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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

JOGOS VORAZES - THE HUNGER GAMES


NOTA: 7.
- Você é mais forte que eles. Eles só querem um bom show, só isso. Você sabe caçar, mostre a eles quão boa você é.

O futuro que nos é mostrado em filmes (e livros) de ficção científica é sombrio de muitas formas diferentes, e aqui não é exceção. Mas geralmente é também visto como uma parábola do nosso presente. Aqui, depois das nações norte-americanas serem destruídos por uma catástrofe, surge uma nova chamada Panem. Essa nova civilização é governada pela Capital, que é cercada de 12 distritos que aparentemente nada podem fazer a não ser acatar as imposições feitas a eles.
E uma das imposições que a Capital faz, são os Jogos da Fome, onde um casal de cada distrito é escolhido em um jogo de guerra que é transmitido para todos através de câmeras escondidas. E também é um jogo onde somente uma pessoa pode sair viva. É no sorteio desse casal do Distrito 12 que começamos a acompanhar o filme, onde Katniss (Jennifer Lawrence) se voluntaria para ir no lugar de sua irmã que foi sorteada. Junto dela irá Peeta (Josh Hutcherson).
Katniss é uma guerreira moderna. Com um arco ela consegue manter sua mãe e irmã mais nova alimentadas. Suas habilidades de caça parecem fazer dela uma possível candidata à vitória. As chances não são muitos grandes, já que de 24 participantes somente um deles pode permecer vivo, mas ela deve agarrar essa única chance para poder voltar à sua família. Já Peeta não mostra as mesmas habilidades, mas mesmo que um deva morrer talvez o romance entre eles seja uma possibilidade.
Não sei quanto ao resto dos outros distritos, já que quase não são mostrados, mas o Distrito 12 é muito pobre e decadente. O que contrasta ainda mais quando nossos heróis chegam na Capital onde tudo é luxuoso e bem ornamentando com cristais e coisas do gênero. O exucutivo responsável pelos jogos é Seneca, que possui uma barba cujo desenho daria inveja até ao diabo e o líder da nação é o Presidente (Donald Sutherland).
Apesar de ter uma história até bem interessante e com algumas boas cenas de ação, algumas coisas me incomodaram no filme. Quando cada escolhido é apresentado, suas reações são muito opacas. Muito pobres. Como disse antes, por mais que tenha habilidades suas chances de sobrevivência são pequenas e a maioria está rumando para a morte certa. Seria compreensível que emoções mais fortes emergissem. Outra coisa que senti falta foi alguma discussão sobre quão justo é um jogo mortal onde meninas de 16 anos ou menos lutam contra rapazes de 18 em um combate corpo-a-corpo. Não se trata de machismo ou coisa do gênero, apenas uma observação que considero relevante. Além disso, o filme abre mão de mostrar as críticas sociais presentes na história de maneira mais aberta.
Apesar disso, o filme é um entretenimento interessante. Ainda mais por conta de Jennifer Lawerence no papel da heroína Katniss. Em Inverno da alma ela já tinha mostrado não somente que é capaz de estar no papel principal de um filme com (muita) competência, mas também talento mais que necessário para viver uma personagem forte e convincente. Talvez os realizadores tenham considerado que as plateias iriam apreciar mais as lutas que política, mas se for este o caso o filme está muito longo para mostrar apenas isso. Interessante mas poderia ir um pouco além.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

LEGIÃO PERDIDA - THE EAGLE


NOTA: 7,5.
- A águia não é um pedaço de metal. A águia é Roma.

