Mostrando postagens com marcador Jamie Foxx. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jamie Foxx. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

DJANGO LIVRE - DJANGO UNCHAINED


NOTA: 9.
- O que você acha do negócio de caçador de recompensas?
- Matar homens brancos e ser pago por isso? O que tem para não gostar?

Enquanto vários diretores procuram fazer filmes maiores e mais ambiciosos, Quentin Tarantino continua "reescrevendo a história" e subvertendo gêneros. Reverencia filmes B do passado e os coloca sob uma nova perspectiva mais atual. No caso, os faroestes spaghettis que alcançaram seu ápice com Sergio Leone (pra mim, em especial com Três homens em conflito) misturado com blacksploitation (da onde surgiu Shaft). Ao mesmo tempo que coloca muita ironia, não foge do importante tema sobre racismo.
O diretor já conquista as plateias com a abertura do filme. Dois homens brancos lideram uma fila de escravos no meio de uma floresta totalmente escura. Ao longe, observamos uma luz fraca se aproximar do grupo. É uma carroça com um ornamento em forma de um dente conduzida por King Schultz (Christoph Waltz), que começa a negociar com uma formalidade e educação, que o acompanhará por todo o filme, um escravo que já trabalhou uma fazenda com três homens que ele está caçando.
Digo caçando e não procurando. A carroça de dentista é apenas um disfarce, e Schultz é um caçador de recompensas atrás do dinheiro oferecido pelos homens da tal fazenda. E o escravo, claro, é Django (Jamie Foxx), com o "D" mudo. Os dois partem juntos à caça e atrás do dinheiro. A diferença é que agora ele é um ex-escravo, já que não é de interesse de Schultz ser dono de ninguém.
Claro que se poderia perguntar como Schultz andava no meio da noite em uma floresta escura procurando por escravos. Não só ele dificilmente saberia onde exatamente procurar os escravos como não encontraria  o escravo que está procurando, mas isso pouco importa. A cena é maravilhosa e é apenas a primeira de muitas outras que Tarantino nos presenteia. A verdade é que Schultz é um personagem de contos de fada. Não somente ele sabe como encontrar Django, como ele sabe como encontrar todo e qualquer homem com rostos em pôsteres de "Procurado vivo ou morto". Depois de encontrarem os primeiros alvos, os dois se tornam parceiros durante o inverno, depois disso eles vão tentar encontrar a esposa, também escrava.
A busca os leva até Candyland, que é regida por Candie, interpretado por um Leonardo DiCaprio extremamente sedutor. Para Django não podia ser pior, pois Candyland fica no Mississipi, um dos estados mais racistas nos EUA. E aqui entra o personagem mais surpreendente do filme, que é Stephen (Samuel L. Jackson), um negro que consegue ser pior com os escravos que qualquer outro branco em todo o filme.
Ao contrário de seu filme anterior, Bastardos Inglórios, o filme segue de forma muito mais agradável sem personagens secundários que ganham muito espaço na tela e praticamente sem flaskbacks. Estes, mesmo quando aparecem, são curtos, e em um dos casos é extremamente bobo e serve apenas como uma piada no meio do filme.
Como é um filme de Tarantino, não está longe de polêmicas. Alguns reclamam da violência extrema e outros do uso excessivo da palavra que começa com "N" quando se referem a uma pessoa de cor. Bem, a violência sempre está presente em seus filmes e acredito que a palavra provavelmente era muito usada mesmo. Provavelmente tudo parte de um plano. Os filmes dele não se baseiam no nosso mundo. As histórias ocorrem em seus filmes com uma liberdade que não existe. E para quem gosta, é um prato cheio.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

QUERO MATAR MEU CHEFE - HORRIBLE BOSSES


NOTA: 8.
- Você não pode vencer uma maratona sem colocar bandaids nos mamilos.

