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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O HOBBIT: UMA JORNADA INESPERADA - THE HOBBIT: AN UNEXPECTED JOURNEY


NOTA: 6.
- Estou procurando alguém para participar de uma aventura.

Depois da trilogia de O senhor dos anéis fazer um sucesso estrondoso, quase três bilhões nas bilheterias e ainda levar 14 Oscars, o diretor Peter Jackson resolveu contar a história que se passa antes de tudo que vimos. É a história de como Bilbo Bolseiro conseguiu o anel que deixou para Frodo. Não chega a ser decepcionante como A ameaça fantasma, mas com certeza está muito aquém do que se deveria esperar. Ou simplesmente pode ser o caso de ser porque essa história realmente devesse ter sido contada antes.
Digo isso, porque provavelmente se tivesse sido contada antes, um único livro não teria sido transformado em uma trilogia de filmes. Se na trilogia original Jackson realizou uma série de cortes para termos uma média de três horas por filme, o que temos aqui é uma história bem mais simples que foi esticada até não poder mais para poder justificar a razão de termos três filmes com menos de três horas, ao invés de um só, ou quem sabe com boa vontade até mesmo dois.
Claro que ter menos de três horas não quer dizer que temos uma história que flua mais rápido. Na verdade estamos longe disso. Levamos muito tempo acompanhando até que Bilbo (Martin Freeman) concorde em ir na viagem com os anões, e com o final do filme parece que sua viagem, que no livro é bem mais curta que a de Frodo, vai levar muito mais tempo para ser contada. Tudo isso com a escolha da filmagem em 48 quadros por segundo (tradicionalmente se usa 24) que, na minha opinião, não funcionou muito bem.
Claro que o talento de Jackson em montar quadros de extrema beleza não se perdeu. Cada cena do filme é, assim como na trilogia original, uma pintura com efeitos que muitas vezes passam despercebidos. Ele continua criando beleza e eficiência como poucos fazem, mas os personagens nas telas, especialmente os anões, conseguem ter ainda menos profundidade do que os personagens que tínhamos antes, e são ainda menos carismáticos apesar de serem interpretados com grande talento. A situação piora um pouco quando temos a aparição de personagens conhecidos e melhores como Gandalf (Ian McKellen), Elrond (Hugo Weaving) ou Galadriel (Cate Blanchett).
Outro grande problema do filme é seu tom. O senhor dos anéis é um livro escrito durante a Segunda Guerra Mundial e conta uma história muito sombria. O confronto definitivo entre o bem e o mal. O hobbit é um livro escrito em 1937 tendo em mente que era uma história para os filhos do escritor. Ou seja: o filme poderia ser uma divertida aventura, mas ao invés disso o que temos é uma grandiosa e perigosa aventura com muitas batalhas e decapitações que não vão decepcionar a jovem plateia sedenta de sangue.
Ao invés de se preocupar em contar a história que temos no livro, o diretor teve que se preocupar também em não entregar três filmes com menos de uma hora de duração. O que se vê na tela são diversas cenas que não estão no livro e que não funcionam nada além de transformar o filme em mais um possível parque temático como Piratas do Caribe. Depois de mais de duas horas de duração, cheguei a duvidar se Bilbo encontraria o anel, mas pelo menos temos o direito de ver a cena em que ganha o objeto feito da maneira correta. É a melhor parte do filme, e é uma pena que o resto das cenas não acompanhe nem de perto essa magia. Não deixa de parecer em nenhum momento que um filme poderia ter sido suficiente.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O SENHOR DOS ANÉIS: O RETORNO DO REI - THE LORD OF THE RINGS: THE RETURN OF THE KING


NOTA: 9,5.
- Filhos de Gondor, de Rohan, meus irmãos. Eu vejo em seus olhos o mesmo medo que poderia tirar o meu coração. Pode chegar o dia em que a coragem dos homens falhará, quando esqueceremos nossos amigos e quebraremos todas as alianças. Mas esse dia não é hoje. Hoje, nós lutamos.

