilo. Assim, Benjamin cresce entre as pessoas que apesar de não terem sua idade, pelo menos aparentam com ele. É lá onde ele conhece a personagem de Cate Blanchett, neta de uma das internas e seu grande amor. Ao fazer 17 anos, ele começa a trabalhar em um navio onde sai para conhecer o mundo, ajudar na guerra e conhecer um amor em terras estrangeiras (Tilda Swinton, mais velha na idade e mais nova na aparência).

Isso tudo pode parecer estranho, mas o mundo de Button é diferente do nosso, além do seu caso peculiar, temos um homem que já foi atingido por um raio 5 vezes e uma mulher velha atravessa a nado o canal da mancha. Tendo dito isso, o caso de Benjamin não é assim tão absurdo, certo? O Próprio Benjamin não é tão comum assim. Quando encara a morte pela primeira vez, ele simplesmente ajuda a carregar o corpo. Vai visitar seu grande amor e ela prefere sair com os amigos? Ele não discute, apenas vira as costas e segue seu caminho. Parece que, por sua condição, Benjamin sabe mais sobre o tempo do que nós. A velha estava no seu tempo de morrer, assim como não era ainda seu tempo de estar com sua amada.

Pitt mostra (mais uma vez) seu valor. Não que precisasse. Uma revista elegeu seu personagem em Clube da Luta, Tyler Durden, como o melhor personagem de todos os tempos. Além de vários outros personagens que ele interpreta com maestria, como Jesse James para citar outro exemplo. Do outro lado da linha da vida, uma não menos magnífica Cate Blanchett (a prova de qualquer crítica e mostrando que “a maldição do Oscar” é bobagem) dá vida ao seu par romântico.

Um filme que visto em qualquer ordem, merece ser revisto. O melhor de Fincher. Que deve agradecer ao maravilhoso trabalho do roteirista Eric Roth, que já escreveu O Bom Pastor, Munique, Ali e Forrest Gump.
PS: Para poder realizar esse filme, Fincher fechou um orçamento de 150 milhões para filmá-lo junto com Zodíaco (que era a verdadeira aposta dos estúdios financiadores). O filme teve essa semana, nada menos que 13 indicações ao oscar. Incluindo Filme, diretor, ator e roteiro.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

QUEIME DEPOIS DE LER – BURN AFTER READING


NOTA: 8.

Trata-se de uma nova comédia dos irmãos Coen. Só isso já deve ser o suficiente para atrair muita gente. Aqui, os irmãos se despem (mas não totalmente) da violência do anterior (Onde os fracos não têm vez) para contar uma história mais engraçada do que dramática. E acertam em cheio.

Brad Pitt é o funcionário da academia que encontra um CD com informações da CIA, informações que pertencem ao personagem de John Malkovich que foi mandado embora por conta de seu problema com bebida. Pitt se associa a Frances McDormand que tem um caso com George Clooney que também tem um caso com a mulher de Malkovich (Tilda Swinton). Só essa teia de confusões já diferencia o filme da maioria das comédias habituais e o deixa um patamar acima.

Como a dupla se habituou a criar personagens estranhos e memoráveis, não espere nada diferente aqui. Brad Pitt é o dono do filme no papel do personal trainer atrapalhado. É impossível não morrer de rir com a sua atuação mesmo quando se encontra em perigo. Outro hilário é George Clooney. Os dois mostram uma desenvoltura nos diálogos e dão uma dinâmica impressionante ao filme. Só não leva uma nota maior porque o ritmo é irregular em alguns momentos.
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