Assim como a maior parte dos filmes de ação e afins, os filmes de comédia também procuram visar mais o público adolescente (maiores consumidores de ingressos). Então temos umas comédias mais politicamente corretas e linguajar moderado. Mas alguns poucos filmes por ano miram o público mais adulto e apostam no teor controverso de suas histórias. Daí é que acabam saindo as comédias mais engraçadas, como Se beber não case e este filme, por exemplo.
Observemos um detalhe interessante: o filme trata de quase todos os tipos de preconceito (contra gays, obesos, negros, indianos, etc), drogas, sexo, tem armas e um caso com urina, tudo com muita vulgaridade. O que eu acho mais interessante, é que nada disso torna o filme ruim. Pelo contrário, ao contrário das comédias lights, ele não tenta em momento algum ser terno ou emotivo. Não é hipócrita. E é por isso que na sua maior parte ele é um filme muito engraçado, a maior qualidade que um filme pode ter.
São três amigos: Nick (Jason Bateman), Kurt (Jason Sudeikis) e Dale (Charlie Day), que gostam de seus trabalhos mas odeiam seus chefes. Os chefes: Dave (Kevin Spacey) é um psicopata que faz Nick trabalhar mais que todos e vive o humilhando e o fazendo beber whisky às 8 da manhã; Bobby (Colin Farrel) é um viciado em cocaína que quer despedir os gordos da empresa porque o deixam triste e está sempre envolvido com prostitutas mesmo em seu escritório; e Julia (Jennifer Aniston) que é não somente uma dentista mas também uma predadora sexual que exige que Dale a possua no consultório. Como Kurt mesmo diz, o caso de Dale não parece tão ruim assim, mas todos tem um pequeno problema que os impedem de saírem de seus empregos. Eles estão presos com o psicopata, a maníaca e o idiota. É aí que um plano que apareceu como brincadeira começa a parecer a única saída: matar os chefes. Ou melhor ainda, como o consultor deles aconselha: eles devem matar os chefes uns dos outros para não parecerem suspeitos.
O que faz o filme funcionar melhor ainda é o elenco. Não apenas os amigos são ótimos como vítimas patéticas, com a ótima surpresa que é a presença de Charlie Day lembrando Zach Galifianakis em Se beber não case, mas também como eles são péssimos para matarem. Mas melhores ainda são os chefes. Eles são pessoas tão ruins, que de alguma forma pervertida não nos sentimos compelidos a sentir pena deles. São pessoas tão pervertidas que talvez o mundo realmente fique melhor sem eles. 
O filme tem uma história absurda e situações do mesmo calibre. Tentar fazer de outra maneira geraria um filme totalmente diferente, e provavelmente menos engraçado. É um mundo diferente do nosso onde qualquer ideia parece concebível, e que me dá um conforto de achar que nenhuma dessas pessoas possa realmente existir. Apesar da direção não fazer o filme fluir perfeitamente, o elenco parece capaz de fazer todo o trabalho sozinho. Pode não ser a melhor comédia do ano, mas com certeza pode divertir. E muito.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

RIO





NOTA: 6.
- Isso é ótimo. Estou acorrentada ao único pássaro do mundo que não sabe voar.