Geralmente, a terceira parte de uma trilogia é a mais fraca de todas. Aconteceu com O poderoso chefão, Matrix (os dois últimos deste nem parecem terem sido feitos pelos mesmos diretores) e mais recentemente com Batman. Talvez aconteça que os diretores vão ficando com menos imaginação depois de dois filmes, mas este não é o caso do diretor Peter Jackson. E isso quase sempre acontece quando se tem um uso enorme de computação gráfica.
Ainda que o terceiro filme tenha mirado mais em agradar as plateias ávidas por ação, é quase impossível negar a grande façanha alcançada por Jackson. Este filme é a coroação de seu trabalho que foi realizado com maestria. Quase sempre os efeitos especiais ficam extremamente visíveis, e com estes filmes temos cerca de nove horas de filme em que os efeitos ajudam a contar uma história e nada além disso. É um espetáculo visual tão bom que mesmo os que não assistiram os dois primeiros são capazes de assistir a esse último e ainda curtir um bom filme.
Tudo o que foi feito é para nos levar à batalha em Minas Tirith, "onde o destino será decidido". Minas Tirith é o ponto alto das realizações que os efeitos especiais realizaram para os três filmes. É claro que sabemos um cenário daquele tamanho não pode ser construído para um filme, mas fica bem difícil de distinguir o que foi filmado em tamanho real e como exatamente foi inserido no meio de tantas imagens geradas por computador.
Ao mesmo tempo, Jackson corrige o problema de ter deixado tanto os hobbits ficarem em segundo plano, principalmente no segundo filme. Acho que era inevitável que isso acontecesse. Ainda que o diretor esticasse as cenas de ação para que Aragorn e seus companheiros tivessem mais tempo nas telas, ainda assim todos os seus atos eram secundários. O importante da história inteira não é uma guerra contra orcs, é destruir o anel e livrar a Terra Média de todo o mal.
Uma coisa que não foi corrigida ao longo dos três filmes é uma falta de aprofundamento nos personagens. Cada personagem tem suas personalidades e motivações, mas tudo o que acompanhamos é o que está na superfície. Mesmo quando Arwen toma uma decisão de abandonar sua imortalidade para ficar com Aragorn, não sentimos nenhum peso em sua decisão. Todas as decisões são tomadas levemente.
Infelizmente isso não acontece apenas nesse filme, mas em todos eles. Acompanhamos os personagens por muito tempo sem realmente conhecê-los em qualquer nível psicológico. Eles existem apenas como arquétipos de personagens e parecem funcionar apenas para o espetáculo visual. Tudo funciona bem, porque realmente tudo é maravilhoso, mas em momento nenhum parece que há um perigo real, porque não sabemos nenhuma real motivação ou preocupações pelas quais eles passam. O conjunto dos três filmes formam um excelentemente entretenimento como raros filmes conseguem ser, pena que não vai muito além de ser um entretenimento.

O SENHOR DOS ANÉIS: AS DUAS TORRES - THE LORD OF THE RINGS: THE TWO TOWERS



NOTA: 8,5.
- É como nas grandes histórias. Aquelas que realmente importam. As vezes você não sabe como vai terminar, porque como poderia ter um final feliz. Mas no final, as trevas passam. As pessoas nessas histórias tinham chances de voltar, mas eles continuaram sempre em frente. Porque eles tinham certeza de que ainda há bondade no mundo. E que vale lutar por isso.