Uma das grandes vantagens desse filme, é não tentar ser um épico. Mesmo Gladiador não conseguiu ser muito um épico como os que tínhamos antigamente e tinha uma história muito mais grandiosa do que essa. O diretor Kevin Macdonald (de bons filmes como O último rei da Escócia e Intrigas de estado) sabe para que  público está fazendo o filme e entrega um resultado plenamente satisfatório. Para um filme feito para adolescentes, temos mais do que costumamos encontrar.
A história é sobre um general de Roma chamado Marcus (Channing Tatum). Ele pede para servir perto de uma das fronteira de Roma. O lugar onde está servindo é alvo de constantes ataques dos bárbaros (que hoje chamamos de ingleses). Ninguém gostaria de servir lá, mas ele pediu. Foi perto daquela região que seu pai liderou uma companhia que sumiu misteriosamente junto com a águia, um dos símbolos de Roma. Esse fato traz desgraça à família de Marcus que tenta acabar com a má reputação.
Seu forte sofre um pesado ataque dos bárbaros. Marcus consegue proteger o forte e recuperar seus homens que estavam capturados, mas acaba gravemente ferido. Se recuperando na casa de um tio, Aquila (Donald Sutherland), ele descobre que recebeu um prêmio pela sua ação, assim como uma despensa honrosa por conta de seus ferimentos.Não bastasse isso, ele ainda é obrigado a ouvir os amigos de seu pai falando de seu pai como se fosse um traidor.
Para finalmente poder limpar o nome da família, ele resolve entrar Inglaterra adentro e fazer o que nenhum outro homem ou legião conseguiu: recuperar a águia. Para isso, ele conta apenas com a ajuda de Esca (Jamie Bell), um escravo que seu tio comprou para ele e que é descendente do líder que resistiu contra a invasão que o pai de Marcus participava. Aparentemente, a única coisa que impede Esca de matar Marcus é o fato que este salvou a sua vida.
Os dois encontram algumas respostas, por mais improvável que seja, mas não sem uma boa dose de derramamento de sangue. A grande vantagem é que não são lutas incessantes e intermináveis e que não deixam de fazer parte da história. Além disso, são lutas ensaiadas e com uma boa edição, o que faz com que a gente consiga acompanhar tudo que está acontecendo. Isso tem um efeito ainda maior, faz parecer que essas lutas pertençam ao mundo real.
O filme desperta interesses maiores. Ele se interessa no período retratado e age de acordo. A relação de Esca e Marcus é diferente do que se costuma ver em filmes. Em nenhum momento deixamos de perceber que eles são mestre e escravos. Em nenhum momento eles começam a agir como se fossem melhores amigos. São personagens com dimensão e não meras caricaturas, além de terem uma atuação bastante decente. Entrega mais do que promete.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

POSSUÍDOS - FALLEN


NOTA: 7.
- Existem momentos que marcam sua vida. Momentos em que percebe que nada vai ser a mesma coisa de novo e sua vida se divide em duas partes: antes e depois daquele momento. Algumas vezes, você pode sentir esse momento chegando. Esse é o teste. Em tempos como esse, pessoas fortes continuam avançando não importa o que vão encontrar.

Em certa parte do filme, o personagem interpretado por Denzel Washington discursa sobre a força policial. John Hobbes (talvez inspirado em Thomas Hobbes, que dizia que todos os homens eram maus) diz que 99,5% do tempo, os policiais, mesmo os corruptos, estão fazendo boas ações. Por isso, eles são os escolhidos. Porque fazem mais coisas boas que qualquer outra pessoa em qualquer outra profissão. Talvez essa seja a razão pela qual acredita que deva combater o mal. Literalmente.
Na noite da execução de um serial killer que foi capturado por ele, Edgar Reese (Elias Koteas, em uma pequena mas ótima participação) conversa com ele em uma estranha língua e segue para a câmara de gás cantando "Time is on my side", dos Rolling Stones. Pouco depois da sua execução, vemos um estranho efeito que mostra o que vamos descobrir depois ser o ser maligno abandonando o corpo do assassino. Somente em Hollywood um demônio pode andar tão livremente entre nós. E só em Hollywood sua música preferida é dos Rolling Stones.
Assim o filme abre a possibilidade do sobrenatural enquanto finca a vida de Hobbes todo dentro do mundo real. Seja em casa onde mora com seu irmão e sobrinho pequeno, ou no trabalho onde divide seu tempo com seu parceiro Jonesy (John Goodman) e seu superior Stanton (Donald Sutherland), um desses personagens enigmáticos que parecem saber mais do que deveriam.
Então esse mundo real estabelecido na vida do detetive começa a ser invadido por acontecimentos estranhos. Um homem que lhe chamou a atenção no dia anterior aparece morto em uma banheira. Outros crimes cometidos pelo mesmo método de Reese começam a aparecer novamente e o laudo de um linguístico diz que a estranha língua que Reese disse para Hobbes era Aramaico, uma linguagem morta que não tem como ele ter aprendido.
Uma estranha trama começa a se formar contra Hobbes. As tais coincidências vão se acumulando até que suas investigações o levam a filha de um policial que se suicidou tempos atrás e um nome: Azazel, o tal demônio que nós descobrimos antes dele (temos a vantagem de saber que ele está em um filme de terror enquanto ele próprio não sabe). O que Hobbes espera não é limpar seu nome ou sair ileso. Ele sabe que cabe a ele derrotar o tal demônio.
O filme apresenta uma história muito interessante, mas que não é conduzida pelo diretor Gregory Hoblit com brilhantismo suficiente para ser um filme melhor do que realmente é. Na verdade, a ideia é melhor que a sua execução, e depois de desenvolver uma trama interessante, o filme vai caindo de produção até chegar a sua definição mecânica e um pouco previsível. Um filme até interessante, mas muito burocrático para o meu gosto.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