Carlos Saldanha é o brasileiro, carioca para ser mais exato, colaborador da trilogia A era do gelo. Ele já havia assumido a direção dos dois últimos filmes de série e aparentemente este deveria ser o passo adiante da animação do estúdio. O filme pode estar batendo recordes de bilheteria e tudo o mais, mas este filme não apresenta um passo adiante nem para o estúdio e nem para o diretor.
O filme mostra a única coisa que evoluiu em relação aos outros logo na abertura: uma sequência musical onde pássaros cantam e dançam lindamente mostrando todas as cores possíveis ao invés do gelo e a falta de cores. A sequência é cortada porque contrabandistas aparecem e capturam todas as aves, incluindo o pequeno Blu que ainda nem sabia voar. Ele acaba sendo adotado por uma menina nos EUA.
Tudo vai bem até eles receberem a visita de um especialista em pássaros, Túlio, que afirma que a espécie de Blu está em extinção. Ele pode ser o último macho de sua espécie, e Túlio quer levá-lo (de volta) para o Rio onde vai juntá-lo com a fêmea que encontrou para salvar a espécie. O que se passa na cabeça dele para ficar tentando encontrar uma ave brasileira raríssima na terra do Tio Sam eu não faço ideia, mas de qualquer forma seu plano funciona.
Para acabar de esculhambar com a imagem que o cinema passa do Rio, obviamente que as aves são roubadas por bandidos da favela para serem vendidas no mercado negro. Assim como também é óbvio que a história se passa em pleno Carnaval que todo mundo, incluindo animais, ama. Quando alguém diz que não gosta de Carnaval, um pássaro quase morre de desgosto. Afinal, pela lógica do filme, todos amamamos o Carnaval.
Esses estereótipos foram pouco a pouco me irritando, e quando as sequências mais agitadas começaram a coisa só piorou. O diretor faz com que cada sequência no Rio tenha perigo e ameaças de morte. Em uma parte, Blu diz que gostaria de ficar cinco minutos sem quase morrer. Eu também gostaria, mas isso deve ser parte para atrair as platéias mais jovens.
São muitos personagens coadjuvantes querendo roubar a cena e nenhum deles é engraçado o suficiente para merecer a atenção. Na verdade, em geral o filme não é engraçado. Tem um senso de humor muito estranho com pequenas subtramas que substituem uma história no filme.
A familiaridade do material, fez com que uma produção da Pixar fosse cancelada. Uma pena, já que poderia ser interessante como eles tratam do assunto e esperar um bom filme. Aqui é um filme mediano que abusa demais dos clichês até mesmo para um desenho animado. Para crianças pode ser divertido, mas para adultos (eu, pelo menos) é um tanto enfadonho. Grande parte da nota vai para o visual da cidade que, como Gilberto Gil canta (e mesmo com o tempo não deixa de ser verdade): "O Rio de Janeiro continua lindo.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

UM PARTO DE VIAGEM


NOTA: 8.
- Olha só. Tenho cobertura do seguro. (depois de jogar o carro de um viaduto)

O diretor Todd Philips está se tornando um dos maiores nomes da comédia da atualidade. Não por acaso, fez pelo segundo ano seguido a comédia que mais me fez rir no ano todo. Ano passado o fez com Se beber não case e agora com este filme. E planeja mais ainda, pro ano que vem já está agendado o lançamento de Se beber não case 2 (se é que vão manter esse nome em português, já que segundo informações não haverá casamento algum).
As tramas de seus filmes são simples em sua forma. Antes, era um grupo de amigos tentando encontrar o noivo desaparecido em Las Vegas. Aqui, são dois homens que, por uma série de acontecimentos, tem que viajar juntos de carro de Atlanta para Los Angeles.
Os dois são bem diferentes. Peter (Downey) é um arquiteto certinho e organizado que está voltando para Los Angeles depois de uma viagem de negócios. Ele está ansioso porque sua mulher está perto de dar a  uma menina. Ethan Tremblay (Galifianakis) é um ator relaxado, maconheiro que consegue fazer os dois serem expulsos do avião por usar as palavras "bomba" e "terroristas" insistentemente. Como a carteira de Peter ficou dentro do avião, ele é obrigado a viajar junto com Tremblay de carro.
A viagem conta com algumas paradas inesperadas. Eles param para tentar receber dinheiro numa agência, na casa de um amigo de Peter que os ajuda a continuar a viagem e até mesmo para comprar maconha (Tremblay afirma o filme inteiro que sofre de glaucoma). O papel da traficante fica por conta de Juliette Lewis, fazendo uma segunda participação pequena nos filmes de Philips. A primeira foi a esposa infiel de Luke Wilson em Dias incríveis. Todas essas paradas geram situações de fazer rolar de rir.
E realmente o filme tem ótimas cenas hilárias, mas peca pelos personagens de pouca empatia. Peter é um estourado que explode e fala as maiores grosserias por muito pouco. Chega até a cuspir na cara de um cachorro. Tremblay não melhora muito, ele não tem sequer qualquer capacidade aparente para viver em sociedade. Muito menos para passar uma viagem com um descontrolado. Não dá sequer pra descobrir porque Peter volta para buscar Tremblay depois de abandoná-lo senão porque o filme ainda não tinha acabado.
Por isso que apesar de ter feito rir bastante, não alcançou seu sucesso anterior. Na verdade, poucos filmes conseguirão ser tão engraçados quanto Se beber não case. Chego até a duvidar que a continuação conseguirá esse feito. Mas ainda assim pode gerar boas risadas, e em uma quantidade que nenhum outro filme tinha conseguido até então esse ano. Como a função é fazer rir, a missão foi bem sucedida.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O SOLISTA