No segundo filme da trilogia, fica mais claro que a intenção de Peter Jackson é entregar ação, que pode ser o que a maior parte da plateia quer ver. Por isso, o filme já começa sem se preocupar em mostrar os pontos importantes do filme anterior e já começa agitado. Com isso, fica claro também que Frodo (Elijah Wood) é mesmo um personagem secundário da sua própria história. A estrela do filme é Aragorn (Viggo Mortensen), e os hobbits passam a maior parte do filme longe do centro das atenções e da ação. A última parte do filme é praticamente inteira dedicada a uma incrível batalha.
O filme já abre usando a cena de Gandalf (Ian McKellen) nas minas de Moria, o que acontece ainda na primeira metade do primeiro filme. Os que não assistiram o filme anterior, não tinham nenhum preparo para assistir a esse nos cinemas. 
Claro que isso é uma reclamação totalmente pessoal. Levando em consideração apenas o filme, nada do que foi mencionado acima interfere (ou mesmo prejudica) a história que está sendo contada nas telas. O segundo filme é menos fiel ao livro, faz com que se perca grande parte do charme da história e falha em contar o mais importante, que é a jornada. Mas desde o primeiro filme, já tinha ficado claro o interesse do diretor, então devo aceitar o que é o filme e admirar como é um dos espetáculos visuais mais impressionantes que o cinema já nos proporcionou.
Grande parte desse espetáculo é gerado pelo uso muito habilidoso de efeitos especiais e animação digital. E assim, o personagem Gollum, que apenas aparecia em curtas cenas no filme anterior, aparece aqui durante uma boa duração do filme. Na época, era com certeza a criatura gerada por computador mais impressionante que já se havia visto nos cinemas. E o que é mais importante para fazer o filme funcionar: funciona quase tão bem quanto um personagem de carne e osso. Um pouco menos impressionante, mas ainda assim muito bem feitos, temos também os Ents, uma espécie de entidades que protegem as florestas.
Não estou criticando o uso da computação gráfica no filme. Algumas vezes critico o seu uso, mas é quando ela se sobrepõe a história, o que não é o caso aqui neste filme. Há inúmeras cenas em que percebemos que se tratam quase tão somente de computação gráfica, mas ainda assim as cenas são impressionantes e seguram a atenção. Fazendo como poucos diretores fazem, Jackson usa praticamente toda a tela pra preencher suas imagens com complexidade. É possível assistir o filme inúmeras vezes e ainda encontrar algo que não tenha visto antes. Jackson usa os efeitos especiais para "pintar" cada parte do que estamos vendo.
Talvez o filme agrade mais as plateias do que o primeiro. Há cenas mais espetaculares de ação e as batalhas são de tirar o fôlego, mas o filme sozinho carece de um início e está longe de ter um final. É uma ponte de três horas de duração que leva o primeiro filme para o último. Claro que é uma ponte extremamente bem feita que vai segurar as plateias e que nos faz ficar esperando o próximo filme ansiosamente. Mesmo os que já assistiram anteriormente.
Ainda corro o risco de ser chato, mas comparando com os livros, fica estranho perceber como o propósito da história original se perdeu. Se o escritor J. R. R. Tolkien quisesse contar uma história com muita testosterona e batalhas de espada, ele não teria escolhidos pequenos e frágeis hobbits como seus protagonistas. O filme quase deixa de ser uma adaptação para se transformar numa nova história moldada nos filmes de ação de hoje em dia, o que faz perder muito do charme do livro. 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O SENHOR DOS ANÉIS: A SOCIEDADE DO ANEL - THE LORD OF THE RINGS: THE FELLOWSHIP OF THE RING


NOTA: 9.
- Eu vou levar o anel para Mordor. Apesar que... Eu não sei o caminho.