QUERO MATAR MEU CHEFE - HORRIBLE BOSSES


NOTA: 8.
- Você não pode vencer uma maratona sem colocar bandaids nos mamilos.

Assim como a maior parte dos filmes de ação e afins, os filmes de comédia também procuram visar mais o público adolescente (maiores consumidores de ingressos). Então temos umas comédias mais politicamente corretas e linguajar moderado. Mas alguns poucos filmes por ano miram o público mais adulto e apostam no teor controverso de suas histórias. Daí é que acabam saindo as comédias mais engraçadas, como Se beber não case e este filme, por exemplo.
Observemos um detalhe interessante: o filme trata de quase todos os tipos de preconceito (contra gays, obesos, negros, indianos, etc), drogas, sexo, tem armas e um caso com urina, tudo com muita vulgaridade. O que eu acho mais interessante, é que nada disso torna o filme ruim. Pelo contrário, ao contrário das comédias lights, ele não tenta em momento algum ser terno ou emotivo. Não é hipócrita. E é por isso que na sua maior parte ele é um filme muito engraçado, a maior qualidade que um filme pode ter.
São três amigos: Nick (Jason Bateman), Kurt (Jason Sudeikis) e Dale (Charlie Day), que gostam de seus trabalhos mas odeiam seus chefes. Os chefes: Dave (Kevin Spacey) é um psicopata que faz Nick trabalhar mais que todos e vive o humilhando e o fazendo beber whisky às 8 da manhã; Bobby (Colin Farrel) é um viciado em cocaína que quer despedir os gordos da empresa porque o deixam triste e está sempre envolvido com prostitutas mesmo em seu escritório; e Julia (Jennifer Aniston) que é não somente uma dentista mas também uma predadora sexual que exige que Dale a possua no consultório. Como Kurt mesmo diz, o caso de Dale não parece tão ruim assim, mas todos tem um pequeno problema que os impedem de saírem de seus empregos. Eles estão presos com o psicopata, a maníaca e o idiota. É aí que um plano que apareceu como brincadeira começa a parecer a única saída: matar os chefes. Ou melhor ainda, como o consultor deles aconselha: eles devem matar os chefes uns dos outros para não parecerem suspeitos.
O que faz o filme funcionar melhor ainda é o elenco. Não apenas os amigos são ótimos como vítimas patéticas, com a ótima surpresa que é a presença de Charlie Day lembrando Zach Galifianakis em Se beber não case, mas também como eles são péssimos para matarem. Mas melhores ainda são os chefes. Eles são pessoas tão ruins, que de alguma forma pervertida não nos sentimos compelidos a sentir pena deles. São pessoas tão pervertidas que talvez o mundo realmente fique melhor sem eles. 
O filme tem uma história absurda e situações do mesmo calibre. Tentar fazer de outra maneira geraria um filme totalmente diferente, e provavelmente menos engraçado. É um mundo diferente do nosso onde qualquer ideia parece concebível, e que me dá um conforto de achar que nenhuma dessas pessoas possa realmente existir. Apesar da direção não fazer o filme fluir perfeitamente, o elenco parece capaz de fazer todo o trabalho sozinho. Pode não ser a melhor comédia do ano, mas com certeza pode divertir. E muito.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O CLUBE DOS CAFAJESTES


NOTA: 9.
- A gente tem um velho ditado nos Deltas: não perca a cabeça, se vingue.