NOTA: 7.
- Eu nunca amei nada do jeito que ele ama a música." 

O Solista é um daqueles filmes que tem cheiro de Oscar. Ótima atuações, uma história real e sobre um personagem com problemas mentais. A roteirista é a mesma de Erin Brockovich e o diretor o mesmo de Desejo e reparação e Orgulho e Preconceito. Exceto que em momento nenhum consegui saber exatamente o que o diretor (ou roteirista) queria me fazer sentir assistindo o filme. Então nem posso dizer que falhou nesse sentido, apenas que não me direcionou para algum lugar.
Acompanhamos o repórter Steve lopez, que escreve sobre qualquer coisa. Um talento eu diria. Até mesmo seu acidente de bicicleta vira uma coluna do jornal. Um dia, ele ouve um som de violino em uma praça. Um som que não pertence aquele ambiente. Quando chega mais perto, percebe se tratar de Nathaniel Ayers, um esquizofrênico que toca o instrumento com apenas duas cordas e diz já ter estudado em Julliard (uma das escolas de música mais conceituadas do mundo). Se um acidente gera uma coluna, o que dirá um provável prodígio musical que atualmente vive nas ruas?
Lopez escreve sua matéria mas o destino faz com que ele tenha mais responsabilidades que gostaria com Ayers. Ele passa então a ajudar Ayers a retomar sua carreira musical. Ele nunca viu ninguém gostar tanto de alguma coisa quanto a paixão que ele nutre pela música. É algo incrível, mas será que a mente dele suporta?
É quando o filme se perde. Em todos os grandes filmes com doentes mentais, vemos como a doença altera o ser humano. Principalmente, vemos pelos olhos do próprio doente. Como o retardo de Forrest Gump por exemplo, onde no final do filme já até entendemos seu raciocínio. Aqui, a doença de Ayers fica mal resolvida. Pra completar, há uns flashbacks para explicar a evolução da doença e como ele foi parar nas ruas que nem se fazem necessários. Acredito que a doença deva funcionar dessa forma mesmo, só não achei que fica bem dramaturgicamente falando.
O filme começa a ficar mais complicado quando entra na parte em que trata dos desabrigados. Há toda uma parte que trata de centros de reabilitações, o descaso da população e das autoridades e porque os próprios desabrigados evitam esses tipos de lugares. Acho o esforço louvável, mas meio fora de propósito de acordo com a temática do filme. Poderia ser muito bem vindo em outro filme que trate desse assunto. Parece ter boas intenções, mas como dizem, de boas intenções...
Vale uma espiada mais pelas atuações. Robert Downey Jr. dá o ponto exato de um repórter atarefado que tem problemas no casamento e de relacionamento com o filho e ainda tem que dividir seu tempo com um esquizofrênico. Foxx está perfeito até mesmo atrás de todas as fantasias que usa durante o filme. E assim como Mirren em Intrigas de Estado, Keener também está totalmente plausível como editora de jornal (também com problemas). Só não espere muito.

The Soloist. Ano: 2009. Duração: 117 minutos. Com: Jamie Foxx, Robert Downey Jr e Catherine Keener. Direção: Joe Wright; Roteiro: Susannah Grant; Música: Dario Marianelli; Fotografia: Seamus McGarvey; Edição: paul tothill.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...