Basicamente, existem dois tipos de pessoas que assistiram a esse filme. Uma parte, é formada por ávidos leitores de livros. Essa parte é a mais apaixonada pelo material por motivos óbvios. A segunda é formada pelas pessoas que não leem os livros e preferem assistir o filme porque leva menos tempo. Quando o diretor Peter Jackson tomou o comando da trilogia de filmes adaptando a maior obra nerd (esses livros só não foram mais vendidos que a bíblia), ele tinha o dever de agradar aos dois grupos. Eu li o livro antes de assistir cada filme, e fiquei bem satisfeito com o resultado. Assim como acredito que a maioria dos leitores deva ter ficado. Com ressalvas.
Devido a grande proporção que uma história como essa possui, Jackson compactou a saga de modo a deixá-la com a maior parte de ação possível, sem deixar de lado a mitologia que apaixonou milhões de de fãs pelo mundo inteiro. Certas partes terem ficado de fora, pois ele sabia que a maior parte da plateia iria procurar uma batalha entre o bem e o mal.
Mais impressionante ainda, é que esta é uma história feita à moda antiga. A mesma Hollywood que décadas atrás fazia filmes inocentes e mágicos como O mágico de Oz, hoje realiza filmes como Gladiador. Ainda que tenha se mantido fiel ao material original, a verdade é que não é possível realizar um filme hoje em dia que não siga os novos padrões. É um filme repleto de efeitos especiais, muita ação de tirar o fôlego e aventura. A adaptação segue a história a alterando para dar mais emergência ao filme, assim como cenas de ação foram extendidas. Consequentemente, mais correria e batalhas.
Uma coisa permanece inalterada. Os heróis da história são hobbits. Eles possuem características que fazem com que pareçam as mais improváveis criaturas para viverem ma aventura. Parecem seres humanos, mas são bem menores, fazem cerca de oito refeições diárias, tiram sonecas durante o dia e nunca se afastam do lugar onde vivem. Por outro lado, são perfeitos para esse caso, pois tem um bom coração. O único porém, é que a forma com que foi filmado para que eles pareçam pequenos, interfere um pouco nas cenas.
Se é possível que alguém ainda não conheça a história: se trata de um jovem hobbit chamado Frodo (Elijah Wood) que recebe de herança do seu tio um anel que é na verdade de grande poder e pode jogar o mundo inteiro (nesse caso, a Terra-Média inteira) nas trevas sob o julgo do maligno Sauron. Frodo irá porque é um dos poucos que consegue se mantar alheio ao poder que o anel exerce, e para acompanhá-lo, se juntam magos, humanos, elfos e anões.
No livro, a história era menos sobre batalhas e mais sobre as aventuras do nosso pequeno herói fora de  lugar. Seu cotidiano inteiro é modificado. Ele não só sai da sua zona de conforto, como conhece diferentes e mágicos lugares, pessoas e diferentes "entidades". Quando necessário, havia uma pausa para poemas e músicas, coisas que o filme infelizmente não tem tempo para mostrar. 
É uma produção fantástica que Jackson abraçou com paixão. Deve ter agradado muitos fãs e não fãs, foi indicado a Oscars e levou 4 estatuetas para casa (fotografia, efeitos, maquiagem e trilha sonora). Uma pena que: 1. a saga de Frodo fique reduzida para agradar as plateias que possa se interessar mais por outros personagens, afinal vale lembrar que são protagonistas e em determinados parecem muito mais coadjuvantes. Não estivesse Frodo carregando o anel, talvez fosse cortado do filme.; 2. toda a Terra-Média e a jornada sejam muito mais interessantes na minha imaginação. Que queira dar ênfase aos perigos da jornada é uma coisa, mas será que não há uma maneira de escapar que não seja por um triz? Que não seja no último segundo?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O PUPILO


NOTA: 5.
- Tome cuidado, garoto. Você está brincando com fogo.

Hoje, Bryan Singer é um diretor conceituado. Seja pelo seu trabalho começando a franquia de X-men (estragada depois de sua saída), revitalizando a franquia de Superman ou mesmo ainda mostrando que é um diretor competente de suspense em Operação Valquíria. A verdade é que Singer teve uma carreira meteórica. Depois de seu primeiro filme, ele já fez bastante sucesso com Os suspeitos e já se tornaria bastante famoso 5 anos depois com a franquia dos mutantes. Mas entre um filme e outro, ele fez esse filme que poucos conhecem.
Um filme baseado em um conto de Stephen King. O escritor largou o terror de lado para escrever As quatro estações, que consiste em 4 contos dos quais três viraram filmes. Além deste, Conta comigo e Um sonho de liberdade.
Todd (Brad Renfro) é um brilhante aluno do colégio. Quando estuda sobre o holocausto, fica fascinado pelo assunto a ponto de estudá-lo diariamente. É quando reconhece um vizinho seu de uma foto nos livros. Um nazista procurado pelos seus crimes de guerra e acha provas suficientes para incriminá-lo. Sua intenção não é entregar o velho para as autoridades. Ele quer que ele conte as histórias da guerra para ele. Não as histórias que se lêem nos livros, mas aquelas que somente quem viveu pode contar.
O filme vai bem até certa parte, mas em determinado momento deixa de ser um interessante estudo entre a relação doentia entre duas pessoas inteligentes, que representam uma ameaça mútua um ao outro, e passa a ser apenas sádico, com corpos enterrados no porão e gatos sendo jogados no forno.
Renfro faz um trabalho competente dentro do seu papel, mas obviamente o show é todo de Sir Ian McKellen no papel do velho nazista Dussander. Ele é, provavelmente, o maior ator inglês ainda vivo. Uma cena em particular depende de seu talento. Todd lhe dá uma réplica de um uniforme nazista e pede para o velho marchar o usando. A intensidade que McKellen consegue passar para a cena chega a ser assustador. Pouquíssimos atores conseguem fazer cenas assim. Duvido se alguém pudesse fazer melhor.
Ainda assim essa devia ser uma história sobre Todd. A relação de chantagem entre ele e Dussander e todas as implicações que isso traz. Inclusive ser obrigado a mentir no colégio para não se meter em encrencas por causa de problemas na escola. Tudo isso se perde no sensacionalismo de mostrar o sadismo. Mas fica aí  a dica para o caso de alguém querer conhecer mais sobre o trabalho do diretor, que apesar de tudo mostra uma direção acertada. De quebra, tem David Shwimmer, o Ross de Friends, fazendo um papel diferente.