Essa comédia não somente colocou o diretor John Landis (de filmes como Um príncipe em Nova York e Os irmãos cara de pau) no mapa como também lançou alguns atores para a fama, como Kevin Bacon, Tom Hulce (que viveria Mozart em Amadeus), John Belushi que infelizmente teve uma carreira curta e poucos filmes, e Karen Allen (a Marion de Indiana Jones).
O fato de ter conseguido o feito, é por ser uma comédia escrachada e politicamente incorreta como não se via muito na época e que hoje as pessoas que tentam imitar confundem com pura escatologia. Nenhum desses integrantes está preocupado com seu futuro acadêmico, o que eles realmente querem é curtir os anos de faculdade, seja qual for o tipo de festa em que estejam. No momento em que todos estão muito tristes, eles simplesmente resolvem que devem fazer uma festa da toga.
Quem sugere a festa é ninguém menos que Bluto (Belushi), o mais animalesco dos Delta, numa de suas poucas falas. A verdade é que este é um personagem que funciona melhor sem falar nada. Como quando sobe na escada e observa o dormitório feminino onde as mulheres estão em uma guerra de travesseiros (um típico sonho masculino do qual amigas minhas afirmam não existir), ele só precisa olhar para câmera para nos fazer rir. Um personagem memorável.
Alguém pode querer um detalhe mais aprofundado sobre o filme, mas isso não combinaria com o estilo dele. A intenção de todos os deltas parece ser cometer crimes contra a humanidade (uma forma exagerada de dizer que não se preocupam com leis ou convenções sociais). É só ver seus interesses: mulheres, sexo, cerveja e diversão. O que não gostam? Qualquer senso de ordem, que no filme é representado pelo diretor da universidade e seus puxa-sacos, os omegas.
Acho que o fato de o filme ter feito tanto sucesso é a energia que passa. Não há uma fórmula certinha a ser seguida aqui. Tudo é meio anárquico e bagunçado. E principalmente, muito engraçado. O elenco está bem composto, até mesmo com vários personagens que possam suprir a falta de palavras de Bluto. Desculpe repetir tanto o nome do personagem, mas é que com certeza ele é uma força da natureza que motiva a todos a fazerem suas festas e posteriormente a vingança. Ainda melhor, apesar de ser o que menos fala, tem as melhores falas. Nem que seja para simplesmente gritar "guerra de comida".
Um filme para ver sem compromissos e dar algumas boas risadas.

quarta-feira, 24 de março de 2010

ASTRO BOY


NOTA: 6.
"Sabe. Eu tentei encontrar o meu lugar no mundo. Eu pensei que tinha encontrado, mas se encaixar é muito mais difícil do que parece, não é?" Astro Boy

Depois da chegada de alguns produtos nipônicos aos cinemas, chega esse Astro Boy. A diferença? Este é um produto originalmente japonês mas que é agora "americanizado" para as novas platéias. Surgido alguns anos após Hiroshima e Nagasaki, ele era uma série com atores de carne e osso para depois se transformar em uma animação. Agora, muitos anos depois de dominar os mangás, aporta finalmente nos cinemas.
Para funcionar melhor, o filme conta a origem do garoto robô com as obrigatórias cenas de ação, a mensagem ecológica e atores de peso para dublar as vozes, como Freddie Highmore, Nathan Lane, Bill Nighy, Nicolas Cage e Donald Sutherland. Claro que os estúdios devem estar apostando em uma possível nova franquia lucrativa e não economizaram em nomes para isso. Outro exemplo é o diretor, o mesmo que também dirigiu Por água abaixo.
O filme começa mostrando o garoto Toby, menino inteligente filho de um grande cientista chamado Dr. Tenma. Com ele aprendemos que a Terra foi abandonada pela maior parte dos humanos e serve como depósito de lixo das pessoas que vivem na cidade flutuante de Astro City (meio repetitivo isso, não?). Depois de um incidente em um experimento de seu pai, Toby é evaporado, e tudo que sobra é um boné com um fio de cabelo.
Tenma, desolado, resolve construir um robô réplica de seu filho morto, e graças ao fio de cabelo do garoto, consegue fazer que o robô tenha todas as memórias e personalidade do garoto. Se como eu, você se pergunta porque não fazer um clone, não encontrará a resposta nesse filme. A única conclusão que se chega é: porque se ele for robô poderá ter armas e lutar. Assim agrada as crianças, principalmente se o tal robô tiver a mesma idade que elas.
Para os adultos, fica pouca coisa para assistir. As cenas de ação não empolgam muito e o filme é todo estereotipado. Adultos são os vilões e crianças salvam o dia. A mensagem ecológica não chega perto de ser poderosa. E mesmo essa recontagem de Pinóquio sobre querer ser um garoto de verdade não funciona direito. Talvez estivesse melhor nas mãos de algum gênio japonês.