quinta-feira, 18 de março de 2010

SEIS GRAUS DE SEPARAÇÃO (SIX DEGREES OF SEPARATION)


NOTA: 8.
"Eu li em algum lugar que qualquer pessoa no planeta é separada de qualquer outra por apenas seis outras pessoas. Seis graus de separação entre a gente e qualquer outra pessoa do planeta. O presidente dos EUA, um gondoleiro de Veneza, basta ir preenchendo nomes. Eu acho reconfortante saber que estamos tão próximos. Que se achar as exatas seis pessoas, nós estamos conectados. Estamos ligados a qualquer pessoa no planeta por outras seis pessoas." Ouisa

Lembro que fiz uma resenha de um filme de Will Smith e dizia que achava estranho ele ter esse carisma enorme e desperdiçar em filmes medianos, quando não ruins. Não quero acabar com ele, apenas gostaria de vê-lo em um filme que não será esquecido em 5 ou 10 anos. Então lembrei da existência desse filme. Não lembrava muito bem dele exatamente, mas lembrava da história e resolvi dar uma nova chance a Smith.
Smith faz seu primeiro personagem de destaque no cinema, antes havia sido apenas coadjuvante em um filme de Ted Danson e membro de uma gangue. Claro que este papel foi possível graças a série de tv que ele estrelava: The fresh prince of Bel Air, que fez bastante sucesso na época e durou seis temporadas. Os produtores do filme, provavelmente, quiseram aproveitar justamente o carisma de Smith, que é essencial para o personagem.
O filme é todo narrado por um casal de alta roda de NY, formado por nomes afrescalhados como Flan e Ouisa (Donald Sutherland e Stockard Channing), que nada mais são que variações de Flanders e Louisa, mas provavelmente fica mais chique da forma que eles adotaram. Em um jantar com um amigo interpretado por Ian McKellen, aparece Paul (Smith), se dizendo amigo de seus filhos. Depois de ser roubado e esfaqueado, ele bate a porta do casal em busca de ajuda.
Depois que ele vai embora, eles descobrem que Paul realizou o mesmo golpe com os pais de vários amigos de seus filhos. Sempre aparecendo depois de um assalto, contando que é filho de Sidney Poitier e oferecendo um papel na adaptação de cinema de Cats. Para Flan, Paul se torna uma piada que ele conta em cada lugar que vai, a história vai tomando vida e vira a atração de casamentos ou qualquer evento aonde vão, para Ouisa é algo mais. É o espelho de sua vida vazia.
Mesmo se eu não dissesse que era adaptação de uma peça de teatro, qualquer pessoa perceberia ao assistir o filme. Aqui não se preza pela imagem, mas sim pelas palavras. É um filme falado e muito falado, e tirando uma cena onde Ouisa dá um tapa na mão de Deus da Capela Cistina, não há uma cena visualmente memorável durante o filme. Mas o filme ser falado, não chega a ser um defeito também. Ele é muito bem falado com diálogos inteligentíssimos, ainda que as vezes perca a mão. Bem raramente.
Engraçado ver que já aqui Smith mostrava que já tinha tudo pra ser a estrela que é hoje. Além dele, somente Channing dá vida ao filme, com o resto do elenco fazendo papéis apenas burocráticos. Os dois são a alma do filme, e para um filme desses, isso é suficiente. Para mim, em termos de história, se trata do melhor filme de Smith, mas ainda estou esperando para ele me surpreender com uma obra inesquecível.
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