quinta-feira, 18 de março de 2010

SEIS GRAUS DE SEPARAÇÃO (SIX DEGREES OF SEPARATION)


NOTA: 8.
"Eu li em algum lugar que qualquer pessoa no planeta é separada de qualquer outra por apenas seis outras pessoas. Seis graus de separação entre a gente e qualquer outra pessoa do planeta. O presidente dos EUA, um gondoleiro de Veneza, basta ir preenchendo nomes. Eu acho reconfortante saber que estamos tão próximos. Que se achar as exatas seis pessoas, nós estamos conectados. Estamos ligados a qualquer pessoa no planeta por outras seis pessoas." Ouisa

Lembro que fiz uma resenha de um filme de Will Smith e dizia que achava estranho ele ter esse carisma enorme e desperdiçar em filmes medianos, quando não ruins. Não quero acabar com ele, apenas gostaria de vê-lo em um filme que não será esquecido em 5 ou 10 anos. Então lembrei da existência desse filme. Não lembrava muito bem dele exatamente, mas lembrava da história e resolvi dar uma nova chance a Smith.
Smith faz seu primeiro personagem de destaque no cinema, antes havia sido apenas coadjuvante em um filme de Ted Danson e membro de uma gangue. Claro que este papel foi possível graças a série de tv que ele estrelava: The fresh prince of Bel Air, que fez bastante sucesso na época e durou seis temporadas. Os produtores do filme, provavelmente, quiseram aproveitar justamente o carisma de Smith, que é essencial para o personagem.
O filme é todo narrado por um casal de alta roda de NY, formado por nomes afrescalhados como Flan e Ouisa (Donald Sutherland e Stockard Channing), que nada mais são que variações de Flanders e Louisa, mas provavelmente fica mais chique da forma que eles adotaram. Em um jantar com um amigo interpretado por Ian McKellen, aparece Paul (Smith), se dizendo amigo de seus filhos. Depois de ser roubado e esfaqueado, ele bate a porta do casal em busca de ajuda.
Depois que ele vai embora, eles descobrem que Paul realizou o mesmo golpe com os pais de vários amigos de seus filhos. Sempre aparecendo depois de um assalto, contando que é filho de Sidney Poitier e oferecendo um papel na adaptação de cinema de Cats. Para Flan, Paul se torna uma piada que ele conta em cada lugar que vai, a história vai tomando vida e vira a atração de casamentos ou qualquer evento aonde vão, para Ouisa é algo mais. É o espelho de sua vida vazia.
Mesmo se eu não dissesse que era adaptação de uma peça de teatro, qualquer pessoa perceberia ao assistir o filme. Aqui não se preza pela imagem, mas sim pelas palavras. É um filme falado e muito falado, e tirando uma cena onde Ouisa dá um tapa na mão de Deus da Capela Cistina, não há uma cena visualmente memorável durante o filme. Mas o filme ser falado, não chega a ser um defeito também. Ele é muito bem falado com diálogos inteligentíssimos, ainda que as vezes perca a mão. Bem raramente.
Engraçado ver que já aqui Smith mostrava que já tinha tudo pra ser a estrela que é hoje. Além dele, somente Channing dá vida ao filme, com o resto do elenco fazendo papéis apenas burocráticos. Os dois são a alma do filme, e para um filme desses, isso é suficiente. Para mim, em termos de história, se trata do melhor filme de Smith, mas ainda estou esperando para ele me surpreender com uma obra inesquecível.
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